sexta-feira, novembro 25, 2005

25 de Novembro - A tradição ainda é o que era

Começamos este blogue num fim de tarde na Ericeira, enquanto fazíamos uma churrascada, depois de uma qualquer sessão de surf. Nasceu o blogue como tinha que nascer. Era uma inevitabilidade o Miguel e eu termos um blogue juntos. Eu já andava a experimentar as delícias dos blogues há algum tempo e foi com grande satisfação que vi finalmente o Miguel ir entrando, passo a passo, no mundo dos blogues. Lá nos decidimos a avançar para um blogue comum, num momento que hoje poderíamos confortavelmente chamar de brainstorm, mas que eu continuo a chamar de inevitabilidade. Depois da criação do conceito do blogue – se é que isso existiu - as primeiras ideias conduziram necessariamente, onde tudo tinha começado, ao nosso Fernão Mendes Pinto. E assim, nasce, o Pastelinho.

Este blogue só podia nascer em Abril, o mês da Revolução. Somos da última grande geração do Externato Fernão Mendes Pinto e 14 anos depois, vamos fazer uma homenagem aos valores que nos foram ensinados, a uma escola de vida que nos proporcionou e continua a proporcionar uma visão única da sociedade. A fraternidade, a solidariedade e a liberdade como valores fundamentais da nossa educação. Não haverá melhor homenagem ao que aprendemos e a quem nos ensinou do que manter o espiríto vivo, o culto desses valores.

Isso seria só o começo de tudo, como que uma ligação umbilical, não condicionante, antes inspiradora, que tentámos sempre manter, sem a estar sempre a denunciar. Até que ponto nos afastámos dos pressuposto iniciais deste blogue, isso só quem nos leu desde sempre saberá avaliar. Não sei, nem isso me interessa, se o fizemos ou não, porque não é isso que nos traz aqui.
O que nos traz aqui é uma sequência em catadupa de erros que nos faz olhar hoje para o blogue – pelo menos a mim - e não o reconhecer, não em função daquilo que nós queríamos ou não que este blogue fosse, mas em função daquilo que nós sentimos em relação a este blogue, diariamente, quando olhamos para ele e nos preparamos para escrever o que nos vai na alma.
É orgânico, não é estatutário. É um sentimento, não uma avaliação.
E por isso, hoje acaba o Pastelinho.
Acho que este blogue teve momentos fantásticos, para os quais olho com um certo orgulho. Acho que fizemos coisas giras. Bem ou mal. À nossa maneira.
Também teve momentos menos bons, mas profundamente genuínos – e isso, para mim foi bom, até ao ponto em que nos deixamos de identificar com eles e aí, já não são Pastelinho, já não são nada.
Olho para todos os amigos que por aqui fizemos e que connosco discutiram, opinaram e se revoltaram e só posso agradecer a fidelidade com que nos acompanharam.
Se calhar, haveria muito mais para dizer, se isto fosse uma despedida, mas não. É só um fim.

Manuel Castro

Occy Bye bye

Hoje, depois de duas semanas cheio de problemas que me impediram de aproveitar bons ventos e sweels, (praticamente rachei o pé, andei de muletas uns dias, para quem me conhece não é um visão nada rara, ando aqui com o pé parece a testa do Gorbachev) voltei ao surf, as condições estavam longe das ideias mas lá consegui arranjar umas ondas, coisa que me põe no lugar, é o meu único momento espiritual, aquela onda onde me limito a ir até ao fim, sem manobras, só e apenas indo, até ao fim…

Há duas semanas eu e o Manel tomamos uma decisão que só não foi tomada mais cedo porque por vezes há relações que, porque tiveram bons momentos, são difíceis de largar, mesmo que essas relações sejam com blogues…



Hoje antes de ir fazer surf vi quase metade do Occumentary, por vezes é assim, tal como no Taekwondo (o meu outro desporto, que me desfigurou o pé), é bom ver filmes de tipos a fazerem coisas que nunca conseguiremos fazer, porque servem de inspiração, assim vamos para o terreno preparados, um pouco mais informados, a tentar, sem sucesso, mas a tentar, repetir movimentos, momentos de monumentos fora do alcance de um mero mortal…



O carisma é algo engraçado, funciona de várias maneiras, o Slater é carismático porque é um ser inacreditavelmente talentoso e competitivo, é comunicador, e tem uma espécie de David que fica bem num quadro já por si demasiado renascentista. Occy é o oposto, é um Golias anti Michelangelo, uma força da natureza um espírito livre com sonhos de grandeza que o diminuem só porque ele se tornou mais do que aquilo que ele próprio pensa dele, quer acentar os pés na terra mas não sabe como. Como se um Hemingway antes de perder a cabeça se quisesse tornar de repente num Johnny Carson… O Occy é carismático porque é! Está predestinado. Toda a sua história o levou a isso, é assim que se fazem os predestinados são uma consequência das suas histórias com mais algo que não é possível demonstrar até pouco se vê, mas sem dúvida que se sente. O homem que passou da maior promessa do surf mundial, para um gordo a comer hambúrgueres e a ver televisão, passando por outras mais tristes, para voltar mais forte que nunca, mais em contacto, mais incrível, mais épico! Histórias de redenção, histórias de retornos inevitáveis.



