quinta-feira, março 31, 2005

A vitória dos criminosos

Já o disse dois posts abaixo deste que há gente que não é desmascarada, e se são não adianta de nada. O mundo prossegue no seu movimento giratório ligeiramente corrompido... com este homem frente ao Banco Mundial podemos esperar mais do mesmo, podemos esperar ainda pior, sim, porque o Banco Mundial tem sido responsável por muitas desgraças por este mundo fora, uma das maiores e mais recentes, directamente ligada ao Banco Mundial passou-se na argentina. O que será deste mundo se continuar-mos neste movimento rotativo completamente corrompido...

Miguel Bordalo

Quem sabe o Durão?

Há muitos países que já se movimentam preocupados, quem será o próximo a encaixar a personalidade de muitos anos vindouros? Mas espera lá, esta escolha não é por indicação divina? Não entendo...

Miguel Bordalo

O jornalismo à'mericana

Eu até fico meio parvo com isto, é certo já devia estar habituado, a ficção dos filmes que mostra o jornalista que descobre grandes conspirações internacionais que resultam na queda do sistema corrupto vigente é algo impossível, é também a imagem que os jornalistas e o povo americano, e algum não americano têm do jornalismo sério. Mas a realidade mostra-se exactamente como o inverso, mas um inverso não só na própria participação do media nas conspirações e nas corrupções de informação, como na inoperância e impacto nulo que as descobertas normalmente tardias realizam. O jornalismo anda nas ruas da amargura hoje em dia, quando nada o faria esperar, as escolhas dos directores de jornais em todo o mundo são sempre escolhas políticas, e em Portugal sobre a capa da heterogeneidade esconde-se uma realidade muito mais confrangedora. Sem mais demoras fica hoje um exemplo do estrangeiro, relembro, esta notícia é de hoje! Diga-se de passagem, notícia impulsionada pelo “relatório”... (esse instrumento insuspeito do garante da democracia).

Miguel Bordalo

quarta-feira, março 30, 2005

O que eu temia

A notícia que se esperava há algum tempo.

Já o disse aqui e repito Carrilho não é uma opção para mim, pode ser para muita gente, mas com o meu voto o PS não conta, e também não contará o PCP se este partido se coligar com o PS, apesar de se esta situação acontecer e Santana estiver próximo nas sondagens, lá vou ter a dificuldade de não anular o voto com os olhos tapados!

No Porto Assis é a escolha, e como eu gostaria que Lisboa tivesse o mesmo gosto. Parece-me um homem sério, de diálogo, preparado. Mas posso estar enganado. Bem! Uma coisa é mais que certa Assis leva clara vantagem a Fernando Gomes, Nuno Cardoso e Rui Rio respectivamente por ordem hierárquica! Sim, sou bem capaz de preferir Rui Rio aos outros dois. Mas sobre isto teremos um texto da Eskimo?

Miguel Bordalo

Como as coisas mudam

Cheguei hoje a casa já o jogo de Portugal tinha começado, lanchei no intervalo eram sete e um quarto, 7.15!?!? Como é possível esta luz toda? Acabou o jogo e para meu espanto ainda há luz! Vocês não estranham? Olhem lá para fora! Está luz! São oito horas! 20.00! Hora do telejornal! Quer dizer se não tivesse todo partido ainda podia estar a fazer surf a esta hora... Vai ser um verão comprido... aí vai, vai!

Miguel Bordalo

Aqui vou eu

Esta manhã já deu para fazer muita coisa, agora aqui vou eu para a costa, fazer o que faz falta, para uma tarde inteira de surf até sair da água totalmente exausto!



Assim... ;) Como o Taj Burrow!

Miguel Bordalo

Está-se a tornar repetitivo...

É que começa a parecer dejá vú, mas não é!
Já agora Mavi, não queres fazer um texto aqui no pastelinho sobre o que é que tu achas que se está a passar com as igrejas, a religião, e com a fé? Tens é de enviar para o meu mail pessoal, que se não nunca mais é publicado. Pensa nisso.

Miguel Bordalo

Ps: que fique esclarecido que podem todos enviar textos, como sabem o vosso blogue alternativo está sempre à espera de participação. A Mavi parece interessada no assunto e acho bem que o exponha.

Uma daquelas notícias

Esta só pode ser uma “daquelas” notícias, não é que eu não tenha um total respeito por Manuel Alegre, mas estou mesmo a vê-lo como Presidente da República – Co-incineração? NÃO! E eu não cedo! A esquerda tem princípios! O crepúsculo sente-se desvanecer bem cedo nestes dias de vícios! Não cederemos nem chisquinho para as forças dextras, que se amontoam para tomar como demónios o poder quase divino de audácia! – E depois o PS perde umas eleições e aí ainda vai ser mais bonito! Mas aí sim valeria a pena!

Miguel Bordalo

Se me deixar

O blogger está a dar-me cabo da cabeça, e apesar de o que eu estou aqui a fazer não ser arte, (obrigado chico, eu depois pago-te um chocolate ; ) ), não deixa de ser chato as dificuldades com que ando para editar coisas aqui no pastelinho.



A noite passada estive a ver o fantástico campeonato da WCT com vários competidores em grande nível, os que mais me surpreenderam foram os irmãos Hobgood, o Mick Fanning e um arrasador Kelly Slater que este ano ainda vai surpreender muita gente! Sim... eu disse que ele ia surpreender muita gente!

Miguel Bordalo

terça-feira, março 29, 2005

Coisas chatas

O blogger anda a dar problemas, ontem à noite fiz uma data de posts sobre surf e nenhum foi publicado, perdi-os para sempre... outra coisa chata é o que aconteceu ao Rui Costa, que deve ter apanhado o susto da vida dele, numa aterragem de emergência porque o avião ficou com o trem de aterragem avariado... as duas são realmente comparáveis... ;)

Miguel Bordalo

Há coisas estúpidas...

Se há algo mais estúpido que guiar mal e ter acidentes criminosos, é este tipo de situações... é por isso que eu digo – não vele a pena... deixa-os ir! – apesar de muitas vezes não apetecer nada...

Miguel Bordalo

É um vicio...

Lá fui eu ver o filme outra vez, e não é que adorei ainda mais! “Life aquatic with Steve Zissou” é brilhante…



E não é que provavelmente a minha tese para a última disciplina de Sociologia geral pode muito bem estar certa! É que há uma diferença enorme em ver o mesmo filme em salas diferentes! É que da primeira vez fui ao Alvaláxia porque os bancos são mais confortáveis, e porque na altura deu jeito, vimos com gente que pensava que o filme era uma comédia, hoje vimos no Saldanha, com a sala totalmente cheia mas com gente que não pensava que aquilo era uma comédia... e como foi diferente ver o raio do filme! Posso estar com as costas num oito, as pernas desfeitas, mas aprecia-se muito mais o filme, sem pontapés na cadeira, risos forçados, comentários a alto e a bom som... Esta história do King card é um pouco limitadora, mas pelo menos com ele sei que posso ir ver o filme uma terceira vez!

Miguel Bordalo

segunda-feira, março 28, 2005

Papa o herói do ano 2000

Não, realmente não é a minha intenção proclamar o Papa de coisa nenhuma, apesar de reconhecer o seu esforço estóico de se agarrar à vida, o que daria uma boa piada de mau gosto, que não vou ser eu a faze-la (ou assim já a fiz?) O que eu queria dizer é que esta última situação em que o Papa assiste à missa pela televisão, e em que é filmado por trás parece a situação do líder que em “Sleeper” os indefectiveis desse mesmo líder tentam secretamente clonar. Alias porque com o desaparecimento deste Papa que é uma espécie de uma força de natureza, um resistente a igreja vai tentar capitalizar ao máximo, e acreditem que não estou a dizer mal, é como os parentes de alguém famoso que morre, que vão querer ao máximo que ele seja lembrado, que sirva de exemplo. O mais terrível é a utilização deste Papa para uma luta diferente, alguns comentários que ouço revelam-no claramente, sobre a resistência e a importância da vida, mas sabem se eu for velho como ele e tiver naquele estado, e me disserem a mim, isto Miguel não tem retorno só vai piorar a partir de agora, (e pode não ser o que se passa com o Papa, atenção) a verdade é que eu não quereria viver assim, sem poder falar, ou pensar com lucidez, mexer-me minimamente. Eu não quero que isso me aconteça...

Miguel Bordalo

Estado de letargia

Este país anda em baixo, a chuva felizmente começou a aparecer, as eleições legislativas e norte americanas já acabaram... a guerra do Iraque está cada vez menos presente nos telejornais, porquê? Não sei dizer, mas lá que está, está. Até a frança depois de sete anos levantou o embargo à carne portuguesa. Neste momento é pequenos, mas graves acidentes, o estado de saúde do papa e do outro que nem sei quem é nem quero saber... E a pensar que ainda à uns tempos não passávamos cinco minutos sem termos novidades para escrever... habituar-me a este novo andamento está complicado. O que andará Santana a fazer na câmara?

