quarta-feira, setembro 29, 2004

Pergunta:

Em quem é que os professores não vão votar nas próximas eleições legislativas, ou nas próximas eleições nos anos vindouros?

MD

A ironia das forças espirituais

Por vezes acho a existência de Deus impossível, mas outras penso que a existência da Suprema Entidade é altamente improvável. Hoje achei que é altamente improvável, porque se houver, Ele é, com certeza, um liberal conservador. -Liberalizar sim, mas até um limite! Isto da tolerância religiosa é muito bonito, isto do sentido ecuménico da religião é boa nos debates, mas não é lá grande política efectiva! –

O Santuário de Fátima está cercado entre a América reaccionária e o Vaticano do capital, o Dalai Lama não foi visto com bons olhos, nem a manifestação religiosa indo, naquele santuário que foi sempre um bastião católico inabalável, e que não era nada considerado um local pagão pelos responsáveis eclesiásticos da Santa Igreja. Mas quer dizer, até Deus na sua suprema sabedoria, e irónico exercício, poderia deixar de pensar que aquele local sagrado ajuda milhares de almas, (no capital espiritual, claro), com mais ou menos 10 milhões de euros por ano...
Por incrível que pareça os responsáveis actuais deste santuário são liberais demais...

MD

A distribuição foi feita em França

Pois é PAS, não só gosto muito de ler os teus artigos, como desta vez foste mesmo atingir aquilo que é a minha área de estudo. Numa análise estrutural, ou sincrónica nem sequer a esquerda ou a direita existem! Ainda assim o sentido de despertar para as propagandas quotidianas que moldam as opiniões é um valor grande demais para se ignorar. Nesse ou noutros sentidos. Há que ler o artigo.

MD

O podre intelectual

O tipo de discurso que se usa nas várias escolas intelectuais é abafado na Sic 10 horas por um discurso muito sério e muito bem falante, por parte de gente alinhada, são 5 senão me engano, que não param de surpreender com discursos e temas essenciais à sociedade portuguesa! Não percam todos os dias, estes intelectuais da praça publica que vivem que nem parasitas de, por seu lado, outras personagens importantes sem qualquer valor produtivo. No fundo é uma espécie de um esquema em pirâmide, em que sem produzir nada, se vai sobrevivendo do constante recrutamento de bananas para continuarem o esquema, ou manterem o interesse nele. Ultimamente têm ganho alguma credibilidade porque aparentemente podem agora usar a designação Primeiro ministro referindo-se realmente ao primeiro ministro, e não a outro cargo qualquer dentro da pirâmide, um sistema auto-suficiente. Isto até ao nosso país levar uma bof(a)tada no focinho e ficar esperto!

MD

A vitória da humanidade

Hoje recebemos todos uma notícia alegre, uma notícia que nos pôs felizes a todos, ninguém pôde ficar insensível ao regresso das duas italianas raptadas no Iraque, isto para quem tem sentimentos, ou para quem lhes reste sentimentos...



Belos sorrisos, meus e delas. Deu-me esperança esta notícia, réstias de humanidade num mundo quase perdido.

MD

terça-feira, setembro 28, 2004

Não queiras fazer aos outros o que não gostas que te façam a ti

No outro dia, penso que sábado, Francisco van Zeller, patrão dos empresários, presidente do CIP fez uma entrevista no espaço “Contas de Cabeça” altamente bajuladora e elogiadora em relação ao governo e em especial a Bagão Félix. Uma das suas frases se me lembro bem foi: «Este ministro parece estar a querer trabalhar connosco todos os dias, parece estar a tentar resolver os nossos problemas, partindo do ministério», a frase não terá sido assim mesmo, mas era esta a ideia. A verdade é que na entrevista, o presidente de CIP alertava para a necessidade de retirar direitos aos trabalhadores mais desqualificados, que achei bem mais escandaloso que aquilo que se tornou polémico nesta entrevista que foi a posição de recusa em aumentar o salário dos trabalhadores nestes próximos dois anos. A perda de direitos e a perda de benefícios fiscais foi algo que Francisco van Zeller concordava sem qualquer dúvida nos benefícios destas políticas. Pois é o patrão dos patrões não contava com isto e depois queixou-se «Parece que querem isolar-se e fazer as coisas sem nós!» Pois é quando nos calha a nós também custa, ainda que não custe tanto!