Tínhamos decidido isto há duas semanas, está decidido, despeço-me do Pastelinho num misto de saudade e alívio.

Miguel Bordalo

domingo, novembro 13, 2005

Este blogue devia ser assim

canal

Manuel Castro

No que este blog se está a tornar

Numa festa do Quase Famosos, em que toda a gente dança, mas se perdeu na letra algures no meio da canção - continuando a mexer os lábios para acompanhar os tons.

Manuel Castro

segunda-feira, novembro 07, 2005

O que é que ele tem que é diferente?




Não consigo bem perceber, alguém teria de me explicar, porque quando eu vejo o Slater é tão único e tão fabuloso, parece tudo tão incrível que não sei bem se realmente é dele ou se é uma doença globalizada ou só minha. É um encher de olhos vê-lo surfar!




Miguel Bordalo

sexta-feira, novembro 04, 2005

Uma pequena grande diferença

Quem estranhou da última vez eu ter criticado o Pedro num texto quanto a mim muito trapalhão no cada vez mais trapalhão Super Mario, fica já aqui a minha chamada de atenção para um artigo que com o mesmo tema não caí na demagogia fácil e explica muito bem um ponto de vista pertinente, assim, como devia ter sido explicado desde inicio.

Miguel Bordalo

quinta-feira, novembro 03, 2005

About to go medievel!



Estava prestes a passar-me no Ondas quando decidi ir para a frente da televisão acalmar-me, pôs-me a ver Somewhere anywhere everywhere, Damien Hobgood, CJ, Occy, Taj acalmaram-me um pouco e fizeram-me mesmo querer fazer-me ao mar em condições duvidosas, aí vou eu e à tarde quando chegar logo me passo...

Miguel Bordalo

quarta-feira, novembro 02, 2005

Prioridades

Tenho andado meio perdido com o meu tempo tenho muito para escrever e pouco tempo. Mas passou-se algo na blogosfera que é necessário ser destacado por várias razões.
A primeira porque na critica de música, filmes ou livros, talvez mais os dois primeiros, os críticos são verdadeiramente maus. A crítica em Portugal (que é a única que conheço) não se dá ao trabalho, quando analisam uma obra musical estão normalmente muito mal informados, quando analisam uma obra cinematográfica é um chorrilho de opiniões pessoais, ou vice versa, na literatura não é bem assim, mas também tem muita gente mal preparada a discutir literatura, principalmente porque não se dão ao trabalho.
A segunda é que quando se fala em Margarida Rebelo Pinto é fácil dizer mal, é má literatura, é light, é muito ligeirinho. Sem muitos de nós termos alguma vez pegado num livro dela. Alguns que não podem ser assim tantos já que a mulher vende que se farta…
A terceira é que os textos que vos vou apresentar de seguida são verdadeiramente fáceis de ler, é rápido e para qualquer escritor que queira melhorar um pouco ou pelo menos não cair nos erros mais básicos ajuda le-los.A quarta refere-se à segunda e com uma obra crítica destas, a partir de agora depois de a ler qualquer um já pode, em consciência apoiado em factos, criticar Margarida Rebelo Pinto sem abrir uma página que seja da sua obra. É mágico! O desvendar de uma costureira!

Todo isto no Esplanar de outubro em 15 textos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15

O 11 e o 12 são absolutamente escadalosos dá jeito ver numa página só... o resto é só rir e ficar de boca aberta, muito obrigado João Pedro George.

Miguel Bordalo

segunda-feira, outubro 31, 2005

Um bom Benfica cheio de contradições

É um facto que o Benfica ficou 11 anos sem ganhar um campeonato. É um facto que estes 11 anos não foram 18 nem 19 teria custado muito mais, e teria passado uma geração inteira ou duas de jogadores para ver novamente o Benfica campeão e se é verdade que no plantel não há jogadores que tivessem participado na vitória do último campeonato, há muito e bom jogador que ainda joga noutros clubes que foram campeões pelo Benfica e outros que foram adversários do clube na altura. É evidente que uma década sem ganhar é difícil, mas normalmente na história dos clubes, quando se entra nestas crises é muito difícil de sair delas, arranjam-se sempre piores dirigentes, mais demagogos e corruptos, para se tentar chegar lá por outras vias, queimam-se jogadores como fitas em Coimbra no final do curso, troca-se de treinadores como quem troca de meias, etc..