Miguel Bordalo

A fé e o catolicismo

Sabem, como digo frequentemente aqui no pastelinho, sou ateu. Sou um tipo demasiado racional para acreditar seja no que for a nível transcendental, mas isso são conflitos meus, aliás a religião devia ser um constante conflito interno. No entanto para a igreja católica a fé é um assunto comunitário, estritamente decidido da parte para o todo. Aliás o tratamento da imagem de Cristo por parte dos católicos é uma contradição constante, porque normalmente, e apesar de Cristo ser a figura geradora e central desta igreja, ela continua a fazer ensinamentos e a guiar-se por linhas que de maneira nenhuma são relacionáveis com a sua figura central. Ser-se católico não é praticar a fé ou tentar entender Cristo é, isso sim, obedecer cegamente à hierarquia desta igreja como se de uma instituição endeusada se tratasse.
Assim sendo a qualquer membro desta instituição não se lhe pede para obedecer a Cristo, a fé conta para muito pouco, o que realmente interessa é o circulo, aquele espaço fechado, aquela redoma que o Vaticano tanto quer preservar, mas que com o tempo vai diminuindo. E esse é o problema desta igreja, é que se agarra tanto aos seus próprios dogmas, e altera-os sempre tarde demais, é como a única força reaccionária no mundo sem um movimento adversário, e continuam a tentar defender os seus dogmas como com segredo já à muito revelado.
Esta história do Cardeal José Policarpo vir a público muito indignado a defender-se contra a imagem de Jesus como homem, é um claro exemplo das coisas a que não se deviam prestar os líderes de qualquer igreja, ir contra a imagem de Jesus como homem? Quanto muito defender a imagem de Jesus como deus! Porquê a reacção? Porque se presta uma instituição de séculos a discutir um texto que daqui a uns meses está esquecido? Porquê atacar Dan Brown quando parece cada vez mais um escritor de ficção, que até já filme tem marcado para explorar o seu livro? Porque é que tem de ser sempre a igreja a empolar estas situações?

Miguel Bordalo

domingo, março 27, 2005

Europa





















No que te estás a tornar?...

Miguel Bordalo

Agora que o País Relativo acabou

Agora que o meu blogue “mainstream” de referencia acabou, revela-se uma desvantagem evidente... as crónicas do Pedro Adão e Silva não são anunciadas... assim, e para que também ninguém se esqueça delas, anuncio-as aqui sempre que possa. Espero que ele não se importe. É pena que hoje seja uma que eu não tenha gostado tanto como as outras, parece um reconhecimento forçado, arrancado a ferros. E se o Benfica joga um futebol “medroso e deprimente” então eu devo ser um tipo muito medroso e deprimente. O que eu não entendo nesta questão do Trap defensivo é que se houve um treinador preocupado em não defender em demasia, principalmente com os adversários mais directos foi exactamente Trap, lembro-me eu bem que o ano passado, Camacho, saudoso treinador dos incontinentes assobiadores do estádio da Luz, jogava sempre com três trincos com o Sporting e com o Porto, mas a memória é curta, e no futebol é quase um estado de parkinson!

Miguel Bordalo

Um optimista estúpido



Acabei agora de vir da praia... não sei porque é que eu vejo que todos os indícios são maus, todas as previsões dizem para ficar em casa, e eu nada! Acredito sempre que vou apanhar umas ondas do caraças! Nem é, entendam, que já não tenha acontecido! Porque já apanhei dias absurdamente bons com uma praia de trinta e muitos quilómetros só para mim praticamente... mas é tão raro, que os anos me começam a ensinar que não vale a pena. O pior é o entusiasmo... estou à dias e dias em doca seca! Ou uma doca molhada muito atrofiada, já que hoje ainda consegui apanhar uma onda...

Miguel Bordalo

EPÁ!

Com esta é que eu não contava... não não! Com esta é que ninguém contava! É uma notícia surpreendente! Ninguém podia contar com isto! Isto é a GRANDE surpresa! E digo mais.. uau! É só ver... Com esta é que vocês não contavam...

Miguel Bordalo

sábado, março 26, 2005

Só mais um

Antes de me ir embora, através da blogotinha soube deste blogue, o Professor Doutor... é simplesmente fantástico!

Miguel Bordalo

Os irredutíveis bloggers!



O Esplanar nos últimos dias divulgou dois blogues essenciais, imediatamente linkados aqui no Pastelinho. Porque os irredutíveis é preciso tê-los sempre em conta – True lies e Não sei Brincar.

Miguel Bordalo

Alguns apontamentos

Estou com alguma pressa e então decidi fazer apenas um breves apontamentos, que nem sequer vão ser feitos neste post, já que, como sempre fui ver a edição on-line do público, e acho-a especialmente reveladora do nosso país da actualidade. Estava a ler os títulos e a pensar – tenho que falar nisto, disto também, porque não disto, e já agora... – assim ficam as títulos, como eu os vi... reveladores...

Seis em cada dez condutores concordam com o agravamento de multas. – Os outros quatro provavelmente já experimentaram o sabor das antigas!

Oito mortos nas estradas no segundo dia da operação páscoa segura. – Parece que o portuga condutor não quis perder tempo e foi adiantando trabalho .Os tipos da segurança pública deviam começar a repensar os nomes das operações, se calhar aprender com os americanos “Operação anti - choque e terror na páscoa”, qualquer coisa deste género.

Príncipe Rainier do Mónaco com “prognóstico vital extremamente reservado” – reparem no cuidado jornalístico ao pôr as aspas na definição do prognóstico, é que com prognósticos já estamos nós cheios, e o cuidado é pouco... mas que eu RAIO é que me interessa a saúde mental ou física do senhor!?! Epá... espera aí! Não estão a falar do Papa? Raios...

Relógios adiantam uma hora esta madrugada. – A melhor notícia, mais concisa, bem formada, bem escrita, com boas expectativas, bons resultados no fundo... VENHAM MAIS DESTAS! :)

“Jogo com o Canadá é um subterfúgio”, diz Scolari – Sinceramente eu dizia-lhe onde é que ele metia o subterfúgio, é parecido e tudo! Tenham em atenção as aspas, as aspas são sempre muito indicativas! É que muitas vezes vemos os mesmos jornalistas e falar pelas mesmas pessoas, mas sem aspas... mas o pessoal acredita à mesma, qu’isto aqui é tudo boa gente!

Privados doaram mais do que o estado português para ajudar o Sudoeste Asiático – mas o estado português deu alguma coisa? Espero que a contagem dos privados não conte com os armários e roupa e mais 5% do salário dos jogadores que o podem facilmente descontar que foram para o pobre do miúdo que teve o azar de não saído aquele dia com uma camisola de uma selecção menos forreta!

Não consegui evitar os comentários...

Miguel Bordalo

sexta-feira, março 25, 2005

Porque será?

Que infelizmente há coisas que nunca mudam...

Miguel Bordalo

É já amanhã

A partir de amanhã todos os condutores tem sobre si um peso redobrado, espero que isto tudo resulte realmente em algo, e que não seja só uma daquelas situações passageiras que o hábito se cuidará de tornar inconsequentes.

Miguel Bordalo

Wes Anderson

Engraçado como algumas coisas se descobrem... Falei-vos dos dois últimos filmes de Wes Anderson há bem pouco tempo, “The Royal Tenenbaums” e o último “Life Aquatic with Steve Zissou”, já sou um fã incondicional do realizador que aparentemente, mais do que eu pensava, tem Bill Muray como seu actor indispensável. No outro dia ao ler o Laranja Amarga tive a confirmação de que Wes Anderson é tudo aquilo que eu penso dele, ou até um pouco mais! É que eu vi o “Rushmore” duas vezes, uma na televisão e outra aluguei na Blockbuster, porque queria rever este filme genial, no entanto não associei o filme ao realizador por isso nunca falei nele. Assim fica aqui o aviso para irem ao Laranja Amarga lerem sobre Wes Anderson como só no Laranja Amarga se fala sobre autores.

Miguel Bordalo

quinta-feira, março 24, 2005

King card a quanto obrigas



Ultimamente ando a ver tanto filme que até nem estou a ficar enjoado! :) Sou um viciado em cinema e do mau ao bom só me arrependi de ver um filme, que me escuso aqui de dizer qual é! Nem tenho é tempo para andar aqui a falar sobre eles.
Antes que saia do cinema e ainda não tenham ido ver fica aqui, mais ou menos, a frase que mais me tocou no filme que descobri ser extraordinário. Terá sido assim “Precebo Ramon o problema que me falavas de intimidade, é que depender de uma pessoa todo o tempo obriga-nos a ficarmo-lhe gratos, a agradecer o esforço e a dedicação, ainda que no fundo não haja uma escolha uma possibilidade de dizermos não.” Frase que é lida de uma carta no filme “Mar Adentro” A ver se vão ver e se é assim, e a ver se esta frase não ganha uma dimensão totalmente diferente depois de verem o filme.

Miguel Bordalo

Segredos do cinema chinês

É engraçado como a história é feita de ricochetes infinitos, que no fim degradam a verdade a tal ponto que ninguém sabe distinguir o principio do fim. Certamente por ignorância, a crítica esforçada, reconheço, de Kathleen Gomes comete um erro que deve posicionar os críticos de cinema ao patamar de um qualquer fã de cinema como eu, de um qualquer comentador político ou desportivo sem qualquer responsabilidade efectiva sobre aquilo que diz. Quando Kathleen na sua crítica ao “House of the Flying Daggers” diz: “quando o novo filme de Zhang Yimou aplica o "bullet time" às armas de que dispõe, descrevendo a trajectória de flechas e punhais suspensos no ar como se estes tivessem uma câmara colada à cauda, parece legítimo que depois da aculturação sistemática (para dizer o mínimo) do cinema asiático pelo cinema americano (via "Matrix", via Tarantino, via...), aquele quisesse responder na mesma moeda.” Ela está a ser revisionista da história do cinema, o acompanhamento dos armas em câmara lenta, ou sobre vários prismas não é uma influência do cinema americano, de Matrix ou Tarantino, mas sim o contrário! Aliás não seria muito difícil reparar nisso. Este novo cinema de acção dos EUA é sem sombra de dúvidas mais um aspecto herdado das culturas orientais, e nunca o contrário! Como aliás todo o cinema americano é um “melting pot”. Nem os westerns estão livres de algumas cópias do cinema Italiano!