Porque sabem, desenganem-se aqueles que pensam que Bagão Félix é um capitalista, ele é sem dúvida de direita e a grande diferença entre direita e esquerda não é a forma de usar o capital, e o liberalismo financeiro, a grande diferença é que Bagão Félix ao contrário de mim, não acredita num estado forte, acredita num estado pagador que sustenta apenas empresas essenciais e que não dêem lucro, a esquerda por essencia consiste num estado providencia, a partir daí a escolha é fácil, economia sustentada ou mercado livre. Francisco van Zeller, um capitalista por natureza é de outra facção, a facção do liberalismo e do direito económico que anda a desgraçar este mundo desde a revolução industrial. A discussão com Bagão é um bocadinho mais antiga.

MD

É uma comédia!

É práticamente todos os dias que ouvimos notícias desconcertantes daquele país, esta é mais uma avisada por Pedro Oliveira do barnabé, que um post mais tarde iria ele próprio fazer um texto muito cómico. O bom e o mau, não se esqueçam no entanto de ler as condições impostas aos candidatos nos debates, é hilariante!

MD

segunda-feira, setembro 27, 2004

Cobras e agiotas

Esta também é outra, esta gente tem altos cargos, fazem reformas antecipadas, e continuam nos altos cargos, o que é que ele queria? Uma reforma por cima da outra? Esta lei das reformas tem de ser revista, estes mafiosos enquanto estão a trabalhar, e o trabalho dá mais dinheiro que a reforma e condições de sustentabilidade não deviam receber reforma mas é coisa nenhuma! São aldrabões e ainda por cima não têm vergonha disso! "Não quero a reforma porque já recebo uma do banco de Portugal."

MD

Esta não estava à espera

Uma pessoa lê esta notícia e se não soubesse do que se está a falar pensaria, mas que raio de país subdesenvolvido, com uma ditadura, (provavelmente), é que eles estão a falar? Parecem os americanos a queixarem-se de uma eleição num país com tendencias socialistas! Mas não! São mesmo ELES!
Será que é apropriado? "Eu não acredito em bruxas, mas lá que as há, há!"

MD

Estou a ficar louco...

O mundo anda às avessas, a morte deixou de ter o sentido de tirar uma vida, deixou de ter o ódio inerente, deixou de ter a explicação humana para o facto, a morte passou a ser um objectivo, passou a ser um número. Quantos hoje, quantos amanha, quantos depois. Uma mãe mata uma criança sem estar louca, uma mãe mata uma criança por pura frieza, o mundo está despojado de sentimentos, prefiro o ódio, a loucura à abstinência de sentir seja o que for! O mundo não sente, age por sequência de acontecimentos, já nem se pode falar de loucura, está para lá disso. Se tu fazes isto, é aquilo o que vai acontecer, então se é assim retaliarei desta maneira. Assassinatos governamentais noutros países, autênticos actos terroristas, são justificados aos olhos de muitos porque são feitos por um estado democrático... Desde quando é que a democracia se tornou numa imposição divina? Quando é que a democracia se tornou num imperativo da justiça? Quando é que o acto de votar num período determinado de tempo justifica que se viva mal, que não haja segurança, que não haja emprego? Quando é que a democracia se tornou num show globalizado de execuções na internet, cobertos por uma necessidade imperativa do poder de voto do povo? Quando é que alguém vai parar para pensar na importância de uma vida? Uma só... Será que alguém se apercebe que as decisões de hoje vão afectar profundamente o futuro, os nossos filhos, os filhos deles, e todos os seus netos?
Hoje em dia já não se trata de caos, a manicómio é para gente normal, o grau de insanidade já não se pode calcular, já ninguém quer alternativas, ninguém que resolver problemas, querem resolver-se! PONTO! O que queremos é o nosso pão, o nosso tecto, os nossos sapatos, e qual é o problema se a vista da nossa janela mostre tristeza e desespero? O que é que isso tem connosco?
...
Recuso-me a ser assim.
...
...
A minha visão é recorrente, vejo a terra a fazer malabarismo num fio maleável, olho-a e tento agarra-la porque é nítido que vai cair. Quando me chego a ela que parecia mínima, torna-se gigantesca, e impossível de lhe pegar, começa a cair no espaço vazio enquanto o fio se abana perdido, tento descobrir onde é que está o meu pequeno planeta e não o encontro, o fio esse começa a apertar-me o pescoço, ponho as mãos para que o fio não me sufoque, mas com as mãos começo apenas a ficar mais sufocado pela falta de espaço, as minhas mãos começam a ficar cortadas, já perdi os dedos, e começo a desmaiar, quando a minha cabeça caí para trás é a terra decapitada e morta.

