sexta-feira, outubro 29, 2004

Um grito de protesto e admiração



Mais uma vez vou colocar o Pastelinho, blogue partilhado, numa situação frágil. Fiquem sabendo os demais que esta é a minha opinião pessoal, minha Miguel Bordalo Dias. Para mim Yasser Arafat é um herói, um resistente, personagem digna de um romance ao mais alto nível de Gabriel García Márques, um sobrevivente, e o elo mais ténue para a possibilidade de paz na Palestina. Lutou contra Golias durante anos sofreu atentados arriscou a vida, deu a sua vida a uma causa. Por momentos quase que conseguiu os seus intuitos um qualquer judas matou o homem que seria capaz de o fazer consigo do outro lado, Isaac Rabin.

O problema deste tipo de figura é exactamente o que lhe está a acontecer agora, vai cair às mãos de uma doença, ou de outra coisa mais obscura, e não vai como ele tanto desejaria, deixar esta vida na sua terra. Sim porque Arafat não vai voltar, que Israel não deixa. Então a Palestina fica órfã, muito mais desamparada do que se pensa, e frágil num momento que era essencial não ficar.



Fique-se já a saber que não acredito por um momento na propaganda Israelita e Norte Americana que Arafat é um terrorista ou é responsável por qualquer recuo na resolução do conflito. Qualquer recuo da sua parte foi sempre justificado à frente de todos com argumentos claros e bastante compreensíveis, ao contrário dos recuos Israelitas que sempre que o fazem é para bombardear mais um país que já não se sustenta, a não ser alimentando-se daqueles que não deve, ou seja os terroristas! Que recrutam e se alimenta da desgraça que Israel faz cair sobre a Palestina.
Força Arafat safa-te desta, só mais uma vez!

MD

A Caixa em Greve

A Ana do Alice no Pa?s dos Matraquilhos, num texto muito estranho, estranho porque mostra a sua antiga posição sobre a greve. Mostra o porquê da sua greve na Caixa, leiam e entendam o porquê do meu texto anterior sobre a empatia. É porque a negação da greve qualquer greve é exactamente processar a empatia ao seu funcionamento mínimo. Hoje uma senhora no telejornal da SIC dizia que era reformada e que não entendia tantas greves, que sofria com isso mais do que já sobre. Pois minha senhora, não se queixou antes, não se queixa agora, deixe os outros tentarem não passar as dificuldades pelas quais a senhora passa, e talvez, quem sabe com algum esforço a sua situação não melhore também!

MD

Estamos contigo Sampaio! Daniel Sampaio entenda-se!

Daniel Sampaio vem hoje na Capital, neste texto, tentar inspirar as gerações mais novas a revoltarem-se contra o que se está a passar todos os dias, resultado de um desgoverno que a ninguém justifica, que a todos prejudica! Ao Daniel Sampaio eu digo – Andamos a tentar com toda a força! – Nós poucos! Aqui no Pastelinho é um protesto diário à situação em que nos encontramos, sem podermos fazer realmente nada acerca disto. Eu que estive nas manifestações à frente do palácio de Belém para que o outro Sampaio desse a voz ao povo e senti-me quase abandonado! É que realmente é difícil acordar uma geração, a minha e as mais novas, porque grande parte desta gente está adormecida, dormente, estupidificada. O pedido de revolta de Daniel Sampaio entende-se mas é quase uma impossibilidade, esta geração está quase domada... Grande parte das pessoas que conheço nem sequer estão ressenciadas, os que estão grande parte não vão votar! Quanto mais revoltarem-se contra a situação actual! Mas a esperança é a última a morrer não é?

MD

Notícias de blogues

Devemos ser o último blogue a falar sobre isto, mas acho que devemos. De facto não sei se é um caso de censura ou se a queixa tem razão de ser. Fazem-se acusações ao editor deste blogue, Do Portugal Profundo, que também têm razões de ser. Mas é abrirem o blogue e lerem por vocês próprios o que se passou, ou pelo menos a versão que ele conta, que estou inclinado para já em acreditar. Mas ponho o pé bem atrás para não me queimar, até porque nunca fui leitor desse blogue.

MD

quinta-feira, outubro 28, 2004

Surf e estado de espírito 2




Há qualquer coisa de estranhamente atraente nesta fotografia, alguém me sabe dizer o quê?

MD

Surf e estado de espírito



O post do PAS no ondas levanta um conflito, mas resolve-se facilmente, diz um estudo que sexo é mau para desportos violentos, mas bom para desportos onde é necessário estar relaxado. E nada melhor que fazer surf relaxado... E já agora relaxar um pouco depois do surf! E depois do jantar, ir dormir relaxado depois de termos relaxado antes do surf, e depois do surf, ir para a cama relaxado! Que tal?

MD

Mais razões?

Sampaio já tem mais que razões para fazer algo? Eu que sou um Sampaio-céptico acho que as desculpas que ele arranjará funcionarão sempre ao contrário do que é necessário fazer. Ultimamente até tem alertado para a importância que tem um presidente da república estar calado! CALADO! Será que alguém votaria nele se no projecto que tinha para ser Presidente ele dissesse que era importante muitas vezes estar calado? Eu realmente fui muito bem enganado! Mas coitadinho ele até teve que ficar com um prémio da monarquia para poder sobreviver às amarguras da vida de presidente! Coitadinho tem de estar caladinho e ainda anda com dificuldades económicas! Quando sair do palácio presidencial em Belém para onde irá? Caladinho e pobrezinho?

Hoje vieram mais duas notícias que suscitam interesse, não ao pobrezinho e caladinho, mas sim ao português preocupado em geral. A 1ª não sei bem ainda o que pensar. Se havia um jornal que já era mais ou menos controlado pelo governo, e que não era assim tão crítico era o diário de notícias. A substituição do director confirmou-se. Quem será o futuro do diário de notícias? Qual será o futuro do diário? Mas principalmente quais foram as razões da saída de Fernando Lima?
A segunda notícia é bem mais preocupante, então não é que a maioria chumbou a ida de Marcelo ao parlamento e uma investigação a sério sobre o caso em questão. É impressionante como esta maioria, que definitivamente já não traduz o mapa político português, consegue fazer sem que ninguém reaja! Já que o caladinho e pobrezinho continua caladinho e pobrezinho, e não me parece que vá mudar de estratégia, ou melhor, condição, tão cedo. É realmente uma vergonha o que se está a passar no órgão que é o pilar da nossa democracia, o parlamento. Guterres num momento de lucidez dizia que era perigoso uma maioria absoluta, lembrando-se da arrogância que foi os governos de Cavaco. O perigo continua isto porque a política para os parlamentares é um jogo clubístico, interessa muito mais ganhar que fazer bem. As conversações têm de ser mais sérias, sim! Mas os orçamentos e as medidas vitais têm de ser trabalhadas por dentro por vários partidos, e não sempre pelos mesmos. Esta situação actual é insustentável, porque este tipo de chumbos não acontecem de vez em quando, são pão nosso de cada dia.
Mais razões? Com certeza será esperar. Infelizmente.

MD

Empatia, a vertigem de um suicídio

Preparem-se os poucos resistentes que conseguem neste blogue ler os post’s longos e contemplativos, a minha doença de foro psicológico está agravar-se. Sinto-me todos os dias menos ligado com este país, com esta gente com quem falo e vivo... A estrutura montada que me obriga a identificar-me como patriota deixa-me mal cada dia que passa. Cada vez mais não gosto das pessoas que vejo todos os dias nos seus protagonismos doentios e nas suas guerras particulares. Eu realmente sou um cidadão do mundo, não entendo a nossa felicidade quando o Prestige deixou o crude uns escassos quilómetros daqui, nem com a clara ajuda divina me senti mais ou menos privilegiado. Porque é que falarmos ou sentirmo-nos Portugueses nos dá o direito de nos sentirmos mais ou menos felizes quando as desgraças não se abatem directamente sobre nós?
A globalização que tanto se confronta invade-nos de uma forma estranha, fazendo com que facilmente se sinta mais empatia por um povo do que por outro, por uma situação do que por outra. A empatia...
Numa rádio qualquer, uma emigrante nos EUA dizia – é preferível que mandem as bombas lá em cima das crianças deles, do que em cima das nossas! – assim justificando o apoio a Bush...

Porque será que Sampaio não vê, não quer ver, não se sente bem a ver uma direcção de um país que já não representa minimamente a geografia política deste país e que não passa de uma minoria a satisfazer as suas artimanhas e desejos sem o mínimo de justificação, já que podem passar sem ela. A estabilidade é outra anti-empatia falsa, podre incompreensível, estabilidade acima de sanidade mental! A doença mental neste país começa neste presidente mas não acabará nele...