Passando ao filme, entendo porque é que algumas pessoas não gostaram dele, quando saio de um filme normalmente não gosto de pensar noutros, mas neste caso a comparação é inevitável e o Herói é muito melhor que o “House of the Flying Daggers”, sob quase todos os aspectos, principalmente na história, no jogo das cores para definir linhas dimensionais, estados de espirito, etc... A verdade é que adorei o filme à mesma, o jogo das cores não é o mais importante neste filme, como não é no herói, é o síndroma do cineasta especializado que faz com que se critique este aspecto. É uma estória simples de amor, como a cultura chinesa tanto aprecia, cheia de desencontros e estados de honra, em que o amor supremo é o que se sacrifica mais, o que naturalmente acaba sempre da mesma maneira. Este filme é uma história de amor entre espiões mas pode ser facilmente rotulado como um filme de acção, e aí os chineses reinam! Sabem fazer tudo bem, têm os actores para isso, e a cultura que fascina quem quer ser fascinado!

Miguel Bordalo

Era mesmo isto que eu temia

De facto a minha única esperança é que neste caso, o que é num dia, deixa de ser no outro, mas com uma pessoa como Ferro isso torna-se ainda mais difícil. Uma coisa é certa o meu voto não irá para o PS se Carrilho for para a frente, porque se Santana avançar contra Carrilho, venha o diabo e escolha, se for Carmona contra Carrilho... nem sei se não será melhor Carmona! O meu voto será, no entanto, mais à esquerda.

Miguel Bordalo

Coisa mai fácil não há!

Minha cara CPC, é só seguir as instruções F(frente), D(direita), E (esquerda). FDDEFEEFFFFFDDDEFFFD. Não há que saber!

Miguel Bordalo

Ps: Agora quem é que deixou ficar mal quem?!?! AHAHAHAH! (riso que ecoa por todas as paredes, poderoso, maligno, terrível!)

Escolhas

Esta notícia da Capital é engraçada, depois de um título em que é dito que dirigentes do PS excluem António Vitorino (o que é bom) da corrida à Presidência e de quase ficarmos a pensar que o próprio PS exclue António Vitorino da corrida à Presidência (não sei se já disse: o que é bom), depois de bem lida a notícia e de saber quem são os tais dirigentes do PS de que se fala - José Lello, Pina Moura e Lamego, eu sei, um verdadeiro bingo! - baralhei-me e ficar a pensar que, se calhar o que, não sei se já o disse, seria mau (António Vitorino à Presidência) não é assim tão mau de todo.
Não sei se me fiz entender. Mas como o PS, a esquerda e as presidenciais também não se fazem entender...acho que não faz mal. Em último caso o que pode acontecer é as nossas ideias e escolhas ficarem limitadas ao que José Lello, Pina Moura e José Lamego achem. Qual é o problema?

Manuel Castro

quarta-feira, março 23, 2005

A saga dos nomes

Estava eu a comentar um post muito curioso no Estado de Afirmação, quando me relembro que neste mesmo texto, que tinha lido há uns dia, há uma passagem interessante: “Entrei na sala e disse o meu nome em voz alta. As professoras contiveram o sorriso irónico.” O homem chama-se Humberto Bernardo... quer dizer... posso antever uns quantos problemas com a junção do nome, porque os dois nomes isolados não me parecem muito mal, nem os dois juntos! Mas esta história dos nomes pode ser uma saga enorme!
Quando ando por feiras ou sítios mais... (como dizer?) característricos em que ouvimos, normalmente nomes de raparigas – Soraia! Anda cá Soraya! – ou aquele já famoso – Cátia Vanessa! Já aqui à mãe! – a verdade é que por exemplo o nome Vanessa pode até nem ser um mau nome, (conhecia uma rapariga que até lhe ficava bem o nome!) é preciso é não deixar que acentuem o A, Vánessa, é realmente muito mau. Tomem o exemplo da minha namorada, chama-se Andreia, nome que provavelmente aprendi a gostar com ela, e também se chama Patrícia, que por vezes eu e ela estranhamos quando nos apercebemos que se chama assim... o pior para ela é que juntem os dois nomes e acentuem o raio do A, - Andreia Pátricia! Sujaste a roupa toda outra vez! A brincar com os rapazes, não tem vergonha! – Coitadinha ela bem que se esforça para que ninguém saiba o nome dela, e eu aqui a divulgar... já vou apanhar... prosseguindo! Na praia é que é um fartote, muitas vezes vemos um rapaz e uma rapariga a brincarem ao pé dos pais, são uns putos franceses, com pais franceses e tudo! É a Carlote para ali, é o Jean para aqui; Carlote vien ici, Jean viá acoli (pardon my french!) e quando a merda bate à porta, é um aí jesus que nunca mais pára - Carlota Kárina, Joaquim Emanuel já me estou a passar dos cornos com vocês, a atirarem areia à mãe meus filhos da p***, vou-vos dar uma carga de porrada! Já aqui! – É o descalabro, palavrões de meia noite, os putos parece que não sabem dizer outra coisa em português, então se o pai desperta é forrobodó!
E como este há outros casos, os mais frequentes são sempre com os pais que se estão chateados com os filhos acrescentam logo O nome. Ou por vezes quando querem qualquer coisa um outro nome. Não falha, se os pais nos chamam só por um é porque provavelmente nos vão dar qualquer coisa, sacrifício!...

Epá isto tudo para dizer que eu nunca tive problemas com o meu nome em nenhum sitio, Miguel é um nome até demasiado usado na minha geração, mas quando comecei a escrever coisas mais importantes e a assiná-las é que foi o problema. Em trabalhos universitários, mas principalmente aqui nos blogues. A minha primeira assinatura foi Miguel Dias. Epá! Vocês sabem quem é o Miguel Dias? Um tipo gordo que anda para aí a cantar e a dançar? Mete-me nojo esse tipo! Sempre meteu, e não foi por causa do nome. A banda que tinha o excesso de protagonismo para um tipo que não fez nada na vida... claro que tive de mudar, apesar de ainda ter tentado disfarçar com a sigla MD, durante uns tempos, aqui nos blogues. Depois cansei-me e passei para o Miguel Bordalo Dias, o Bordalo é feio só com Miguel, mas a sigla, muito recorrente aqui nos blogues fica MBD, BD? Banda Desenhada? O Miguel dos comics? Ainda por cima, devido à dificuldade do Bordalo, que quando o digo é – Desculpe, Badalo? – Desculpe, Bordel? – Desculpe, Gonçalo? – Desculpe, Brodal? – Desculpe, Bogalho? – Desculpe, Bombalo?- Ninguém o entende é pequeno mas complicado, vá-se lá saber porquê? Dizia eu que pela dificuldade do nome retiram o do meio e lá fica o nome que não pode ser! Portanto neste momento fica Miguel Bordalo, e por uma questão de hábito comento tudo com o Dias... é uma saga do caraças... mas pelos vistos há piores!
- Jessic’Áaaaalexandra larga o rapaz, sua pooooorca! Cá a mãe! Acenta-ti!– Eu estou treinado para estas coisas que a minha namorada é uma varina de primeira, e quando lhe dá para aí aprendo as terminologias todas... é bom para um sociólogo!

Miguel Bordalo

Não deixa nunca de fazer sentido

Hoje que acabou o blogue, há que se tornar certas coisas anda mais relativas, terá sido a lição deste blogue? Uma lição internacional?

Miguel Bordalo

Não faz sentido, nem relativo

Porque é que acaba um blogue? Normalmente o fim de um blogue é previsível, há um momento de decadência, onde os post param, ou perdem muita qualidade e depois aí sim vem o fim do blogue. Ora no País Relativo (Henrique Chaves) isso não aconteceu, aconteceu sim uma espécie de um segundo suspiro e depois do blogue estar em alta, com muitos posts e bons, houve uma morte súbita! Fico com pena até porque me parece que o fim do País Relativo vem de uma decisão ultra repensada, uma espécie de uma ideia pré-concebida de que tinha inevitavelmente de acabar, e essa ideia tomou tanta força que lá foi o meu blogue “mainstream” preferido. E o que os relativos se vão arrepender disto quando quiserem despejar a bílis! É que um blogue é sempre bom, por mais ocupada que uma pessoa esteja, para dizer certas coisas sem ser aos mesmos amigos que ao longo dos anos se tornam condescendentes, e não há pior do que despejar a bílis para pessoal condescendente. Assim acho que ou daqui a um tempo os relativos repensam, ou daqui a um tempo vão começando a aparecer vários outros blogues. Espero eu...

Miguel Bordalo

O fim

O País Relativo, aka Henrique Chaves terminou. Não tenho esperanças quanto a isso, por isso não vou fazer apelos a um regresso que eu sei que não vai acontecer -esta tem piada, eu a dar-me ao luxo e à presunção de imaginar a fazer apelos ao País Relativo para repensar a decisão, o que, último caso, até daria um interessante título Capital: País Relativo continua devido a apelo sentido de Manel - vou sim dar os parabéns por dois anos muito bons, foram dos melhores blogues, entre os cinco melhores provavelmente, que conheci e tive o prazer de acompanhar.
Espero continuar a ler-vos a todos, aqui, ali ou acolá (ou, quem sabe, aqui ) e que este seja não um fim, antes uma declaração de independência (multilateral) de vários pensantes de qualidade -e isso não é nada relativo- que, "dividindo-se" como país continuarão sempre a partilhar os mesmos princípios e valores -que marcaram a diferença na esquerda bloguística- para além da óbvia amizade.
E não posso esquecer que foram o primeiro blogue a linkar o Pastelinho, o que não sendo nada são da vossa parte, só nos encheu de orgulho. Por isso e por, muito mais que outros blogues pseudo grandes, terem cá vindo falar connosco, o nosso obrigado também.

