sexta-feira, julho 30, 2004

Fahernheit 9/11

Acabei de ver o novo documentário de Michael Moore. Houve um filme de que já falei no Emmet chamado Intimidades, este filme é uma comédia hilariante, que no decorrer do seu tempo continua a repetir o que isoladamente parecem ser momentos hilariantes, mas que ao longo dele impossibilitam o observador de rir, porque se tornam demasiado incomodativos. Hoje passei pela mesma experiência, ao inicio é a comédia e a perplexidade, no fim resta só um sentimento de quase desamparado de profunda indignação. Não que eu não soubesse, mas na realidade é sempre um choque ver tudo condensado. Comparando com Bowling for Columbine, este filme perde na finura cinematográfica, mas ganha na densidade que carrega. É um grande filme.



Em termos do seu conteúdo, já não sei quem no País Relativo, criticava Michael Moore por ele exagerar, ser demagogo, gostava de saber onde estava, mas não encontro o post, a verdade é que foi dito. Hoje ao sair do cinema ouvi curiosamente o mesmo - este tipo ultrapassa todos os limites! – eu acho impressionante! Dizia hoje eu à minha namorada que a ignorância não é não saber, é não querer saber, e este tipo de comentários faz-me perguntar: então depois de um filme que tudo o que é dito não se pode negar, são apresentados documentos, filmagens, factos para lutar contra a demagogia e a mentira, e não se chega à conclusão: - será que Bush e os seu amigos estão a exagerar? – mas sim ao exagero de Michael Moore, talvez porque este filme uma mulher no seu maior sofrimento apercebendo-se que terá sido algo culpada pela morte do seu filho? Mas porquê? Não queremos ver? Pois não, mas é uma das grandes provas que o filme quer dar, a ignorância leva as pessoas a concordar fazer aquilo que menos querem, e ele prova-o, sem apelo nem agravo. Ele prova as relações da família Bush com a Arábia Saudita e com a família Bin Laden, ele prova a relação das empresas dos seus colaboradores com todo o processo envolvendo a guerra no Iraque, ele prova tudo e ainda se queixam que ele exagera. Querem andar com os olhos vendados, não vão ver o filme do Michael Moore. Continuem ceguinhos a ver a CNN e a pensarem que estão informados, como é mais confortável, não questionem o sistema. Deixem-se ficar. Mas não protestem quando alguém o faz, isso é a mais pura das ignorâncias, mais do que não querer saber é uma espécie de uma discriminação nojenta sem sentido.



Para um serão informativo, mas doloroso e algo enervante vão ver o novo filme, brilhante de Michael Moore. E não se deixem impressionar quando vos interrogam sobre a necessidade de Moore ir perguntar aos congressistas se querem enviar os seus filhos para o Iraque, porque esse é só mais uma prova sociológica que ele dá no filme, não um facto contra a guerra, mas uma análise sociológica, porque Moore também tem essa faceta.

MD

 P.S: normalmente este comentário seria feito no Emmet, mas esse blogue acabou agora, quando decidi fazer este post aqui.

quinta-feira, julho 29, 2004

De volta...breve, mas volta.

Ontem voltei a Lisboa. Como já escrevi por aí algures, ou melhor de Lisboa é mesmo voltar a. Confesso que fiz uns desvios antes do essencial. Fui espreitar a Calçada do Monte, das melhores vistas de Lisboa -essencial passar por lá sempre que vou a Lisboa-  antes de ir ao meu bairro fiscal, o mítico 12º, em Benfica.
Sou agora e pela primeira vez, um trabalhador legal, um proletário com todos os direitos (?), garantias (?) e deveres (!) que o conceito encerra no sistema fiscal português.
Estava um pouco nervoso antes de lá ir. Primeiro, porque não gosto de espaços fechados. Segundo porque não gosto de espaços fechados e ondas de calor. Terceiro porque não gosto de espaços fechados, ondas de calor e ir a repartições de finanças e todo o género "repartições" onde podemos encontrar aquilo que eu mais detesto no nosso país: pequenos poderes. Quarto, porque não percebo nada daquilo que ia tratar -"inicar actividade", pelos vistos- e detesto ir enfiar-me em sítios que não gosto e, sobretudo, fazer coisas que não percebo, nem quero, perceber.
Pois é e o pequeno poder que me atendeu, até não era tão pequeno assim. Via-se que comia bem, digo.
Mas foi simpático e explicou as coisinhas todas como deve ser. Até ao momento em que percebeu que eu era o seu vizinho de cima – "aqueles que deixam cair muitas coisas ao chão", segundo ele.
Aí percebi que eu, pobre contribuinte, estava nas mãos daquele pequeno poder. Porra, o pequeno poder é o meu vizinho de baixo. A antítese da girl next door estava à minha frente. E via-se que comia bem, digo ( ao contrário das girls next door, cada vez mais escanzeladas –uma pena).
Mas safei-me. Quando saio destas coisas de adultos, eu, com 24 anos, sinto-me sempre aliviado.
A seguir fui, nostálgico, cumprir uma promessa. Foi ao Pastelinho beber um café e comer um pastel. O pastel não o comi, não vi na banca e, estúpido, não pedi. Pois é, os tempos passam mas há coisas que nunca mudam e toda a gente sabe que o Pastelinho não tens os pastéis de nata à vista. Pede-se e eles vêm quentes.
É o preço do exílio.
 E lá continuei pela minha grande Benfica. O Califa lá continuava no sítio, “tenho que voltar a vir para aqui”, pensei eu pela catragésima (eu sei que não existe) vez.
O Talismã, o Fonte nova, a minha rua, a minha casa, mesmo por cima do pequeno poder, mais de um mês depois.
Foi bom mas durou pouco.Estou de volta ao mar jagoz e a algo que, sendo familiar, sendo tudo e mais alguma coisa, não é, nem soa, nem um bocadinho, como a minha terra: LISBOA.

MCG
 
PS: Admito que também fui ao Colombo. Mas foi só para comprar protector solar à farmácia (factor 60, ó surf a quanto obrigas).

Contra corrente

 Admito que não gosto muito do Manuel Alegre. Acho que está ultrapassado.
Quanto aos outros, por agora não me pronuncio.
E ontem, quando a minha mãe me disse que o Carrilho apoiava a sua candidatura, fiquei perplexo. Chocado. O anti-herói do PS tem o apoio do maior dandy do partido? O pedante socialista por excelência apoia Manuel Alegre? Que estratagema vai aqui?
Bem, adiante: estávamos a falar do facto de Manuel Alegre ter reatado relações com José Sócrates, eu perguntei se estavam de relações cortadas, a minha mãe disse-me que:
-“Sim”,
eu perguntei:
-“Porquê?”,
e ela disse-me:
-“Por causa da co-incineração”,
e eu respondi:
-“Ah, pois foi!!!”
Sim, não sei se se lembram, Manuel Alegre era contra a co-incineração apenas porque sim. Como era no Concelho de Coimbra, não podia ser. Este tipo de coisas não ficam bem.
E depois eu disse:
-“Ah, e tal, e aquela história dos touros”
e o meu pai disse:
-“Que touros?”,
e eu respondi:
-“Barrancos, o Manel votou a favor dos touros de morte”
e o meu pai disse:
-“Ah, pois foi!!!”
Não gosto de touradas, não gosto. E Manuel Alegre desapontou-me aí, naquela sua tentativa de ser o Hemingway português.
E depois lembrei-me:
-“Essa foi outra do Sampaio!”
e os meu pais disseram:
-“O quê?”
e eu disse:
-“Já ninguém se lembrava disso, e o Jorge Sampaio é que se lembrou”,
e os meu pais disseram:
-“Ah, pois foi!!!”
Acho mesmo que Manuel Alegre está ultrapassado, e não sei se será um bom líder de oposição.

Tenho dito,
FC

Portugal está flat!

Bolas! RAIOS!
 
MD

quarta-feira, julho 28, 2004

Aniversário

O nosso amigo T, como eu lhe chamo, FC (Francisco Castor), como é conhecido, tem um blogue que faz um ano hoje. Diz ele que o seu blogue é inconsequente, mas deixa uma pista que provavelmente é o culpado da morte de muitas personalidades... qual teoria do caos “efeito borboleta” de Lorenz. Deixando assim através de uma teoria física “comprovada” de ser um blogue inconsequente. Atenção portanto ao blOgre que com os seus altos e baixos vai continuando a dar cartas. Blogue que pertence tanto à geração Fernão como Delfim.