MD

sábado, setembro 25, 2004

Que raio...

Agora sim, temos o país que merecemos. Agora sim. Sócrates e Santana. Portas e Bagão. E Sampaio. Sim, e isto custa-me a escrever, Sampaio.
Criaturas de plástico como Sócrates e Santana, produzidas num qualquer laboratório de marketing. E sim, que mal andam os laboratórios de marketing.
Iguais ao país que temos: uma merda. Ou daí talvez não. Será que estas criaturas saem da cartola porque já se sabe o país que temos e o que o país gosta, ou será que não há mesmo mais opções? Estaremos, finalmente e definitivamente, reduzidos a trampa? Depois do sofrimento, depois da resistência, depois das prisões, depois da guerra, depois da tortura, depois da censura, depois da Revolução, depois de Abril, depois de 30 anos, é isto que sobra?
Sócrates e Santana?
E que dizer dos vampiros? De Portas e Bagão?A extrema direita bem instaladinha na cadeirinha do poder, com direito a almofadinha e tudo. Entre confusões, nomeações, casos e palhaçadas, o mais importante e grave -que é a política - passa. Porque há as confusões e as intenções.
E a intenção é uma política neoliberal e conservadora que vai, diariamente, sendo imposta e vai, cada vez mais, mensalmente, sendo sentida.
Era isto que queríamos?
Estávamos de tanga, dizia o amigo Zé Barroso? Pois agora estamos em pleno Meco.
Que raio é que fizemos com o nosso país? Sim, porque não foram eles. Eles, meus amigos, aproveitaram a deixa.
Somos nós que os elegemos. Somos nós quem elegemos quem nem os devia deixar respirar. Elegemos - e isto é que é importante, deixamos eleger - , enfim, a incompetência, em todo o seu esplendor. Somos nós quem devora uma imprensa vendida a todos os interesses, menos os nossos. Somos nós que temos preguiça em pensar e em manifestar o que pensamos. Quem cala consente. Todos os dias, a toda a hora, temos que pensar -de preferência bem alto :
Que raio é que nós fizemos com o nosso país?
É isto que queremos?

MCG




O inicio do principio

A frase que eu estava à espera, o inicio da retirada das tropas do Iraque, começa com esta frase: “A ideia de que o país deve estar perfeitamente pacificado antes de reduzirmos as forças norte-americanas e da coligação parece-me pouco razoável, já que o país nunca foi inteiramente pacífico e nunca o será totalmente” , Rumsfeld anuncia o inicio da retirada que será o principio de um país que foi mergulhado no caos absoluto, e onde não havia terrorismo e agora...

Agradeço ao Uno e Múltiplo que me chamou a atenção ao artigo no Expresso.