Manuel Castro

Goodfellas (onde é que eu já vi isto)

goodfellas

Temos que ser uns para os outros.

Manuel Castro

Sobre a venda de medicamentos

Há um texto muito bom no Quebra Vozes, de Catarina Rodrigues (Miss Catty) sobre a proposta do novo governo de parar com a exclusividade da venda de medicamentos por parte das farmácias. É um texto muito bom, um pouco raivoso ;), que mede os prós e os contras desta situação. Vão lá ver.

Miguel Bordalo

Mas que grande cowboyada!



O que eu me divirto de vez em quando... com tão pouco!

Miguel Bordalo

terça-feira, março 22, 2005

Zapping

Estou aqui a preparar-me para ver um filme de Clint Eastwood, e faço aquela mudança de canais na TV cabo que pode ser desesperante... já vi Mourinho hoje a ameaçar o Benfica de que não ia ganhar o campeonato... felizmente ele não é infalível... agora vejo uma mulher a beber uma cerveja da testa sem tocar na lata com as mãos! Muito esperta, armou-se em contorcionista! Ok... começando do 1! Ok 2... Bob Marley! Que grande seca! 3 Telenovelas é que não! Nem vou passar pela TVI porque já sei o que é que a casa gasta! Sic notícias Odete Santos! SIM! VIVA a Odete! Um debate sobre mulheres, só com mulheres! Devem ser muito isentas! Megera TV? Mas porque é que ninguém diz mal desta merda a não ser eu! Modelo e detective? A série que pior envelheceu de todas elas! Não há uma piada que façam sem se referirem que estão a fazer um programa de televisão... todos os episódios é a mesma coisa! UI! A mãe dos Portas! Foge Miguel, foge! Um filme dos anos 50. Mais telenovelas, sem tradução. Espera lá! Surf... vou ficar aqui um pouco, a odisea tem sempre alguma coisa. Onze canais... e eu a pensar que ia fazer uma descrição do caraças sobre o vazio na televisão e que nada se passava... bem... viva a TV cabo! Espera! Acabou. Raios! Futebol africano. Se estivesse com a minha namorada ficava a ver este, documentário sobre o cérebro, Discovery, grande parte do tempo, quando não vejo filmes na Lusomundo, estou a ver estes canais. Futebol do bom! Pronto estou derrotado, o meu plano falhou, este texto acaba aqui, na Eurosport.
Este texto foi um acto falhado, este não o releio-o de certeza, vai mesmo assim, para se ver o que é um acto falhado, quase que falei mais coisas positivas que negativas... sim porque na RTP e na Sic notícias até estavam a passar coisas interessantes! Raios! 15 canais... tenho mais de 50! Vou ver o Eastwood, pronto...

Miguel Bordalo

UAU!



Admito ser um pouco fascinado por ondas grandes, não sou tipo para fazer grandes manobras, a não ser que queria impressionar alguém, mas nas ondas grandes o que é preciso é cortá-las... dia 26 vêm aí uns calhaus! Que meu deus! O que eu gostava de as poder apanhar... e a ver vamos se não ultrapassa aquele famoso dia das ondas grandes em Portugal!



Pode é tudo ficar assim... se assim for...

Miguel Bordalo

Lavagem de dinheiro oficial, internacional!

Hoje a Quercus e o Greenpeace tentaram fazer aquilo que o estado português devia ter feito. Quando um barco vem aí tentar praticar uns quantos abortos envia-se a frota, quando um barco vem cheio de madeira de explorações ilegais da Amazónia, abrem-se os portões! Não pode ser.

Miguel Bordalo

Olha que dois!

Não percebo... só agora?

Miguel Bordalo

A violência inexplicável?

Nestes últimos dias aconteceram dois acontecimentos que podem quase parecer inexplicáveis, a morte dos dois agentes aqui em Portugal, e a morte de nove pessoas nos EUA. Não, não quero dizer que este país se vá tornar num Brasil, numa América do Sul ou do Norte. Mas a verdade é que o crime violento em Portugal veio para ficar, e como no caso dos EUA, em que um rapaz matou nove pessoas, os dois avós e colegas na escola há uma coisa em comum, a falta de controle das armas ilegais ou não.

Miguel Bordalo

segunda-feira, março 21, 2005

Romper o bloqueio

Há meses que não ia ao Barnabé! Fui lá hoje porque estava a preparar-me para escrever sobre o Tribunal do Iraque e queria saber se alguém do Barnabé lá tinha estado, e do BdE (que também não ia à uns tempos, desde o caso Rainha), e imagine-se tem lá novos escritores! Vi um post que não entendi (barretes à Kumba Ialá?), e vejam lá preparai-me para comentá-lo... tinha-me esquecido que qualquer comentário por ali tem de passar por um processo complicado de lápis azul! Mais uns meses sem lá passar... enfim...

Miguel Bordalo

Pessoal vamos lá!

O nosso amigo Manel do Pé de Meias está em votação no Primula Bramble, pessoal da Seita, pessoal do EdM todos mobilizados!

Miguel Bordalo

Começo a ficar nervoso...

Este personagem faz-me passar por cada uma... então quem é que eu vou ter de apoiar no PSD para que certas coisas não aconteçam?

Miguel Bordalo

Futebol relaxado

Estou a ouvir o jogo assim...







Esta não é mas tinha de pôr!







Miguel Bordalo

O mundo do barrete vermelho

Arrisco a minha falta de tempo, e vários temas que tenho de tratar numa odisseia a mais do que a minha infância, à minha vida. Vi um filme que me marcou profundamente... tão profundamente como alguns aspectos da minha vida!



“Cinquenta anos consagrados no mar. Meio século no decurso do qual aprendi a minha profissão de marinheiro, sulquei todos os oceanos do mundo, explorei, mergulhando, as maravilhas escondidas sob as vagas, criei uma equipe de homens tão apaixonados quanto eu próprio. Juntos imaginamos novos aparelhos, fotografamos e filmamos o comportamento da maior parte dos animais marinhos, compartilhamos o nosso deslumbramento e o nosso amor pelo mar com milhões de telespectadores do mundo inteiro.
Vimos, igualmente, nascer as poluições e destruições de todos os tipos que hoje em dia ameaçam um meio frágil mas indispensável à nossa sobrevivência e lançamo-nos com esperança num combate encarniçado para salvar o mar da ignorância e da incúria dos tecnocratas da nossa época.
No decurso destes anos repletos de aventuras esforcei-me por associar um espírito de curiosidade quase poético a um muito realista espírito científico. Apenas esta combinação permite que se adquira uma visão global indispensável à compreensão das realidades dos nossos dias e das possibilidades futuras.
A exploração e o estudo dos oceanos estão longe do seu fim, reservando-nos ainda muitas surpresas e, entre estas, tantas promessas como ameaças. Os filósofos sonham com uma civilização do mar, os economistas avaliam as suas riquezas. Senti necessidade de tentar uma arbitragem entre estes sonhos e, como marinheiro, conseguir, de algum modo, fazer o «ponto». Esta nova enciclopédia reúne um conjunto de informações que permite compreender melhor o sentido da vida de todos os que se apaixonaram pelo mar. Nela descobrirão a actualidade e o passado, o progresso e as regressões, o que foi feito e o que ainda está por fazer. Ela fará que sejam melhor apreciados a coragem, os esforços e os sacrifícios de todos os que participaram na conquista pacífica de um elemento difícil de penetrar, mas indispensável à nossa cultura. Ela permitirá ainda que todos partilhem o mesmo amor pelo mar – o mesmo amor pela vida”
Jacques-Yves Cousteau, sobre a sua enciclopédia, que com muito carinho mantenho no meu armário, e revisito sempre que posso e quero.



Desde miúdo que sou fã de Cousteau, o que não surpreende, porque quem não é? A verdade é que por causa dele, e de mais ninguém quis durante vários anos ser biólogo marinho... O fascínio por Cousteau era realmente enorme, começando pelo nome, (algum marinheiro, biólogo marinho poderia ter um nome melhor que este?) Passando pelo seu entusiasmo no trabalho, é que não eram só os relatos sobre a vida marinha em si, sobre os tubarões, sobre peixes inéditos, peixes únicos, baleias, etc... muitas vezes um documentário sobre uma máquina que queria utilizar para explorar o fundo do mar, dava dois episódios, e eram de agarrar uma pessoa ao sofá! Era a cima de tudo um tipo carismático, muito inteligente e capaz, rodeado de gente interessante e interessada, muito internacional.



Ontem fui ver um filme fantástico, a todos os níveis brilhante! O novo filme de Wes Anderson, de quem sou fã desde o seu último filme, que como este é dos meus filmes favoritos “The Royal Tenenbaums”, chama-se “Life Aquatic with Seteve Zissou”. É outra comédia genial que tenta muito evidentemente homenagear Jacques Cousteau, não só através do brilhante personagem de Bill Murray (onde é que já vão os caças fantasmas para este GRANDE actor?), mas também através da personagem da Angélica Huston, uma espécie de um Cousteau dividido porque este marinheiro tinha as duas vertentes muito bem vincadas, uma personalidade muito entusiasta quase uma criança que brincava aos pais com os seus colegas, servindo tanto de companheiro para as melhores brincadeiras, como uma figura paternal incontestada, porque era central, era a peça que movimentava todo aquele organismo, todo aquele mundo... papel de Bill Murray; mas também um personagem que era altamente cientifico, racional, conhecedor, empreendedor papel de Angelica Huston.



