sábado, setembro 17, 2011

Em modo poupança



Nos últimos dois meses ando em modo poupança. Não gasto mesmo dinheiro nenhum. Estou a tentar chegar aos 200 euros por meses em despesas extra casa, mas a contar com comida. Talvez para o mês que vem.

Uma coisa que não pode acontecer, é obrigarem-me a ir a dois sítios - ao media Market e ao Colombo. Gastei a módica quantia de 16 euros para comprar estes filmes:

Inimigos Públicos - Michael Mann
Sacanas sem Lei - Quentin Tarantino
Raging Bull - Martin Scorsese
Hannibal - Ridley Scott
Casino - Martin Scorsese
Carlitos Way - Brian de Palma
Red Dragon - Brett Ratner
L'Illusionniste - Sylvain Chomet

Sim, 16 euros. Agora perguntam e bem: Miguel tens 16 euros para gastar em filmes? Não. Mas como é que conseguiste gastar 16 euros nestes filmes todos? Não sei. Mas entre o Público a Fnac e o Media Market eles cá cantam e custaram-me ao todo 16 euros. Eu não consigo evitar isto! Dois euros por filme. Como é que dá para dizer não?

Quer dizer... eu podia não ter comprado o Hannibal, mas esse completava-me a colecção. Aquele primeiro do Michael Mann, mas foi o único que eu nunca vi e deu-me a vontade. Pronto 2 euros.... Mas pode até nem ser mau. Pode até ser bom. 16 euros...

E as minhas três estantes acabaram de não conseguir meter mais um único filme... E já não tenho mais parede para umas uma estante. E agora? O que é que eu faço?

12 comentários:

Anónimo disse...

Hoje em dia gastar dinheiro a comprar filmes, series, documentarios ou musica é um erro porque saca-se tudo da net de graça ainda antes de aparecer no cinema ou à venda. Obrigado pelas sugestões, vou já sacar esses filmes :)

Miguel Bordalo disse...

Sabes qual é o erro "Anónimo" é pensar que as pessoas que fizeram esses filmes podem continuar a fazê-los se toda a gente pensar como tu.

Eu respeito a arte como um trabalho, portanto compro todos os cds e todos os dvd's, mesmo quando o dinheiro é escaço. Todos os meses tendo comprar um cd e um dvd, tento ir a uma exposição, e por vezes ir ao teatro.

Qualquer dia só consegues sacar filmes de merda, porque são os únicos que a industria consegue produzir. Os bons realizadores deixam de poder fazer filmes porque não há quem os compre.

É uma falta de respeito, e um roubo. Eu não te conheço de lado nenhum, mas posso dizer-te que o que tu estás a fazer não é diferente de enfiares a mão na bolsa de uma pessoa no café da esquina e roubares-lhes uns trocos. Não tem diferença nenhuma. É exactamente igual.

mfc disse...

Há pechinchas que não nos podemos negar!!!

Anónimo disse...

Caro Miguel Bordalo, so posso discordar. Eu, como qualquer cidadão ocidental, gastei muito dinheiro em objectos de que não precisava, porque me diziam que os podia comprar e quedevia possui-los. Dando o exemplo dos filmes, que é daquilo que falamos, quem não comprou dezenas ou centenas de cds/dvds a 2€...a 16€...ou a 30€? Hoje esse dinheiro está nos bolsos de alguém e faz-nos falta mas isso não me foi explicado na altura :)
Acredito que para bem da moralização da sociedade devemos "punir" quem nos iludiu evitando comprar certos objectos, a não ser a um décimo do preço de antigamente, retribuindo assim o mimo!

Quanto à sua sugestão de que qualquer dia só se conseguirá sacar filmes de merda, engana-se. O futuro é a disponibilização livre de conteúdos, com os artistas a viver da publicidade que o seu trabalho gera. Dê uma espreitadela no site português Né-Miguelito para ter uma ideia do que se passa a nivel global.

Abraço, "Anónimo"

Miguel Bordalo disse...

Artistas a viver da publicidade. Esse é um mundo em que prefiro não viver. O Woody Allen precisava de fazer um anúncio ao quê para fazer os filmes dele? Que conversa desalinhada.

O dinheiro que gastei em filmes e cds sei para onde foi - foi para o próximo filme do CLint Eastwood, do Martin Scorsese, do Takeshi Kitano, do Quentin Tarantino, do Woody Allen.

E para parar com o argumento de merda de diabolizar as editoras e distribuidoras, eu garanto com a minha compra garante futuras edições de cineastas como Fellini, Hitchcock, Kubrick entre outros.

