sexta-feira, abril 30, 2004

Radical Sempre


Foto de Eduardo Gageiro, que iria ser espancado e iria ver a sua máquina destruída pouco depois pela "malta do MRPP", publicada na Visão, colocada online pelo Barnabé.
Durão Barroso, à frente, à direita. Antes como agora, radical.


PS: Eu não voto em branco precisamente pelo que se passou hoje na Assembleia da República.

MCG

Um Durão mais radical

Hoje Durão Barroso provou novamente a arrogância que lhe é muito própria quando não quer responder a qualquer questão, quando não está preparado para responder, ou quando já nitidamente tem o debate perdido, Durão perde a cabeça e nem a sua bancada parlamentar se atreve a aplaudi-lo como deve ser. Hoje no parlamento Durão respondeu a tudo e todos com uma pedra na mão sem realmente responder a seja o que for, foi principalmente uma vergonha o ataque que fez aos Verdes, defendendo que não têm legitimidade democrática porque sempre foram a eleições coligados, pois eu afirmo peremptoriamente que quem não tem legitimidade é este governo! Porque enganou o país ao coligar-se depois das eleições, quem é que pediu que este governo se formasse assim? Qual é a legitimidade de um governo que não é eleito directamente pelos votantes? Alguma terá, mas honesto é ir coligado antes das eleições. Honesto será nas próximas eleições o PSD e o PP irem coligados com o fantástico slogan “Força Portugal” será que algum destes partidos perde legitimidade por ir coligado? Qual? Ou será que a verdadeira vergonha é o slogan? A escolha de um votante é saber se os dois partidos vão juntos defender unidos aquilo que acreditam. É uma vergonha a maneira totalmente desapropriada como este ministro fala com os partidos da oposição, é realmente triste, o primeiro ministro e o governo em geral, mas é engraçado observar que o mais grosseiro é realmente o chefe do governo.

MD

quinta-feira, abril 29, 2004

Vamos ao Circo

Se este país é um circo, esta é a atracção principal.
MCG

Not Bush

Certo que as opções e as decisões na vida devem ser tomadas tendo como base aquilo que queremos e não aquilo que não queremos. Certo é também que não posso votar nas eleições americanas.
Mas eu, se fosse americano e principalmente se vivesse na Flórida - o que diga-se de passagem dispensava se não fosse mesmo necessário - votaria John Kerry.
Kerry não é perfeito, é verdade. Mas e lá está a excepção à regra, é substancialmente melhor que Bush. Um "substancialmente" ampliado ao máximo.
E neste caso, como isso vale, por exemplo, essa "insignificância" chamada Paz mundial que, caso o messiânico Bush e o seu vice-presidente (ou será ao contrário?) e não por acaso o verdadeiro cérebro (cérebro? eu escrevi isto? será do ouro negro?) de toda a política da Casa Branca, Dick Cheney e aquelas sombras neo-conservadoras se mantenham na Admistração norte-americana, há-de tardar a chegar, se não mesmo alguma vez impossível de alcançar, numa perspectiva de médio-longo prazo tal a clivagem e o fosso de hostilidade que se está a criar, eu digo, simplesmente Not Bush. Please.
MCG
O complexo jogo geo-estratégico iraquiano é muito bem desmontando pelo General Loureiro dos Santos, no Público de ontem. Concorde-se ou não com tudo o que lá escrito, eu por exemplo não partilho de algumas ideias lá expostas, é uma visão inteligente e muito realista da situação. A ler, com atenção.
MCG