 MD

Cavaco Silva é um espírito muito acima na vida partidária!

Hoje ouvi uma entrevista de Carlos Vaz Marques na TSF a Cavaco Silva. Eu sei que este entrevistador é um grande profissional quando entrevista cientistas, filosofos, músicos, cineastas, e até de vez em quando o ocasional político. Mas desta vez não este à altura, não que o entrevistado estivesse acima das possibilidades deste grande entrevistador, mas porque o entrevistador decidiu ser condescendente e pouco polémico. O primeiro ministro que mais poder teve desde o 25 de abril, aquele que mais tempo esteve no poder e deixou o país na desgraça não teve de lutar nem provar nada nesta entrevista. Gabou-se deixou-se gabar, gabou-se e ainda lhe engraxaram os sapatos, ao que parece. A frase “Eu sou um espírito muito acima da vida partidária.” Vai ser mais uma frase veementemente negada no volume três da sua auto-biografia.
Já no final da entrevista Carlos Vaz Marques já um pouco incomodado pelo facto de não ter feito nada, perguntou qual teria sido o seu maior erro político, antes de puxar pelos seus galões demagogos, (que Cavaco também tem e em doses massiças!) este responde, quase surpreendentemente, que o seu maior erro político teria sido não assinar o despacho de tolerância de ponto, dando assim a justificação para a sua surpreendente perda de popularidade... - OH! Senhor Cavaco? – deveria ter perguntado o quase dormente Vaz Marques – E o uso excessivo da força por parte dos elementos da segurança pública nas manifestações populares? Não terá sido um erro das mesmas proporções? – Mas não, o entrevistador perante uma pergunta que poderia incomodar as intenções de Cavaco e os seus projectos políticos no futuro decidiu tornar-se mais técnico, e deixou que Cavaco dissesse o que todos dizem, não pequenos erros aqui e ali “devo” ter cometido “não sei”, o rumo essencial para o país estava certo. Ponto final toma lá! E a imagem de um dos mais poderosos políticos que Portugal teve depois de Salazar ele próprio foi trabalhada e limpa. Espero ouvir rapidamente uma entrevista deste profissional da TSF que é muito bom e terá momentos muito mais felizes que este.

 MD

As férias

Nestas férias antecipadas o pastelinho não anda com a fluência de posts que é habitual, pedimos desculpas por isso, mas imaginamos que não será impeditivo de por cá passarem, porque pelo menos um por dia está garantido, pelo menos até ao inicio de agosto e aos fins de semana, onde é sempre complicado. Prometemos voltar em força em Setembro e com novidades. Por agora vamos fazendo o que é possivel, com este calor que faz tudo menos vontade de ficar em casa à frente do computador. O que vale é que as ondas também não andam a ajudar, mas talvez seja dos constantes agoiros do pessoal do costume!

 MD

terça-feira, julho 27, 2004

Verão Escaldante II

Infelizmente, parece-me que vou continar a fazer posts sobre este triste assunto. Depois dos grandes tubarões, os grandes interesses, sobre os quais, repito, nínguem fala (fala-se de mão criminosa, mas nunca se fala no móbil do crime), falo agora de incúria e ignorância.
Eu não tenho nada contras as festas populares, as ditas festas de aldeia que ocorrem no Verão, Portugal afora.E se tivesse o problema seria, obviamente, meu. Temos até um colaborador deste blogue, que não vou dizer quem é, mas posso dizer que não se chama Francisco Castor e não responde por Miguel Dias, que é um grande apreciador desse tipo de ajuntamentos mediavais.
Mas, que eu saiba -repito, que eu saiba- os organizadores desses festins estão proibidos de lançar foguetes devido ao perigo de incêndios.
Mas as ditas bestas -que me perdoem se eu estiver enganado- continuam a mandar foguetes -que eu tenha dado conta, ou então a minha comida dos últimos dias foi contaminada com um qualquer alucionógeneo - indiferentes primeiro, à inteligência e ao bom senso, e, segundo, à lei. Logo, as juntas de freguesia, as câmaras municipais, as comissões de festas são, neste momento co-responsáveis pelas situações que possa advir do uso ilegal destes instrumentos pirotécnicos. Situações, que se repetem, em todo o país.
Depois, teremos as autoridades policiais locais -GNR- como cúmplices e os pobres dos bombeiros omo bombos da festa, pois por vezes -repito, por vezes- até estão parados carros de bombeiros nessas festas já à espera do pior, que acabar ser pior ainda do que toda a gente espera.
Coisas de um Portugal quente. Será o calor que perturba?

MCG

segunda-feira, julho 26, 2004

Verão Escaldante I

Voltou o tempo quente e seco, as temperaturas altíssimas e as ondas de calor. Que ninguém questione os porquês deste fenómeno meteorológico - deve ser castigo de Deus ou algo do género - tudo bem.
O que me surpreende é que, ano após ano, as nossas florestas sejam massacradas por fogos, arrastando essa violenta destruição pessoas, casas, enfim, tudo, semeando o pânico e o horror, estampado na cara das pessoas em todos os serviços noticiosos e, no fim de tudo, tomemos isto como uma fatalidade –afinal de contas, mais uma fatalidade portuguesa. No fim de todas as reportagens, no fim de todas as notícias a pergunta impera: como é possível?
Pena que ninguém responda.
Desde miúdo que os fogos me impressionaram, e muito, já os vi e vivi bem de perto, do horror das grandes labaredas, ao desolo duma paisagem despida de qualquer vida, pintada de negro.
 Primeiro, a questão política. Como em tudo neste país, a noção planeamento não existe.
Perdemo-nos com números de circo, como o anterior governo que prometeu o maior investimento de sempre em prevenção de fogos –dinheiro muito bem empregue estamos a ver- e em falsas promessas depois de verões escaldantes do género "temos que tirar ilações para o próximo verão" lá vai sempre dizer o comandante-substituto-em-comando-da-zona-da-cascalheira-de-cima-e-de-baixo-só-hoje-e-também-da-protecção-civil-e-arredores, secundado pelo ministro da Admistração Interna e a verdade, bom, a verdade é que, ano após ano, tudo se repete.
E os criminosos, os verdadeiros, que não são só aqueles que ateiam os fogos - aqueles que o povo quer queimar vivo - continuam à solta.
Há lobbies no nosso país onde não se toca e os grandes tubarões continuam a enriquecer à custa da desgraça de outros. E se isto não é novidade numa sociedade capitalista, menos o é na nossa explosiva mistura capitalista-provinciana-bacoca onde não se olha a meios para obter lucro, literalmente.
É evidente que há descuidos, há falta de cuidado, queimadas, cigarros mal apagados, fogueiras em pleno Verão, a ignorância e ausência de educação cívica são um problema, mais um, que aqui também se reflecte fortemente, mas o verdadeiro problema, para além da escandalosa falta de planeamento e ordenamento das nossas florestas –ou direi, do nosso país em geral, em tudo quanto é sector- é que há gente a incendiar o nosso país para depois negociar bom e barato, seja madeira, seja terrenos, comprando por exemplo grandes terrenos, para encaixar mais uns quantos t1´s no meio dum qualquer condomínio com vista panorâmica para um eucaliptal. Já para não falar da madeira baratinha, como é a queimadinha.
 Andaremos cegos? Surdos? Mudos?
Discutimos "meios", que não há, pois estão enterrados num qualquer submarino do Ministro da Marinha e "homens", que há, com vontade e coragem, mas altamente desorganizados, mas esquecemo-nos, entre acessórios, do verdadeiro problema, que são os fortíssimos interesses económicos por trás dos fogos e dos quais ninguém fala. Fazia falta uma “operação floresta limpa”, não só literal, pois limpar e proteger é preciso, como também judicial, uma caça a interesses e lobbies instalados.
Depois, em vez de pensarmos no próximo Verão, pensemos nos próximos cinquenta e, se calhar, em vez de andarmos a satisfazer taras de ministros com milhões e milhões de euros desnecessários em material bélico e em mandar militares, ou pseudo-militares, ou seja o que for para onde quer que seja, pensemos em investir na protecção e no combate aos fogos –que é um problema real no nosso país.
Até lá, que venham dias mais frescos e que os bravos bombeiros e as fustigadas populações resistam e continuem a ter coragem.

