sexta-feira, janeiro 27, 2012

Do momento



Há muita gente que aqui se queixa de que eu sou muito adepto da melancolia. É sempre chato dizer isto que vou dizer a seguir, mas visto este blogue ser lido para aí por cinco pessoas, três delas conhecem-me portanto estão em maioria, assim - quem me conhece (sempre chato) sabe que eu, na minha vida quotidiana sou tudo menos melancólico. Afirmar-me-ia um fatalista alegre. Um conceito criado por mim para as pessoas que como eu, mesmo sabendo que certo caminho poderá trazer um final pesado e difícil, não o evitam.

É assim mesmo, como eu sou, um fatalista alegre até à última casa. Se for uma certeza mesmo que o resultado será algo que vai trazer dor e drama, se eu achar que o tenho de o percorrer faço-o, sem qualquer tipo de sentido de cruzada ou sacrifício. Faço-o porque é a opção correcta. Para explicar isto melhor teria de entrar em questões filosóficas sobre o acto do bem, e sobre Platão, e outros filósofos antigos. Digo só para lerem Górgias, que não é um livro sobre retórica, como tentam vender, mas sobre o gesto, sobre a acção, como agir. Provavelmente o livro que mais me influenciou em toda a minha vida. O livro que me faz agir bem, e ter lutas internas pesadas quando ajo mal. E eu já agi mal.

Isto para voltar à melancolia. É de facto verdade que aqui no pastelinho eu demonstro essa faceta, porque, no final do dia, o pastelinho é o receptor de várias das minhas disposições do fim do dia, normalmente escrevo à noite, ou quando quero trabalhar. E nesses momentos eu preciso acima de tudo de calma. De música que deixe o meu nível de energia contido.

Mas porra... Uma coisa é certa. Jarabe de Palo - não.

4 comentários:

Anónimo disse...

Muito bem, muito bem!Jarabe de Palo não. Foi apenas uma sugestão, para ver se à noite não vais para a cama com a melancolia pesada de que é feita a maioria da música que ouves. Tu és um Fatalista alegre e eu um Animador Humanitário, que tenho a mania (vai-se lá saber porquê) de tentar tirar a melancolia aos outros. O que, de facto, se revela uma coisa naturalmente estupida, visto que algumas pessoas vivem muito bem com a sua melancolia. Eu detesto essa palavra e acho que é por isso que passo a vida a afastá la de mim e dos outros. Mas, Miguel, não é, de todo, um "ataque pessoal". É uma esécie de "bondade" que nasceu comigo. Mas vou entao, deixar me de sugestões patéticas e deixar (-te e a todos) mergulharem nessa imensidão de melancolia que (-te e a muitos) rodeiam.:) Sem nunca, claro, deixar de ver e ouvir o que se vai passando aqui no Pastelinho. Pastelinho esse que acarinho e sigo de coração. E tenho ainda a acrescentar que Jazz não tem de ser melancólico e que até esta música que nos deixa me provoca "ondulações" involuntárias no meu corpo. E isso é porque é bom. E se é bom, gosto muito. :) Beijinhos.

Lara

mfc disse...

Mas a melancolia é natural!
Quem não recorda?!
... só quem não tem memória!

Miguel Bordalo disse...

Lara! Estava a ver que não te conseguia provocar... Uma animadora humanitária... sim senhor. Contra ao teu comentário tenho a penas de protestar que estou à espera de mais sugestões. O Paolo não. Que há mais? Vá! Não me vais dizer que os animadores humanitários desistem logo à primeira?

Mas mfc, a memória não precisa de melancolia, por vezes só mesmo de alegria.

Anónimo disse...

Não desistem à primeira, mas estudam as suas metodologias e novas estratégias...Leva o seu tempo...:)
Até já!

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