quarta-feira, abril 28, 2004

A problemática do voto em branco

É minha opinião que transformaram as palavras de Saramago numa falsa questão. Num fabuloso círculo mediático, onde finalmente se podia deixar a política de lado, falando de política.
O voto em branco como um despertar de consciências, ou como um meio de fazer chegar os Partidos pequenos ao Poder? Carlos Carvalhas levou o tema para este segundo plano, creio que mal.
O busílis não é saber o que acontecerá quando o voto em branco ganhar, mas sim o que levou a esta situação. O actual momento da Democracia portuguesa indicia um cada vez maior afastamento da vida política por parte dos cidadãos (cada vez mais personagens secundários num filme de mau gosto). Pergunto-me: eu, português, quero ter ligação a este Estado de coisas? Obviamente, NÃO! E agora, eu, Francisco Castor, cidadão, quero mudar este Estado? SIM! Como? Levando a minha opinião às pessoas, tentando ser ouvido, falando, agindo, votando. E se eu não me identificar com nenhum partido? Voto em branco. O voto em branco é a última arma da democracia: mostra que sou um cidadão activo, participante, e que não estou contente. Quantos mais forem (apelo aos que se querem abster, que não o façam – ainda para mais com esta, tão viável, hipótese -), melhor os Partidos percebem que o problema não é nosso, mas sim deles.
Enquanto de sentirem seguros, hão de continuar a querer privatizar hospitais, congelar salários, fechar fábricas, passar a Economia para as mãos dos grandes tubarões, e, a nova, aumentar os salários dos deputados. E a isto responde-se com abstenção? Ao abster-me, estou a marimbar-me. Com voto útil? O que é o voto útil, se não um mal menor? É demasiado arriscado. Com um voto em branco ou alternativo? Estou a mostrar-lhes que estou atento, interessado, com vontade de os castigar.
Decorrente disto, defendo o voto em branco como arma política de insatisfação. Pode ser perigoso, não o nego, mas é a arma que nos resta.

Francisco Castor

Outro género de entrevista

Já na SIC Notícias anda a passar uma entrevista com Mota Amaral, Presidente da Assembleia da República e a discussão foi completamente diferente da que falei no post anterior “Entrevistas de marcar ponto”, não só as entrevistadoras não deixaram passar uma série de questões difíceis, como um homem com muito menos responsabilidades do que Bagão Félix não quis desviar-se ou fugir delas, nem muito menos negar a sua participação no aparelho de estado, apresentando soluções aos problemas. Posso não concordar com ele mas a verdade é que encara os problemas de frente.
É uma personalidade da ala mais moderada do PSD nunca é muito concordante com o próprio governo, principalmente nas concessões que faz ao seu parceiro de coligação. A verdade é que foi uma entrevista muito boa que informou e foi principalmente honesta. Mota Amaral é uma personagem da vida pública portuguesa que tem vindo a surpreender com a sua coerência, é um óptimo presidente da assembleia, um pouco picuínhas, mas um dos melhores nestes últimos 30 anos. De notar que não digo mal de todas as personagens da direita portuguesa.

MD

O Circo

Ontem à noite, Santana Lopes fugiu um pouco ao seu estilo de charme à Alhandra e completamente fora de si, histérico como o seu grande amigo Portas, disse que a Câmara de Lisboa fez tudo o que lhe competia fazer, legalmente falando, em relação ao túnel do Marquês. O Tribunal acha que não. Mas como neste país, as mentiras de hoje substítuem as verdades de ontem, ficamos conversados.
Santana falou num "precedente gravíssimo nas obras" deste país.
Compreendo que ele esteja mal habituado, compreendo que ele seja um bom conhecedor do estado de coisas, da verdadeira anarquia na construção em Portugal, do verdadeiro terceiro mundismo em que este sector, não só está atolado como vai progredindo, a um ritmo escandaloso.
Mas Santana esqueceu-se que Lisboa não é a Figueira da Foz. Não é só chegar cá, fazer uma série de números para inglês (e neste caso os ingleses nem seriam propriamente os lisboetas) e seguir para Belém.
E desde quando é que uma Lei cumprida é um "gravíssimo precedente"?
Agora só porque temos um país em que se vive permanentemente à sombra (?) de negócios ilegais, de negociatas promíscuas entre autarquias e futebol, de tráfico de influências e de uma construção desenfreada à margem de tudo e de todos, como neste caso, vamos assumir que vai ser sempre assim?
Que para ele seja grave que as obras sejam feitas de acordo com a lei, tudo bem. Agora dizê-lo de viva voz, é escandaloso.
Sobre este assunto, há mais um dado a realçar. Surgiu, nas páginas de vários jornais de hoje, um anúnico, sem autoria identificada, a apelar uma manifestação de apoio ao Presidente da Câmara, "pelo túnel, mas cidade, pela modernidade". O pormenor da autoria é qualquer coisa de extraordinário.
Entre o narcisismo feroz de Santana e o típico de quem está com ele, mas não se quer comprometer por inteiro com um projecto meramente pessoal, sabendo que está mergulhado na ilegalidade, mas querendo manifestar apoio político, é mais um exemplo do circo de vaidades (vaidade) em que se tornou Lisboa.
MCG