A verdade é que o Benfica conseguiu sair de uma crise que poderia ter-se tornado trágica não fosse um homem, o principal responsável do Benfica neste momento, e ele é Luís Felipe Vieira. É possível não gostar dele, é possível desconfiar do homem, mas a verdade é que nunca, na minha vida, vi alguém fazer tanto pelo Benfica e de uma maneira tão “clínica”, e porquê “clínica” é que Vieira não é o responsável em tudo e em todos os lados, Vieira é o primeiro a saber e a dizer que não percebe muito de contas, nem de orientar planteis, ou de construir estádios ou de seja lá o que for, Vieira é um líder porque sabe rodear-se das pessoas certas nos momentos certos. E é um (palavra horrível) “case study” interessante no movimento das lideranças, é muito claro no Benfica quem está à frente do quê, quem responde a quem e quais são os objectivos de cada um. O Benfica está bem disciplinado é uma organização bem oleada e só tem boas perspectivas para o futuro. Hoje naa bola vem a dizer que Felipe Vieira nos dois anos à frente do Benfica conseguiu tudo menos largar o cigarro, eu concordo, mas já que está numa de largar maus hábitos bem que podia largar Veiga, que apesar de não andar a fazer mal nenhum ao Benfica parece-me não ser lá grande hábito…

Miguel Bordalo

sábado, outubro 29, 2005

Ombongo o amargo sabor da selva

Apetecia-me dizer um palavrão... mas na realidade é que o tal de Heitor apesar de ligeiramente beneficiado com um 7.5 não se sabe bem de onde, fez melhores ondas que o Saca, paciencia, agora é lutar no Havai, onde os grandes surfistas se mostram e não há nada destas porcarias destas ondas no Brasil. Houve 4,67 que também foi uma tanga enorme mas para o Saca que merecia mais.

Miguel Bordalo

Caramba!

Desta vez foi mesmo puchadinho... suei as estupinhas. Mas o Tiago lá passou. COrreu tudo bem, e agora vão ser heats de homem a homem, é para continuar Tiago, mas a próxima não é para ficar em segundo, é para ganhar!

Miguel Bordalo

sexta-feira, outubro 28, 2005

Novamente Tiago

Esteve à frente grande parte do heat. Apanhou imensas ondas, mas no final ainda me fez apanhar um susto quando passou para segundo e deixou o Curren à vontade numa onda… Passou e tem de lutar ainda mais. E quem se passar dos carretos e chamar ao Tiago um “surfista qualquer”, vai ter que se haver com dois tipos deste blogue, seriamente!

Miguel Bordalo

Tiago em grande



Com o apoio que Portugal deu a Tiago pela internet o servidor do campeonato de surf no Brasil, o Ombongo, crashou, não deixou de impressionar e fazer Saca aparecer mais. O apoio ajuda mas o homem justifica, dentro e fora da água. É sempre bom ter a cabeça no lugar.

Miguel Bordalo

Que alívio!

Andava mesmo a ficar preocupado...

Por falar em sporting, estão aqui os resultados do inquérito feito no pastelinho sobre quem deveria ser o novo treinador do sporting, visto que Paulo Bento depois da vitória clara sobre o Varzim vai segurar o lugar pelo menos durante uns tempos.
Ficam aqui os resultados

Peseiro com outro número de BI e com um bigode - 50%

Valentim Loureiro - 21%

Camacho - 14%

Treinador de Boxe do Beto - 7%

Fransisco Pinto Balsemão - 7%

Todos os restantes candidatos tiveram votações muito fracas (zero votos), e eu que estava com uma enorme esperança no tenente da primeira companhia... acho que faria milagres à disciplina do Sporting... enfim. Se dependesse de Dias da Cunha era Peseiro com um bigode e outra identificação, para os leitores do pastelinho também...

Miguel Bordalo

quinta-feira, outubro 27, 2005

E agora o Curren

Pelo aspecto da coisa, Curren parece-me vai desistir a meio... a ver vamos...

Miguel Bordalo

Ps: pelos vistos não... ps feito 10 segundos depois de editar o post... umj tubo e um snap brutal! 6.5?

Estou quase, quase a ficar muito nervoso…

O Tiago está prestes a fazer o seu primeiro heat no campeonato de 6 estrelas no WQS no Brasil em Florianópolis. É certo que ainda faltam mais outros três campeonatos de 6 estrelas, mas no final tudo se torna mais difícil. E apesar de Saca estar em excelente forma é sempre muito difícil com as condições horríveis que este campeonato tem tido. Força Saca! Radical com isso e muito cabecinha!