MD

sexta-feira, setembro 24, 2004

As escolhas que nada me dizem

A desilusão é quase sempre uma história progressiva, nestes tempos políticos que vivemos existem duas eleições que marcam o futuro deste país. Uma marca o futuro do mundo, por mais que detestemos dize-lo, Kerry contra Bush; a outra marca o nosso país porque pode vir a decidir quem irá ser o nosso primeiro ministro, ou quem deixará essa oportunidade escapar.

Eu sou um anti Bush convicto, sou porque acho que é um homem ignorante demais para estar no lugar onde está, ainda que ele próprio decida pouco. Mas ouvir Kerry nestes últimos tempos tem sido quase um constrangimento. Ouvi-lo e pensar que ele não tem nada de diferente de Bush, só que Bush esse não tem vergonha, é um mentiroso às claras, só não vê quem não quer. Kerry pode ser mais inteligente, mas na prática isso significa que como qualquer outro político temos de ler nas entrelinhas. Kerry não fará nada de diferente de Bush, (quanto ao caso Israel-Palestina, muito menos), quanto a invadir um outro país, é só darem-lhe outra desculpa. É verdade que Kerry tem as suas vantagens e uma vitória sua significaria uma ligação maior com a ONU. Mas será melhor ter alguém que nós já sabemos com o que contar, ou outro que será muito mais esconso e esguio? Não sei. Sei que não devem entender isto senão como uma crítica a Kerry e não uma defesa a Bush... mas realmente a “maior democracia do mundo” não tem alternativas.

Quanto ao nosso pequeno Portugal as alternativas pareciam-me bem maiores nesta eleição que vai agora a meio. A principio a decisão pareceu ser entre Soares e Alegre, mas também as suas campanhas me pareceram muito insuficientes, Alegre preferiu um táctica “Dias da Cunha” exagerada, anti-sistema, quase como se o grande defeito estivesse dentro do partido, esse síndroma “presidente do Sporting” não o permitiu muito bem explicar o que é que ele queria fazer do nosso país. Para quem não é do PS e está-se pouco lixando para os problemas democráticos desse partido, isso é preocupante, principalmente porque se rodeou de muita gente estranha, mas já que estamos numa de síndroma Dias da Cunha não vou dizer quem. Quanto a Soares parece-me sempre que se esteve a posicionar onde mais lhe dava jeito, parece estar sempre a enganar alguém, a tentar tirar os adversários do caminho de maneira muito estranha, o Alegre ser um candidato presidencial, é o maior exemplo disso. Sócrates é aquela desgraça que já todos estávamos à espera, muita conversa para não dizer praticamente nada, em jeito de elogio, ainda não chega aos calcanhares de Santana nessa pequena técnica, mas a experiência deve ajudar nestes casos. Sócrates já tem a victória garantida, mas sinceramente com as alternativas, e apesar de ele ser a pior delas, isso nem me incomoda, porque a diferença não é muita.

MD

É hoje

Que o PS começa a decidir se vai ser o partido forte e sério que tem que liderar e ser uma referência para a Esquerda portuguesa ou se vai antes ser parceiro de ping pong do PSD nos próximos anos da política portuguesa, com o patrocínio ocasional de um qualquer queijo e a distribuição, sempre a gosto, dos boys pelos jobs. Escolham bem.