Entrevistas de picar o ponto

Estive a ouvir uma entrevista ontem na Antena 1 com o ministro da solidariedade social Bagão Félix, não podia ter ficado mais mal impressionado com o entrevistador que não fez uma única pergunta difícil ao ministro, ministro esse que tem milhares de casos complicados, para não dizer estranhos no seu ministério.
Para lá da minha estranheza para com o entrevistador devo confessar que foi ainda maior a surpresa com as palavras de Bagão que parecia falar como um qualquer filosofo muito interessado em Deus e em Mahatma Gandhi, ou como qualquer líder de oposição muito moderado quase PSD, do género do Pina Moura, a falar calmamente como se nenhum dos temas fosse realmente um problema seu, e o entrevistador à vontade sem o por em cheque, e ele continuava divertido a falar nos problemas dos portugueses como se fosse uma fatalidade. Uma entrevista de picar o ponto, para limpar a imagem, foi um verdadeiro nojo.

MD

terça-feira, abril 27, 2004

Danos Colaterais



Enquanto no Iraque já começou a destruição total de Fallujah, com um ataque em larga escala efectuado pelas forças norte-americanas, no Reino Unido, como já aqui referenciámos,Tony Blair é arrasado por 52 ex-diplomatas britânicos, numa carta aberta sobre o Médio Oriente e o Iraque, com o título de Condenados ao Fracasso.
O Pastelinho volta a apelar à participação de todos. Não só de ex-alunos do Fernão Mendes Pinto, como de outras pessoas que se identifiquem com o espírito deste blogue e que queiram contribuir com textos, sugestões, opiniões ou críticas. Fazemos questão de ter a mailbox do Pastelinho cheia. De resto, está no ar a hipótese de ser organizado um jantar de ex-alunos do Fernão brevemente, que poderá marcar o começo de outras organizações mais (ou menos) estruturadas. Feedback precisa-se. O email do Pastelinho, relembre-se, é: pastelinho@hotmail.com.

O sonho de Abril



É em formato 8mm, de um modo íntimo, clássico e belo, que me lembro do Fernão e daquela época.
Entrei em 1982, em plena febre pós-revolucionária. No Fernão vivi Abril, porque o Fernão tinha tudo a ver com Abril.
Foi quase uma década de ideais, de sonhos, de criação, de amizade, de vivências, de partilha. Partilha duma profunda convicção de fraternidade, solidariedade, igualdade e justiça.
Nessa altura, eram alegres as expressões e eufóricas as palavras das pessoas, nos desfiles do 25 de Abril e do 1º de Maio.
A altura, em que nesses desfiles eu subia para cima da chaimite a fingir, que homenageava a Bula, com um cravo e deixava-me levar pelo sonho.
O sonho que a Linda, as Lurdes, a Lena, a Marina, a Isolina, a Gabriela, a Márcia, a Conceição, a Piedade e muitas outras pessoas, cada uma à sua maneira e com a sua importância para cada um de nós, nos ensinaram a manter bem vivo. Nós, do Fernão.
Um sonho no qual um senhor, com ar sereno, que morava ali perto, um génio da guitarra também, parecia acreditar, pelo olhar de esperança com que olhava uma jovem mãe e o seu filho a caminho do Fernão.
Como ele, outros acreditavam nesse sonho. Muitos outros. Muitos cantavam-no. Outros escreviam-no.
O sonho começou naquela madrugada. Na Liberdade que os Capitães nos oferecerem . Viver a Liberdade em Liberdade, para um mundo melhor.
Um mundo mais justo, mais humano, mais fraterno, mais solidário. O sonho que os meus pais e o Fernão mantiveram vivo na minha cabeça e hoje recupero. Recupero porque acredito plenamente nesse sonho e nesse mundo.
Era mais confortável, para mim e para os outros, os da teoria da evolução, eu ser somente saudosísta ou nostálgico. Mas não. Esse sonho vive e viverá. Ontem, hoje e sempre.
MCG