Miguel Bordalo

Presidentes para quê?

Está a chegar um momento muito constrangedor para uma república com um poder democrático parlamentar, o debate presidencial. Para começar logo a doer, o pior debate que alguma vez tive o trauma de presenciar foi Cavaco contra Sampaio na RTP, onde os dois candidatos mostravam fotografias da sua juventude, num desafio “onde estiveste no 25 de abril?”, “onde estiveste na crise dos anos 80?”, disputavam-se currículos e nem uma ideia, uma mensagem foi lançada. Porquê? Porque ser presidente da República em Portugal tem muito pouco por onde se lhe pegue, mesmo tendo em conta a situação Santana – Sampaio, já que esta foi criada pelo próprio Sampaio. Quero eu dizer com isto que acho que os poderes presidências deviam ser reforçados? Pois claro que quero! O magistrado da influência chega a ser ridículo para aquele que, oficialmente, é o mais alto representante da nação.
Assim o que é que me resta para escolher um candidato presidencial? Alguém que seja capaz de com um pensamento mais aproximado ao meu, com alguma independência e sensibilidade vá vetando umas quantas leis e envie para o tribunal constitucional umas quantas outras. Para que é que isso serve? Para muito pouco, as leis podem voltar ao parlamento e se forem aprovadas novamente têm obrigatoriamente de passar pelo presidente, e se forem enviadas para o tribunal constitucional, bem… está fora das mãos do presidente. Ainda assim se há um homem que se aproxima à imagem que eu gostava de ver como presidente ele é Manuel Alegre, suficientemente obstinado e independente para proteger ao máximo das suas habilidades aqueles que necessitam, como sempre o fez, mesmo contra o PS.

Miguel Bordalo

quarta-feira, outubro 26, 2005

E mais outro

O Quadrado
"(...) tenho que defender o meu quadrado, não há outro sentido senão este, lutar até ao fim, um homem não se rende, não seria bonito, seria, aliás, se me permitem, uma falta de educação, uma grande falta de educação.", Manuel Alegre

Manuel Alegre - Alargar a Cidadania

O Blogue de apoio à candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República está aqui.

O Agente duplo

Tenho andado a ler com atenção o blogue do Super Mário, ou o País Relativo II em tempo de eleições, e chego à conclusão, que é nestas pequenas coisas que uma pessoa pode entender facilmente que o PS é um partido que irá andar sempre a bater com a cabeça nas paredes. Nunca irão aprender com os próprios erros, são ultra auto-absorvidos e grande parte das vezes afastados da realidade. O blogue do super Mário é um bom bocado a constatação disso mesmo, numa clara demonstração de que não soube bem analisar a brutal derrota do PS nas autárquicas, Miguel Cabrita faz de agente duplo da demagogia, queixando-se que a outra esquerda não sabe concluir aquilo que diz, fazendo demagogia fácil, mas sem que ele próprio conclua absolutamente nada. Uma espécie de vejam a demagogia dos outros não vejam a nossa.
É que a análise das autárquicas só pode ser feita com algum distanciamento, e reparem que os novos dados dão o PS como seguro à frente do país, todas as sondagens o mostram até com alguma vantagem. E tirando Lisboa do cenário, porque Lisboa nem o PS queria ganhar. O resto do país serviu para observar que a derrota do PS tendo em conta que a confiança no governo se mantém, foi uma derrota local, uma derrota que aponta culpas para as bases e para os PS’s locais. Mas vá lá o PS e os seus militantes compreender isso, e continuam com as histórias de que é falso que a CDU tenha boas autarquias, esse mito! Que só faz com que realmente o tal partido passe incólume pelas votações nas autarquias e inclusive em Lisboa e o PS continue a ser derrotado sem uma réstia de dignidade.

O PS nestas próximas eleições presidenciais encontra-se com outro problema, que Vital Moreira já compreendeu, mas que o sangue mais novo e arrojado do Super Mário ainda não quis entender. É que estas duas candidaturas fazem uma divisão no PS que pode ser bem resolvida, ou muito mal digerida, dependendo da campanha de uns e de outros. A linha é ténue e pode criar uma situação sem retorno.