MCG

A casa da Palhaçada 2

É impressionante, os governantes deste país vão fazer com que eu me veja obrigado a defender o senhor Pedro Abrunhosa. Quem me conhece sabe que sou um pouco exigente em relação a questões de arte, principalmente música e literatura, mas considero o Pedro Abrunhosa uma espécie de um Joel Schumaker da música portuguesa, um realizador insuficiente, mas que não está a tentar enganar ninguém, faz filmes que muitas vezes até são conseguidos.
Quanto ao Abrunhosa para alguns conhecedores da cidade do Porto pode-se dizer que foi uma perda importante para o jazz daquela cidade, mas tirando isso vende bem a imagem dele e daí reside o seu sucesso. No último Avante ainda vi um pouco o seu concerto, mas depois de Sérgio Godinho a vontade já não era muita e a fome começava a apertar... Mas terá sido por concertos como este e algumas outras, ainda que poucas, com certeza, intervenções políticas de cariz esquerdista, que levaram a Casa da Música e a sua nova direcção, agora totalmente dominada pelos companheiros e amigos dos actuais governantes da Câmara Municipal do Porto, a cancelar o concerto que Abrunhosa tinha para a inauguração do espaço. Mais um pedaço de censura por parte de dirigentes autárquicos do PSD, mas desta vez com direito a destaque no Público.

MD

quinta-feira, setembro 23, 2004

Celestiais nomeações

Depois de uma !especialista em direito fiscal! ter tomado o lugar de ministra da justiça (?), agora vai tornar-se directora da Caixa Geral de Depósitos, com um ordenado que não sei como é que Portas e Bagão o qualificarão, eu fico à espera.

Esta história das nomeações neste governo é mesmo obscena!

MD

Quiz Show

Tema: (Des) Educação

Onde anda David Justino?
a) A correr em direcção a casa, a gritar "MAMÃÃÃ!!"
b) Na cave de sua casa à espera que o Ivan passe
c) A passar umas relaxantes férias, longe do stress da cidade
d) Na fila de espera de um colégio particular para inscrever o filho

Tema: Partidos Políticos

Quem vai ganhar as eleições no PS?
a) Manuel Alegre
b) José Sócrates
c) João Soares
d) O PSD

Tema: Imprensa Escrita

Qual é o melhor suplemento humorístico?
a) O Inimigo Público
b) As reinações inconsequentes de José Manuel Fernandes no Público
c) As anedotas non-sense de Luís Delgado no Diário de Notícias
d) A incoerência hilariante de José António Saraiva no Expresso


FC

quarta-feira, setembro 22, 2004

Afinal parece que há coincidências

O mundo é, de facto, uma aldeia. E Portugal um pequeno lugar.Pelo menos, assim parece. É que se eu não pensar assim, que isto é tudo fruto do acaso, de repente só me lembro duma palavra: goodfellas.

MCG

Soares, o generoso

Não João, tu não ias querer isso.

MCG

Jet Lag, meus amigos, Jet Lag

Será que eu ouvi mesmo Santana Lopes dizer que estava a acompanhar o caso da colocação dos professores hora a hora?

MCG

Anestesia Pop I

Será possível este governo ter batido todos os records de incompetência que todos os argumentos possíveis e imaginários olham uns para os outros, encolhem os ombros e vão embora por não estar previsto no código de todos os argumentos possíveis e imaginários tanta falta de jeito, tanta incompetência, tanta hipocrisia e tanta demagogia? Tanto e tudo junto, em doses colossais, é quase impossível resistir a esta anestesia pop.


MCG

sexta-feira, setembro 17, 2004

A casa da comédia



Vou para o porto hoje, terra que gosto muito, onde vive grande parte da minha família, adoro lá passear, estar com os meus avós, ir aos sítios que costumo ir e cumprir os meus rituais religiosamente. Mas no Porto passam-se coisas estranhas, a mais estranha foi o Porto Capital da Cultura, onde tudo o que podia ter corrido mal correu, e a pior coisa foi a projecção de uma casa que alguns anos depois do evento ainda está por construir, a casa da música, que bem se podia chamar a casa da comédia, com as coisas que por lá se passam.
Antes de termos o Santana Lopes na câmara municipal de Lisboa, coisas como a casa da música eram impossíveis de acontecer nesta cidade, porque esta cidade tinha até à alguns anos atrás escolhido gente séria para a liderar...
MD