A data

Depois dum passeio, diga-se algo penoso, pela direita bloguísitca, posso concluír que nem a propalada evolução passou por ali. Quanto mais o 25 de Abril, a Revolução.
Imagino até que alguns bloggers, mais ou menos conceituados, devem ter passado o dia todo a roer-se para não escrever rigorosamente nada no dia 25, num claro marcar de posição. Um demarcamento a revelar uma pseudo-convicção, a que eu chamaria orgulho tacanho. Para não dizer mais.
De resto e fazendo um breve apanhado daqueles que falaram na "data", enquanto tropeçamos em alarvidades puras, encontramos quem, embora rejubilando, se cole ligeiramente ao "ensaio" de Pulido Valente, no Diário de Notícias ( que será alvo de um post aqui brevemente), enquanto outros saudaram a data com ortodoxia partidária, de um modo curto e o menos comprometedor possível.
Depois, noutro nível, teremos outros que, imagine-se, ignoram completamente a data e depois, com um ar entre o cândido e o revoltado, perguntam, no dia seguinte,"se o 25 de Abril é só de alguns portugueses?". Elucidativo.
MCG

Diplomacias desastradas

Hoje Colin Powell disse que a autonomia do Iraque podia não ser totalmente considerada autónoma para “alguns”. E perguntam-se porque é que Zapatero retirou as tropas espanholas mais cedo?
Tony Blair perdeu também apoios na diplomacia britânica porque uma grande parte dos membros diplomáticos desse país ataca o primeiro ministro pois são da opinião que Blair está na mão de gente interessada apenas em defender os interesses Israelitas naquela zona do globo.
Lentamente todo o puzzle começa a fazer sentido.

MD

A estupidez dos sequestradores

Não posso estar mais preocupado com a situação no Iraque, uma situação provocada pela “coligação”, mas não há, como é evidente, uma face apenas da moeda, e a história do "estão connosco ou estão contra nós" já está quase totalmente desmistificada, por isso é perfeitamente possível não gostar nem de uns nem de outros nesta guerra entre terroristas (ponto!).
A última noticia dos sequestrados revela que não só são perigosos, os raptores que protagonizam a nova forma de luta ilegítima naquele território, como também são burros, a nova exigência deles é, não só ridícula, como preocupante, já que mostra um desgaste destes homens, um desgaste psicológico e uma procura algo desesperada de legitimação da acção, ou seja, de tentarem concretizar algo. Isto é um desvio perigoso dos normais terroristas que fazem exigências que sabem que não vão ser compridas para exactamente criarem as situações que agora são exigidas. E porque é que é preocupante? Porque é um sinal que existem pessoas naquele território que já nem fazem luta terrorista pensada, ou analisada, é um tipo de terrorismo muito menos calculista e por isso cada vez mais imprevisível e diverso.
Restam os desesperados Italianos que desde a primeira hora protestaram contra a participação do país na guerra ilegal e que agora estão a ser forçados a protestar, e quem é que é forçado a protestar? Já houve uma morte, esperemos que o medo caía num grupo que me parece cada vez menos liderado e pensado, esperemos.

MD

Surpreendente

Foi para mim quase surpreendente a tomada de posição de José Luís Oliveira de se demitir dos seus cargos no PSD, não que ele tivesse grandes alternativas, já que está impedido de falar com o seu superior, mas mesmo assim e observando a posição do próprio Valentim Loureiro que não se retira mesmo sem condições nenhumas para continuar, podia ser que Luís Oliveira quisesse também agarrar-se ao posto.
Fica a minha má impressão, já que não estava ciente disso, que esta história toda, ainda que se trate, para já, só de um clube pequeno, que existem relações muito estranhas entre os agentes do futebol e os agentes políticos, quase como se fossem projectos de gente amiga numa relação de empresas privadas.
Eu sempre achei estranhas as eleições no Sporting, onde as presidências passam quase por testamento e não por decisão dos sócios que são apresentados com o resultado final, mas não passa disso, estranho, porque os sportinguistas sabem bem na cama em que se deitam, mas a passagem presidencial no Boavista é já totalmente diferente, é quase uma passagem hereditária, de pai para filho, tudo o que venha de um Valentim é estranho...