“The Royal Tenenbaums” o outro filme de Wes Anderson é também um filme que fala de família, e todas as situações mais cruas pelas quais uma família pode passar, a aproximação, a distância, os circuitos fechados, as alianças, os códigos, etc. Um filme que é inovador e que não guarda surpresas em relação aos seus personagens, eles são aquilo que são, procuram aquilo que procuram, não há revelações finais, enganos ou truques. É um filme fantástico indispensável, que faz cenas brilhantes em espaços fechados, mas ao mesmo tempo usa imenso espaço para o enquadramento, fazendo com que o filme se viva muito mais em cinema. O “Life Aquatic with Seteve Zissou” continua com os mesmos temas, é à mesma um filme sobre temas familiares, mas sobretudo sobre a juventude, a relação com os pais, as expectativas, o abandono.



“Life Aquatic with Steve Zissou” surpreendeu-me bastante, visto com falta de atenção pode ser considerado uma comédia fácil, com tiroteios cómicos, mas a verdade é que para além da fantástica exploração que faz do imaginário Cousteau, do tema paternal (e antes que me esqueça, Willem Dafoe é absolutamente fantástico!), também recorre muito a um imaginário Beatleano do Yellow Submarine, desde o pequeno cavalo marinho oferecido a Zissou no inicio, ao grande final!



Depois, devo dizer, há personagens naquele filme que já se podem considerar “Wes Andersanianas” o cameraman é um deles, Vickram, hilariante! As duas mulheres estão brilhantes Cate Blachett e a enigmática Angelica Huston. Bill Murray já pouco se pode dizer, está no topo, pode fazer tudo! Mas o personagem que achei melhor introduzido neste filme foi Pélé, o “safety expert”, que ia fazendo separadores no filme, cantando de forma a que eu pela primeira vez na vida tenha realmente gostado de David Bowie! De realçar que o filme tem uma banda sonora extraordinária!



Não se esqueçam de ver este filme, principalmente os fãs de todos os elementos que acabei de aqui citar em cima. Eu que me separei dos caminhos de biólogo marinho sempre tive uma relação muito estreita com o mar, passei pela natação, onde aprendi a ter confiança a nadar à vontade em água mais profundas, passei pelo remo, que apesar de se fazer normalmente no rio, também tem um elemento aquático muito importante, e nestes anos mais recentes no surf, e muitas vezes não me importo de ir para a água e não apanhar ondas, estou no meu meio, dentro de água, com toda a força e vida que ela comporta.



Referencia final para o fantástico cenário que foi criado neste filme, um barco cortado a meio, há muitos estúdios que fazem isto com prédios, e filmam a partir da quarta parede que nunca vemos, mas neste caso, vemos muitas vezes, e funciona de uma maneira fantástica!

Miguel Bordalo

Ps: mais outro post de quilómetros... qualquer dia ninguém aparece cá mesmo! Não deixem de ir visitar o site oficial do filme aqui.

O debato do programa de governo

Surpreendentemente ou não, correu hoje muito bem o debate ao PS, ganhou em quase todos os campo as questões levantadas. Isto também porque o programa de campanha do PS pouco prometia, o programa do governo pouco esclarece, e pelos vistos deixaram alguma coisa para Sócrates esclarecer. Ganhou o PS com isto, mas parece-me uma táctica com os seus dias contados. A ver vamos. Foi bonito no entanto, ver a direita tão reduzidinha, Paulo Portas a protestar contra Freitas, e uma bancada inteira a enfiar-lhe nas devidas goelas, que foi ele que quebrou consensos a apoiar e defender políticas internacionais ilegais! Pimba! Toma lá oh Portas, que está um pouco mais feirante, e começou bem cedo a berrar lá do fundo! Quando no governo era um tipo tão calmo e comedido...

Miguel Bordalo

domingo, março 20, 2005

Novamente de saída

A falta de tempo nestes últimos dias, por coisas a fazer e por lazer diga-se, tem sido absolutamente inacreditável. Estou novamente de saída, vou para o Tribunal do Iraque Audiência Portuguesa para o encerramento desta iniciativa. Estive lá sexta feira, eu depois conto coisas muito interessantes que tive a oportunidade de ouvir.

Miguel Bordalo

O nojo

Não, não estou a falar de nenhum período de nojo, estou a falar de alguém que pode ser ao mesmo tempo o maior vilipendiador e o maior lambe botas! Que nojo!

Miguel Bordalo

sábado, março 19, 2005

Torculentos mas porquê?

Este é o grande defeito do PCP, não é que o argumento do partido ser contra a privatização da água não seja bom, mas o criar destas situações, de uma maneira tão fácil pode muito bem ditar a queda do PCP nestas próximas eleições. Alfredo Barroso já se afastou mas com uma publicidade que lhe dará com certeza a câmara mesmo como independente. O futuro dirá, no entanto, quem é que tem razão em relação à situação das águas...

Miguel Bordalo

sexta-feira, março 18, 2005

O fim da poluição

Posso dizer que não me agradou nem um pouco a maioria absoluta do PS, mas uma coisa é certa, e isso tem-se visto nos últimos dias, entre algumas formalidades:
Há uma clara melhoria, a nível de qualidade humana e intelectual no elenco governativo, o que é muito imporante. E, entendam, isto não é um elogio ao PS, é sim o maior sinal da mediocridade dos últimos governo -principalmente o de Santana.
Noto um regresso à normalidade, ou ao que é suposto ser normal numa democracia. Ouvir Augusto Santos Silva em vez de Rui Gomes da Silva, ou qualquer outro personagem do período santanista é um descanso mental quase absurdo, como se já não estivessemos habituados a um tom e a uma postura condigna e coerente com as funções, as mais altas do nosso Estado, desempenhadas. Como se estivessemos sempre à espera de um susto cada vez que alguém abria a boca e mesmo assim ainda conseguíamos ser surpreendidos por uma coisa ainda pior.
Ou seja, parece-me que é bom, e isso é de realçar, que o governo volte a ser um governo -politicamente pode ser bom ou mau, mas que seja um governo - e não um freak show que só denegriu as nossas instituições e consequentemente, o respeito e a dignidade que peças tão vitais na nossa democracia merecem.

Manuel Castro

quinta-feira, março 17, 2005

Team-A

Quando era mais puto havia uma série que se chamava esquadrão classe A, e aquilo era uma americanada tão grande que os personagens dessa séria fazem óptimas comparações com as várias figuras que os EUA fazem no seu percurso político. Este último é mesmo o cara-de-pau, é que não lhes bastava terem lançado o relatório, ainda fazem um favor aos seus arquiinimigos de não fazerem queixa à ONU! É preciso ter muita lata... novamente!

Miguel Bordalo

A vitória da direita

Se esta notícia for verdade, e Ferro Rodrigues não avançar isso significa uma clara vitória para a direita em Lisboa, porque significa automaticamente que será Carrilho quem avança. Não só as possibilidades de Santana e Carmona aumentam exponencialmente, como uma eventual derrota destes dois vai apenas permitir que três anos passados a direita volta a Lisboa. A coligação de esquerda é essencial para esta cidade, para a sua modernização e sustentabilidade.

Não o comentámos aqui no Pastelinho, mas achei muito engraçada a carta aos Lisboetas de Santana Lopes (será que ele ainda não desistiu das cartas?), principalmente da parte em que dizia que não ia ter benefícios económicos com este retorno à cidade de Lisboa, a Sic Notícias curiosa foi perguntar se esse sacrifício significaria que Santana abdicava do ordenado, ou das regalias que a câmara lhe dá... descobriu-se que não era nem uma nem outra, afinal Santana teve uma alegada proposta que seria bem melhor para ele economicamente... (este homem não pára!)

Miguel Bordalo

quarta-feira, março 16, 2005

BE Sun Tzu

O BE colocou como já tinha avisado as suas novas propostas para a nova época legislativa, tal como o PCP. Apesar do tempo que tiveram para reflectir, vim com algum desagrado a saber que na suas propostas continua o referendo para a despenalização do aborto. Não só fico chateado com um partido de esquerda que tentar referendar um direito, incluo aqui o PS, mas fico ainda mais indignado, e aqui excluiu o PS, quando me apercebo que o BE manteve a data para o referendo para Junho...
Ora este pensamento digno de discípulo de Sun Tzu só pode ter duas intenções, uma mais grave que a outra, mas as duas reveladoras daquilo que o BE se tem vindo a tornar. A primeira, menos grave, só pode ser que o BE sabe que o PS não vai aceitar a data do referendo para uma data onde muito provavelmente não haverá participação suficiente, o PS não quer perder o referendo, e assim o BE teria mais oportunidades de protagonistas imbecis para o folclore que tanto gostam de pavonear como uma arma de arremesso ao partido do governo, e um momento ideal para ganhar uns pontos e ficar nas boas graças dos apoiantes do referendo ao aborto.
A segunda é bem pior, mesmo que o PS aceite o referendo para a data, isso não ia fazer mal, porque uma derrota para o BE seria um bom resultado para futuras lutas do partido, que pequeno como é não ficaria com o ónus de um mau resultado.
Parem lá de brincar com a vida das pessoas!

Miguel Bordalo

O mundo dos maus

A maldade, a aldrabice, a conspiração, a mentira, o crime tudo isto acaba por compensar...