Os dias que ninguém esquece

No Fernão um ano escolar, eu lembro-me, durava uma eternidade, não tinha bem consciência do tempo, quando é que estava calor, ou frio, quando é que chovia ou fazia sol. Tudo se ajustava perfeitamente à vida que levávamos de miúdos preparados para aprender tudo, mas com o máximo de divertimento porque a companhia dos colegas era essencial, e no Fernão essa companhia nunca, mas nunca era competitiva, pelo menos não tenho essa sensação, e foi o único sitio onde isso realmente aconteceu, onde a companhia era só algo que contava consigo própria. Uma das muitas coisas importantes que herdei de lá. O primeiro dia de aulas era no entanto um dia muito especial, não só porque havia sempre a esperança de encontrar alguém totalmente novo, como era a oportunidade de mostrar os progressos de fosse o que fosse, de contar as peripécias de fosse o que fosse, das eternas férias grandes que tínhamos acabado de passar... quando somos mais miúdos tudo dura mais tempo, e quando somos ainda mais miúdos nada nos cansa e vivemos tudo no limite nem que seja dentro da nossa cabeça.

Hoje foi o primeiro dia de aulas, um dia feliz para muitos dos miúdos que foram e que não tiveram o peso de um professor a estragar-lhes aquela companhia especial, tal como quando andei na Delfim Santos, em que por vezes os professores não tinham sido colocados numa ou outra disciplina, problemas residuais que existem sempre, e aqueles furos eram preciosos, aproveitados até ao limite, a falar, a jogar, a viver a companhia dos velhos e novos companheiros. E depois lembrei-me, o Fernão não tinha esse problema, e não é só porque nesses primeiros anos temos um número muito limitado de professores, dois ou três, mas porque é privada. É interessante pensar nisso, pensar que ultimamente as instituições públicas andam com este tipo de problemas, problemas que especificamente afectam aquilo que podem ser vantagens nos privados, tanto na segurança social, como na medicina, tal como agora nas escola. Numa conclusão bem “Michael Mooriana” diria, - é engraçado como as coisas correm? – não é nenhuma acusação é apenas uma constatação de um facto.

Na minha opinião essa história das escolas contratarem os próprios professores é perigosa, até porque facilitaria a vida, dos amigos dos que já se encontram na escola, ou dos colegas de curso, a melhor solução, ainda não sei bem, o que sei é que a extrema incompetência dos responsáveis pelos concursos fizeram algo impensável, dois anos seguidos de broncas na colocação dos professores, e este ano foi bem pior que o ano passado, onde já se tinham prometido melhorias. É certo que alguns alunos se divertem, mas e os pais? E muito mais importante, e os 50 mil professores que andam à meses à espera de definirem a sua vida? Basta de brincar com as pessoas! Basta!
MD

quinta-feira, setembro 16, 2004

As férias e a acumulação de papelada

É de vez, durante este tempo todo de férias e de interregno forçado de internet acumulei tantos temas para falar que não vou poder falar de quase nenhum, desde a questão do aborto, que é bem diferente da questão das forças armadas impedirem um barquito inofensivo de entrar em águas nacionais, e tudo o que é ridículo e se transformou em ridículo à volta desta situação, passando mais uma vez pelo, "mais uma vez" ridículo Presidente da República vir anunciar que “está descontente com a falta de informação do que se está a passar com as suas forças armadas” numa voz quase ameaçadora que me espantou, o que não me espantou foi o seu silencio opôs isso. Mas são coisas a que nos vamos habituando por parte deste presidente cada vez mais “estranho”. Passando pela minha falta de comentários sobre as eleições fantochadas, em que os candidatos aparecem todos os dias vestidos de maneira exactamente igual, falam quase a mesma coisa, com ligeiras diferenças só para disfarçar, tendo Kerry ironicamente perdido qualquer vantagem sobre Bush por ter (e vários analistas políticos o disseram não foi eu) escolhido uma mensagem com mais conteúdo e logo mais difícil de compreender... O fogo de artificio continua e Bush vai lançado para mais 4 anos, não fosse a bronca toda que o Iraque vai continuar a dar, e muitos países poderiam começar a ficar preocupados. Também não pode falar ainda da comédia que tem sido Santana Lopes fazer-se de homem sério, qual grande actor que incorporou a personagem de homem de estado, nem sem antes fazer umas fériasitas que nenhum trabalhador tem direito no mundo apôs um mês ou dois de inicio de funções, umas férias muito sossegadas, ele próprio se certificou disso! Outras questões ficaram por falar, que neste momento não me ocorrem, mas poderão ocorrer no futuro, até porque todas estas coisas têm a podre tendência de se repetir, e já ouvi que o barco do aborto vai voltar a Portugal, e as eleições nos estados unidos continuam, e Santana Lopes, bem esse personagem trás uma novidade todos os dias não é?
MD