A vertigem de uma depressão ou a picada de um esgotamento, é assim por onde este mundo se passeia, sempre que podemos ter mais sacrificamos ainda mais, sempre com a empatia no seu processamento mais reduzido. Um resíduo planificado, ou uma característica humana? É mau que se passe fome em Portugal, e os outros países? É mau que se faça um aborto, e as outras crianças, sem ninguém para lhes pegar? E a mãe que não tem maneira de o fazer, ou pior? E a democracia como valor único nem que seja para desculpar as asneiradas que tem feito durante toda a sua história! Os impostos devem sempre pesar naqueles onde não me encontro não é? Há sempre uma desculpa para justificar seja o que for, nem sequer é necessário ir muito longe, é a um toque do teclado, está tudo lá, bombas ataques terroristas execuções ideologias religiões desculpas governos eleições leis direito processo hierarquia censuras pornografia crime comunicação propaganda imagens sonhos dinheiro sucesso desgraça pobreza pena investigação jornalismo televisão anuncios comida carros motos e outros veículos mais radicais festas colares jóias big brothers talk shows fast food brain storm tempestades vulcões terramotos mortuárias hospitais clinicas de beleza seios cancros sida doenças sexualmente transmissíveis África Europa América Ásia Oceânia cova da moura o Zé e a Maria música teatro cinema pintura literatura azul preto branco vermelho Lenin Ieltsin Estaline Bush Kerry Kenedy Sampaio Soares João e Mário Marcelo contraditório incompetência Santana sistema estrutura extravagância um salto de um arranha céus que acabou de ser atingido por um avião cheio de radicais jesuítas judeus islâmicos Islão Palestina católicos budistas prisão exilo viagens turismo ilhas ondas surf indonésia Timor massacres cemitérios abandono recém nascidos partos túnel experiências de morte eminente dependência álcool drogas Shakespeare Fernando Pessoa ARTE beleza sentimento empatia vertigem doença mal estar depressão esgotamento suicídio estou cansado vou dormir e acordar daqui a dez anos e esperar que ainda esteja acordado...

MD

Ainda e Sempre: Dany, Le Rouge

danylerouge

"The Parliament, and the voters who elected us, won an important victory today. We stood up to pressure from Member States and rejected the unsuitable candidates that they wanted to dump into extremely important jobs in the Commission. Barroso was lucky to escape with his job. He very nearly paid the price of presuming to ignore the views repeatedly expressed after the Commission hearings in the Parliament. He must now win our confidence. A simple replacement of one woefully unsuitable candidate will not suffice. There are several problematic Commissioners-designate. Barroso knows this and he must take suitable action. Barroso's climbdown is testament to Parliament's autonomy from national governments and a growing sense of self-confidence that transcends political grouping. So today should present a lesson not only to the incoming Commission President, but also to EU governments. They will no longer be able dispatch unsuitable or incompetent individuals to Brussels and rely on party colleagues to streamroll through their approval. We need strong, skilful Commissioners, not people parachuted in from national governments.", Daniel Cohn-Bendit.

MCG

Agora sim!

Agora sim Vital Moreira fala de alguns dos problemas da democracia nos Estados Unidos da América!

MD

quarta-feira, outubro 27, 2004

Marcelo a partir a louça toda!

Os elementos já estão todos na mesa, Paes do Amaral pressionou Marcelo depois das declarações do ministro dos assuntos parlamentares, algo na conversa é unânime tem haver com a RTL, e o assunto RTL é sabido tem haver com o governo e a necessidade que a Media Capital tem do governo para resolver este assunto. Marcelo desconstruiu as declarações do presidente da TVI e explicou com clareza a sua saída dos comentários do domingo à noite. Artur Portela ainda está a tentar encontrar um elo entre Paes do Amaral e o governo. Mas Marcelo não vai dar esse passo, vai abater o governo, mas a ligação é difícil de fazer e Marcelo não vai cair no erro de hoje dizer seja o que for que não pode provar. Não vão haver falhas neste discurso. Este é provavelmente o momento mais alto de Marcelo Rebelo de Sousa.

“O exercício do poder de contraditório nunca esteve em causa nos meus comentários, (...), o problema é que muitas vezes para o fazerem têm de apresentar argumentos, quando o que têm é opiniões sobre este assunto ou aquele”

MD

Hoje é domingo?

Marcelo está a desconstruir Paes de Amaral, a desfazer o ministro dos assuntos parlamentares, e quem mais se atravessou no seu caminho. Nunca imaginei que ele estivesse tão chateado... A verdade é que ele não vai fazer presos! O que é estranho é que hoje não é domingo.

MD

As grandes análises demográficas

Filipe Moura do BDE veio na defesa de Vital Moreira da Causa Nossa, defendendo que não resolvi bem as criticas a Vital Moreira. Entenda-se que não quero defender o sistema maioritário usado nos EUA, este faz com que o voto se torne extremamente discrepante de ciclo para ciclo, fazendo com que em certos estados o voto valha mais que noutros. Mas isso também acontece nos sistemas de voto proporcional como o usado em Portugal. A escolha é pela estabilidade. Aparentemente o Filipe não entende bem que a posição do Presidente da república nos EUA é diferente do que a em Portugal, é que em Portugal não é necessário haver estruturas nacionais a vigiarem as políticas defendidas por Sampaio ou qualquer outro, já que este tem uma força limitadíssima. Nos EUA o Presidente tem duas estruturas em campo para supervisionarem as políticas do chefe de estado. O sistema é diferente, a escolha nas próximas eleições não é só entre os dois candidatos, é sobre um muito maior número de pessoas, senadores, comissários, listas de representantes de cada estado. A escolha do Presidente envolve muito mais que o nome à frente da eleição, é por isso que não concordo com as dúvidas sobre a democracia do sistema de voto. O problema nos EUA é muito mais grave que isso, é quase terceiro mundista, trata-se de a mesma a pessoa a votar em vários estados diferentes. Trata-se de impedir bairros inteiros de votar, e de haver graves problemas nas contagens de voto. Estes e mais outros são os problemas da votação nos Estados Unidos. Deixa-me lembrar-te que existe a possibilidade do primeiro ministro em Portugal se indigitado mesmo que o seu partido tenha sido menos votado que o outro e sem coligação nenhuma, basta que tenha mais deputados. Nasce um problema de democracia em Portugal ou um problema de proporcionalidade? Gostava que me respondesses a esta pergunta.

Quanto ao PCP o meu colega do blogue no outro dia relembrava-me que a reformulação da lei dos partidos políticos que foi feita à pouco tempo comportou duas leis principalmente, uma que impedia o voto sem ser secreto, muito estranho, porquê? Quem é que o fazia? Porque é que o voto com o braço levantado é menos democrático que o voto secreto dentro de um partido? E a outra lei que impede os partidos de ganhar determinado tipo de dinheiro, numa lei que se coloca apenas no quadro da Festa do Avante. Estas duas leis são não uma defesa da democracia mas pelo contrário a sua corrupção, já que visam apenas, através do parlamento, prejudicar um partido! Onde é que está o problema democrático aqui? Gostava que me respondesses a esta questão!

MD

Como é que se dá um grito de raiva na Internet?

É possível que tenha mais uma vez resolvido o meu problema de internet, é possível! Quem sabe? Eu não sei de certeza... Estou chateado, gostava de ter escrito muita coisa no blogue e não consegui, mas espero estar de volta... espero...

MD

terça-feira, outubro 26, 2004

O chumbo desejado?

A Comissão de Durão Barroso está prestes a ser chumbada pelo Parlamento Europeu. Aparentemente pensava-se que a mera indicação do Conselho Europeu seria suficiente. Esperava-se vassalagem em vez de democracia. Esperava-se que, por exemplo, esse viajante no tempo, da Inquisição para Bruxelas, Rocco Buttiglione fosse facilmente engolido pelos cordeirinhos do PE. Esperava-se, logo depois do dito personagem abrir a boca uma vez só e de todos terem percebido que as coisas podiam não ser assim tão fáceis, ao bom estilo do Pulp Fiction, uns phone calls to some friends resolvessem o problema. Esperavam o quê? O Mr.Wolf?
Alguém se enganou redondamente. E pelos vistos não fomos nós, europeus que votam e participam. Porque nós, europeus que votam e participam, só podemos estar contentes por ter, até ver - repito, até ver - um parlamento que parece estar presente e a cumprir. Um parlamento que foi democraticamente eleito, legitimado nas urnas, e que tem o dever de defender incondicionalmente os direitos e garantias de quem o elegeu.
Dizem que é arrufo de instituições. Eu prefiro acreditar que a Europa é capaz de funcionar bem melhor do que muitos pensam. Amanhã, a partir do meio-dia, espero não me desiludir. MCG

Censura parte 33 e 1/2

Via Puxa Palavra cheguei a este caso, mais um, de censura escandalosa no nosso país, mas de eco zero, até agora. Pudera, não há Marcelo, nem Gomes da Silva, nem Santana, nem crise à vista. Não há audiências com o Presidente e a Alta Autoridade para a Comunicação Social, que eu saiba, ainda não se pronunciou. Nínguem se indignou, até ver. Nem dos blogues, nem dos bloques. Nínguem. Nada. Zero.
Aliás, nada haverá mais senão um homem que ficou sem emprego por causa dum blogue. MCG

PS: Menti-vos. Há, como sempre, os nojentos pequenos poderes deste país.

sexta-feira, outubro 22, 2004

30 por uma Ilha

Eu, deprimido, a pensar que tinha quase 25 anos, fiquei mais descansado. Ainda bem que tenho 24. Obrigatório este texto genial do Pedro, no :Ilhas. Para todas as idades. MCG

A causa nossa, e as grandes análises democráticas!