Miguel Bordalo

180 minutos

Neste país não se assumem posições, paixões ou ideias com coragem. Fazem-se correntes de opinião e fabricam-se mitos não por convicção, mas por seguidismo. É tudo muito estranho.
E reparem como 180 minutos bastaram, em Alvalade e nas Antas, para, de repente, o Benfica ser o quase proclamado campeão. É vergonhoso, é asqueroso, ver os luis delgados da bola que passaram um ano inteiro a bajular todos menos o Benfica -e ainda bem!- vir agora, com a suprema lata que os distingue, colar-se a essa ideia que só os benfiquistas, melhor só alguns benfiquistas, têm vindo a defender, de que o Benfica tem condições para ser campeão este ano. O que não querendo dizer nada -ter boas condições só quer dizer isso mesmo - não deixa de ser muito importante e acreditem, vai dinamizar e mobilizar essa verdadeira instituição que é a nação benfiquista. E quando o Benfica, todo o Benfica, toda esta massa anónima, apaixonada e sim, fanática, começar a acreditar, aí sim, vai ser complicado apanhar o Benfica.
Até lá, vamos lá apoiar os nossos "novos heróis" ( isto do Luís Filipe Vieira andar a ouvir demasiado o Cunha e Vaz dá nisto) e o grande Trap, que, independentemente da classificação final tem e terá o meu incondicional apoio e respeito. Forza.

Manuel Castro

O regresso de Santana

Há alguns anos lembro-me de me terem falado -numa daquelas conversas sobre coisas completamente rídiculas - duma pequeno (?) lapso no complicado sistema legal britânico que permitia, imaginem só, que, num determinado domingo do mês, no condado de York, não seria de todo ilegal cometer homicídio sobre um escocês, se fosse usado o arco e flecha. Em pleno século XX. O regresso de Santana a Lisboa parece-me, por isso, tão legítimo, quanto um eventual (prometo investigar este assunto quando voltar a ter tempo, para ver se a tal brecha no sistema ainda existe) assassinato de um qualquer senhor escocês chamado Duncan, em york, por um inglês chamado George, com um arco e flecha.
Legal, mas absoluta, irremedíavel e fatalmente ridículo.

Manuel Castro

Irresponsalismos

Que muitos jornalistas da nossa praça têm problemas ao nível do método, da seriedade profissional e de ética (podemos discutir porquê, podemos falar até em sobrevivência profissional), que descambam em, aliás impunes, passeios de inverdades, não é novidade.
Que o simpático jornal A Capital tenha metido a pata na poça mais que uma vez já, tudo bem, acontece aos melhores.
Agora que, depois de um não-facto, definitivamente não-consumado e devidamente -até para maus entendedores se fosse caso disso- esclarecido, uma pessoa como Jacinto Lucas Pires venha bater na mesma tecla já é caso para nos preocuparmos.
Porque um não-acontecimento, um não-facto, uma não-ideia são a antítese da verdade. E a antítese da verdade, a sua falta, é a mentira.
E sejamos nós anónimos bloggers ou escritores famosos, seja na Capital ou no Jornal do Fundão, opiniar sobre um facto que não é verdadeiro, aumentando a espiral imensa que se cria, e que neste caso começou num acontecimento zero -aquilo que o Pedro não disse- é, não só irresponsável, como intelectualmente desonesto.
E se uma irresponsabilidade jornalística custa alguma coisa, esta, com toda a certeza, custa muito mais. É um irresponsalismo grave.

Manuel Castro

terça-feira, março 15, 2005

Olha! ... EU TAMBÉM!

Nivelamento por cima! :)

Miguel Bordalo

Caeiro no seu melhor

No outro dia fiz o texto de introdução com Alberto Caeiro, o meu poema preferido provavelmente. A Eskimo teve um serendipity e até arranjou grande parte do poema na internet, agradeço desde já, um pouco atrasado mas ela não me leva a mal. O problema é que o poema estava estranho quando o li, tive de alterar algumas coisas, com a minha versão e acrescentar uma parte essencial que é a VII parte, a história do menino Jesus, que inicialmente era o que pretendia pôr aqui no texto de apresentação, fica aqui o poema do heterónimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro. Poema essencial!

Trechos de O Guardador de Rebanhos

I

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.

Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.


Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.


Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.

E se desejo às vezes,
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita coisa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.

Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas ideias,
Ou olhando para as minhas ideias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.

Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predilecta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer coisa natural -
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado

II

Tudo que vejo está nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que teria uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a primeira inocência,
E toda a inocência é não pensar...

III

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês
Que andava preso em liberdade pela cidade.
Mas o modo como olhava para as casas,
E o modo como reparava nas ruas,
E a maneira como dava pelas coisas,
É o de quem olha para as árvores,
E o de quem desce os olhos pela estrada por onde vai andando
E vê que está a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza
Que ele nunca disse bem que tinha,
Mas andava na cidade como quem não anda no campo
E triste como esmagar flores em livros
E pôr plantas em jarras...

IV

Esta tarde a trovoada caiu
Pelas encostas do céu abaixo
Como um pedregulho enorme...
Como alguém que duma janela alta
Sacode uma toalha de mesa,
E as migalhas, por caírem todas juntas
Fazem algum barulho ao cair,
A chuva chovia do céu
E enegreceu os caminhos...

Quando os relâmpagos sacudiam o ar
E abanavam o espaço
Como uma grande cabeça que diz não,
Não sei porquê - eu não tinha medo -
Pus-me a rezar a Santa Bárbara
Como se eu fosse a velha tia de alguém...

Ah, é que rezando a Santa Bárbara
Eu sentir-me-ia ainda mais simples
Do que julgo que sou...
Sentir-me-ia familiar e caseiro
E tendo passado a vida
Tranquilamente, como um muro de quintal,
Tendo ideias e sentimentos por os ter
Como um flor tem perfume e cor...

Sentia-me alguém que possa acreditar em Santa Bárbara...
Ah, poder crer em Santa Bárbara!

(Quem crê que há Santa Bárbara,
Julgará que ela é gente e visível
Ou que julgará dela?)

(Que artifício! Que sabem
As flores, as árvores, os rebanhos,
De Santa Bárbara?... Um ramo de árvore,
Se pensasse, nunca podia
Construir santos nem anjos...
Poderia julgar que o sol
É Deus, e que a trovoada
É uma quantidade de gente
Zangada por cima de nós...
Ah, como os mais simples dos homens
São doentes e confusos e estúpidos
Ao pé da clara simplicidade
E saúde de existir
Das árvores e das plantas!)

E eu, pensando em tudo isto,
Fiquei outra vez menos feliz...
Fiquei sombrio e adoecido e soturno
Como um dia em que todo o dia a trovoada ameaça
E nem sequer de noite chega...

V

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das coisas"...
"Sentido íntimo do universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em coisas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das coisas
É acrescentando, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das coisas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, aqui estou!

(Isto é talvez ridículo ao ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as coisas,
Não compreende que fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e o sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?),
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda hora.

VI

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou...

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Nós, como as árvores são árvores
E como os regatos são regatos
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos...
E não nos dará mais nada, porque dar-nos mais seria tirar-nos mais.

VII

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui da minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu
Tornamo-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar
E tornamo-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

VIII

Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas –
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o Sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso natural.
Limpa o nariz com o braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
«Se é que ele as criou, do que duvido.» -
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»

E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

.....................................................

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda comigo que eu sou poeta sempre.
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E os mais pequeno som, seja do que for, parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontado.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos às cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo o universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar de guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem de florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro de minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

.....................................

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonho teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

.......................................

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-se ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quando as religiões ensinam?

IX

Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei a verdade e sou feliz.

XVIII

Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si e tendo pena...

XXVII

Só a natureza é divina, e ela não é divina...

Se falo dela como de um ente
É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
Que dá personalidade às coisas,
E impõe nomes às coisas.

Mas as coisas não têm nome nem personalidade:
Existem, e o céu é grande e a terra larga,
E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto não sei.
É isso tudo que verdadeiramente sou.
Gozo tudo isso como quem está aqui ao sol.

Alberto Caeiro

E o trabalho que isto me deu... mas dá sempre para aprender muita coisa!

Miguel Bordalo

Já começa a descambar isto!

Esta situação dos medicamentos poder serem vendidos nas grandes superfícies tem claras vantagens, mas já começa por aí muita coisa a descambar! A primeira é a liberalização dos preços, está-se a ver o resultado com a gasolina, parece que a competitividade em Portugal leva a um agravamento dos preços, e sem concertação! Já a venda nas grandes superfícies tem de ser muito bem vigiada, com gente responsável muito por perto, para tratar das condições dos medicamentos, a sua conservação, o seu estado de armazenamento, etc.. a outra situação indesejável é esta última, das estações de serviço quererem vender medicamentos... para lá de as estações de serviço terem normalmente o pior atendimento de todas as superfícies comerciais, serem as mais caras, e as menos cuidadas, não terão capacidades para fazer uma vigilância segura deste novo produto. É importante do que ao contrário do que uma senhora queria num fórum à pouco tempo, que os medicamentos não vão parar às mercearias!