Mas voltando aos péssimos textos de Miguel Cabrita e outros, as frases como “Chegou, pois, a vez de sacar uns votos aos reformados e pensionistas. A qualquer preço. Mesmo que à custa da demagogia fácil e da mais baixa desonestidade.” Que não esclarecem nada e só lançam achas para a fogueira, ou parágrafos como este no mesmo post “Será um efeito colateral da luta pela supremacia no quintal dos pequenos partidos à esquerda. Mas Alegre também já deu um importante contributo, ao insistir na ideia da candidatura "livre dos aparelhos" e dos partidos.” Que quem me conseguir explicar isto, sem que seja uma constatação de duas realidades diferentes, que há realmente uma luta, que se pode vir a tornar muito útil, entre os pequenos partidos, e outro facto que a candidatura de Alegre é realmente livre de aparelhos partidários. Sinceramente não entendo se estes textos são aquelas coisas que lhes correm mal e ele põem ali, ou se é algo para nos rirmos porque é absurdo. Até o último texto do meu bloguer preferido na blogosfera, é estranho, «ainda bem que Mário Soares disse que é um político profissional, ainda bem que tem um motorista e uma reforma de mil contos» e tal e quê. É uma maneira de fazer política de agente duplo, ou de antecipação ou constatação da crítica, se forem os próprios a dizerem já não é tão mau. - Atenção Soares é apoiado por um aparelho partidário! Mas somos nós que o dizemos! – e vem logo o tipo mais ingénuo e diz – Ah! Assim está tudo esclarecido… já estava a ficar desconfiado, mas assim…

Campanhas revelam sempre o que há de pior em nós…

Miguel Bordalo

terça-feira, outubro 25, 2005

Quem?

Não me tenho andado a portar muito bem aqui no pastelinho, tenho andado a ver tudo o que é filme no cinema, mas como não sou grande fã de dizer mal, não tenho dito nada, porque tenho visto filmes que se aproveitam, maus e verdadeiramente maus! Raramente apanho um ou outro bom, no outro dia vi no Ávila o filme do Gus Van Sant “Elefant” fiquei muito impressionado, principalmente com a realização. Agora vem aí, ou já está aí outro filme de Gus Van Sant sobre a morte de Kurt Cobain um dos criadores do Grunge, uma influencia mais no meu comportamento do que na área musical, não no aspecto de partir palcos depois das actuações, mas sim no temperamento, na maneira de ser, no relaxe, no respeito, na confiança e na amizade. O grunge era sobre afirmação do respeito em nós próprios, de nos apresentarmos como queríamos sem estarmos agarrados a modas ou a pareceres de outros, do aproveitamento da experiência dos mais velhos para fazer coisas novas, no encarar o futuro como um processo de aprendizagem e de progressão. Para mim a manifestação máxima do grunge foram sempre os Pearl Jam, sempre inovadores, sempre no caminho próprio que marcaram e seguem, os Nirvana foram um flash, mais vistosos, menos virtuosos, mais carismáticos, menos conscientes. Ainda assim Kurt Cobain ainda teria muito para dar… mudei a frase de apresentação para uma música de Neil Young, o pai do grunge, que fala da experiência de muitos inclusive de Kurt Cobain num dos problemas que mais assola as gerações mais novas nos países desenvolvidos e não só. Quem já nas nossas vidas não perdeu um amigo para as drogas?

Miguel Bordalo

Num antro a festa

Faz já umas semanas que fui a uma festa que fez-me fazer uma coisa que já não fazia há anos, entrar numa discoteca. À terceira foi de vez, mas também numa festa de pós-modernos ao menos no antro do pós modernismo! O Frágil! Sim essa fase cultural que toda a gente sabe qual é, mas ninguém ainda sabe dizer o que é, e duvido que alguma vez saiba, a não ser que seja uma discrição puramente superficial. Apesar de não ter visto nenhum tipo com o colarinho apertado até ao gargantil, estive rodeado daquela malta dos anos oitenta e de uma malta mais nova que cresceu a admirar o pessoal dos colarinhos apertados. Viu-se gente conhecida, dando à festa um estatuto, mas a vitória final teria sido sempre a participação de Rui Zink seguido de Ricardo Araújo Pereira, a sequência teria ficado completa e a festa no Frágil seria um marco para estudos futuros no ambito do pós-pós-modernismo em Portugal.

E eu? Eu fiquei quietinho como se pode ver pela minha careca ali na foto, já se pode antever o meu futuro de calvo numa fotografia no Frágil. (NÃO QUERO PIADAS AÇOREANAS!)



Já nesta aqui, nós os dois bem tentamos disfarçar, mas há coisas que não se conseguem esconder…



Quem, não nos conhecendo, adinha quem somos?

Fotos roubadas ao Quase famosos.

Miguel Bordalo

Ps: vou ouvir Neil Young

Recado Urgente

Pede-se a todos os membros deste blogue para se absterem de mexer no template agora. Por favor. É que está tudo ok. Agradecimentos à salvadora da pátria, Catarina.