Vital Moreira faz no seu Causa Nossa duas análises à democracia Norte Americana, e à democracia do PCP. A perspectiva? O seu ideal de democracia! Pois claro!
Primeiro põe em dúvida a democracia no sistema eleitoral dos Estados Unidos. E porquê? Porque escolheram para a eleição do presidente um sistema maioritário, que significa basicamente que num estado, todos os partidos que se submetem à eleição apenas o que ganha é que fica representado nos órgãos do estado. Ora essa escolha não é anti-democrática, não é sequer muito diferente do que se passa em Inglaterra, e se não me engano em França, na eleição para o Presidente. Este tipo de sistema maioritário é menos proporcional que os sistemas “proporcionais” como o que é usado em Portugal, mas trata-se apenas disso, da proporcionalidade, que mesmo no caso Português não está totalmente garantida! (Em certas condições o partido menos votado neste país poderia ficar com mais deputados). Este jogo democrático define-se na representação mais fiel do mapa político num órgão de representação, ou apenas, e essa é a escolha dos EUA e da Inglaterra, uma maior estabilidade política.
O problema da democracia nos Estados Unidos não é bem esse, é mais como Carter já tentou avisar por mais de uma vez, mexidas nas contagens de votos, fecho de círculos eleitorais inteiros porque se encontram em bairros habitados maioritariamente por negros e os negros são em grande maioria democratas, e outras manigâncias desse género. Mas neste caso a discussão está em aberto, é ou não um sistema mais ou menos democrático?

Já na sua análise ao PCP é os pés pelas mãos e as mãos pelos pés! Para já é impressionante como se tenta defender uma lei que foi feita propositadamente para estabilizar um partido! Todos os outros tinham voto secreto, menos o PCP! E então toca a fazer uma lei para mudar o partido! Eu não sou do PCP nem tenciono ser, o que é que eu tenho que meter a colher onde não sou chamado? Para que é que se tem de forçar uma entidade política a obedecer a padrões que não são os deles? Porque raio é que querem fazer do PCP um partido à imagem dos outros? É porque lhes dá jeito? É muito democrático este estado de espirito inquisidor sobre a vida do vizinho! É que realmente não há paciência!

Ps: Devo dizer que tenho um grande respeito e admiração por Vital Moreira, não esteve feliz hoje. Mas há dias e dias!

MD

Pragmático ou nem tanto...

Ontem a passar os olhos pelos blogues, para me actualizar da ausência forçada, dei com muitos blogues a regozijarem-se com a queda de Castro, o Barnabé, claro, foi praticamente o único blogue de esquerda a faze-lo, não por serem únicos, tenho a certeza que foi por outros não terem tido uma oportunidade. Quanto ao divertimento que a queda provocou, isso é para ser discutido com o Abrutpo. O que eu não entendo é a crítica a Fidel feita pelos vários anti-comunistas, porque reparem, esta é a única altura em que Daniel Oliveira se junta ao pessoal de extrema direita, AP e Afonsos Henriques, habituais comentadores daquele blogue, para cantarem em uníssimo e dizerem disparates sobre Fidel Castro e contra os malditos comunistas. Eu confesso fui ler mais blogues de direita para saber o que diziam da queda de Fidel, mas são todos tão chatos! Fico-me por Pereira e Oliveira.
A verdade é que a grande crítica é acusar Fidel de este estar a deixar Cuba num estado de violência e miséria! É aqui que começa a propaganda, em agentes como Pacheco Pereira e Daniel Oliveira, eles não têm absolutamente nenhum facto de violência, ou muito menos de miséria a apontar a Fidel, mas dizem-no de boca cheia, como defensores máximos dos direitos humanos. Há problemas, não posso negá-lo, mas é necessário ter em conta que Cuba é um país, que apesar de não parecer, está em estado de guerra. Têm um país que invasor e que tem dificultado o contacto com outros países há anos! Este mesmo país, os EUA, é responsável por centenas de ataques terroristas, e repito, ataques terroristas(!) àquela ilha! Os jornalistas que Cuba tem presos, são um problema para aquele regime, porque muitos deles estarão mal presos, é uma crítica válida. E sei que é difícil até para mim que sou contra a pena de morte, ou a perpétua, aceitar que Cuba pratique esse tipo situações. Mas temos de compreender que um país em estado de guerra tem de se defender de ataques que podem atrasá-lo irremediavelmente até a situações que todos os outros país naquela região atravessam.

É que a questão é pragmática, tal como na China não basta olhar apenas para o país, é necessário olhar para a área, os países vizinhos e as características demográficas da população. Cuba tem-se defendido de um destino de desgraça e miséria esse sim que descreve todos os outros países que habitam as Caraíbas, e que descreviam exactamente a mesma ilha antes da subida de Fidel ao poder. O grande erro desse líder político é o mesmo que Cunhal não cometeu, afastando-se a tempo. Mas a verdade é que isso não vai resultar em nada, porque a superioridade moral e muito ocidental de Pacheco Pereiras e Daniel Oliveiras, vão sempre apanhar qualquer coisa para defender a degradação das condições democráticas da ilha. O que Daniel e Pacheco queriam era Cuba a servir de petisco ignorante aos Estados Unidos, como mais um bordel nas Caraíbas, e por isso viva Fidel, fora Pacheco, fora Daniel!

MD

De volta depois do 4-2

Atingi perfeição “internética”! Frase muito à Parker Lewis mas que significa basicamente que estou de volta à edição de textos aqui no Pastelinho, após afastamento forçado. Interessante para quem acompanha a história, que tenha acontecido após a vitória de 4-2 do meu Benfica sobre o Heereveen (não sei como se escreve, mas não faz mal). Não deixa de ser interessante, para aqueles que desconfiam das minhas teorias da conspiração! :)

MD

quinta-feira, outubro 21, 2004

Mais Moore

moorejleno

Ontem vi Michael Moore no Tonight Show do Jay Leno e para não variar, mais uma série de factos sobre a dirty war dos republicanos foram desmascarados, em público, para quem quis ver e ouvir. A história é rocambolesca, vale a pena ser contada, ainda que em traços gerais.
Michael Moore tinha um contrato assinado com uma empresa de pay-per-view para que, na noite antes das eleições o seu filme Fahrenheit 9/11 fosse exibido.
Entretanto, a Sinclair Broadcasting prepara-se para exibir, na mesma noite, um filme anti-Kerry, em sistema aberto, em várias televisões, ou seja, nínguem tem que pagar para o ver, o acesso é livre.
A verdade é que no dia 14 deste mês, véspera do programa ontem exibido, Moore foi informado que o seu contrado com a empresa de pay-per-view estava cancelado. Segundo Moore, a FCC, a entidade que regula os media e a televisão nos EUA (obrigado eskimo) teria forçado a empresa de pay-per-view a cancelar o contrato. Os motivos? Parece tudo demasiado óbvio.
Estranho é que na mesma noite, o filme anti-Kerry vá passar, em sinal aberto, para quem quiser ver, enquanto que a FCC, que declara entretanto a sua isenção, fez pressão para que um filme que só seria visto por quem quisesse ou pudesse, não fosse exibido.
Mas Michael Moore volta à carga e, perante os factos, oferece o seu filme, à dita Sinclair Broadcasting para que seja exibido, para que todos os americanos possam ter a possibilidade de ver o documentário, do mesmo modo que irão ver o filme anti-Kerry.
Os resultados práticos até ver são dois e as conclusões a tirar são por demais óbvias:
- A Sinclair Broadcasting, responsável pela exibição do filme anti-Kerry já ganhou um contrato militar
- Michael Moore vai distribuir o seu filme gratuitamente pelos vídeo-clubes norte-americanos (antes das eleições)
Afinal de contas, quem tem medo de Michael Moore?

MCG

PS: Post actualizado em 22 de Outubro. A minha internet voltou a colaborar, aí estão os links.

Email

O nosso email está de novo activo. Um muito obrigado à Carolina que nos chamou a atenção para o problema agora resolvido.

Saltou à vista

O ministro da Admistração Interna disse que desconhecia por completo o uso de gás pimenta na repressão à manifestação dos estudantes de Coimbra. Já sei que ele não tem nada haver com a Polícia, mas o uso desse gás foi tão óbvio nas imagens que todos vimos, que, apetece dizer, devia ter saltado à vista do sr. ministro. Não?
MCG

A polícia, essa organização anarquista

O ministro da Admistração Interna diz que os incidentes de ontem, em Coimbra, quando os estudantes tentavam impedir a afixação do valor das propinas e foram violentamente impedidos por elementos da PSP é um caso que diz "respeito à polícia". MCG

Ildo Lobo

Eu se calhar podia escrever um pouco mais do que aquilo que vou escrever, mas realmente, estou muito triste com mais uma morte, neste ano absurdamente trágico. A verdade é que me faltam palavras. Morreu Ildo Lobo, músico cabo-verdiano.
Vi-o algumas vezes ao vivo, a primeira das quais em Alvalade, no concerto dos Filhos da Madrugada, com os míticos Tubarões. A segunda, em Cabo Verde, quando me cruzei com ele no Aeroporto da Praia e fui falar com ele, recordando esse concerto, que para mim, na época, tinha sido uma grande aventura. Pedi-lhe o único autógrafo que pedi na vida, guardado religiosamente até hoje, com uma dedicatória num qualquer papel dos TACV. E, acreditem, já muita gente que admiro me passou à frente. E, acreditem, essa história dos autógrafos sempre me repudiou um pouco.
Mas confesso, Cabo Verde e os cabo-verdianos subverterem todas as minhas lógicas, todas as minhas crenças, todos os meus pequenos nadas. E Ildo Lobo é um símbolo da música e da cultura cabo-verdiana. Dos cabo-verdianos e de Cabo Verde.
Vivi intensamente os sons, o ritmo e as palavras daquela terra, porque, acreditem, aquela terra canta, dança e toca. E Ildo Lobo foi quem descobri primeiro. Depois vieram Cesária Évora, Travadinha e Bau, e que previlégio que tive de os descobrir e devorar. Haveria muito mais a dizer.
Obrigado Ildo Lobo. Cabo Verde chora. Nós também.