MCG

sábado, julho 24, 2004

Carlos Paredes

 

O bom gigante faz hoje, se Deus existir, um grande concerto no paraíso. Um homem bom que lutou por causas e teve a morte que ninguém merece, a morte que durou 11 anos, agonizante, delirante, desvairada. A sua doença imagino foi a razão de uma certa loucura, um delírio longo demais que nunca deveria ter existido, o seu corpo impediu-o de fazer o que mais gostava. Imagino que o próprio sacrificaria qualquer concerto, qualquer fama, qualquer protagonismo só para tocar para si mesmo, para fechar os olhos e sentir quase por instinto os dedos a passearem-se, a correrem, a dançar, a ferir, a amar, a fazer amor com a sua guitarra...



Paredes o mestre da guitarra é daqueles autores que mais necessidade tenho ouvir, não é que eu não tenha necessidade de ouvir muitos, porque tenho, tanto ou mais que Paredes, mas ele era sem dúvida um deles. Custava-me muito ouvir o adivinhar da sua morte, jantares de solidariedade a Carlos Paredes, sem a sua presença, talvez seja justo... Mas eu sempre tive um sonho escondido, que este génio se levantasse qualquer dia da cama, se livrasse da doença e como por milagre começasse a tocar na mesma cama que o prendia. Eu não necessitava de a ouvir, precisava de saber que tinha acontecido, precisava de saber que aquele homem que merecia, tinha voltado a fazer aquilo que mais gostava, tinha voltado a fazer aquilo que foi feito para fazer, tocar...



Carlos Paredes era um personagem fantástico, sei milhares de histórias dele, até sei várias versões da mesma história, e até sei de algumas estórias quem sabe... Conheci-o assim, a bondade, a simplicidade, a solidariedade, ele dava mais do que recebia, pelo menos na maior parte dos casos... O único defeito que lhe conhecia é o melhor defeito que alguém pode ter era um homem de algum consenso, talvez forçado, ou talvez só pela sua extrema simpatia e bondade que lhe impedia de dizer não. Juntou-se a gente sem qualidade, que se agarraram a ele, e ainda continuam a agarrar, e talvez por ser incapaz de deixar alguém mal, ele permitiu certas coisas que não devia ter permitido, mas talvez seja eu que sou um pouco ortodoxo nesta coisas... Mas mesmo essas personagens, esses abutres não conseguiram danificar a sua imagem.
Deixem-me só expressar mais um protesto, eu já não posso ouvir “os verdes anos”, e não posso, não que não seja uma grande música, porque é, não gosto de ouvir porque alguns retrógrados de merda, devido à grande publicidade que se fez à música decidiram que foi o melhor que Paredes fez... ora o melhor que paredes fez foi a sua obra, e se hoje a que gostam mais é “os verdes anos”, amanha que seja outra valsa! Outra variação! Outro movimento! Outra improvisação! Outra “festa da primavera”! O que importa é redescobrir Paredes sempre!



Os pulmões arfavam em protesto
Os dedos sangravam em tortura
A respiração como um andamento
A figura redunda toca a forma pura

 MD

sexta-feira, julho 23, 2004

Morreu o Paredes...

A tristeza não para de nos invadir, desta vez foi a partida do génio da guitarra portuguesa, uma excelência de pessoa, um grande democrata e lutador da liberdade também, Carlos Paredes.  Este está a ser um ano desolador, com a partida de grandes figuras. Mas a guitarra nem sempre ecoa sons felizes...a melancolia e a tristeza fazem também parte da musicalidade da vida.

MCG

Deixem jogar o Mantorras

Estamos contigo Pedro Torres.

MCG

quinta-feira, julho 22, 2004

Blogues de Esquerda

O meu colega de blogue levantou, num comentário, uma questão interessante. É que do primeiro ataque ao novo governo (made in PEV) não rezam crónicas na blogosfera, tirando nos blogues de direita queque (queque, como pastelinho, é tudo uma questão de bolos).
Mas quais Blogues de Esquerda, quais Barnabés, quais tretas. Se fosse um mágico número do Bloco de Esquerda já teríamos 564 posts sobre o assunto, apesar de eu saber que o Daniel Oliveira está de férias, o que reduziria a coisa para uns redondos 427 posts.
Mas não, a surpresa, o ataque, veio do lado verde, embora hoje Francisco Louçã já tenha tentado -e bem, fica sempre bem tentar - fazer exactamente o mesmo em relação ao Ministério da Saúde, isto é, levar a questão das incompatibilidades.
Mas isto, esta ignorância (no sentido de ignorar a realidade, escondendo-a ou desprezando-a porque não interessa), tem um nome, que eles (os bloqueres)  abominam, mas são os primeiros a praticar: Ortodoxia. Querem mais? Sectarismo. Puro e duro. Mais alguma coisa? Revisionismo.
É por estas e por outras que esses slogans das "novas esquerdas", desses movimentos reciclados não me convecem. Não passam de um mero travestimento de ideias velhas e gastas ao qual é dado um suposto arejamento -que devia ser progresso mas não é- que se nota num modo supostamente arrojado e diferente de fazer política que não é interessante - mas é apelativo- pelo simples facto de ser produzido e de não ter a mínima substância. A roupagem é nova, o contéudo está gasto. É que na prática, o método e a essência são iguais à "velha esquerda", leia-se Partido Comunista,  que eles tanto criticam. Esta é a Gucci Guerillha no seu melhor.

MCG

 


Frases míticas

  No tempo de Dom Carlos, por causa das múltiplas benesses que este rei fazia em tempos de crise, dizia-se uma frase que ficou perpectuada "- Foge cão que te fazem barão! - Mas para onde se me fazem visconde?"
  Por vezes a frase altera-se e hoje ouvi o meu pai dizer, relativamente ao doentio apego às origens cristãs dos nossos mais novos governadores " - Foge Cristo que te fazem ministro! - Para que lado se me fazem secretário de estado?" Destas alterações assim espontâneas só mesmo o meu pai... mas fica para quem sabe!

MD

Concurso

Havia uma expressão que se usava muito na Secundária de Benfica que daria bem para explicar o pequeno incidente de José Barroso hoje, no Parlamento Europeu, quando os deputados o iam aclamar como novo Presidente da Comissão e o nosso Zé não estava presente .
Mas não a vou dizer. É bocado porca. Escatológica. 
Fica, no entanto, uma pista: Diz-se quando a pessoa está totalmente fora do contexto, a dizer ou fazer asneiras no local errado à hora errada.
Fica a concurso, quem acertar na "expressão mistério" ganha e leva um pacote de prémios Pastelinho. Garantido.

MCG


Alegre ideia

Não sei se Manuel Alegre daria um bom primeiro-ministro ou não. Sei, certamente, que um PS liderado por ele poderia apoiar um bom governo e um bom primeiro-ministro. De qualquer modo saúda-se o espírito de sacríficio e a "alma" de Alegre e o sinal de vida da ala esquerda do PS. Espero que levem a bom porto a vossa tarefa, porque a esquerda precisa.
 De resto, ou quanto ao resto, que melhor modo de percebermos quão negativa é a candidatura de José Sócrates e o que ela significa para o PS e para a esquerda, do que com as palavras de apoio e incentivo do ex-candidato José Lamego, esse triste personagem que desistiu para apoiar o ex-ministro do Ambiente?
Diz-me com quem andas...


MCG

In the Navy fires back

Depois do Ministro da Marinha, lá vem o fiel séquito limpar armas –andam demasiado sujas para aqueles lados – e voltar a disparar a torto e a direito. Em relação ao primeiro ataque ao recém empossado governo, feito pelos Verdes, reagindo à designação de Luís Nobre Guedes como Ministro do Ambiente já andam por aí alguns a perder a cabeça.
 Essa gente, esses pseudo afonsos henriques de faca e alguidar truncam as realidades a seu modo e gosto e depois é sempre a bater.
O problema não é Nobre Guedes vir do privado. É que não é um privado qualquer, esquecem-se –ou fazem por esquecer- esses meninos. É um privado tão só ligado ao ambiente e a um dos seus mais importantes lobbies. Pequenos pormenores não é?
Candidamente esses revoltosos marujos do Ministro da Marinha comparam Nobre Guedes, o pobre do Nobre Guedes, a um advogado, por exemplo, que, sendo assim –segundo o seu mix das palavras dos outros (dos "soviéticos" Verdes)- nunca poderia chegar a Presidente, bastonário, ou juiz 
"Ah,vamos lá mandar esta do privado que os gajos caem; Privado é uma palavra forte".
Truncadores de meia tigela. Estamos perante um jogo de interesses escandaloso que tem e deve ser denunciado, é um lobbie –o da pasta do papel- nomeado directamente para o governo. Ironia das ironias, uma pasta entregue a um partido que defendia a extinção do cargo. Mais ironias. Mais piadas só mesmo com o Ministro da Marinha a falar do que não sabe, a falar em Tchernobiyl como se uma das bandeiras do PEV (talvez a primeira e mais antiga?) e da coligação CDU, quando eleita, não fosse a questão do nuclear. Eu, pelo menos tenho olhos e memória e desde que me lembro, quando entro –ou entrava- num concelho CDU vejo lá escrito numa placa branca bem grande "Zona Livre de Nuclear". E isto é só o que está a vista, bem explícito, nem falo do resto que não estou, sinceramente, para perder tempo com fachocratas. 