Sobre a Credibilidade, com açúcar por cima

Nós não a queremos, nós não a desejamos, mas porra, esta história dos comentários em triplicado deixa-nos abaixo da escala do credivelmente aceitáveis. Pedro, levanta-me esse traseiro algarvio e resolve-nos isto se faz favor.

Manuel Castro

Os emplastros

Se não consegues vencê-los, junta-te a eles, frase penso que da autoria de Diogo Freitas do Amaral ou Ramalho Eanes. Não interessa. Nem nos damos por vencidos. Mas achei que ficava bem. Assim, bem, como os directos de casa do Francisco Louçã.

Manuel Castro

sexta-feira, outubro 21, 2005

A toda a velocidade!

Sem tempo para muito, devo-vos dizer que hoje fui a media center, ou lá como se chama a loja ligada ao glorioso, para vos dizer que não só podem encontrar de tudo mais barato, como, por felicidade hoje ao ver os DVDs tive a sorte de me deparar com Anie Hall a 7 euros, eu que até ando com pouco dinheiro, não posso deixar de ficar contente em substituir a minha já muito degradada gravação em VHS para DVD por 7 euros, ORA TOMÁ LÁ MUITO OBRIGADO! E mais (atenção que isto não é nenhum anuncio ao raio da loja) e mais! E MAIS! Muitos mais DVD que infelizmente vou ter de me salivar todos durante alguns meses para comprar em preços irrisórios! Para um dos meus colegas aqui do blogue, Pulp Fiction 10 euros...

Miguel Bordalo

quinta-feira, outubro 20, 2005

O regresso do tecnocrata que outrora teve um tabú

A SIC esperou por este momento dez anos. Juro que Anabela Neves tinha uma lágrima no canto do olho. Tanto que nem conseguia fazer aquelas perguntas que ela tanto gosta de fazer, com tanta qualidade, objectividade, isenção e profissionalismo. Ela, cujo nome em sioux seria Cakazoti ou Não sabes quem eu sou pá, sou a Anabela Neves e sou melhor que tu e eu é que mando aqui porque sou jornalista da SIC e sou muita boa, ouviste pá!.
A verdade é que a SIC preparou o anúncio da candidatura de Cavaco como a RTP antigamente anunciava o fim de ano com o Herman. E quando o seco barulho da rolha da garrafa -do rei da..- de champanhe se soltou, tudo voltou ao normal. Tudo?
Não. Depois da festa a depressão.
Quem é Cavaco Silva?
Tecnocrata algarvio, douto homem das finanças, Cavaco é tão só responsável pela pior crise de sempre do nosso país depois do 25 de Abril. Social e economicamente, deixando milhares no desemprego enquanto o país se enchia de mundos e fundos, aplicados sem conta no betão que rasgava o país, que se transformava num el dorado de foleirice, um farwest de patos bravos, que ainda hoje resistem, embora sem o colorido de então. O país viveu o cúmulo do mau gosto na sua governação, o que a mim, confesso, também me incómoda. A promoção do luxo e das fortunas, a ostentação das mesmas, o país vomitou a dignidade que lhe restava nos anos da governação de Cavaco, que agora, de distante, chega aos mais iludidos a parecer razoável.
Não, Cavaco deixou o país à beira de um ataque de nervos. Nervos não teve ele quando teve que enfrentar as maiores crises na sua governação. Impávido, como quem come um bolo-rei, talvez ligeiramente incomodado, como quem morde brinde no bolo-rei, Cavaco resolveu com uma limpeza assinalável os problemas graves que o país vivia: à bastonada, ao acoite, à mangueirada.
E agora, o regresso. Depois da estrondosa derrota em 1995, volta para o ambicionado e final duelo com Soares, a "força de bloqueio". E, valha a piada do Inimigo Público, no actual panorama político, quanto mais conseguir estar calado, mais Cavaco terá a ganhar. E ele, sim, é o adversário a ter em conta: um Portugal que já não queremos.


Manuel Castro

ps Agora, o Blogue Soares é Fixe pode começar a parar de dizer mal da candidatura de Manuel Alegre. Até fica mal ter que vir o Vital Moreira acalmar as hostes.

quarta-feira, outubro 19, 2005

O Super Blogue ou uma aliança pluralmente improvável?