MCG

terça-feira, outubro 19, 2004

Uma última palavra

Tenho desde domingo um post sobre os acontecimentos pós-Benfica vs FC Porto para colocar no blogue, mas realmente estou farto de patrocinar dirigentes com discurso à porteira, por isso, o post vai para o lixo. Estou farto. A partir de agora, quando me apetecer, falarei única e exclusivamente sobre aquilo que gosto no Benfica. O futebol.
Não quero saber da "namorada", da "esposa", do "champanhe" ou das "uniões de facto". Eles que fiquem todos com a casa, com o carro e com as jóias. Não me interessa.
As obscuras aves raras são dignas da revista Maria, não do Pastelinho.
E, no final de tudo, continuamos à frente. O resto é conversa.

MCG

Coincidências?

É a minha sina, desde sempre até ao final dos meus dias, hei de ter problemas com a internet. Quando voltei de férias este agosto passado o Benfica teve uma série de resultados maus, perdeu contra o Porto, perdeu contra a Anderletch, foi um desgraça! Quando cheguei a casa no entanto, não tinha internet, na altura não liguei muito ao caso, mas acontece que estou a editar este texto aqui no Pastelinho directamente de casa da minha namorada, já que logo após a minha chegada do Estádio da Luz após o jogo, estava sem internet! Estas coincidências são muito estranhas, mas reparei que no dia do empate com o Braga foi difícil entrar. Será que a Sapo anda a castigar o pessoal pelas derrotas do Benfica? MEUS! Eu sou do Benfica não preciso de ser castigado mais que uma vez! E no último jogo em causa até foram mais! Espero que a minha internet volte rápido para eu fazer pots em condições, já que queria falar nas eleições regionais, e noutros temas importantes. Ao menos o meu colega já abrangeu aqui o tema “Capital” que é importante, porque é o primeiro jornal em Portugal a tomar uma posição deste tipo, para mim não é grande espanto, porque quem lê este jornal sabe que é o único jornal de esquerda neste país.
Miguel Bordalo Dias

Bush: NÃO!

Na impossibilidade de fazer um link directo para o editorial de hoje da Capital, que eu considero, para além de uma tomada de posição corajosa nos dias em que vivemos no nosso país, um marco na história do jornalismo português, transcrevo-o na íntegra.

"No admirável Apanha-me se puderes, penúltimo filme de Steven Spielberg, há uma luz que parece poder irromper e destruir a qualquer momento o jogo de aparências em que vivem todos os personagens. Há um rapaz que engana toda a gente, mas que acredita em tudo o que seu pai lhe diz; há um pai que tenta enganar toda a gente, mas que apenas consegue ser ouvido e aceite pelo filho e há um polícia que acredita nos seus códigos morais, e nos códigos morais da América, mas que percebemos ser escravo do seu próprio esquema mental. Depois, há um país esboçado a compasso, como se nessa geometria de enganos e conservadorismo de aparência, estivesse desenhado os Estados Unidos de George W.Bush e dos neoconservadores, então bastante influentes na política da Casa Branca. A todo o momento, coisa que também foi perceptível em Longe do Paraíso, do excepcional realizador Todd Haynes, pensei que a luz, que ameaçava romper com todo o equilíbrio precário da acção, poderia esmagar o cenário e a teia de falsas ilusões de que se alimentaram os personagens dessa América conservadora. Normalmente, a realidade é muito mais imaginosa do que qualquer ficção, mas por um momento a forma como Spilberg ou Haynes compuseram a sua direcção de fotografia disse tudo sobre aquilo que está em jogo na terrível política de George W.Bush. Um discurso de aparência - alicerçado numa moral conservadora próxima dos valores que John Wayne soube corporizar nos filmes de Ford ou Hawkes -, uma política externa virada e sustentada no belicismo, uma economia que defende os grandes grupos económicos e lobbies de influência em prejuízo dos mais desprotegidos e, também, uma cegueira totalitária e a defesa de uma cultura que coloca em causa os princípios básicos de que se sustenta a nossa civilização. Tudo isso embrulhado numa moral de aparências, uma moral incompatível com a luz que está presa nas paredes desse cenário de opereta. Os americanos terão de escolher entre dois homens. Por um lado, Bush. Por outro, John Kerry. Devem escolher entre alguém que acredita que o uso da força é a obrigação de quem manda e paga a maioria das facturas, ou quem acha que a melhor forma de domínio é aquele que não é declarado e preserva os equilíbrios de poder estratégicos que lhe permitam assegurar um futuro menos sombrio e ameaçador. A luta contra o terrorismo foi o principal e único motor no primeiro mandato de Bush. Um primeiro mandato também marcado pela polémica guerra no Iraque, pelas torturas de presos em Guantanamo e Abu Ghraib, pelo poder dos falcões da guerra e pelo discurso arrogante em relação à Europa e messiânico em relação ao mundo. Por tudo isto, A Capital assume a defesa clara de um ponto de vista e separa as águas editorialmente. Estamos plenamente convencidos que para o mundo é fundamental que Bush perca as próximas eleições americanas. Se as ganhar, empurrado pela sua base social de apoio, continuará a fazer a guerra e a sustentar os barões do grande negócio do petróleo. Não assumimos esta posição enquanto opção de direita ou esquerda, mas sim enquanto europeus que acreditam num mundo mais tolerante, mais democrático e menos perigoso". Luís Osório, in A Capital


MCG

A vida é injusta

O my moleskine acabou. Da raiva pós-derby passei à tristeza. Este tempo...e o my moleskine acabou.

MCG

segunda-feira, outubro 18, 2004

É mais bolos

"Não sou expert de arbitragem", Jorge Nuno Pinto da Costa

MCG

domingo, outubro 17, 2004

A noite promete

Na SIC Notícias, depois de Rui Oliveira e Costa vem aí Rui Santos. Alguém me traga um kompensan. Se faz favor.

MCG

Os 3 amigos

ostresamigos

Afinal não, não houve batatada na sala de imprensa do Estádio da Luz.

MCG

PS: Quem adivinhar quem são os três amigos ganha um bilhete só de ida para a Madeira.

Última hora

Espera-se batatada na sala de imprensa do Estádio da Luz a qualquer momento.

MCG

You can fool some people sometimes, but you can't fool all the people all the time

ladrao


MCG

sexta-feira, outubro 15, 2004

Se faz favor

A nossa caixa de correio electrónico anda a queixar-se de solidão extrema e tememos mesmo que entre em depressão brevemente. Repetimos: invadam-nos com protestos, insultos ou queixas. Mandem as vossas sugestões, ideias, críticas, pensamentos, rascunhos, tudo e mais alguma coisa, sobre tudo e mais um bocadinho. Façam um ou vários textos, estamos abertos à vossa participação, que se deseja e recomenda para o funcionamento pleno deste espaço.


PS: Já agora, são chamados à recepção Francisco Castor e Miguel Teixeira.

Aí os meus bilhetes

Lá está sempre a mesma história, parece um circulo vicioso que teima em piorar, dando voltas e voltas cada vez mais rápido! Comprei o meu bilhete para ir ao estádio da Luz ver o meu Benfica jogar, como aliás faço quase todos os fins de semana em que lá há jogo. Afastei-me destas polémicas todas que me entristecem e que nada têm que ver com o futebol, com o jogo que falava no outro dia. Única coisa que me preocupo: quem é que joga melhor, quem é que se esforça, quem é que marca mais golos para no fim fazer as contas de quem ganhou, esperando que hajam golos. O resto é lama! Agora estão a ameaçar não fazer o jogo no domingo. E lá me obrigam a preocupar-me com outras coisas! A ver vamos o que é que se vai passar com os meus bilhetes...

MD

História de amor

Ele ama o país. E tem o esmagador apoio da maioria dos portugueses.
Estou agora convencido, é uma história de amor não correspondido, quando Santana se aperceber disto com certeza que se vai embora! Não?

Miguel Dias

Os participantes

O pastelinho logo que nasceu contou com grandes participações nos comentários, autênticas discussões, agora apagadas para memórias (informáticas) que me são desconhecidas. Neste momento a participação não é tão grande, mas estas coisas são de altos e baixos, é necessário aguentar, mas também, descobri ontem que saímos na Capital, jornal que costumo ler, mas que devo ter perdido os dois números que necessitava para ver o Pastelinho nessa publicação, agradeço com orgulho essa chamada de atenção por parte da publicação cada vez mais interessante e com cada vez mais qualidade.
Mas a cera ainda não acabou e preciso de engraxar duas pessoas que têm andado a participar com frequência neste blogue. Primeiro MFC, siglas que infelizmente não sei o respectivo nome, mas que é um escritor de uma velocidade e de uma voracidade infernal com um blogue que vale a pena ler, já está linkado e chama-se Pé de meia. A outra pessoa é a eskimo, blogue com o mesmo nome, frequente participadora nos últimos tempo que recentemente criou o seu blogue, que tive o prazer de comentar, e quem sabe, o pastelinho é o seu primeiro link, gostava de pensar que estamos a patrocinar algo novo e com futuro. Um obrigado a todos pelas participações, e pela leitura assídua do blogue para os mais envergonhados que é também essencial.