MCG

terça-feira, julho 20, 2004

Finalmente

  São 4 e 30 da matina! Acabei o meu último trabalho do ano, estou portanto oficialmente em férias. Não esperem grandes posts do MD, vou para moledo daqui a uns dias, e os que sobram antes são para gastar nas praias. Verdade seja dita as ondas têm estado uma desgraça, mas um tipo vai arranjando o melhor lugar. Senho MCG estou a querer aparecer por aí não tarda!
MD

segunda-feira, julho 19, 2004

Mais uma razão para eu não querer Sócrates

A corrida à liderança do PS sofreu um golpe, José Lamego uma espécie de um Guerra Madaleno do PS desistiu para apoiar José Sócrates. Cada vez mais a luta para estes lugares nos partidos são de uma crucial importância para o futuro do país, não se pode levar de ânimo leve, porque imaginemos, tal como com Durão a escolha de José Sócrates seria má, mas pior era se Sócrates se pirasse e deixasse à frente do país José Lamego. Estou à espera do José que se segue, nome que sairá da reunião dos socialistas de esquerda (da ala esquerda, para ser menos ridículo), para ver se sai um candidato forte. Não me parece que João Soares consiga bater Sócrates, ainda assim e porque eu sei que Soares teria mais facilidade em coligar-se com os partidos de esquerda seria um mal menor. E amigos! Neste momento de governação de Santanas e companhias eu vivia bem com maus menores!
 MD

Qual é a coisa, qual é ela...

Que antes de  ser já o era...
 
MCG


De Luta

O Pastelinho, está, a partir de hoje, de LUTA.

domingo, julho 18, 2004

O gozo que me dava

Durão Barroso vai ser submetido a votação por voto secreto em urna no parlamento europeu. Ao contrário do que tentam defender, inclusive o judas do Presidente do meu país, para mim seria uma vergonha ver Durão Barroso como presidente da comissão europeia, se era uma vergonha tê-lo como primeiro ministro porque é que havia de mudar de opinião, porque devo disfarçar para os vizinhos? Parece-me ridículo. Está tudo praticamente decidido e confirmado, mas seria uma enorme alegria se o nome de José Manuel Barroso falhasse, seria extraordinário ver a cara do vil patife!
 MD

sábado, julho 17, 2004

De Luto

 

 
O pastelinho está hoje de luto.

Crónicas de um anti-herói do surf

  Levantei-me da minha toalha, onde estava deitado ligeiramente fora do alinhamento, ou seja estava com parte da cara cheia de areia, tinha adormecido depois de um almoço num dos bares da praia. Olhei para o mar e as ondas tinham espicaçado, estavam com meio metro, e meio metro com vontade dá para fazer muita coisa! Com um riso bobo olho para a minha namorada que me faz o olhar número 37 (estou-te a ver, mas não sei se me apetece), sobre os óculos a ler um livro grande, o que no fundo quer dizer – vai lá vai!
  E assim foi vesti o fato, fingi um aquecimento e lá fui eu todo contente, de manhã tinha estado uma desgraça e um tipo fica sem nada para fazer na praia. Mas antevia agora uma tarde de glória, de emoção e muito exercício físico (porque acima de tudo faz bem à saúde). Entrei mesmo quando o set abriu, levando uma porrada estranha dentro de um set que nem era grande nem era pequeno, chamar-lhe-ei chato...
  Passei a rebentação e feliz fiquei à espera... e à espera... e esperei mais um bocadinho... láláralá!... estou à espera, anda lá... (porque é que eu estou aqui sozinho?)... esperando... esperar... eu espero, tu esperas, ele espera, nós esperamos, vós espereis... esperais... espéreis... espérais... espírais, espirro... qual foi a última vez que espi... olha aí vem uma onda! Não me parecia má! Fui ter ao pico, ela levantou-se toda por cima de mim, era boa. Levantei-me rapidamente sem deixar fugir a prancha, dei-lhe duas pedaladas, e zás voava em cima da onda! Fiz força no pé da frente, empurrei o meu pé esquerdo (que é o de trás, sou goofi, ou goofy ou lá o que é, que são os tipos que põe o pé direito à frente) fiz força com o pé esquerdo e deslizei na onda com a força e impulso do meu corpo e braços, o momento foi perfeito, vivido com alguma emoção, câmara lenta - ... ZZZZ... ÁÁÁ...SSS... – ZÁS! E cabum! Fussa direitinha à água, qual estalada na fronha só para acordar e não andar a armar-me em Slater. Meio atrapalhado com o pirulito que tinha acabado de engolir pus o pé no chão e PIMBA! Peixe aranha! Toma lá! Todos os palavrões que possam ser ditos enquanto um tipo apanha uma espuma até à areia, sem que a porcaria da picadela comece a doer a sério, eu disse!
 
Picado por um peixe aranha fui ao bar mais próximo, já com a dor a começar a apertar, depois de ter visto no canal Discovery um programa em que defendiam que os venenos não se devem espremer, não o fiz... PARVO! O homem do bar assim que ouviu peixe aranha sorriu de orelha a orelha e acendeu um cigarro, com a cara número 2 (porque só lhe conheci duas, uma antes de ele saber que eu tinha sido picado e a 2ª) como quem diz – já te digo rapaz o que é bem para a tosse (tosse sendo aqui a picadela do peixe aranha). Como me ensinaram a fazer, pedi um alguidar com água a ferver da máquina de café.
  - Não rapaz! O que é bom é queimar isso com uma beata. Vem mesmo a jeito que tenho uma mesmo aqui!- o filho da mãe deve ter julgado que eu não me apercebi que ele acendeu aquela porcaria quando eu anunciei o meu infortúnio.- A dor passa logo, e olha que eu sei que isso dói.
  - Pois... mas sabe eu também sei, que farto-me de ser picado por esses bichinhos – digo-lhe eu com um riso nos lábios a mostrar confiança e uma tolerância à dor surpreendente.
  Uma senhora entra no bar e ao olhar para a minha cara de esforço, nem teve tempo para perguntar, porque eu sei que ela ia, mas a empregada que me estava entregar o alguidar com a àgua a ferver antecipou-se – é peixe aranha!- mais uma cara estranha se produziu qual milagre da transformação arrematando – se é picada de peixe aranha é melhor ir para o hospital, o meu marido é médico e ele é que sabe! – grande burburinho no bar inteiro! - Não! Não senhor! – concluindo com o já frustrado dono do bar – uma beata de cigarro serve... – angelicamente dirigindo-me o último recado, para me tentar convencer.
  Saí dali pus o pé no alguidar, queimei-me todo e a dor só passou passado aí uma meia hora, 45 minutos...
 MD, o anti-herói do surf

sexta-feira, julho 16, 2004

Tomara que não caiam

Tomara-que-caia faz hoje um ano. Por acaso é um dos meus três blogues preferidos, mas mandaria sempre a boa educação dar-lhes os parabéns e desejar (ou esperar) a continuação do óptimo trabalho. E espero que, definitivamente, não caiam. Tomara eu.
 
MCG 
 

Do mau para o pior

 Um governo que já era mau, fez-se um governo que mais parece uma comédia, deixo uma nota curiosa, houve uma melhoria, apenas uma neste governo José Aguiar Branco substitui Celeste Cardona, parece-me um membro muito mais credível, pior que Cardona não fará.
 