MD

segunda-feira, abril 26, 2004

O CDS-PP faltou hoje à cerimónia de condecorações que comemorou os 30 anos da Revolução dos Cravos, em sinal de protesto pela atribuição da Ordem da Liberdade, pelo Presidente Jorge Sampaio, à médica Isabel do Carmo, fundadora, nos anos 70, das Brigadas Revolucionárias e, mais tarde, do Partido Revolucionário do Proletariado, organização que é acusada de ter praticado algumas acções violentas durante o período revolucionário. Curiosa a posição dos populistas (populares?).
O que seria se o impensável acontecesse, e, imaginemos o cenário decandente, catastrófico e surrealista, Avelino Ferreira Torres fosse condecorado com a Ordem da Liberdade? Restaria saber qual dos motivos é que o PP, o próprio partido de Ferreira Torres, o partido pelo qual ele foi eleito e do qual faz parte do Senado (só para os mais esquecidos), iria invocar para faltar à cerimónia? Sugestões aceitam-se.
MCG
A Evolução nos últimos dois anos

Sem crescimento, para além de a própria redução do défice público se tornar ainda mais difícil, não há suficiente criação de emprego, não há aproximação ao nível de vida europeu e é mais difícil realizar a coesão e a justiça sociais (...) O País viu-se confrontado, nos últimos tempos, com ritmos de crescimento do desemprego a que já se tinha desabituado, sendo previsível que dentro de alguns meses, e é com tristeza que o digo, que os centros de emprego registem cerca de meio milhão de cidadãos desempregados. Por outro lado, aumenta, com preocupante regularidade, o volume dos desempregados de longa duração, agravando as situações de carência de recursos para muitas famílias e conduzindo-as a limiares de exclusão, onde as palavras liberdade e cidadania poderão deixar de fazer sentido , Excerto do discurso de Jorge Sampaio, dia 25 de Abril de 2004, pela ocasião dos 30 anos da Revolução dos Cravos, na Assembleia da República.
MCG

Positivo

Esta é uma excelente notícia para os lisboetas. As obras do Túnel do Marquês vão parar, para já.
A acção popular interposta pelo advogado José Sá Fernandes no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa resultou na suspensão imediata da obra por esta, entre outras coisas, não ter estudo de impacto ambiental.
A acção cívica e o exercício da cidadania fazem parte do legado de Abril. Este é um bom exemplo de como contestando, não caíndo no comódo engano da típica fatalidade lusa e participando, nas diversas instituições, por vezes, conseguem-se fazer pequenos milagres. Não há melhor maneira de homenagear Abril do que defender os seus valores e causas. E como a melhor defesa é o ataque, a palavra chave é acção. Acção em forma de participação, debate e contestação . Cidadania em estado puro.
MCG

domingo, abril 25, 2004

30 anos


Como ela, somos livres



30 anos


A poesia saiu às ruas





30 anos


O povo unido, jamais será vencido



30 anos



25 de Abril de 1974, o Triunfo da Liberdade. Sentido proibido à ditadura, à guerra, à censura, à repressão, à opressão, à perseguição, à tortura, à morte e ao fascismo. Caminho livre para a Liberdade e para a Democracia. Viva o 25 de Abril de Abril!


sábado, abril 24, 2004

Trinta anos de Abril, trinta anos de Sonhos.

Sete anos de Fernão, sete anos de Aprendizagem.

O 25 de Abril foi o nascer do Sol neste nosso pequeno país, foi um despertar de consciências que pecou, sem dúvida, por tardio.
Foi o culminar de uma experiência atroz, de uma situação insustentável para um país europeu, na Europa.
Portugal acordou tarde, repentinamente, depois de uma noite mal dormida. Ao longo de toda a madrugada ouviram-se tiros, gritos, porrada... Uma noite que durou meio século.
Uma noite que, infelizmente, já foi esquecida por muitos, até pelos que a viveram.
Foi uma noite de difícil acordar (não o podemos, nem devemos, negar), mas permitiu-nos, a bem ou a mal, aproximar-mo-nos do fim último de um Estado democrático: a igualdade e liberdade entre, e de, todos.
Tínhamos então um país bonito, onde as pessoas participavam politicamente, partilhavam as suas opiniões, e discutiam para um objectivo comum: um Portugal melhor.
Lembro-me de ver manifestações na rua, com objectivos delineados e participações populares magníficas. Lembro-me de ver as pessoas a não arredar pé até serem ouvidas. Lembro-me de ver portugueses com ideias claras, que não cedia ao obscurantismo de algumas classes dirigentes. Lembro-me de um povo orgulhoso da sua obra, a lutar por mais. Lembro-me de, ainda muito novo, ficar feliz a ver tudo isso. De pensar que vivíamos numa democracia verdadeiramente participada por todos. Lembro-me da última luta titânica da esquerda contra a direita, com aquele sprint final, em que Mário Soares leva a melhor sobre o Prof. Freitas do Amaral.
E lembro-me de ver tudo isso enquanto estava no Fernão. Lembro-me de despertar para os problemas sociais do país enquanto estava no Fernão. Lembro-me de aprender o 25 de Abril no Fernão. Lembro-me, quando me perguntam porque sou de esquerda, do Fernão.
Agora que, citando os colegas da Nossa Escola, sou “mais do que um cidadão maior de idade”, vejo o nosso país com olhos de desencanto. Vejo uma luta que ficou a meio, e vejo também que devemos pegar nela de novo. Ainda que seja por este meio, a luta deve continuar. Foi o que todos aprendemos no Fernão.
Espero que os nossos filhos se orgulhem dos pais, como nos orgulhamos dos nossos. Afinal, somos nós os filhos da Revolução, e cumpre-nos a nós continuá-la.