A mim dizerem-me que eu tenho de comprar fruta numa frutaria e não roubá-la é coisa do passado. Se eu posso roubá-la porquê comprá-la? Argumento do mais aldrabão possível, não para mim, que eu não estou a ser roubado, para ti próprio "anónimo", que não tens consciência do que está a fazer à arte de fazer bons filmes, aquele tipo de arte que obriga alguém a estar a viver aquele momento intensamente e não estar preocupado com que produto é que tem de colocar em determinada cena para poder ganhar uns trocos.

É triste ver tanta gente levada pela ganância de poupar uns trocos fáceis na arte, quando com algum esforço podia tornar o mundo da arte melhor. Mais seguro. Menos invadido por espertalhões e publicidades bacocas. Eu quero a arte pela arte. A arte é trabalho. Sou contra o roubo da arte.

Qualquer dia roubas um quadro a um pintor de rua para colocar em casa, farto do mundo publicitário IKEA preso na tua parede, e achas que é normal.

Enfim. O mundo dos usurpadores está a cair-nos em cima. É mais que normal que aconteça com as expressões artísticas também. Uma usurpação global, estabelecida, gerada pelo facilitismo e argumentos aldrabões.

Eu digo-te uma coisa "anónimo" eu não te conheço, não sei quem és. POdes ser muito boa pessoa, amigo do teu amigo, um tipo produtivo, afável e simpático, mas no que à arte diz respeito, és um carteirista.

Anónimo disse...

Miguel Bordalo,

A "arte" como lhe chamas é apenas um produto que alguém transacciona para lucrar, sendo qur quem mais ganha não é o artista mas o universo que o envolve. Vamos ser claros, durante anos eu paguei os filmes ao preço que eles me quiseram vendê-los. Também paguei o dinheiro que os bancos me impingiram a um juro baixo, paguei a electricidade, o gás, a água, o pão e o combustível a preços razoáveis. Acontece que, sem me perguntar se eu estava de acordo, alguém decidiu que eu tenho que pagar todos estes produtos muito mais caro. Curiosamente se me perguntassem se eu aceitava essa revisão unilateral de preços eu diria que não, talvez por isso não tenham perguntado...Assim sendo, eu e milhões de pessoas no mundo também decidimos que podemos ter acesso e distribuir tudo o que tenha interesse. De consciência transquila, como eles para connosco na primeira situação. Pessoalmente, uso internet grátis em casa que não sei de onde vem e quando saco filmes, saco em média 50 gigas por dia. Tenho cerca de 200 para ver, incluindo todos os que vão estrear nos USA na próxima semana.
A ver se nos entendemos: roubar não é sacar filmes, roubar é criar espectativas de vida a uma geração inteira e depois "cortar-lhes as pernas".

Miguel Bordalo disse...

Esse último paragrafo não tem sentido. Não é argumento.

Tudo o resto é ridículo "A arte é um produto que alguém transacciona para lucrar" E então? Qual é o problema de ganhar dinheiro com arte? Alguma vez a arte se fez sobre outro efeito? São só argumentos ridículos.

"Roubar é criar expectativas de vida a uma geração inteira e depois "cortar-lhes as pernas"." Esta é a frase mais demagoga que alguma vez foi montada. Há algum sentido real nesta frase a não ser uma justificação demagoga para o roubo?

Roubar é roubar. Se é feita de uma maneira mais massiva ou menos massiva pouco importa. Sacar um filme da internet é uma forma de roubo. É um assalto. Não há volta a dar-lhe. É ir roubar gasolina à bomba, é não pagar a electricidade e continuar com luz em casa, é levar pão sem pagar, ter gás e água e todas as comodidades e não lhes prestar contas. É um roubo.

Anónimo disse...

1)Cds e DVDs não suportam a cultura quase desde a II Guerra mundial, não são os 15€ empregues em cada artigo que garantem a carreira feliz de um músico e realizador.

2)Adoro ver a quantidade(nem sp qualidade) de bandas e realizadores que as crianças/jovens conhecem.Cultura acessivel precisava-se.Apesar d comprar sp albuns e DVDs dos autores que realmente gosto, por necessidade de tangibilizar algo que gosto mt.

3)Sei k são feitios, mas ia detestar ganhar $ com algo que é feito por prazer ou necessidade. Sei k são opinhiões, mas fico do lado dos que se incomodam quando a $ entra ao barulho, mt mais quando a expressão artistica é uma necessidade para o autor."Porque gosto demasiado da música para viver às custas dela". Carlos Paredes

Ah 16€ foi uma pechincha, parabéns pela compra.

Miguel Bordalo disse...

Bem vindo ao mundo do argumento.

1) Não é verdade. Vários autores importantes só vivem dos seus cds. Quanto aos DVDs não,só mas também. O cinema para viver tem de ter bilhetes de cinema e dvds. Quem saca da net também não vai ao cinema. Como anteriormente disseste, vês os filmes mesmo antes deles saírem. Digo-te o nome João Gilberto, podia dizer-te um português, mas é mais pessoal, pessoas que não gostam de dar concertos, e que vivem maioritariamente daquilo que vendem editado.