Outra situação cómica é a pasta ministerial do ambiente passe para um membro do Partido Popular, o partido que queria acabar com ele. Mas como diriam os magos da guerra, é mais fácil fazer guerra por dentro do que por fora!
 MD

Já está

  O Governo mais à direita que Portugal teve desde o 25 de abril vai tomar posse. Não vou para já comentar nomes ou estranhas escolhas. Vou apenas alertar para a minha grave preocupação com a separação entre a segurança social e o trabalho, e porquê? Porque o ministério da segurança social vai desaparecer, tal como o do ambiente e tal como o da cultura, e que o desemprego desapareceu como preocupação ministerial! Está tudo dito. É grave, muito grave. Vamos ter dois anos brutalmente difíceis, principalmente para os menos privilegiados. Viu-se em Lisboa, agora vai ver-se ainda melhor em Portugal.
 MD

Vaga de quê?

Mas qual calor, mas qual vaga de calor? Onde anda, onde está? Quem disse? Quem sentiu? 
 
Post patrocinado pelo micro-clima da Ericeira
 
MCG
 

E à mão, sabes?

"Eu nem à maquina sei escrever", Avelino Ferreira Torres, dirigente e membro do Senando do Partido Popular, ex-presidente da Câmara Municipal "do" Marco e candidato a presidente da Câmara Municipal de Amarante, a propósito duma eventual falsificação de documentos de que é acusado na sequência dos incidentes no jogo Marco-Santa Clara.
 
 
MCG

Mais um cinzentão?

Sócrates apresentou-se como candidato ao PS, aparentemente é ele que tem mais apoios no partido. O seu discurso de candidatura foi estranho, tentou segurar a esquerda que ganhou algum apoio nestes últimos anos, mas já utilizou aquela linguagem de centro (ora caí para a esquerda ora caí para a direita). Cheira-me a outro cinzentão, foi o único ministro no governo de Guterres que antes do segundo mandato já era polémico porque fazia umas escolhas ambientais muito estranhas. Mas verdade seja dita, fazia-as, neste momento quem é o ministro do ambiente? O que é que ele fez?
Mas o facto mais marcante da sua intervenção foi o tiro no pé que possivelmente se auto-infligirá, que foi o primeiro indício que será Guterres o seu candidato a Presidente da República, custar-lhe-á uma derrota por certo, porque Guterres ainda não foi castigado pelo seu abandono prematuro do lugar de primeiro ministro, uma fuga que foi mais honesta que esta de Durão, mas que caiu um pouco pior na opinião da maioria dos portugueses. Qualquer que seja o candidato de direita não se terá de esforçar muito.
Portugal perdeu um grande primeiro ministro com Ferro Rodrigues é certo, o herói da esquerda num partido de centro caiu numa cilada, traído pelos seus próprio aliados e amigos, com espada em riste não perdeu a guerra, mas foi derrotado na batalha, prometendo ser um soldado presente, será que o facto de termos perdido o melhor primeiro ministro que Portugal já viu, significa que não possamos ter um Presidente da República que todos nos possamos orgulhar. Eu espero que sim, e espero que o PS tenha visão para isso.

MD

quinta-feira, julho 15, 2004

O meu país...

Estou de volta, é certo ninguém sentiu falta, sinceramente nem eu, o meu colega no blogue faz as contas dele e as minhas sem faltar nada. Precisei deste momento de reclusão, umas surfadas solitárias outras nem tanto, para decidir certos aspectos da minha vida, e para que durante este tempo, neste espaço não tivesse de insultar para lá de qualquer retorno certas e determinadas pessoas em vários lugares e em várias posições. Como Saramago acho que o 25 de abril acabou, é preciso ter consciência disso, e a forma de analisar isso é pormo-nos não muitos anos atrás, em 95 ano em que Cavaco Silva era ainda Primeiro Ministro, Guterres preparava-se para sê-lo, Santana era um ex-secretário de estado na desgraça, Durão era um razoável ministro dos negócios estrangeiros, mas resultava porque não punha praticamente os pés no país, Paulo Portas... bem esse ajeitava um currículo de muitos inimigos dentro de várias facções políticas para benefício próprio. Estes homens estão hoje onde estão, eu diria que o 25 de abril falhou redondamente, é esse o tipo de desilusão em que me encontro, e digo mais é preciso outro! É necessário outro! Os jogos de interesses já estão a ir longe demais, as posições que se ocupam hoje em dia, até nas mais pequenas coisas (veja-se o apito dourado), são tomadas através de interesses muito específicos. Quando uma magistrada diz que - prefere ser soldado digno a general conspurcado - não devemos ver isto com ânimo leve, mas com preocupação gravíssima. Estou a pensar em tornar-me militar, e para bom entendedor...

MD

quarta-feira, julho 14, 2004

A Evolução Francesa




A Bastilha caiu há 215 anos. A Revolução Francesa, que para mim não devia ser cronologicamente classificada com o rigor matemático e delimitada no tempo com a precisão estática com que é, se tomarmos em consideração tudo o que se passou no Século XIX (e daí até hoje), sob pena de não entendermos o seu significado, é para para mim, o mais apaixonante objecto de estudo e discussão em toda a História, por isso só tenho uma coisa a dizer: merci.


MCG


A esquerda em geral e em particular

Partindo do ponto de vista pessoal, o que neste caso é complicado porque poderia induzir um certo tipo de comprometimento (mas não induz) para a complexa questão chamada esquerda portuguesa, o Daniel Oliveira escreve um excelente post no sítio do costume. Daqui retiraria um pequeno excerto, sobre o Partido Socialista e a saída de Ferro Rodrigues, que sintetiza bem as minhas preocupações perante a realidade com que vamos ser confrontados e para a qual eu tenho tentado chamar a atenção.

"Resumindo: o PS é pouco reformista, conservador nos costumes e comprometido com os piores vícios das elites portuguesas. Entre outras, estas serão as maiores razões para nunca me ter sentido atraído pelo Partido Socialista. A forma como Ferro Rodrigues, o primeiro secretário-geral do PS claramente colocado à esquerda, foi sabotado pelos representantes do PS profundo, é o sinal mais claro dos bloqueios deste Partido Socialista. A fragilidade de Ferro é um sinal das fragilidades da ala esquerda do PS."

Por isso, olhos bem abertos para o que se vai passar no PS nos próximos dias. A esquerda está atenta.


MCG

segunda-feira, julho 12, 2004

A partir de agora, num PS perto de si



Música aqui


José Lello já veio a público apoiar José Sócrates para a liderança do PS. Os abutres tomam os seus lugares. O espectáculo vai começar. Que saudades, Ferro.

MCG

Sampaio devia ter fechado as Portas

Há um facto que ainda torna mais incompreensível a decisão de Jorge Sampaio. O facto do Presidente ter pactuado quer com o discurso, já em pose de estado e antes de ser conhecida a sua decisão, de Santana em entrevista à RTP, quer, sobretudo com a descarada mentira de Portas em pleno Palácio de Belém. Uma mentira pensada ao milímetro pois, como já ouvi várias pessoas dizer, Portas saberia que iria ser desmascarado mas, o Portugal profundo só o ouviu falar na televisão e, para esse Portugal profundo, televisão equivale a validação da verdade, isto é, a força da televisão, neste caso a força da sua mentira na televisão ultrapassou em larga escala o desmentido cabal das suas palavras e o facto de Portas ter sido desmascarado nos dias seguintes, nos jornais. Portas não teve pejo em mentir e não o fez ingenuamente, sabia que ia ser criticado, mas sabia que essas críticas não iam chegar ao Portugal para o qual ele discursou. Sim, porque Portas não fala para o país, fala para o seu país, em desespero, para não o perder, para não desaparecer do mapa, para se manter à tona. Vale tudo. E Sampaio, só por isso, só por essa falta de respeito desse personagenzinho sinistro, devia ter tido BASTA. Se mais não fosse necessário -e era- esta atitude de Portas bastaria para o Presidente ter tomado outra decisão que não a da suposta continuidade. O Presidente foi um robôt institucional mal programado. Porque Jorge Sampaio devia ter, para além da Constituição -que também justificava eleições- apalpado o terreno e ter tido alguma sensibilidade, pelo menos -no mínimo dos mínimos- ter reagido à pressão e ao insulto que a instituição Presidência sofreu, em plena sede. Tanto discurso sobre a valorização do papel do político e sobre o respeito das instituições para isto? Para ser permissivo em relação a insultos gratuitos e pressões inaceitáveis, baseadas na mentira populista? Na sua própria casa?
Vergonhoso. Afinal o hara kiri foi de Jorge Sampaio. E da democracia.

