segunda-feira, janeiro 23, 2012
Dos confortos
Ontem foi um dia difícil. Acordei sexta-feira. Fiz o meu dia normal. No final do dia fui jantar a casa de uma amiga, e decidimos ir sair, a noite ficou um pouco longa para quem tinha de se levantar no Sábado às 6 da manhã, e basicamente isso não aconteceu. Fui trabalhar de directa.
O trabalho tinha uma condição engraçada no entanto. TInha de viajar para Castelo de Paiva, filmar um campeonato de taekwondo, voltar, no mesmo dia. Sem tempo para dormir a não ser nas viagens.
Ora a viagem para lá foi feita no carro só eu mais um senhor que eu não conhecia de lado nenhum. Diz a etiqueta que um tipo que vai de pendura não vai a dormir, e eu para lá cumpri sempre a responder à conversa mais bacoca que se possa imaginar. Tópicos?
O meu carro não é este Audi A4 é um mercedes topo de gama, faz isto tem aquilo. Ele estava com medo que eu pensasse que aquele era o carro dele. Não! Era o carro da mulher. Ele é que decidiu, ele por ele, se tivesse um Audi era um A8. Mal sabia ele que eu não sei a diferença entre um A4, um A8, ou um Mazda, eu para mim carros são para guiar. As marcas... epá. Não perco espaço informativo na minha cabeça para isso.
Outro tópico? O dinheiro que ele tinha. O novo telemóvel. O sucesso da empresa dele. O sucesso dele. O sucesso da família e dele. As viagens que ele pagava à filha. Etc etc e a troika e a crise.
Eu até sou tolerante com cagões. Mas porra. Estava de directa!
Estive no campeonato. A filmar o que tinha para filmar. Comi à pressa ao almoço. E chega ao final do dia fiz tudo para mudar de carro. Para poder ir a dormir. O tipo com que vim para baixo ia regressar com o filho mais uma moça. Eu meti-me noutro carro, até porque a moça andava a lançar-me uns olhares estranhos o dia todo, e eu não estou para aí virado, nem um bocadinho. Arranjei uma boleia com um pai de dois filhos e a sua mullher. Aterro na parte de trás do carro. E durmo 20 minutos. Acordo com o pé de um deles em cima de mim, e a cabeça de outro enterrada no meu sovaco. O pessoal estava perdido. Ajudei um pouco até chegarmos a Aveiro, onde parámos para comer.
Quando saímos do restaurante, eu pensei. Isto agora é, que só acordo quando estiver em Lisboa. O pai dos dois filhos, vendo-se a ir a Lisboa pela A8, decide que vai dormir perto de Peniche. Quem se lixa sou eu que tenho de voltar com o tipo com quem tinha ido de manhã.
Ok. Malas novamente para o Audi A4 para fazermos a A8.
Sento-me no banco de trás, e parecia um fantasma a moça sentada ao meu lado. A rapariga apesar de bonita não ficava nada bem com aquele aspecto fantasmagórico. "O que é que se passa?" Perguntei-lhe assustado. Ao que me respondeu com um sorriso amarelo. O filho do tipo com que subi de manhã respondeu desinteressado "ela teve uma paragem de digestão!"
Bom. No pior dos casos vómito é o que eu vou ter de lidar.
"Pai vou dormir o resto da viagem, pode ser?" O pai furioso. "Não pode não! Estou cansado, vais para trás e vem a moça!" O puto a dizer que não que a miúda estava com uma paragem de digestão.
Bom. No pior dos casos um acidente por os dois tipos da frente adormecerem era o pior com que eu vou ter de lidar.
"Eu vou à frente então!" Disse irritado. O puto praticamente saltou. O pai começou a pensar em mais caganças para me contar.
A viagem foi terrível, eu perdi o sono todo, porque o nevoeiro era intenso. Nâo queria que o gajo adormecesse e o tipo quase que esteve para o fazer duas vezes. Eu já queria ir a guiar. Mas não! O meu audi A8 não! Ai não... este é o A4 da minha mulher, perdão, mas também não!
Sempre a olhar para trás a ver quando é que a miúda ia desmaiar ou vomitar. E a dizer ao tipo quando é que tinha de virar para a esquerda e para a direita.
Cheguei a casa às quatro da manhã de Domingo.
Engraçado. Não me senti em casa. Não estava confortável. Faltava-me o pescoço, a parte de trás. Dar um beijo na orelha. Enroscar-me nas costas. Cheirar o cabelo. Contar o meu dia ao lado. Ouvir o dia. Sim - tudo dela.
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1 comentário:
Já estou a ver que tiveste um fim de semana muito "animado".
Beijinhos
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