Ps: aqui vai um link para um amigo do meu pai que queria ver a opinião de Miguel Sousa Tavares. Espero que resulte.

Miguel Dias

O inevitável

Se não me engano é a primeira vez que se fala neste blogue do pior programa de todos os tempos na televisão, no último post do meu caro colega. Estava a evitar falar sobre isso, queria ignorar o dito cujo. Mas é inevitável ignorar esta demonstração popular que faz deste programa um sucesso, porquê então?
Num post chamado “o podre intelectual” já tinha descrito esta classe à parte que é uma invenção dos anos 90, uma classe de gente que funciona numa espécie de um sistema de pirâmide parasitária. Muitos deles estão na quinta das Celebridades. Eu ainda não vi, mas aqui vos prometo, que como quase Sociólogo que sou, vou ver um programa inteiro, apesar de ter ainda de descobrir qual é o dia do programa principal, que alguém me vai ter de dizer, já que estou a boicotar a TVI. E porque é que eu posso dizer que este é o pior programa de sempre na televisão portuguesa sem o ver, pelo que o caracteriza, o seu princípio de enfiar uma dúzia de pessoas numa casa, gente parasitária sem interesse nenhum, e fazer daquilo um evento. Tornar algo banal num grupo disfuncional com excesso de protagonismo. Não se trata somente de facilitar um voyerismo barato, trata-se que realmente não há substância nenhuma neste tipo de programa, e quem o vê patrocina esta pirâmide parasitária que vive dela própria sem realmente atingir nada, expecto a queda uns dos outros, ou a sua respectiva emergência.

Miguel Dias

quinta-feira, outubro 14, 2004

Uma quinta que se chama Portugal

Nestes tempos em que se discute, ou melhor, constata o estado do controlo da informação em Portugal, ou o Estado que controla a informação em Portugal através de estranhas ligações tornadas em inaceitáveis pressões -estou a falar, obviamente, do caso Marcelo- nada como falar também no poder da imagem, que está associado à tal informação, ou desinformação. Porque a informação que conta, é a da televisão. A imagem. A imagem, usada e abusada, descontextualizada, moldada à medida do que se pretende, vale e impera sob todas as verdades ou inverdades até então sabidas e tidas como certas. E a contrução, ou descontrução da imagem, é mais um meio de exercício desse tal controlo da informação, a televisiva, aquela que cria e destrói mitos num instante.
E sobre a dita Quinta das Celebridades, o tal programa que nínguem vê mas por acaso está a fazer zapping e lá vê qualquer coisita ou que as pessoas vêm uma vez, só mesmo para formar opinião há qualquer coisa de mais grave que eu vislumbro para além dum pormenor que nalguns blogues tem vindo a ser discutido sobre o que é ou não ser bicha, ou quem é e o que é, afinal isso das bichas. Isso são pormenores.
Porque quando temos um presidente de câmara e futuro candidato a outro munícipio e membro do senado dum dos partidos da coligação governamental, que está envolvido até ao pescoço em imbróglios judiciais e que desde sempre manifestou uma conduta absolutamente primitiva no exercício das suas funções, mostrando um desprezo absoluto e absurdo pela nossa democracia, a lavar e a limpar a sua imagem, todos os dias, branqueando um passado suspeito e duvidoso, temos que abrir os olhos.
É que na televisão, o "Presidente" surge como o português típico, o homem que subiu a pulso, aparentemente humilde, aparentemente generoso, um bocado descontrolado por vezes, mas afinal, não o somos todos? É um português normal, um macho do norte, diz palavrões, porra, mas eu também digo. Um gajo porreiro.
Pois é, esta é a imagem. Este é a verdade de hoje. A de ontem já não existe.
Eu não me preocupa que Avelino Ferreira Torres esteja a participar num programa de televisão, sendo presidente, candidato ou membro do senado do Partido Popular. Isso, sinceramente, pouco me importa e só fica bem a quem o merece, ao Marco, a Amarante e ao Partido Popular.
O que me incomoda, é que tudo o que este homem fez ontem, hoje, para grande parte do nosso país, já não existe. Ele hoje é tão somente o "Presidente".

MCG

A loucura da religião

Hoje em dia o mundo é um reboliço, o meu país é um caos, com dirigentes tentaculares e perigosos, ao contrário do que se quer fazer querer, que eles são tolos. Não. Subestimar um adversário político como este é cometer o mesmo erro que João Soares cometeu na câmara municipal de Lisboa, e o preço a pagar por isso será muito maior.

Neste momento estou a assistir a um debate que não me devia dizer quase nada. O interesse devia ser puramente cientifico, numa área de estudo que estou integrado, ciências políticas. Mas não, torna-se essencial ver Bush e Kerry, porquê? Não tenho a certeza. A diferença entre os dois, tenho de admitir, tornou-se maior nos debates. Ainda assim, o futuro está muito escuro. Neste momento do debate, agora mesmo, estão os dois a concordar com citações da bíblia e a dizer que a liberdade é uma oferta do “All Mighty” (o todo poderoso), a liberdade!

E nem por acaso era aqui que eu queria chegar. Hoje ao ler um dos espaços obrigatórios do dia, o Blogue de Esquerda, li um post sobre o santuário de Fátima. O post alertava para um movimento anti-ecuménico que anda a aumentar o protagonismo a todas as custas. No meu comentário ao post disse que era ateu, disse-o eu, não os autores do BdE. Uma outra resposta a este post, misturou o meu comentário e o texto do BdE e preocupou-me, porque na realidade é algo que começa a ser repetitivo no discurso de todos os dias de alguns portugueses, e um discurso que começa a ganhar apoios em Portugal e na Europa:

“Vocês, afectos ao Bloco de extrema-esquerda, têm cá uma mania de se meter em tudo, caraças!!!Para que opinam sobre religião se são ateus?!Deixem a Igreja em paz!
Que eu saiba, Portugal é, e sempre foi um país de religião Católica. Quem não quiser ser praticante ou sequer católico, muito bem. Faça o que entender. Pode muito bem ser "ateu praticante". Até aí tudo certo.Mas... outras religiões? Porque carga de água?!Temos que ser invadidos por tudo quanto é lado? Até na religião?! Só faltava!...
Além disso, para que se preocupam cinicamente com "censura" a outras religiões??? Se fosse o vosso bem-amado Trotsky, que eu saiba, limpava-as todas...”

Primeiro apetecia-me ter respondido, que se a igreja não se metesse na vida dos ateus, não me importava de deixar a igreja em paz. Mas a verdade é que há tantos problemas maiores neste comentário, tantos problemas que têm a ver com racismos religiosos, que provavelmente são a razão do problema do terrorismo estar a piorar por todo o mundo. Não que seja culpa de uma religião em especifico, mas do choque religioso, que se torna num choque cultural dificilmente ultrapassavel. Mas tenho de escrever mais sobre isto noutro dia, sem ser às 4 da manha depois de ver o debate do Kerry e do Bush. Que o Kerry provavelmente ganhou outra vez.

Miguel Bordalo Dias

E PRONTO!

Já estamos todos contentes. Ou quase todos, porque aqueles que querem o Baía na selecção não viram com bons olhos este resultado. Mas o que é que nós outros queremos saber disso?
Para mim futebol é um jogo muito bonito, que requer técnica e esforço, tem momentos defenitivamente geométricos, outros linearmente inspiradores, alturas apaixonantes, e outros tristes. No final o que interessa é a busca do prazer no jogo.
É claro que fiquei muito contente com esta vitória, mas não fiquei nada triste com o empate, e, se no futuro, infelizmente vierem mais empates, ou até derrotas, as contas fazem-se no final. O que interessa é o jogo! O jogo pelo jogo!
E hoje! Houve jogo!



Miguel Bordalo Dias

quarta-feira, outubro 13, 2004

E hoje?



Vamos ser o 8 ou o 80?
Vamos ser bestiais ou bestas?



Pessoal! É só um jogo!

MD

Porquê do discurso do Santana?

O meu pequeno comentário tem por objectivo compreender o objectivo de um discurso num determinado momento, numa determinada situação, e tendo em conta o “autor” do discurso.
Numa altura em que o governo está em baixa, um discurso como estes não vai funcionar em relação aos críticos. Então, numa situação tão deteriorada como esta, o que é que se pretende? Talvez trazer de volta aqueles apoiantes que perderam o ânimo nestas últimas broncas? E pensem bem, acham que para esses é necessário mais do que aquilo? Para quem quer acreditar, aquele discurso que caminhava entre o nada e o impossível não se transforma numa força para aqueles que querem acreditar no futuro desta coligação?
Entretanto Sócrates que prometeu uma luta mais cerrada e uma oposição mais implacável vai continuando numa inércia preocupante.

MD

terça-feira, outubro 12, 2004

Estas conquistas de abril...

Que andam a preverter a europa!

MD

O censor

Na altura nínguem falou deste grave caso de censura protagonizado por Pedro Santana Lopes, senão o Miguel aqui no Pastelinho. A verdade é que se um Presidente de Câmara incomoda muita gente, um Primeiro-Ministro incomoda muito mais.
Nós desde sempre nos sentimos incomodados com este personagem. E, felizmente, temos a consciência tranquila que nada, nunca, alguma vez, fizemos para pactuar com qualquer tipo de comportamento desta obscenidade que agora é o nosso primeiro-ministro, pelo contrário, sempre o combatemos na medida do possível. Mas, digo eu, haverá por aí muito boa gente envergonhada, entre pactos e factos, pelas opções tomados em relação a Santana Lopes. Mesmo a esses eu digo, neste momento, só há um caminho, que é o do fortíssimo combate político (não confudir com combate partidário) e de uma estrondosa participação cívica (não confundir com eleições).
Este homem é uma censura à democracia, vamos correr com ele.