MCG

Delírios

Esta é uma realidade para a qual uma certa esquerda -isto é uma maneira de dizer a esquerda que não olha só para o seu umbigo- ainda não está devidamente alertada. Deixemo-nos de ilusões quanto a maiorias de esquerda e coisas do género (este aviso se calhar é só para nós, os eternos iludidos que pensam em esquerda convergente). É que essa esperança, esse tempo, acabou. Espero que todas as esquerdas -não pensemos numa esquerda una que neste momento nem é sequer uma miragem- dêem a volta por cima e depois fazem-se as contas. Temos dois anos de luta pela frente, mas vamos estar atentos, porque uma vitória à esquerda a qualquer custo pode não ser, exactamente, uma vitória para a esquerda.

MCG

PS: O meu delírio mental continua. A culpa é do Sampaio.

sábado, julho 10, 2004

Mais uma perda



Uma mulher que aprendi a respeitar ao longo dos tempos, séria e cheia de convicções que não abandonou nunca.

MD

Pessoas deste calibre fazem falta à esquerda

Depois da saída de Ferro Rodrigues o PS só pode piorar. Seja Vitorino, seja Sócrates, seja Lamego.
Ferro saí traído. Traído e provavelmente magoado com Jorge Sampaio e porventura com alguns sectores do Partido Socialista que acredito bem terem todo o interesse nesta decisão do Presidente. O último líder do PS por quem eu tinha nutrido alguma simpatia tinha sido, precisamente (e ironicamente), Jorge Sampaio. Mas Ferro ultrapassou as minhas expectativas. Porque foi tudo menos perfeito, tudo menos artificial. Ferro não faz discursos de plástico para portuga ver e ouvir. Ganhou as suas batalhas políticas sem a passadeira vermelha estendida. Ganhou depois de um ano marcado pela calúnia e pelo drama, sem flashes, só dificuldades, só adversidades.
Com "uma certa maneira despojada e exigente de fazer política, fiel a princípios e a normas de ética pessoal" (Vital Moreira), Ferro Rodrigues foi um excelente ministro e um bom líder da oposição que acaba engolido pelos abutres do seu partido e pela incompreesível decisão do seu amigo Jorge Sampaio. Emotivo como sempre, reagiu assim, saindo porta fora, a protestar, explodindo provavelmente num turbilhão de emoções. Será condenável este abandono, nesta altura? Não sei. Sei é que os políticos de plástico ganharam de novo.


MCG

Vencedores e derrotados, rascunho I

Hoje ganharam:

O tipo do gel, ex-futuro candidato a tudo o que mexe e arredores e, a menos que surga uma catásfrofe (alguém tem ideias?), nosso novo primeiro ministro, Pedro Santana Lopes.
PP (Paulo e o Partido)
A cidade de Lisboa
Josés Lamegos
Lacaios Delgados e afins



Hoje perderam:


Portugal
A democracia
O Partido Socialista que é mesmo socialista e de esquerda (traído)
Jorge Sampaio (flop ou maquievel?)
O eleitorado de esquerda que votou em Jorge Sampaio


MCG


PS: Sampaio mostrou que a esquerda tem mesmo sérios problemas a resolver. Somos esquisitos demais.

sexta-feira, julho 09, 2004

A luta continua

Hoje, o meu problema não é ter ou não vergonha de ter votado Jorge Sampaio. Simplesmente porque não votei nele.
A questão é que Jorge Sampaio merecia-me, pessoal e institucionalmente, respeito e admiração. Merecia. Já não merece. Porque cedeu. Ceder ao populismo fadista de Santana e à arrogância mal-educada e mentira de Paulo Portas era por si só motivo para criticar Sampaio. Mas Sampaio foi mais longe. E não foi sozinho.
Porque Sampaio não decidiu por acaso. Nem Ferro se demitiu por acaso. A jogada é simples, mas de um risco elevado.
Jorge Sampaio arrisca mais dois anos desta coligação que, apesar do populismo ao cubo, pode continuar a perder força (ou talvez não, eis aqui o risco). Depois? Depois vem o golpe final, dado por António Vitorino, entretanto feito líder da oposição e a preparar a maioria absoluta do PS em 2006. Dúvidas?

Ao golpe de Durão e Santana, responde Sampaio com uma golpaça de fundo, que engana os portugueses a todos os níveis. Porque não compreendem a sua decisão. E porque não compreendem o seu verdadeiro alcance. Sampaio pede, sem pedir, sacríficios aos portugueses em nome dum combate eleitoral em 2006.
E Ferro Rodrigues saí, sacrificado pelos altos interesses do seu partido, que igual a si mesmo nos bons velhos tempos, não ata, nem desata, simplesmente fica como está, neste caso, e para já, pior.
Os riscos desta jogada são elevados. Chamam-se Santana e Portas e a arma é a de sempre. Populismo demagógico. Que resulta num país de analfabetos como o nosso. Será que Sampaio tem uma réstia de esperança na inteligência dos portugueses e na sua capacidade de participarem, como sempre defendeu? Não, Sampaio joga a roleta russa. De olhos fechados.
Desiludiu-me muito.
Só tenho mais uma coisa a dizer neste momento:

A LUTA CONTINUA

MCG

Portugal sobre um manto de vergonha

Pois é o cinzentão cedeu, ao contrário das minhas expectativas mais recentes e alguns boatos de boas fontes, (mas só serve para mostrar que Sampaio não tem amigos), Santana Lopes vai realmente ser o próximo Primeiro Ministro. Se alguns disseram que respeitavam as decisões do Sr. Jorge Cinzentão Sampaio eu não respeito, foi uma derrota contra a democracia em Portugal, um sinal de fraqueza quase rastejante de Sampaio, estive a pensar num insulto que expresse o meu sentimento sobre a situação e algo que descreva este presidente, é uma lesma política, uma LESMA! Que venha de lá o Cavaco que não será minimamente diferente desta lesma cinzenta.
Estou triste, e agora quem está de greve sou eu, não é tanto de greve é um estado de habituação à passagem à clandestinidade pela qual vou passar. Post’s políticos só até ao final do dia. Depois abandono, porqe tenho vergonha, por mim e por Sampaio, essa grande lesma, é que nem uma carapaça tem para ser um caracol é uma lesma!

MD

quinta-feira, julho 08, 2004

Água em Pó

Primeiro, eu gosto muito do Algarve. Segundo, o Algarve não vai de Vilamoura a Albufeira. E Algarve não é só Verão e férias.
O Algarve é, para mim, a Costa Vicentina, o Barrocal, as serras e o Sotavento. Da Arrifana a Tavira, de Silves a Cacela Velha, sem esquecer também as cada vez menos desertas ilhas da zona de Faro e da Ria Formosa.
Só não gosto de alfarrobas e por acaso, ou só para chatear, de Portimão. Mas é de lá, do berço de outros zézés, que se ouve a voz do Algarve. E a voz do Algarve podia ser um progama de rádio, mas não é. A veradeira voz do Algarve é um blogue, o Água em Pó, do meu colega e camarada Pedro Branco. Ou Pedre Branque, como ele diria. O blogue já tinha sido criado, mas agora está em pleno movimento e por isso só posso dar as boas vindas à blogosfera -ou Algarvosfera?- ao grande Pedro. Força nisso.

MCG

A tartaruga num poste

Enquanto suturava uma laceração na mão de um velho lavrador (ferido por um caco de vidro indevidamente deitado na terra), o médico e o doente começaram a conversar sobre o Santana Lopes. E o velhinho disse:

Bom, o senhor sabe...o Santana é uma tartaruga num poste...

Sem saber o que o camponês quer dizer, o médico perguntou o que era uma tartaruga num poste. A resposta foi:

É quando o senhor vai por uma estradinha e vê um poste da vedação de arame farpado com uma tartaruga equilibrando-se em cima dele. Isto é uma tartaruga num poste...

O velho camponês olhou para a cara de espanto do médico e continuou com a explicação:

* Você não entende como ela chegou lá;

* Você não acredita que ela esteja lá;

* Você sabe que ela não subiu lá sozinha;

* Você sabe que ela não deveria nem poderia estar lá;

* Você sabe que ela não vai conseguir fazer absolutamente nada enquanto estiver lá;

* Então tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer de lá
!, excerto dum post do António José, direitinho do meio do Atlântico, das belas :Ilhas.