Francisco Castor

A fantástica capacidade de criar mártires

Sharon na sua já habitual senda da morte, e uma capacidade bem coerente com a do seu povo, uma capacidade milenar de criar mártires.

MD

As paixões são sempre uma dor de cabeça

Durão Barroso hoje afirmou que a sua paixão íntima era a educação, enganei-me de imediato quando pensei que era um mesmo tipo de paixão confessada pelo antigo primeiro ministro. Durão Barroso corrigiu logo qualquer tipo de semelhança negando que fosse a educação actual, ou os problemas da educação universitária no momento, o que ele estava a falar era de paixões relacionadas com a família, a sua avó, a sua mãe e até ele próprio. E pronto, fiquei mais descansado pensei que no nosso primeiro estivesse realmente decidido a resolver um problema do país, mas não, continua assim tudo, como sempre, previsível.

MD

sexta-feira, abril 23, 2004

Os meninos nazis

O país vai de carrinho
Vai de carrinho o país
Os falcóes das avenidas
São os meninos nazis

Blusão de cabedal preto
Sapato de bico ou bota
Barulho de escape aberto
Lá vai o menino-mota

Gosta de passeio em grupo
No mercedes que o papá
Trouxe da Europa connosco
Até à Europa de cá

Despreza a ralé inteira
Como qualquer plutocrata
Às vezes sai para a rua
De corrente e de matraca

Se o Adolfo pudesse
Ressuscitar em Abril
Dançava a dança macabra
Com os meninos nazis

Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos !

Chame-se o Bufallo Bill
Chegue aqui o Jaime Neves
Para recordar Wiriamu,
Mocumbura e Marracuene

Que a cruz gamada reclama
e novo o Grão-Capitão
Só os meninos nazis
Podem levar o pendão

Mas não se esquecam do tacho
Que o papá vos garantiu
Ao fazer voto perpétuo
De ir prà puta que o pariu

José Afonso

quinta-feira, abril 22, 2004

Haja memória

No outro dia, estava eu a ver a SIC Notícias a altas horas quando me deparei com um documentário, ou melhor, um espaço de entrevistas a ex-pides, e fiquei pasmado, não que eu tenha ficado com repulsa do passado, nunca olhei para ninguém com olhos diferentes quando me dizíam de soslaio – "olha aquele era um PIDE" – sempre achei que o passado passou, é necessário lembrar as conquistas e não os podres de outros tempos.
Mas aquelas entrevistas mostraram-me duas coisas, uma que não me custou a verificar, que esses homens ficaram com uma enorme raiva do 25 de abril, um dizia até – "Eu perdi a minha liberdade nessa data!" – mas isso é normal, alguns têm de ficar insatisfeitos com a mudança.
Agora o que eu já não aceito é tentarem apagar e recusar o que a PIDE fez, agressões, torturas, assassinatos, e variados outros crimes que nunca foram realmente punidos.
Houve membros da minha família que sofreram com isso, e mais, sei de uma história que sempre me fez uma certa impressão, um grande amigo dos meus avôs chamado Orlando Juncal, advogado de muita gente perseguida pelo estado novo, membro do PCP, ilegal na altura, tal como o meu avô, foi preso e tão brutalmente torturado que até ao final da sua, a partir daí curta vida, nunca mais pode comer nada mais que papas, pois perdeu grande parte do estômago para lá de outras lesões muito graves.
A tentativa da jornalista da SIC Notícias de mostrar que havia diferentes versões foi muito insuficiente, eu sei que há gente a visitar este blogue que sofreu na pele com estes tempos, a todos eles um abraço de solidariedade e de lembrança.