Lá está o muito pouco artesenal blogue não-oficial da candidatura de Mários Soares. Para além do séquito habitual de veneradores soarescos, supreende, ou talvez não, a presença, de alguns ex-Barnabé. Sim já sei, o Barnabé era um blogue muito plural, muito mesmo. Tanta pluralidade que acabou mesmo por excesso de pluralidade.
E antes que me entusiasme como em idos tempos a cascar no Barnabé - pois bater em mortos é o contrário de bater em vivos - queria insistir no tema pluralidade. Recostem-se nas cadeiras, porque vou falar no Bloco de Esquerda e precisamente por causa da candidatura de Soares.
João Teixeira Lopes, do Bloco de Esquerda (ex PCP, ex PRD e, tenho a certeza, ex mais qualquer coisa) provavelmente o melhor candidato autárquico que pior se portou, lançando acusações ignóbeis e asquerosas a Rui Sá da CDU, é o ponto de partida - e de chegada. O inquisidor começa pelo precalço de se esquecer do seu passado como antecessor de Narciso Miranda,que podia perfeitamente dar azo a que provocadores da ordem (mas atentos) como eu fizessem piadas - ainda que foleiras - com o seu excesso de pluralismo...

longa pausa

Eu não queria falar sobre isto, peço desculpa, queria era falar na pluralidade e no Bloco de Esquerda. Não é que João, o Teixeira Lopes, considerou o apoio de Joana Amaral Dias a Mário Soares "repugnante"? Isto depois, dias antes, falar na "pluralidade" Bloco. O repugnado Teixeira Lopes acha portanto que a sua mui bloquista e plural camarada Joana não pode apoiar, nem ser mandatária para a juventude da candidatura de Soares?
Soa estranho o pluralismo às vezes. Para alguns.

Manuel Castro

O doping



O doping atinge toda a gente, menos aqueles que são descobertos. É um problema, expecto quando se descobre um jogador a usar, aí é preciso ter calma, ponderar até porque esse jogador é claramente inocente.
Inocente? Sim, no caso do Abel só o seu cabelo é que está sob o efeito de substâncias dopantes. Mas será que com tantos anos de abuso, os solos capilares de Abel já não absorveram todos aqueles químicos? Coitado vitima de infiltramento.

Miguel Bordalo

Alegre já começa a fazer medo

Hoje deu-me especial gozo ver Jorge Coelho, nervoso a impedir, numa pose muito centralizadora (tiques do PC diria um socialista mais distraído), que qualquer instalação, terreno, casa, ou seja o que for que pertença ao PS sirva para apoiar Alegre. É absolutamente necessário que o partido sirva de máquina bem oleada para defender Mário Soares. Parece-me que os tiros nos pés desta candidatura não acabam, e tenho cada vez mais a impressão de que tudo isto vai acabar mal. Infelizmente para a esquerda. Mário Soares que antes da candidatura até parecia um daqueles velhos frescos e espertos, que com a idade ganharam sabedoria e uma certa irresponsabilidade que os faz honestos como as crianças mas não tão cruéis, mudou completamente, tornou-se num homem político novamente, como se sentasse novamente à mesa de xadrez e até agora numa atitude experimental passe o tempo a sacrificar piões à espera de uma abertura inusitada. Parece-me que andam a sacrificar os peões da frente…
O pior disto tudo é que o Cavaco com a rainha parece estar num banquete.
Alegre faz medo, mas não a Cavaco que ainda está bem sossegado.

Miguel Bordalo

Nabo

Estava eu a tentar passar o inquérito para uma secção nos links abaixo dos "vizinhos de sempre", para fica mais visível quando, por infortúnio ou uma grande nabisse fiz com que todos os links abaixo ficassem com letras para gente que sofrendo de miopia em estado avançado se recusam a usar óculos. Não consegui resolver o problema, só remendei, e mal! Novamente espero por mãos mais competentes. Oh Pedro! O que é o user name?

Miguel Bordalo

terça-feira, outubro 18, 2005

Uma crónica séria

Leonor Pinhão ao contrário do que há uns anos pensava, tem vindo a tornar-se na minha cronista preferida de futebol, é benfiquista e é séria, sabe brincar quando perde e não perder a cabeça e dizer as maiores barbaridades no minimo de linhas possíveis como Miguel Sousa Tavares. Esta crónica é das melhores que já li sobre a selecção, faço novamente o reparo que ela é do Benfica, e não deixo de concordar com uma única idiea, excepto o que diz sobre Artur Jorge, que nos Camarões ganhou cinco jogos e empatou um, com um jogador seu a falhar um penalty no último minuto. Acho que isso não diz nada mal dele, muito antes pelo contrário.

Miguel Bordalo

Ps: chamo novamente a atenção para um votação que se tem vindo a passar aqui no pastelinho, com um enorme número de abtencionistas. Toca lá a votar pessoal!