MCG

Mais um!

De todos os debates televisivos de futebol não me lembro de nenhum que eu goste dos seus comentadores, posso até gostar de um, mas depois não gosto dos outros. Normalmente para o Sporting escolhe-se um qualquer monárquico, que normalmente não entende nada de futebol, para o Benfica escolhe-se sempre um tipo nervoso, um pouco ressabiado, mas definitivamente saudosista, já para o Porto (FCP, entenda-se) é normalmente um tipo histérico, bajulador do Pinto da Costa, arrogante, mas que até entende de futebol só quando está a falar do Porto em condições favoráveis. No “Dia Seguinte” tirando o Fernando Seara, que não foge ao estereotipo, os outros dois saem completamente, ou quase, do estereotipo utilizado nos debates do tipo. Por incrível que pareça, o tipo mais equilibrado, que sabe do que está a falar, e trata as coisas pelo nome (com o desconto de se estar a falar de futebol) é o José Guilherme Aguiar adepto do Porto, e único comentador desse clube que se tornou agradável de ouvir. Já Dias Ferreira é um personagem a ter em conta! É uma mistura de um provocador com um doente de alzheiasDaCunha. Não sou grande fã do tipo (género), mas acho piada ao debate, SCP carrancudo, SLB ao saltitos, e FCP com um riso irónico.

Hoje Dias Ferreira falou do caso Marcelo! Porque ele também, no tempo que comentava um programa da SIC, foi calado, ou empurrado, porque a direcção do Sporting não gostava dos seus comentários. Foi empurrado para fora do programa! E quem? QUEM era o presidente do Sporting na altura? Pois é era esse mesmo, Santana! Ora naquele momento até simpatizei com Dias Ferreira, mas passa-me no próximo programa.

Ps: Está aqui o Link para o blogue do Dia Seguinte, descobri quando fazia o post, divirtam-se.

MD

segunda-feira, outubro 11, 2004

Eu também conto contigo Santana

Põe-te na rua.

MCG

Rebuçados

Quando eu andava no 9º ano, fizemos uma lista para a Associação de Estudantes. Atirávamos rebuçados aos putos e chegámos a prometer um concerto de Abrunhosa, em desespero de causa. Dez anos depois, é bom ver que alguém esteve atento a essa táctica.

MCG

Pornográfico

Não resisti, continuei a vê-lo. Há-que apreciar o esforço, ele está a tentar ler qualquer coisa.

MCG

Conversas em família - classe B

Dois minutos e já não me apetece ver mais.

MCG

A ver se sai de lá de vez

Os Barnabés, como se costuma dizer, quando falham, falham, mas quando acertam, acertam! Hoje Celso Martins chama a atenção para uma crónica dura, como começa a ser habitual nos jornais deste país, expecto talvez no Diário de Notícias, a crónica de Eduardo Cintra Torres. É imprescindível lê-la, e reforçar a ideia que homens como este não têm grande prazo de validade para escrever em jornais neste país, na maneira como este país está a andar, e é de reparar os seus dois últimos parágrafos para percebermos que a alternativa não trará lá muitas
diferenças...

MD

Hoje Santana fala

Até já estou com medo... mas acho que mais medo... vão ter os seus ministros.

MD

É o caos! Ou questões pontuais?

A ministra da educação recusa-se a aceitar que o inicio das aulas ainda é caótico, e que os concursos têm milhares de erros! Há escolas que ainda não abriram, professores mal colocados, sindicatos indignados, país com a cabeça perdida, directores das escolas incrédulos, e principalmente incapacitados. E a ministra? Depois das risotas, e ligeiras ironias, diz que são problemas de mortes e doenças dos professores... Ò senhora ministra?!? Então neste ano os professores andam a morrer mais que nos outros? Então será que o sistema de saúde no ministério da educação está a falar, ou é totalmente inexistente? Ou isso é um ataque directo ao ministério de Saúde? Eu até entendo a lógica da situação, a senhora ministra fez os pobres dos professores passar por tanto que lhes está a dar a todos a badaleca!

MD

Um recado de amor

O dia ainda não acabou... e sem ti estica-se penosamente... até amanhã. E se eu tiver muita sorte... sonho contigo acordado e penso que estás mesmo ao meu lado.
Parabéns.

MD

sábado, outubro 09, 2004

A nova oposição

Hoje abri o público on-line e fiquei espantado! Duas notícias preocupantes uma sobre Santana e outra sobre Sócrates. Na de Santana o jornal defende que o próprio se dirigiu ao conselho nacional e assumiu que queria intervir na comunicação social. Na de Sócrates, e perante estes desenvolvimentos todos, este pede um pedido de desculpas do primeiro ministro... UM PEDIDO DE DESCULPAS!!!! Mas que RAIO de oposição é essa! Então após uma censura pede-se um pedido de desculpas!?! Vai bem este país vai, e o futuro advinha-se risonho!

MD

Bush versus Kerry, finalmente...

O debate de ontem, apesar do estilo um pouco sencionalista já foi um pouco melhor que o último, Kerry ganhou sem dúvidas nenhumas, isto porque não foi submisso, não teve dúvidas, Bush esteve sempre na defensiva, mal teve tempo para atacar o adversário.
Kerry esteve realmente superior, vê-se que tem mais facilidade em falar, enquanto Bush tem bastantes dificuldades em articular uma frase decentemente! Kerry é muito mais inteligente e isso nota-se no debate que muitas vezes se tornava em momentos constrangedores que Bush só conseguia resolver a rir-se. Apesar dos defeitos de que falei do último debate se manterem, desta vez Kerry, avisado, não deixou que Bush fizesse aquela campanha, bem eficaz, das mensagens repetitivas que se tornam quase mensagens subliminares, que um povo americano, mal preparado na sua maioria, engole facilmente.
É porque não nos enganemos, aquele país é grande, é enorme, porque a educação que eles estruturaram é eficaz em criar gente muito eficiente, mas não necessariamente inteligente. A elite intelectual nos Estados Unidos está nas universidades, a fazer investigação, ou arte. (Há um filme com Antony Hopkins, que surpreendentemente tenta explicar essa diferença “The edge” ou “No Limite”). A grande massa da população é simplesmente ignorante, é a única razão pela qual Bush pode ganhar as eleições, por isso ou por aquilo que nós aqui já avisamos, que há problemas democráticos nos Estados Unidos, para os quais o próprio James Carter já tentou alertar.

MD

sexta-feira, outubro 08, 2004

O nobel da paz 2004



É da minha convicção que os prémio nobel está totalmente refém de decisões dos EUA, mas talvez esteja enganado.
Hoje uma mulher ganhou o prémio nobel, e foi muito importante este prémio, Wangari Maathai é uma ecologista, e este prémio nobel reconhece a importância do ambiente para o futuro mundial, para a paz e para a prosperidade. Wangari é a personificaçao disso. Um nobel para o ambiente é muito positivo.

MD

Marcelo o jogo político

Ontem li três jornais, li o Público, a Capital e o Diário de Notícias, o último foi o que menos falou sobre o assunto Marcelo, mas todos vinham com textos interessantes, normalmente atacando o governo pela atitude, já comprovadissima nos bastidores, neste caso Marcelo. Mas a capital pelo seu director Luís Osório faz no seu editorial um exercício interessante sobre as jogadas políticas que podem estar por trás deste caso todo, Luís Osório defende que existe a possibilidade de Santana estar a querer sair, Sampaio via-se obrigado a dissolver a Assembleia da República e Santana encontrava-se onde se sente mais confortável, no papel de vítima. Osório defende que Sampaio já perdeu a batalha política, o jogo de poker já está irremediavelmente perdido, e eu concordo, e pede ao presidente para não fazer o favor a Santana, porque arriscamo-nos a pior sorte. É certo que provavelmente Osório resolve o problema político, mas não resolve o problema nacional. É que não se enganem! Este país não aguenta seis meses deste governo! Ao contrário deste blogue.