Miguel Bordalo

Mau jornalismo de onde não esperava

Hoje ao passar pelo País Relativo fiquei surpreendido com o post do PAS, o Pedro é um dos colunistas deste d’A Capital e provavelmente ficou ainda mais surpreendido com a manchete de hoje do que qualquer outra pessoa. Trata-se de um artigo que tenta fazer polémica entre a ala esquerda do PS e o governo. A integridade do artigo acaba quando o primeiro exemplo para mostrar este confronto passa por Pedro Adão e Silva, que tem sido um apreciador das escolhas de Sócrates e da maneira como conseguiu equilibrar o governo sem ter em conta os equilíbrios do partido, não da ala esquerda do partido!
O que a jornalista fez foi o que o pior jornalista pode fazer, à partida queria algo, pretendia criar uma situação e foi buscá-la não interessa o quê ou o que lhe disseram, pretendia uma polémica entre a ala esquerda do PS e o governo, provavelmente porque se apercebeu de alguns indícios, telefonou ao Pedro, que mais valia não o ter feito, e inverteu totalmente aquilo que ele tem andado a dizer. A Capital é um jornal que eu gosto muito de ler, e não pode participar neste tipo de situações.

Miguel Bordalo

É preciso ter calma...

Este último fim-de-semana foi perfeito para o Benfica! No final dos dois dias de descanso estamos isolados à frente do campeonato a três pontos. Quem são os nosso adversários? Nós próprios! Dependemos apenas de nós próprios e assim temos de pôr os pés bem assentes no chão, as próximas três deslocações, ao contrário do que querem fazer passar serão muito difíceis, Setúbal fora, Marítimo em casa e Rio Ave fora. Temos de ter muita força, e dar muito apoio, não está nada ganho e as equipes da frente ainda estão muito perto umas das outras.

Acho engraçado que agora que o Benfica está, justamente e legitimamente à frente do campeonato se fale tanto do espectáculo... sinceramente não vejo nenhuma equipe nestas últimas quatro semanas a jogar melhor que o Benfica a nível nacional, o Sporting jogou realmente muito bem contra os ingleses, e só é pena não terem ganho 3-0, mas nas competições nacionais, que tem marcado mais golos e jogado melhor, mais regular e tacticamente perfeito tem sido o Benfica. Não digo que isso não possa mudar, mas a verdade é que é até agora é um facto! Hoje no surrealista O Dia Seguinte estavam os três anti-benfiquistas a cair em cima de Seabra porque o Benfica estava à frente do campeonato sem jogar bem... Seabra que nunca soube defender o Benfica (deus nos livre que alguma vez seja presidente do Benfica!) dizia que o Benfica devia ganhar com eficácia como dizia o Mourinho, já Pedro Mourinho o jornalista e apresentador do programa quase fora de si dizia – Mas a todo o custo? – A que Seabra dizia que sim, que era a todo o custo! E depois começaram a comparar o Benfica com o Boavista! Epá não sei o que diga... que não devia ver este programa? Ou tentar perceber porque é que dizem que o Benfica anda a tentar ganhar a todo o custo, quando hoje em dia, e o FCP de Mourinho foi-o muitas vezes, o futebol tem a cima de tudo de ser cerebral, frio, eficaz e calculista, mas não se ganham jogos sem golos, e não se ganham campeonatos sem jogar bem, o espectáculo? Bem vi já grandes jogos do Benfica este ano, quando as equipes querem espectáculo é possível, contra o Setúbal, contra o Boavista ou contra o Sporting, todas as vezes encontrava-me no estádio vi ao vivo grandes espectáculos, mas houve mais, e mais haverá, independentemente de quem ganhar o campeonato, que espero que seja o Benfica.

Como nota final, espero que o FCP e o Sporting tenham a maior das sortes nas competições europeias, pelos amigos e conhecidos que tenho simpatizantes dos clubes, e pelos pontos nos rankings de clubes.

Miguel Bordalo

segunda-feira, março 14, 2005

Sinto-me injustiçado!

Nem posso acreditar! É certo que no outro dia não festejei o dia da mulher, não porque ache que não tem sentido, já que as mulheres são realmente descriminadas em todos os países (expecto em Cuba, vi eu no Opera Winfrey show!) Mas acho que nesta altura a luta da mulher não necessita, muito pelo contrário de cavalheirismo de portas abertas, casacos nas poças, e senhoras primeiro! As mulheres têm mais é que agarrar a luta pelos punhos e tirar o que é delas!

NO ENTANTO! Há o dia da mãe, o dia do pai, o dia da criança, o dia do doente disto e do doente daquilo, o dia dos namorados, o dia para tudo! E ontem foi o meu dia e eu só soube hoje! Nem uma prendida consegui cravar! O dia do disléxico! Ora quem lê este blogue frequentemente é capaz de não duvidar deste facto. Mas a verdade é que tenho uma afasia na broca e isso torna-me num disléxico com dificuldades no campo linguístico escrito, muito especificamente. É verdade já foi bem pior, quando era puto não distinguia os p’s dos b’s, não entendia a letra z, etc... não sabia escrever minimamente bem, mas lá foi melhorando, com a minha querida psicóloga Catilina a dar-me a volta ao baralho e a melhorar substancialmente a minha condição, de maneira a que nunca precisei de tempos complementares, ou tratamentos diferenciados, o que sempre me pôs à vontade e ao mesmo nível que os outros, nem todos com este problema podem dizer o mesmo. Antes de qualquer teste perguntava sempre – oh stôre! Os erros contam? – Era sempre uma gargalhada dos mais atentos, porque eu queria perguntar se a professora contava com os erros ortográficos, mas tinha tendência para generalizar...
Claro que hoje em dia as coisas vão muito melhor, ainda assim os pre’s e os per’s são de uma dificuldade tremenda! Algumas palavras parecidas ainda é pior! É uma dificuldade constante, uma luta constante para uma pessoa como eu que gosta de escrever... como é que vos vou explicar? É no fundo como ser daltónico e ter de andar a combinar cores! É um processo complicado todos os dias, mesmo lendo, escrevendo, treinando...(apesar da minha tendência para não rever os textos, não abonar muito em meu favor...)
Ainda assim, o que me chateia mais é de ninguém me ter dado nada no meu dia... mas para o ano espero não me esquecer... esta coisa da memória deve ser também uma afasia qualquer que eu tenho... mas isso são outras conversas!

Miguel Bordalo

Começa a luta, ou a luta continua

Santana já veio a público dizer que é o novo presidente da câmara de Lisboa, este político profissional não pode viver sem o seus cargos, espero que a partir de agora todos nos concentremos para o derrotar e para o tirar desta cidade de vez!
É uma luta essencial!

Miguel Bordalo

domingo, março 13, 2005

Bird o mestre

Tal como na pintura, na literatura, no cinema, na música especialmente na música clássica e no Jazz houve quem desse a nota para marcar o compasso antes dos outros, a inovação, a criação de algo novo não só para si mas para as futuras gerações, foi um dos homens que mais tendências influenciou. "Bird", o Charlie Parker é um Bach, um Beethoven, um Brahms, juntamente com o Thelonious Monk, Dizzy Gillespie, Count Basie são os pais do Jazz, do novo Jazz, do Jazz profundamente musical e bem tratado, do Jazz definido ao mais alto nível de perfeição, de improviso, de qualidade de som no trato de todos os acordes e do constante desafio. Do desafio que torna o Jazz tudo aquilo que é hoje em dia, quando o verdadeiro músico de Jazz tenta sempre criar algo novo, mais puxado, sempre saltando barreiras, sempre descobrindo mundos novos naquele espaço de instrumentos e possibilidades que o Jazz oferece.

Eu sou geralmente um tipo distraído, aéreo até, e se há coisas que me fazem ainda mais distraído é ouvir Jazz na rua, é certo que Jazz se deve ouvir no quarto ou na sala, só Jazz e as movimentações de todos os instrumentos, de todos os solos, de todos os momentos criados... os espaços visitados, mas muitas vezes andar na rua a ouvir, por exemplo, Charlie Parker é para mim uma coisa do outro mundo, as deambulações do seu saxofone, que se soltam constantemente à procura de algo, que acaba sempre por ser o próprio instrumento, fazem de mim um tipo profundamente feliz no caminho para a faculdade. Não há metáforas que expliquem um músico e um criador assim, os movimentos parecem rápidos e intermináveis, curtos e imprevisíveis, complicados e de repente extremamente elegantes. Acho no entanto que Bird é único numa coisa (entre outras com certeza), na capacidade de transmitir tristeza mesmo no solo mais rápido, o que nunca para de me surpreender...

Um obrigado à Cecília por me lembrar a data, fico ansiosamente à espera da biografia.

Miguel Bordalo

Estou sozinho...