MD

29 minutos de Portugal

Vinte e nove, 29, foram os minutos que a RTP gastou em Valentins Loureiros, Pintos de Sousas e Sousas Cintras. Respiro de alívio por saber que este país é um país sem problemas mais sérios e profundos que um Totonero de segunda.
Lembro-me depois das imagens que vi. Gentes com cachecóis do Gondomar Sport Clube ao pescoço, que berrava por Valentim. Lembrei-me de Felgueiras. Lembrei-me de Marco de Canavezes. Vivas de gente histérica, manipulada por um populismo estafermo. Caciquismo puro, com laivos medievais. Afinal, isto não é só futebol. Afinal, também é política. Não. Mais grave. Isto é futebol e política.
Enganei-me. Há mesmo problemas mais sérios e profundos no nosso país. Afinal a RTP gastou bem aqueles 29 minutos. Uma imagem bem real, num quadro todo borrado com populismo, caciquismo e caceteirismo. Isto é o que Portugal vai dizendo nos 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974. Dá-que pensar. Não?
MCG

Geração Presente

Este blogue acabadinho de nascer e ainda tímida e temerosamente a escolher os seus passos teve, e felizmente que assim foi, um arranque em grande, reacções positivas e outras nem por isso. Comentários, lembranças, sugestões e críticas. Não poderíamos aspirar melhor começo.
Importa esclarecer que nós, os criadores deste blogue, entrámos para o Fernão Mendes Pinto em 1982, oito anos depois da Revolução de Abril. A Revolução era, como nós, uma criança. E o clima que se respirava naquela escola, naquela época, em tudo reflectia a época que vivíamos. Politicamente falando, principalmente.
E essa é uma herança que nós, hoje, aqui, agora, reivindicamos, sem vergonha.
Porque hoje, 20 anos depois, entrámos numa fase em somos mais do que cidadãos maiores de idade. Queremos assumir a nossa cota parte de responsabilidades na sociedade. Queremos participar. Agir. Discutir. Debater.
E é porque somos a geração que aí está, no momento, a querer romper e furar as teias duma sociedade cada vez menos pensante e activa, e porque temos um forte e inegável orgulho nas nossas origens escolares que nos qualificamos com a "última grande geração".
E porque a última não significa derradeira, não há razão para não nascerem mais.

quarta-feira, abril 21, 2004

A Última Geração

Têm gerado uma ligeira polémica as nossas palavras em relação "à última grande geração" do Fernão. É uma falsa polémica, mas esclarecemos, por via das dúvidas, dizendo tão somente isto:
Oxalá todas as gerações que saíram e vão sair do Fernão possam dizer o que nós dizemos em relação à nossa. Todas. As nossas palavras são de orgulho, não de sobranceria.



PS: Agradecemos todas as participações e visitas que temos tido. Este é o caminho.
Agradecemos a referência, em forma de um belo post, feita pelo PAS no País Relativo e o link do André, no Grão de Areia. Muito obrigado.
Em relação à lista de links, que está em construção, esclarecemos apenas que GFMP é a sigla de Geração Fernão Mendes Pinto. Ou seja, são e serão blogues de pessoas ou com pessoas que passaram pelo Fernão. Estamos em fase de investigações e naturalmente, precisamos de ajuda. É preciso, nomeadamente, que os ex-Fernão que por aí andam apareçam e nos digam quais os seus blogues.
De resto, estamos atentos aos outros bons blogues que por aí há e brevemente teremos uma lista de links à altura.

terça-feira, abril 20, 2004

Regresso às origens

Fantásticas as curiosidades da vida. Hoje, ao arrumar o meu quarto, encontrei duas edições dum velho jornal do tempo da Delfim Santos, a escola que se seguiu aos anos dourados do Fernão Mendes Pinto.
Data de Junho de 1994 a última edição do Censurado, o nome do jornal. Os autores? Exactamente os mesmos deste blogue, acompanhados por outros dois ilustres ex-Fernão Mendes Pinto e outros dois convertidos à prática da subversão.
O Pastelinho é, no fundo, um regresso às origens. Um regresso a um trilho de ideais, de sonho e de amizade.
MCG
O verdadeiro Fernão Mendes Pinto