MD

quinta-feira, outubro 07, 2004

6 Meses

O Pastelinho é escrito por gajos porreiros. Raivosos, por vezes - que o diga o Daniel Oliveira - mas porreiros. Este blogue também nasceu num dia porreiro, há seis meses, entre uma surfada e uma churrascada, algures na Ericeira.
"Epá, é hoje, é agora, vamos fazer um blogue". O nosso blogue. Porque era inevitável que eu e o Miguel fizessemos um blogue, desde que percebemos o que era isto da blogosfera. As causas já as tinhamos, a motivação era mais que muita, o contexto exigia. Faltava o momento, a ideia, o clique, o nome, o projecto. Com pés, sobretudo, mas com alguma cabeça. Tinha que ser. Havia algo de muito importante a homeangear, os 30 anos da Revolução de Abril e nós não podíamos ficar quietos. Tinhamos, sobretudo, que tentar.
Entre o vandalismo puro e uma coisa minimamente credível escolhemos a segunda. Sublinho, escolhemos, porque a nossa tendência natural para a desordem está sempre lá, há espera do mínimo pretexto para se manifestar.
E nós, que para além de sermos uns gajos porreiros somos genuinamente boas pessoas - ou o género de tótós que quando está a demorar muito tempo no Multibanco se incomoda e dá lugar aos que estão atrás na fila - pensamos e escrevemos no momento aquilo que nos vai na alma. Pensamos pouco nas consequências do que escrevemos e por vezes - não é raro falarmos nisso- até temos vergonha de ser tão brutos para com certas pessoas (precisamente quando nos lembramos que os bloggers são pessoas, ou como diria Nuno Gomes, os jogadores também são humanos como as pessoas).
Temos a vantagem de não ter compromisso com nenhuma entidade superior e de não queremos agradar a nínguem em especial. Nem a partidos, nem a instituições, nem a pessoas. Somos genuínos e é isso que gosto no Pastelinho. Para o bem e para o mal.
Continuando a história, houve um momento em particular que alterou a história do Pastelinho. Porque, em vez de estarmos aqui a escrever um para o outro e para mais uma dúzia de pessoas, passamos a ser lidos por mais gente. Muito mais. Foi numa altura de coincidências, em que eu e o meu companheiro de Ondas Pedro Adão e Silva chegámos à conclusão que tínhamos andando na mesma escola ( e escola aqui à altamente redutor, basta ver o tópico deste blogue), o grande Fernão Mendes Pinto, embora em alturas diferentes. E o Pedro escreveu um extraordinário post no País Relativo em que deu a conhecer o nosso Pastelinho.
Crescemos, alargamos, inevitavelmente, o nosso leque de autores, passámos a ser mais lidos (pelo menos muito mais do que as nossas expectativas), enfim, o projecto consolidou-se e superou tudo aquilo que tínhamos imaginado.
Continua a ser um prazer fazer o Pastelinho.
Queria agradecer a todos os que nos têm visitado, sobretudo aqueles que nos têm acompanhado desde o começo, a todos aqueles que nos têm linkado, a quem nos linka por gosto e não por etiqueta e a quem também faz o Pastelinho acontecer, ou seja, as pessoas que aqui deixam o seu comentário, opinião, elogio, crítica, insulto, participando por estas bandas sempre que possível.
Pela minha parte, obrigado, a todos.

MCG



quarta-feira, outubro 06, 2004

O pior cego foi o que não quis ver

O meu compani de blogue já deu a sua opinião sobre o assunto, mas eu queria acrescentar um ou dois pontos, sobre a saída de Carlos Carvalhas.
O Daniel Oliveira, no seu Barnabé faz um título tablóidiano sobre a saída de Carlos Carvalhas: Como o tempo passa: 12 anos e nem demos por ele é o primeiro duma série posts de regojizo pela saída de Carlos Carvalhas da liderança do Partido Comunista Português.
Todos sabemos que os ex-qualquer coisa são os piores de todos. São aqueles que a toda e a qualquer altura se julgam capazes de julgar os outros, aqueles que outroura foram seus.
Mas fico-me por aqui. Porque até admito que o Daniel fale embargado numa certa nostalgia, de tempos vividos, de amizades, companheirismo e lutas, e duma percepção, triste, que realmente, as coisas podiam ter seguido outro caminho.
Mas hoje, aqui e agora, a conversa é outra.
Apesar de eu subscrever interiamente o que o Miguel escreve (Esta necessidade de ter líderes com excesso de protagonismo, é realmente defeito do BE, e não do PCP. A fulanização da vida política é portanto importante para o Daniel.) penso também que há uma grande falta de respeito, ou tentativa de branqueamento, da pessoa e do papel de Carvalhas nestes doze anos.
Carvalhas foi coerente, foi sério, foi honesto. Que mais é que se pode pedir a um líder dum partido político?
Foguetes? Música? Ah. Isso. Demagogia. Poder. Populismo. Votos. Lá nisso Carvalhas falhou. Mas se calhar, pensemos nesta absurda possibilidade, isso não tenha interessado a Carlos Carvalhas. Talvez Carvalhas, talvez os seus camaradas de partido, não queiram ou não quiseram o que os outros querem ou quiseram para o seu partido.
É bom? É mau? Salve-se a seriedade. Eu pelo menos, elogio-a.
E a velha história da cassete, quer-me começar a parecer que não é somente a de Carvalhas e e dos seus camaradas de partido. A cassete, a velha cassete, é daqueles que andam há doze anos a profetizar o mesmo: O PCP arrasta-se penosamente à beira da extinção sem glória nem utilidade.
Mas porra, a conversa repete-se há tantos anos a penosa extinção reduz-se a uma perda de votos que, tendo em conta o contexto, e sobretudo, tento em conta as previsões, não é assim tão grande.
O futuro, concordo, pode ser diferente. Muito diferente, até, se forem confirmadas as piores previsões, que é ver Jerónimo de Sousa como secretário-geral do PCP. Mas quando isso acontecer falaremos. Pode ser até uma discussão bastante interessante, sob vários pontos de vista. Falaremos então do futuro, que se adivinha negro, ou pelo menos muito complicado, para os comunistas.
Mas sobre Carvalhas? Não deram por nada? Aguentou o barco, em tempos muito complexos. E não deram por ele? Não deram pela História?
Demagoga, esta esquerda so called nova tendência. Para mim não é nova tendência, é um mix de outras músicas já ouvidas. Demagoga e, o que se começa a notar, como referiu Carlos Magno um destes dias, cada vez mais moralista e populista
Mais papista que o papa a esquerda PSR-UDP travestida, a dos 5% que é tida como a "oposição", só me faz lembrar o PP (do outro lado do espelho) na arrogância moralista do discurso. Nem por questões político-ideológicas, porque essa esquerda sempre teve como grande alvo o Partido Comunista, eu entendo este tipo de discurso. Apesar de perceber que, a gucci guerrilha veja aqui mais uma oportunidade de caçar votos, o que é, realmente e finalmente, o que conta.
Não é?

MCG

Aqui está novamente

Faça-se justiça, o único blogue que tenho visto recentemente a falar abertamente sobre este assunto é a Laranja Amarga. Marcelo Rebelo de Sousa sai repentinamente da TVI depois de uma conversa com Paes do Amaral. Os seus comentários foram: "Na sequência de uma conversa da iniciativa do presidente da Media Capital, Miguel Paes do Amaral, decidi cessar, de imediato, a colaboração na TVI, a qual sempre pude livremente conceber e executar durante quatro anos e meio", «pude livremente conceber», ou seja Marcelo foi pressionado e não cedeu. Depois das críticas todas que lhe fiz ao longo dos anos e que mantenho, este final na TVI fica bem ao comentador. Vamos ver quanto ao seu futuro. O futuro deste governo, no entanto, passa por mais destas situações, a censura que tem existido em todas as áreas de expressão começam a tornar-se intoleráveis, e o que é que vamos fazer à cerca disto? Quero ver agora, já que falamos dele, o futuro de Miguel Sousa Tavares naquela estação.
Não lhes bastava terem já um jornalismo bastante duvidoso, programas absolutamente execráveis tinham também de perder a credibilidade que lhes restava com esta saída de Marcelo. E já agora! O que é que está a fazer o futebol nesse canal, assim infelizmente, devido a um vicio estúpido que tenho pela bola não vou poder boicotar totalmente à TVI. Ou seja, vou deixar de ver “Os homens do Presidente” sempre que fico até muito, muito tarde acordado.
Fica aqui o repto, ainda que alguns já não vissem esse canal de apelar a um boicote a esta estação.

BOICOTE À TVI JÁ!

MD

O dia do Daniel

Hoje foi um dos dias que o Daniel Oliveira do Barnabé mais esperou nos últimos 12 anos, investigar os poderes do PCP, e aproveitando para fazer cenários! Todos os seus posts são inconsequentes, e revelam algum, senão muito desconhecimento em relação aquele partido, começando por uma teoria totalmente disparatada que faz de Carvalhas o responsável pelo afastamento dos renovadores, desconhecimento em relação ao aparelho do partido?
Depois uma critica em jeito de piada, porque ninguém deu por Carvalhas nestes doze anos. Esta necessidade de ter líderes com excesso de protagonismo, é realmente defeito do BE, e não do PCP. A fulanização da vida política é portanto importante para o Daniel.
Quanto ao prognóstico do futuro líder, bom, talvez, espero que não, mas talvez ele tenha razão, não que não seja uma boa pessoa mas acho que existe mais gente dentro do PCP que possa dar mais força a um partido que é necessário para este país.
O post das ingenuidades é mais uma piada, nem vou comentar. “- O poder do PCP! Ui! Que eles também são maus!”
Quanto ao repto da esquerda unida, já a mim nem me convence, mas é sempre um bom repto.