Eu sou definitivamente um tipo estranho. Só pode, é a conclusão racional. No próximo fim de semana lá vou eu ter de fazer horas estranhas para ver uma corrida de F1, à qual pelos vistos já ninguém está disposto... ainda bem que passam só para mim e para o nosso amigo do água em pó! Somos só os dois, e para os dois uma emissão em directo!
Aparentemente a competitividade acabou na F1, assim como todo o seu interesse. Em alguns sítios ouço que a culpa é exclusiva do Shumacher, noutros é do Ecleston, noutros até é o desinteresse da competitividade entre as equipes, dê lá por onde der, o único que vejo entusiasmado com o desporto rei do automobilismo sou eu e o maluco do Grande Líder! É porque realmente não entendo, eu sei que sou fã do Shumacher, vejo-o como o maior piloto de todos os tempos, brilhante a todos os níveis, mas para além disso vejo, como nunca antes houve, mais de duas a três equipes com possibilidades de ganhar corridas, só que este ano são mais! Quatro ou cinco! O confronto vai sempre chocar com Shumacher que foi o único piloto, em toda a história da F1 que ganhou campeonatos sem estar sentado no melhor carro! Para mim Shumi é como o Maradona no Nápoles, chegou deu dois campeonatos à equipe que nunca os teve, mesmo contra os gigantes da altura. Ao contrário de Maradona, Shumacher não se desgraçou em drogas, e em vez de se apagar, como a intensa chama de Maradona, Shumacher não fez mais nada pegou, (porque foi ele!) numa equipe histórica, (como o Inter possivelmente se fosse o Maradona actualmente) um histórico que há anos que não ganhava, e deu-lhes cinco vitórias consecutivas! Por mais que o queiram escamotear, o grande empurrão, o grande responsável é mesmo Shumacher, que se não existisse, neste momento estariam a haver vários mitos em evolução, o mito Raikkonen, o mito Montoya, o mito Alonso e etc.. tudo pilotos que ainda irão dar muito à modalidade.
Para uns perdeu o interesse, é um cemitério como diria o Alexandre que a bom tempo veio dar vida nova ao Esplanar (porque aqueles tipos andam uns calões! Raios!). Para o meu colega solitário em noites de formula 1 estragam o desporto por razões económicas... eu devo dizer que todas as alterações que eu vejo na F1 vejo-as por uma razão, por causa do Shumacher, o facto de ele dominar como domina o desporto, faz com que se inventem todas as regras possíveis e imagináveis para tirar a supremacia a uma máquina bem oleada, para que as pontuações não favoreçam o melhor piloto, para que as qualificações para a gralha de partida se tornem quase aleatórias, etc...
Ainda assim mal posso esperar pelo próximo fim-de-semana, sei que já não vai ser o mesmo a ganhar, será muito difícil, sei que é mais um teste para a paciência do maior piloto de todos os tempos, que todos os anos encontra um número enorme de obstáculos adicionais para fazer aquilo que gosta, que é ganhar, e é tudo uma questão psicológica, de que maneira é que o vão conseguir quebrar?

Miguel Bordalo

Triste ou indignado?

Talvez atrapalhado, confrontado com o ridículo numa situação grave nunca sei como reagir, no Serras e no Laranja Amarga já se começa a antecipar um pouco os tempos que se avizinham...

Miguel Bordalo

Grande vitória ontem!



Principalmente uma vitória anímica, um jogo bem jogado, normal, com um resultado que só poderia ser aquele. Mais um golo de Mantorras, um golo também de Miguel que anda a contas com várias lesões desde o inicio da época, e lá vamos seguindo o nosso caminho traçado por Trapattoni. No final se verá quem tem razão.

Miguel Bordalo

sábado, março 12, 2005

Testes e mais testes...





You Are 25 Years Old



25





Under 12: You are a kid at heart. You still have an optimistic life view - and you look at the world with awe.

13-19: You are a teenager at heart. You question authority and are still trying to find your place in this world.

20-29: You are a twentysomething at heart. You feel excited about what's to come... love, work, and new experiences.

30-39: You are a thirtysomething at heart. You've had a taste of success and true love, but you want more!

40+: You are a mature adult. You've been through most of the ups and downs of life already. Now you get to sit back and relax.




Por caminhos blogosféricos fui parar ao blogue Ana no País dos Dragões, e lá vi o teste que agora vos apresento queridos leitores deste blogue alternativo.

Miguel Bordalo

Aí o surf...

Nestes dias de ondas magnificas estive sempre no sitio errado... insisto em ir para a costa porque não gosto de andar à bulha, e ainda por cima, para mal dos pecados do grande Pedro, acordei-o sexta de manhã, feito puto excitado e convenci-o que na Costa estavam a dar as melhores ondas do mundo!... é claro que para mim foi chegar... vencer e perder! Sim porque o dito alterou-se comigo, eu nem tive tempo para ver nada, cheguei apanhei uma onda e passei o resto da manhã a apanhar com cascos em cima da testa! Desculpa Pedro... até fiquei envergonhado... a verdade é que ainda deu para te conhecer, o que me deu um enorme gosto.

Depois fiquei, feito parvo, à tarde para mais surf e as quantidades enormes de porrada continuaram, hoje de manhã? Claro mais um pouco! E amanhã? Será que amanhã de manhã algo vai mudar? Tenho a certeza que não! Continuarei empenhado em levar porrada e ser muito arrastado para praias fora... far, far away!

Miguel Bordalo

Mais pérolas do ensino em Portugal

É este tipo de coisas que marcaram profundamente os governos PSD nos últimos anos, e espero que seja exactamente o contrário com este governo do PS. Estas notícias incomodam-me, porque uma coisa é poupar, uma coisa é tentar arranjar maneiras para que o ensino seja mais eficiente e custe menos ao estado, outra é deixarem os mais desfavorecidos ainda em pior estado. È inadmissível!

Miguel Bordalo

A posse

Sem dúvida que esta posse correu muito melhor que a última. Não só porque não ouve trapalhadas, como vi um bom discurso de vitória de Sampaio e curiosamente um bom discurso também de Sócrates. A alteração da constituição para permitir referendos ao mesmo tempo que outras eleições é a grande novidade que desde já aplaudo. A situação dos medicamentos, permitindo a sua venda fora das farmácias parece-me também muito bem. As viagens que uma pessoa muitas vezes tem de fazer para comprar uma aspirina num fim-de-semana é desesperante, (isto do meu lado!)

Miguel Bordalo

sexta-feira, março 11, 2005

Para o meu amigo... Cantaloupe Island

Há músicas que me lembram pessoas, há músicas que deviam acompanhar pessoas para todo o lado, quando entrassem tudo se calava e imediatamente se ouvia a melodia da música a ecoar por toda a sala, como um cheiro... como um cheiro... A música que acompanharia o Caracol seria certamente o Cantaloupe Island... (mas já cá voltamos)

Quando era puto, tinha aí uns 12 anos, aprendi a minha primeira lição de estilo, até aí vestia-me como ainda me visto um pouco, com o que é mais confortável. Estava eu a jogar (ou a tentar jogar) à bola, quando comecei a ficar com calor, tirei a minha camisola e ateia à volta da camisa... chateado o meu amigo Caracol, virou-se para mim e disse, - só podes ser parvo! Põe a camisola debaixo da camisa, ata-a às calças! Com a camisa por fora! – eu meio parvo não entendi! – Mas o quê? – O Caracol pegou em mim, arrancou-me a camisola de cima e pôs-me à volta das calças com a camisa por cima... – Mas... é muito mais desconfortável! – Queixei-me eu indignado! – Qual é a lógica? – De segredo, virou-se para mim e disse (porque ele já era um tipo consciente destas coisas... apesar de parecer sempre muito distante, esta postura afastada vim a saber mais tarde era O truque!) – É por causa das miúdas... – E arrancou continuando a jogar à bola. Fiquei ali parado a olhar para mim... e realmente ficava muito melhor, quase que até ficava melhor do que se tivesse a camisola vestida! Claro que nunca mais pus uma camisola por cima da camisa.

Já perto do 9º ano, numa sala de aulas onde liamos os Lusíadas versão Aquilino Ribeiro, e em que o mesmo Caracol sabia o significado exacto de todas as palavras complicadas, a professora de português com um par de mamas gigantes (desculpem, mas assim toda a gente que andou lá sabe quem é), tinha-as sempre dirigidas a ele para perguntar-lhe o significado das palavras complicadas... a que respondia muito prosaico e vaidoso, como se fosse a coisa mais normal do mundo e ao mesmo tempo um espaço só seu... Nessa sala de aulas passou-se o momento mais embaraçante (curiosamente para mim) naquela escola. (Bem talvez não tenha sido... mas foi um dos mais!) Estávamos nós numa aula do infame e terrível Coxo, um excelente professor de matemática que era igual na sua excelência como na sua fama e reputação de terrível, disciplinador e !igualmente! exigente. Quando cansado da monotonia das matemáticas (que infelizmente nunca gostei) comecei a olhar para a janela, à frente da janela estava o nosso amigo Caracol, com a sua mãozinha no queixo, também entusiasmado com a matéria, entusiasmado como um chulo numa igreja, quando de repente, do nada, e totalmente sem querer, (que eu vi, estava a olhar para ele), lança um discreto mas bem audível arroto pela sala... depois de um silêncio de poucos segundos, a sala rebentou em risos alucinantes, do qual, acuso-me, fui um dos mais audíveis participantes! O professor rigoroso e disciplinador, que não gostava de ouvir uma caneta que fosse a cair na sua sala, conseguiu calmamente e rapidamente calar toda a gente... mas meus amigos, eu vi aquilo à minha frente! Assim que parava vinha-me um riso incontrolável a onde quer que seja que os risos vão parar, e rebentava em risos fortes e histéricos, que eram logo abafados por um chiu grave do professor que claramente entendia toda a situação, mas que necessitava de manter o controlo sobre ela... mas quanto mais eu controlava o riso, maior ele saia, e já havia um elemento contagioso, que se propagava pela sala toda, duas colegas atrás de mim entretanto já não se riam do Caracol, mas do meu desespero. A certa altura, e depois de muito riso, o Coxo vira-se para mim, manda-me calar e diz – O senhor Teixeira é um porco! Mas você é um parvo ainda maior! E as duas meninas aí atrás, RUA! – Cristo! O que eu ainda me riu a contar esta história, tanto talvez, como a história do Didio!

O Caracol é um amigo meu desde os três anos, um dos amigos para a vida, quase como família, tenho a certeza que ele sabe que pode contar comigo para tudo. E a música que o acompanha é o Cantaloupe Island, quase sempre que a ouço me lembro dele (e nem sei se ele alguma vez ao ouviu.) É simplesmente uma música que tem toda a lógica que seja ele, o seu cheiro, é calma, tem estilo, um ritmo único, vários solos, genialmente tocada por Herbie Hancock, é a cara e o cheiro do Miguel! Grande abraço meu amigo e parabéns pelo aniversário.

Miguel Bordalo
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