MCG

Fim de Greve

Eu anunciei aqui há dias uma greve aos posts políticos até final do Verão. Este é o seu fim. Primeira lição: nunca vou ser sindicalista.
A altura também não foi a melhor, mas um dia essa posição será melhor explicada. Como se isso fosse importante.
Segunda lição, timing (falta de;a rever).
Mas também não vou voltar a falar da situação política em que vivemos porque, para já, está tudo dito e se mais haveria a dizer, Santana primeiro e Portas depois, fizeram-no, dum modo obsceno e assinaram o seu hara kiri político para os próximos três meses pelo menos. Amanhã veremos.
É essa, pelo menos, a nossa absoluta convicção e certeza. Confiamos plenamente em Jorge Sampaio e mais não deve ser dito neste momento.

Fica só o lamento pela constatação de se andar já a discutir apoios a eventuais futuros governos, sem se conhecer quer a decisão do Presidente da Républica quer os resultados das eventuais futuras eleições, quer, sobretudo, as políticas concretas e o programa de governo dos partidos eventualmente vencedores das eventuais eleições. Eu sei quem apoio e o que apoio e estou também disposto a apoiar outros, se o contexto o justificar. Mas nunca, nunca, sem saber o que os outros têm para dizer e muito menos para fazer.
E se, pela boca morre o peixe, outros ficarão a boiar com toda a certeza se o fascínio pelo poder se concretizar. Voltarei a este tema brevemente, até porque faz parte duma reflexão mais profunda que estou para fazer há várias semanas sobre a esquerda portuguesa. E com o puzzle completo vai ser mais interessante desmontar todos os cenários possíveis.

MCG

A verdade

Aqui no Pastelinho, estabelecemos desde o começo uma regra de ouro: não iriamos colocar fotografias de gente que não gostamos, fosse qual fosse o motivo. De assassinos a mentirosos, passando por gente que, pura e simplesmente não sabe o que faz e não sabe o que diz. Neste caso, gente que não sabe o que fez e o que disse.
Esse regra, aliada à minha greve aos posts políticos até ao fim do Verão -que me apetece furar cada minuto que passa- faz com que vos remeta para este simples, mas mais que eficaz post do Rui Tavares, no Barnabé. A verdade, por vezes, salta tanto à vista que até fere os olhos. MCG

quarta-feira, julho 07, 2004

Sophia

Beleza Pura, pelo ex-Fernão PAS. Obrigatório.

MCG

Bloggerices

Tenho que pedir desculpa pela minha abstinência bloguística, mas só tenho que agradecer ao Blogger.com o magnífico serviço que anda a prestar. Mas enfim, o serviço é de borla, não se pode pedir muito pois não?
Bom, eu acho que pode e por isso estamos a pensar mudar para o weblog.com.pt, não só porque é melhor, mas também porque é nacional (e o que é...bla bla...bla bla).
Veremos para quando a mudança, penso que não vai ser assim tão imediata, mas pelo menos já começou a ser pensada.
De resto, como resolvi armar-me em responsável e arranjei um trabalho de verão, seja lá o que isso for, é natural que os posts não surjam de um modo tão obssessivo como anteriormente.
E já agora, aproveito que estou a falar de blogues e, consequentemente, de blogosfera, gostaria de tirar o chapéu aos bloggers que desceram à terra, vindos de blogues com outro nível e visibilidade (poderemos falar em elite bloguística?), e vieram aqui comentar ao Pastelinho, que é apenas, e ainda, um teenager meio inconsciente e problemático a dar os primeiros passos num mundo recheada de gente com qualidade, mas que às vezes, tem um certo pudor em associar-se, nem que seja com um comentário, a inconscientes como nós.
Por isso, e porque não é fácil aturar-nos, cá vai um obrigado ao Daniel Oliveira, à Inês, ao Filipe Moura, ao Pedro Arruda e ao Pedro Adão e Silva que, directamente from other space vieram cá dar a sua opinião, e consequentemente, a sua enorme força ao nosso, e vosso, Pastelinho.

MCG

Os golpes e contra golpes

Ontem ouvi um discurso muito estranho de Paulo Portas à saida da reunião com Sampaio, com muita demagogia, como é hábito, mas confesso que só me apercebi da enormidade e da gravidade das declarações deste líder político hoje. A pressão que Paulo Portas quis fazer ontem a Jorge Sampaio dá hoje vontade de rir, então não é que o homem truncou textos e declarações do próprio Presidente para o convencer a não convocar eleições antecipadas! É que é um ponto máximo na demagogia! É absolutamente inacreditável! Ferro veio hoje meio na defesa do presidente meio na defesa dos seus interesses mostrar a alteração quase Estalinista que o grupo parlamentar do PP, os democratas cristãos fizeram. Eu arriscaria que qualquer democrata cristão neste momento estará bem envergonhado com as tácticas utilizadas pelos seus representantes, qualquer democrata cristão com o mínimo de decência e dois dedos de testa!

Pacheco Pereira, e já vai ser infelizmente a segunda vez que falo do personagem neste blogue, foi o causador da maior gargalhada que dei nos últimos tempos, no seu programa de debate que costumava ser o Flashback mas agora tem outro nome, eu como me esforço para não o ver não sei o novo nome, declarou peremptoriamente naquele estilo de debate futebolístico que é tão característico (eu ataco o meu clube, mas se atacares o meu vou atacar o teu!) afirmou – “o PS está é cheio de medo de eleições antecipadas, parece-me evidente!” eu ri-me e você?

MD

São as justificações...

Então Sr.Paulo Portas e se o orçamento for uma merda, como tem sido nestes últimos anos, vale a pena aprová-lo?

MD

terça-feira, julho 06, 2004

Estou de saída

Andei ligado a noticiários o dia todo, não houve nenhum que tivesse feito alguma referencia sobre uma manifestação no Rossio que ouvi pela minha mãe à uns dias. Não sei como mas ela consegui ouvir qualquer coisa agora mesmo, 18 e 15 para uma manifestação às 18 e 30. Aqui vou eu, do Lumiar ao Rossio em tempo record.

Um aparte: o meu colega de blogue não quer pensar em passar o pastelinho para o Weblog é que já estou farto do blogspot, é insuportável!

MD

Iraque revisitado

Toni Blair em mais uma frase enigmática - "Deverei aceitar que nós não as encontrámos e que talvez nunca as venhamos a encontrar" - que desilusão não é senhor Toni Blair? É realmente uma verdadeira desilusão, o senhor queria mesmo acreditar que existiam! 45 minutos era o que Saddam precisava para iniciar um ataque mortal, e agora nem uma ogivazinha! Que raio...

MD

Felgueiras digna de um filme de acção

A polícia judiciária tem agora provas que Fátima Felgueiras fugiu porque quis evitar ser presa preventivamente... Isto já parece o novo discurso do Toni Blair, mas isso fica para o próximo post. Ou seja, a grande novidade é que ela fugiu, alegadamente na bagageira de um carro, não porque quis apreciar os locais paradisíacos no Brasil, mas porque sabia de antemão que ia ser presa. Os telefonemas entre ela e o advogado ficaram registados, e foi aí que se deu a sua fuga. Perante esta história o advogado de Fátima Felgueiras diz esta frase enigmática: “Não digo se falei ou não! ... nem digo o conteúdo das conversas.”

MD

segunda-feira, julho 05, 2004

O balanço de um adepto

Este ano começou bem, no Alentejo, proibido de fazer surf por causa de uma lesão no braço em que estilhacei um músculo do ombro comecei a minha época desportiva nervoso e sem vias de escape, a minha concentração estava no Benfica e na sua passagem para a Liga dos Campeões que se confirmaria ou não em dois jogos com a Lázio de Roma. Quiseram os deuses do futebol que o meu coração começasse a sofrer nos primeiros dois jogos oficiais do meu clube. O Benfica jogou melhor as duas partidas, mas a equipe ainda muito partida e inexperiente acabou por sucumbir num resultado totalmente injusto, perante uma equipe matreira, sabia lá eu que a época seria uma espécie de um carnaval de euforias e tristezas.
O Benfica começou a época um bocadinho termidinho para se começar a formar numa equipe muito competente principalmente no ataque, e sempre a querer acertar na defesa, que em alguns períodos esteve realmente bem. A grande tristeza da época no entanto não veio no âmbito desportivo, e essa foi a morte inesperada e um pouco desarmada com que todos observamos principalmente Fehér ao vivo. As televisões com os olhos em bico algo sorridentes, tentaram por tudo mostrar a queda do jogador o mais vezes possível, para que a mórbida sensação de surpresa se agarrasse aquele momento, tentando alcançar uma explicação. Alguns jornais inclusive e revistas muito suspeitas lançaram as imagens que o realizador da Sport TV tentou que não se mostrasse, a cara do jogador no momento em que se gelaram corações na antecipação da desgraça... Mal sabíamos todos que o momento ia ter um novo episódio poucos meses depois com a morte igualmente chocante de Bruno Baião.