MD

O outro lado do 5 de outubro

A organização da humanidade evoluiu, antes eram necessários reis para controlar um país que não tinha ainda formado o conceito de nação, identidade nacional. O rei era a ligação lógica desse país normalmente a Deus ou ao Papa. Mas a monarquia esticou-se demais, prolongou-se em alguns países de tal maneira que por exemplo no nosso, foram necessários dois homens com famílias, esquecerem os seus laços pessoais, os seus sonhos, o seu futuro, e pensaram mais alto, e mataram, com extrema justiça diga-se, um homem que inusitadamente se intitulava o rei da “pocilga”.
Eu sou republicano, e sou quase por herança, uma herança que sempre desprezou as monarquias mesmo as representativas. A condição de servo, a condição que nos obrigaria a pensar que por alguém ser de determinada família tem uma posição hierárquica maior que o outro comum é-me totalmente incompreensível.
O que eu estou a querer dizer é o seguinte, nestes tempos perturbadores... se nós avançamos e até demorou a faze-lo porque não avançarmos outra vez? Será que necessitamos mesmo de uma figura de estado para representar o país? Com discursos bacocos, atitudes cinzentas, e posições cobardes? Para quê a figura do presidente? Se perante tudo o que se tem passado no dia 5 de outubro, o discurso deste actual Presidente, nada disse, nem com a mais rebuscada das análises! Será que vale a pena andarmos a espera 4 ou 8 anos para aturar as insanidades, ou resolução de interesses de um presidente de outro país? Já o disse aqui e digo-o outra vez, quem disse que o melhor sistema é o nosso? E até, onde está a prova? Será que a luta toda que ando a fazer, as manifestações, as conversas, os protestos, os blogues, a indignação não passa no fundo de um problema estrutural grave?

MD

terça-feira, outubro 05, 2004

Ponte?

Mas qual ponte? Se grande parte dos professores só agora está a chegar aos sitios indicados. Isto sem contar com os milhares que fizeram queixa das colocações mal efectuadas. A Sapo fazia a pergunta, devem os professores fazer ponte? Estes eram os resultados.

MD

Dia Mundial do Animal

Pois, ontem foi o dia deles e eu nem sequer falei nele. Desculpa Avelino.

MCG

5 de Outubro

O nosso último grande momento no Fernão Mendes Pinto -lembro-me disso como se fosse ontem - foi a peça que fizemos sobre a Implantação da República, na 4ª classe.
Foi no anfiteatro da Secundária de Benfica, que me iria acolher vários anos mais tarde, que apresentamos qualquer coisa de verdadeiramente épico.
Digo épico porque sabíamos que ia sair dali qualquer coisa em grande, quanto mais não fosse pelo tamanho do auditório ( e lembrem-se que nós eramos putos, tudo parece maior) e sobretudo, especialmente simbólica porque iria marcar o fim dos nossos anos dourados.
A minha deixa na peça ao certo não a sei (sei que era dos bons, dos republicanos) , sei sim que a minha voz nesse dia falhou, depois de dias e dias de ensaio. Lembro-me de ver a gravação em vídeo e, como diria um grande amigo dos meus pais na altura, parecia que eu estava a mandar toda a gente à merda (mais simbolismo, porque catorze anos depois, aparentemente, a sina confirma-se).
E hoje a República faz 94 anos.
Parabéns.
Mas a coisa pública anda doente. Desprovida de valores e ideias e pouco participada por quem a devia saber manter viva. Mas hoje, que estou num dia optimista, digo que nem tudo está perdido. Uma pequena aldeias de irredutíveis bloggers resiste ao conformismo e à conformidade geral e tenta lutar contra a letargia instalada, fruto da anestesia chic-pop em que estamos mergulhados.
Nós, vocês, no Pastelinho e noutras pastelarias por essa blogosfera afora vamos fazendo não pela vida, mas pela vida da coisa pública, agitando-a, despertando-a e provocando-a.
A quem faz por isso, parabéns também. Por não se deixaram adormecer à sombra da grande bananeira em que este país se está a tornar.
Nós somos a República. Nós fazemos a República. Não nos esqueçamos disso. É que, afinal de contas, foi para isso que ela foi implantada.

MCG



segunda-feira, outubro 04, 2004

Kerry

Eu não estou à espera que o discurso de John Kerry me agrade. Eu não estou à espera que John Kerry me surpreenda, fascine ou deslumbre. Nem isso me preocupa.
Eu quero sim que John Kerry ganhe as eleições de Novembro nos EUA. E para isso, John Kerry não tem que me agradar a mim. Pelo contrário. Aliás, se tal acontecesse estou certo que o Bush o esmagaria nas urnas.
John Kerry tem que agradar a um eleitorado obscurso e incaracterístico como o norte-americano, o que é demasiado complicado para ser discutido sem o fundo científico que penso ser necessário para entendermos as variações e equações em jogo. Que, entre a história dos Estados Unidos e dos seus dois grandes partidos e o complicado contexto dos dias que vivemos, são muitas e demasiado complexas. Simplifiquemos então.
Espero que John Kerry seja o candidato que os americanos querem. E que, para isso, para que ele seja eleito, faça o necessário. Sobre o resto falaremos depois.

MCG

PS: O próximo debate confrontará Dick Cheney com John Edwards. Pode ser o elan que neste momento falta aos Democratas para descolar nas sondagens.

Bush vs Kerry - Primeiro Assalto

Eu ando com alguma azia ultimamente no que toca a assuntos políticos, mas não deixo de sugerir este bom post do Rui Tavares, no Barnabé, sobre o debate Bush/Kerry. Assino por baixo. MCG

sábado, outubro 02, 2004

6 meses

O Pastelinho está quase a fazer seis meses. Sugestões aceitam-se para a grande comemoração que aí vem.

MCG



Muitas queixas

Este blogue anda a receber muitas queixas, e a razão para isso é a ausência prolongada que da assinatura MCG no final de um post. Por isso aqui vai a pergunta: QUEM É QUE ESTÁ FARTO DO MD? Ponha a mão no ar!

MD

Os demagogos da esquerda

A esquerda errada vai tomar o poder, e afinal com tanta ou mais arrogância, (que pode parecer impossível), que a actual direita no poder. O arrogância é tanta e a confiança tão desmedida que já nem medem as palavras em relação aos próprios membros do partido. O quase obscuro Jaime Gama, e o quase histérico (e muito estilo “Portas”, que faço a minha voz rouca para ganhar mais aplausos) Jorge Coelho, mostram a verdadeira face. Este país não vai mesmo a lado nenhum. Espero que a táctica que o meu colega no blogue defende, votar mais à esquerda, resulte para inverter um pouco estas dinâmicas que se desenvolvem para tomar Portugal da mesma maneira que aqueles que lá estão a fazem. É possível que esteja a exagerar? Talvez. Mas a verdade é que as companhias que Sócrates trás com ele, gente que terá que ficar satisfeita no futuro, são bem piores que eles, até porque Sócrates ao lado de Jaime Gama e Jorge Coelho é um santinho, um menino de coro!

MD

Aaaaaah

Eu queria antes demais... não! É que... como é que eu ei de explicar isto? Aaaaah... espero que a minha namorada entenda? É que estava eu a ver o Fim do Mundo, quando... eis se não quando!!!! Não. De repente! Ás tantas, mudei de canal! Sim foi isso! Mudei de canal totalmente por acidente! Não estou a mentir! Foi... um acaso e de repente, NÃO! Foi o STING! O que raio estava o Sting a fazer no meio de montes de mulheres? Ou será correcto cham... não, não vás por aí... aaaaaaah, POR QUE RAIO É QUE EU NÃO CONSEGUIA TIRAR DE LÁ OS OLHOS SENHOR!?!?!?!?!?! PORQUE NÃO ME SALVASTE DA TENtação?....



Não sei...



Ps: Depois deste post poderei muito bem ser despedido deste blogue... Mas Manel sempre disseste que não podíamos pôr imagens feias, podes decidir se é ou não é.
Este blogue andava um pouco pesado, as melhoras à Inês não chegavam...

MD

sexta-feira, outubro 01, 2004

As melhoras Inês

Pode ter sido exagero meu, mas a Inês do My Moleskine está doente, coitadinha! Mas na sua crise altamente compreensível fez um texto absolutamente hilariante! Ri-me convulsivamente!
...
Ela realmente tenciona usá-los... pobre coitada...

MD

O quase inusitado e fervoroso anti-governo

Não é verdade que Miguel Sousa Tavares não seja um anti-sistema, porque o é e sempre o foi. Mas normalmente impressiona-me pela negativa, com excessos de protagonismos e ataques quase desinteressantes, expecto quando está realmente indignado, e neste momento é o caso, então, em alturas extremas parece auto apurar-se e tornar-se um pouco mais honesto, (politicamente falando), mesmo quando confessa “chorarem-lhe lágrimas hipócritas”. Leiam a sua crónica e digam-me a vossa opinião, porque eu ainda não a formei, parece-me muito dentro da lógica do que o meu colega no blogue defende para as eleições nos EUA, mas talvez esteja enganado. Leiam:

“Tivessem sabido o que eu fui sabendo esta semana, sobre o assalto geral aos lugares do Estado e das empresas públicas por parte de um rol de incompetentes e oportunistas, amigos do ministro Fulano ou Beltrano, santanistas de sempre ou da 25ª hora, e entenderiam que nada é mais urgente do que o êxito da missão de Sócrates.”
Excerto da crónica de Miguel Sousa Tavares


MD

Burrey & Kesh

O debate? Quase cómico? Começou assim: “Vou os perseguir os terroristas e matá-los!” - "I believe in being strong and resolute and determined. And I will hunt down and kill the terrorists, wherever they are." Quem foi o autor da frase? Resposta para escrever no comentário e com prémio garantido no Pastelinho! Eu acredito? Eu sinto? O “I belive!” tão aclamado foi a palavra chave! Num debate que foi feito mais através de uma batalha de mensagens subliminares do que ideias e diferenças de opinião.
Com alguma vergonha fiquei a ver um debate estupidificante até para lá das 3 da manhã, é impressionante como um debate nulo num país longínquo pode fazer uma diferença grande no futuro do meu país. Apesar de agora já não ter a certeza se a diferença será muita...

MD
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