2) Adoro ver a quantidade de bandas e realizadores que os mais velhos conhecem. (Estás a ver o que eu fiz aqui? É demagogia. Não há facto nenhum, há uma acessão pessoal de algo inatingível, que parece bem dizer. Demagogia.) Quanto à necessidade de tangibilidade, é engraçado mas não o suficiente.

3)O Carlos Paredes seria o primeiro a dizer que achava muito bem que o Zeca deixasse de dar aulas para se dedicar à música, que o Adriano se dedicasse totalmente à arte tal como a outros autores. O que o Carlos Paredes fez com a guitarra foi seguir os passos do pai que ambos se diziam amadores. Como tu dizes, são feitios, mas essa é a escolha do Carlos Paredes. O Moby deixa alguma da música dele aberta para as pessoas poderem sacar na internet e até usar em filmes não publicitários. Os Radiohead já se fartaram de deixar pessoal sacar coisas deles da internet. Uma escolha de um, não abre a carteira do outro, que gosta de trabalhar em arte e viver da arte à maneira dele.

16 euros foi realmente uma pechincha, e se essa foi a boca de que alguém perdeu algum dinheiro com uma venda tão barata, é porque não entendes que a venda já foi feita. Para o jornal Público comprar os direitos de venda do filme Casino, teve de pagar um X aos produtores do filme, à partida, que por sua volta tiveram de pagar outro X ao Scorsese. O preço de venda ao público é bem barato, mas o dinheiro ganho pelas pessoas envolvidas em fazer o filme circulou. E isso é que conta. Pouco ou muito. Eles vendem os filmes a 1.75 directamente na banca do Jornal. Fazem-me comprar o jornal enquanto o faço, portanto até foi um pouco mais caro, mas depois posso lê-lo. O Media Market comprar os filmes em magotes, ficam mais baratos. E tem um sistema de tempo. Os filmes que eles têm há menos tempo custam 19 euros, os que têm há mais tempos 1euro e 99centimos. Garantindo que há sempre escoamento de produto. No dia em que parar de haver, eles param de comprar. E o dinheiro não circula. A industria pára. Trabalhos perdem-se. Realizadores vão fazer publicidade, actores ficam no desemprego, poucos vão para o teatro local, o camaraman enforca-se, o técnico de som e o técnico de luzes ponderam seguir-lhe o caminho.

Devo confessar no entanto que a tua conversa, "anónimo", ainda que demagoga manteve sempre um nível incrível. Sinto mesmo que és boa pessoa. Melhor do que eu. Mas estás enganado em relação a isto. É uma questão cultural eu sei. Eu estou a falar contigo como falo com alguns dos meus melhores amigos, que fazem como tu, e eu chamo-lhes carteiristas e eles como tu não ligam ao insulto, passando para outras fases da conversa. Sinto que estás enganado. Mas gasto este tempo todo a escrever estes comentários, porque há uma possibilidade de tu me estares a ler mesmo. Obrigado por isso. Espero que não leves a mal a cena do roubo, é uma figura de estilo pesada, mas necessária. Eu sei que culturalmente não parece, mas é isso que se passa quando se saca filmes da internet. Tu não fazes mal a ninguém. É só um mal indirecto, difícil de alcançar. Mas um mal mesmo assim.

Se tiveste coragem de ler este até ao fim. Um forte abraço. Espero que reconsideres a tua visão sobre a industria da música e do cinema. Que a defendas mais, ou que uses de borla só aquela que quer ser usada. Tenho essa esperança. Porque se as boas pessoas, calmas e ponderadas não conseguem ver isto. Ninguém vai conseguir.

Um abraço,

Miguel Bordalo

Anónimo disse...

A minha paixão por música é maior que pelo cinema e quando gosto dos grupos faço questão de comprar os albuns. Nomeadamente quando são grupos portugueses.
Já os filmes, faço como tu. Compro quando os encontro baratinhos.
Gasto algum dinheiro nisso, mas como não fumo, este é o meu tabaco. :P

beijinhos

Anónimo disse...

Caro Miguel

Não te preocupes com as palavras fortes que usaste, compreendo o contexto. Anyway, há peditórios para os quais não dou e o da sobrevalorização do que se escreve no mundo virtual é um deles.
Discordo dos teus argumentos mas compreendo-os na medida em que em cada pessoa é uma individualidade com um ideias e uma vivência distinta. Como tal, mantenho os meus argumentos na íntegra.
Abraço

Miguel Bordalo disse...

É uma pena. Espero que nunca te encontres na situação de quereres viver de alguma coisa que não seja respeitada por outros, ou valorizada como trabalho. Não é uma boa sensação.

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