Para todos aqueles que como eu leram o livro deste anti-herói sabem que é um personagem que roça tudo o que há de normal em situações completamente anormais. Claro que a sua normalidade, ou seja a sua capacidade de mostrar medo quando tem medo, de se mostrar inspirado quando é levado a isso, confortando-se em aceitar o azar e a sorte que a vida se diverte a dar-lhe supera o que qualquer homem normal seria capaz de aceitar. A sua naturalidade é sincrónica se quisermos, ele não tenta elevar-se, ser um canal de inspiração, ou acobardar-se primeiro que os outros, desistir ao primeiro sinal de dificuldade, o seu livro mostra o que muitos dos aventureiros foram naquelas alturas dos descobrimentos, um corpo presente, activo e observador, com os medos e as inspirações naturais perante tais dificuldades. O descobrir de novos mundos, de outras gentes, de hábitos, culturas, guerras, ambientes, e vilões completamente diferentes, situações novas ao homem. A coragem nada teve a ver com a maneira como suportaram estas aventuras e desventuras, nem muito menos a força de el Rei, mas sim a própria condição humana, que com capacidades ainda por descortinar é capaz das coisas mais brilhantes e fantásticas, e de aguentar o mais inimaginável. Em 21 anos de viagens Fernão Mendes Pinto foi 13 vezes cativo e 17 vendido, viveu como um príncipe e como um escravo, é uma vida com algo para contar e para ensinar em "Peregrinação".
MD

Do the (r)evolution



Abril é evolução? Também. A Revolução abriu as portas à evolução. O País evoluíu com a Revolução. Lógico, claro, evidente.
A democracia e a liberdade, as mais fundamentais conquistas de Abril, não são dados estatísticos, não são contabilizáveis, não são números. A democracia e a liberdade são a Vida.
Não são conceitos perdidos numa qualquer enciclopédia, num estudo histórico ou demográfico, fazem antes parte duma realidade. Da nossa realidade. Da nossa identidade.
Uma realidade que nos assomou à porta pela capacidade, coragem, solidariedade e fraternidade dum grupo de homens corajosos, que nos ofereceu a possibilidade de viver em liberdade plena.
Conquistada a liberdade e a democracia e o seu exercício pleno, com a liberdade de expressão, com o fim da polícia política, com o fim da censura prévia, com a conquista de direitos cívicos e políticos, soltadas as amarras da opressão e da repressão, venham os números, venha a evolução, venha a estatística.

A questão que se levanta não é se Abril é evolução ou não.
A questão é saber até que ponto este governo quis que a Evolução branqueasse a Revolução. Isto é, sob a capa do óbvio, dum detalhe ciêntífico, que Abril (também) é Evolução, o que nínguem dúvida, encobrir o essencial, o fundamental, a Revolução e o seu espírito.
Porque Revolução é um conceito perigoso para esta direita. Porque Abril obrigou as pessoas a pensar, a agir, a contestar. Obrigou e obriga. E este "obriga" não convém ser lembrado.
Este governo foi eleito à sombra do populismo conservador. Este governo usa e abusa desse mesmo populismo e não hesita em manipular. Manipular, sobretudo, a juventude que não viveu Abril. Manipular, principalmente, a juventude que não herdou o espírito de Abril.
Eu não vivi Abril. Mas vivo o espiríto de Abril. Da Revolução dos Cravos. Vivo e respiro esse espírito.
Desde novo, aprendi o que "custou a liberdade". Serei, seremos, priveligiados por isso, mas em nome do que aprendi, em nome duma verdade e dum espírito cada vez mais sonegado, urge transmitir o espírito verdadeiro espírito de Abril.
Do the revolution!

MCG

quarta-feira, abril 07, 2004

Bem-vindos ao Pastelinho

Este blogue só podia nascer em Abril, o mês da Revolução. Somos da última grande geração do Externato Fernão Mendes Pinto e 14 anos depois, vamos fazer uma homenagem aos valores que nos foram ensinados, a uma escola de vida que nos proporcionou e continua a proporcionar uma visão única da sociedade.
A fraternidade, a solidariedade e a liberdade como valores fundamentais da nossa educação. Não haverá melhor homenagem ao que aprendemos e a quem nos ensinou do que manter o espiríto vivo, o culto desses valores.
Site Meter