quarta-feira, setembro 15, 2004

Já com medo

No meu último post escrevia que já não tinha internet à 15 dias, esses 15 dias já lá foram e o mais engraçado é que dois minutos depois de editar esse post a internet foi-se abaixo. Tenho andado afastado, não por não ter tempo, pelo contrário, não por não poder... espero poder agora... mas não tenho grande esperança, até porque tristemente várias coisas importantes se passaram sem eu as poder discutir, e com alguma probabilidade muitas mais se vão passar sem eu as poder discutir. Esta história das "internetes" de alta velocidade têm muito que se lhe diga...
MD

terça-feira, setembro 14, 2004

Reentré

Nós aqui no Pastelinho ainda não fizemos a reentré oficial pós-férias. Pois está feita. Sem pompa. Nem circunstância. A partir de agora. Deste momento. Voltámos.
Temos andamos a meio gás (ou a um quarto de gás, ou menos que isso), numa blogosfera que já entrou no seu ritmo habitual, um ritmo vivo, alucinante, surpreendente, cada vez mais poderoso, uma verdadeira espiral de debate, e sobretudo, não me canso de repetir, um poço de momentos bem escritos em blogues verdadeiramente divinais . Que eu, pelo menos eu, blogger de férias, mas leitor atento e viciado, tenho acompanhado.
E nós? Bom, nós, entre trabalhos, inscrições, ondas, crises existenciais pré-25 anos, viagens ao litoral alentejano, filmes e outros projectos, temos tido pouco tempo para escrever, ou postar, essa palavra tão feia que logo depois de putativa deve ser das palavras mais feias filhas da blogosfera - mas agora estamos prontos para voltar a carga.
E, já agora, aproveito para agradecer a quem nos visitou neste período pouco fértil e a quem nos linkou, apesar da nossa hibernação. Obrigado.

MCG


sábado, setembro 11, 2004

Barnabé

O blogue que eu, muito provavelmente, mais incomodei, insultei e chateei nestes meus 10 meses de bloguices, faz hoje um ano. Apesar da minha embirração, que por vezes resulta em ataques mais ou menos racionais -mas sempre a roçar a animalidade, admito- em traços gerais reconheço que pouco ou quase nada me separa ideologicamente dos Barnabés e, sobretudo, é importante dizer, penso que o trabalho deles, independentemente de serem de esquerda, até hoje, tem sido exemplar, essencial, pioneiro e inspirador. Mas o que importa mesmo hoje é dar os parabéns ao Barnabé e aos seus autores, Daniel Oliveira, Rui Tavares, André Belo, Celso Martins e Pedro Oliveira. Vocês conseguem ser irritantemente bons e são uma referência incortonável neste estranho mundo dos blogues. Keep up the good work.

MCG

PS: Porra, já passa da meia-noite. Eles fizeram anos ontem. Que se lixe. Juro que não fiz de propósito.

quinta-feira, setembro 09, 2004

Internetiquices!

Estive quase 15 dias sem internet em casa, cheio de vontade de escrever, insultar e até aplaudir... Mas a SAPO boicotou este blogue! Volto já hoje, com a esperança que as coisas tenham mudado defenitivamente! A ver vamos...

MD
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