Estes foram os dois momentos de tristeza que assombraram esta época que podia ter sido só uma bela época de futebol. Continuando com o Benfica o jogo que mais me fez sofrer foi o que jogamos contra o Rosemborg na Noruega, estava o jogo num 1 a 2 um pouco perigoso quando Nuno Gomes se isola à frente da balisa, afasta a bola do guarda redes de uma maneira brilhante, para a balisa ficar aberta para o golo fácil e, eis se não quando! Atira-se para o chão para levar com o segundo cartão amarelo totalmente merecido. Um jogo que se podia ter tornado fácil de controlar, transformou-se num pesadelo, numa batalha defensiva em que os centrais foram heróis, os trincos igualmente, Miguel foi incansável, Simão esteve em todo o campo e Moreira foi gigante. A partir daí muitos jogos foram de partir o coração, na Luz contra o Porto, sentado ao lado do grande MT, vimos um jogo que mais do que merecer ganhar, merecíamos ter goleado e afinal acabou num empate, eu e o Miguel (MT) ficamos roucos durante uma semana. Contra o Inter este acompanhado por outros amigos assisti a outro baile do Benfica a um adversário teoricamente mais forte, na luz o Inter nem atacou, lá fomos ingénuos e estávamos nervosos, marcamos três golos em San Siro e não ganhámos... Depois contra o Sporting acompanhado pelo meu colega do blogue e pela nova promessa bloguistica Cachão, vimos um Sporting a dar tudo, o Benfica a controlar e em mais um jogo de nervos à flor da pele Giovanni tira da cartola um golão magnifico, que ao contrário do que tentaram dizer dele, é hábito seu. A final da taça foi outro momento de puro pânico, Deco estava a jogar sozinho, mas suficiente para dar cabo da defesa Benfiquista em bocados, com toques mágicos e passes deslumbrantes, acabamos por vencer ao fazer um jogo à Porto e com um golo do actual campeão da Europa Fissas. Toda esta época teve coincidencias engraçadas, ou não tanto. Quase me esquecia de outro jogo de puro pânico, em que ruí as unhas até ao tutano que foi o último jogo da temporada contra a União de Leiria em que a bola insistia em não entrar, os jogadores do Leiria atiravam-se contra os postes em atitudes quase Kamikazes evitando o golo que descansaria a nação Benfiquista já que o Sporting estava a ganhar em Guimarães.
Conclusão a época do Benfica foi desgastante até ao último minuto, mas não... não... não podia acabar aqui pois não. Não.
O Campeonato da Europa começou e a selecção nos 6 jogos que fez só ganhou uma vez por mais de um golo, e perdeu os dois contra a Grécia sempre a deixar a sensação que podia fazer qualquer coisa à cerca disso. E perder a final... Não preciso de dizer mais nada. Agora que a época acabou vou descansar, preparar-me para outra, e porquê? Porque decidiram que o treinador do Benfica é Trapatoni, um grande treinador mas provavelmente o treinador mais defensivo que conheço... desculpem o meu francês mas outra época com os tomates na mão?...
Ok.

MD

Ps: desculpem lá o testamento.

domingo, julho 04, 2004

Inclinações

Tudo indica que a melhor forma de resolver este problema político é mesmo convocar eleições antecipadas, é a opinião da maioria dos comentadores políticos menos aqueles muito ligados ao PSD e ao CDS principalmente. Mas até alguns elementos do PSD concordam com eleições antecipadas, Marcello Rebelo de Sousa, ídolo de muitos dos leitores deste blogue, inclusive dois dos participantes, e passo a explicar, não sou eu nem o Manel, são os outros dois, esforçou-se por colocar o Presidente da República na posição de que, já que se sentiu incomodado por ter convocado eleições antecipadas por altura da saída de Guterres, agora o sentimento devia ser o mesmo. Esquecendo-se, com certeza sem querer, que Durão Barroso apoiou as eleições antecipadas com a saída do antigo primeiro ministro, mas isto é a demagogia que os dois ilustres participantes gostam tanto de engolir, e eu odeio assistir.
Tudo indica que as eleições são o melhor caminho, mas existem certos indicadores que me fazem querer que o Presidente não o vai fazer, uma é a posição confiante de Durão Barroso que já deixou escapar uma ou outra pista, que não sairia se houvessem eleições antecipadas, e mesmo com a relutância de Jorge Sampaio sobre decisões antes da hora. Preocupou-me bastante também o seu convite, não previsto a Pacheco Pereira, duas uma ou serve para conquistar um comentador a mais, ou serve para justificar mais uma opinião a favor da estagnação política sem legitimidade nenhuma por razões que ninguém por esta altura entende.

MD

Comunicado oficial

Explicação oficiosa: Está um tipo sem vir à internet durante três dias e quando volta já estão planeadas greves e é só confusões! Não pode ser, portanto...

Comunicado oficial da comissão nacional do pastelinho: A comissão nacional do pastelinho reuniu e decidiu invocar os requisitos mínimos de post’s políticos neste blogue ao trabalhador MCG, (Manel Castro Grilo). Esta decisão é irrevogável e a comissão terá de viver bem com esta pequena contradição.
Os nossos agradecimentos e desejos de que tudo corra com mais comedimento, como se isso fosse possível, aqui no pastelinho.

MD, e comissão nacional do pastelinho

sexta-feira, julho 02, 2004

ADEUS, MENINA DO MAR

Liberdade

Aqui nesta praia onde

Não há nenhum vestígio de impureza,

Aqui onde há somente

Ondas tombando ininterruptamente,

Puro espaço e lúcida unidade,

Aqui o tempo apaixonadamente

Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andresen

MCG

Sem palavras




MCG

Greve

E mais. Enjoei e amuei, depois desta semana desgraçada. Só volto a fazer posts sobre política depois do Verão.

MCG

Perdoem-me

Peço desculpa pelo post anterior. Eu não queria, de modo algum, sugerir que BE e Santana Lopes tiveram uma qualquer convergência de interesses antes das eleições autárquicas de 2001, em relação à Câmara de Lisboa. Muito menos qualquer tipo de acordo tácito. Sou um provocador inculto e insultuoso. Peço desculpa às massas e aos ofendidos. E aos ingénuos também.


MCG

Volta a demagogia

Tantas críticas, tanto asco, tanta contestação, tanto tudo e mais alguma coisa. Só que uns podem criticar. Outros, nem por isso. Aliás, deviam-se esconder. E se não souberem onde dou já uma sugeestão: atrás do muro de betão que é vossa demagogia cimentada. E se ainda não perceberam de que falo eu, lanço só mais uma questão para o ar.
Qual é a coisa, qual é ela, que ajudou Santana a ganhar Lisboa?

MCG



Resposta para o problema:




quinta-feira, julho 01, 2004

Os ratos fogem porque estão com medo...

Não?

Com medo e mais espero que esta previsão tenha sido feita com a gravata da sorte, a ver se se concretiza efectivamente. O cobardolas ainda se põe a falar de galo... é que há com cada um!

MD

Ouro Sobre Ouro

Aquele abraço entre Rui Costa e Figo no final do jogo disse muito. Disse, para além de amizade, justiça. Justiça a uma geração de ouro que Figo muito bem lembrou, em homenagem aos campeões do mundo de Lisboa, no final do jogo. Dessa geração, a mescla entre Riade e Lisboa, sobra o eixo dourado, Figo, Rui Costa e Fernando Couto. Digam o que disseram, eles mereciam este momento há muito tempo. A eles, o meu obrigado pelos últimos 15 anos de sonho e de sonhos. Aos outros, o meu obrigado por ajudarem a concretizar esse sonho. A todos, só falta mais um passo para serem campeões, mas a eternidade já está ganha.

MCG
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