Pesa mais que um enorme traseiro

Peseiro é o principal culpado da crise do sporting? Eu acho que sim, podia-se culpar os jogadores, (que nas palavras de Dias da Cunha são só uns miúdos), podia-se culpar a SAD e o presidente do sporting. Mas é claro, pela demonstração de alguns jogos, não tantos quanto se fez querer passar, que a equipe do sporting tem jogadores de qualidade, tem potencial, matéria prima mais do que suficiente para entrar na liga dos campeões, na taça UEFA, e ganhar à académica em casa. O problema nem são os resultados isolados, qualquer equipe pode falhar um objectivo, ou perder um jogo contra uma equipe bem organizada. O problema é ver que o sporting realmente não está bem e tudo tem a ver com disciplina, no ano passado era gritante, este ano é o desabar, a disciplina tem sempre de ter como centro o treinador, não um membro da SAD, um presidente ou uma direcção. Os jogadores trabalham todos os dias com um elemento que deve ser incontestado. Na minha opinião a direcção do sporting não pode ser culpada da situação porque fez exactamente o que um treinador necessita para ter a equipe bem diciplinada, deu até ao limite do impossível confiança máxima ao seu treinador, assegurando o seu lugar mesmo depois de tudo ter falhado. Assim sendo só se pode culpar mesmo Peseiro de quem não se duvida da capacidade para pôr uma equipe a jogar à bola, duvida-se um pouco do critério táctico e das substituições, mas isso é algo que evolui, fica-me na ideia que talvez Peseiro tenha ido sedo demais para um clube grande, a inexperiência pregou-lhe uma rasteira que se pode ter tornado fatal para a sua carreira.

Fica também aqui um inquérito que está desde ontem a tentar descobrir quem será o próximo treinador do sporting, o critério teve a ver com nomes já conhecidos e com nomes que podem impor disciplina. Pinto Balsemão é porque é um tipo queque.

Miguel Bordalo

Depois das antas

Há uns tempos tentei iniciar aqui um inquérito que agora com os comentários em baixo perdeu-se definitivamente a possibilidade. Mas depois de ter visto a melhor exibição de dois centrais, no Benfica, desde há muitos anos nas antas renasce a vontade. Quais foram os piores centrais que passaram pelo Benfica? Tenho pessoalmente duas escolhas:
João Manuel Pinto
Paulo Madeira

Mas há mais nomes:
Tahar
Ronaldo

Chamo os leitores do pastelinho para escolherem mais nomes e passarmos à votação. Não valem nomes que fizeram um ou dois jogos, pelo menos suplentes utilizados.

Miguel Bordalo
Ps: para que não haja falta de confiança, vou publicar aqui um inquérito só para saberem que não vos estou a fazer perder tempo.

Na blogo esfera

Há muito que não entrava no technorati, hoje consegui, um tipo quando está com gripe arranja tempo para estas coisas... (sim meus caros, mal chegou o mau tempo já estou com gripe!) Espero que não tenha nada a ver com aves... Mas estava eu a dizer que descobri apenas hoje que tinha sido provocado, com uma certa piada, por André Gonçalves neste post, só para explicar que o facto de eu realmente me ter tornado um órfão ideológico, e que não tenha confiança nenhuma no sistema partidário não significa que me desligue da responsabilidade de participar num sistema que vai para além das ideologias, para além dos partidos e que comporta pessoas, e nas pessoas dá para acreditar, podemos não acreditar em todas, mas em algumas acreditamos. A solução comigo é observar as pessoas, e dar, através do voto confiança às pessoas, ainda que por vezes me custe um pouco.

Noutros campos da blogosfera, o meu blogue preferido não edita faz já várias semanas, o último post, posso dizer, tocou-me especialmente, é especialmente emotivo e triste, apesar de por de trás da triste situação, do pesado legado, haver uma esperança um sinal, uma motivação. Volta Shift fazes falta!


Miguel Bordalo

segunda-feira, outubro 17, 2005

Apoio incondicional

O Pastelinho surgiu para temperar a blogosfera com um sabor diferente. Não era um sabor assim ou assado, tão só o nosso.
Dedicado a causas, ideias e ideais, sem ser partidarista, apesar das convicções políticas que cada um de nós tem, procurámos e procuramos com este espaço dar lugar à discussão, sugerindo e provocando, de um modo mais ou menos insano, o debate de ideias. Social, política e culturalmente, não procuramos unanimidade, antes a diferença, porque é desse balanço que nasce e fluí o debate que nos interessa.
Porque debate é participação. É acção cívica. É protesto. É revolução.
Orgulhamo-nos de ser um blogue alternativo, que desde há algum tempo só subversivamente entra na corrente bloguisítica politicamente correcta, onde as palavras, as frases e as ideias, são por vezes demasiado ponderadas e artificiais, para não puderem ser consideradas pretensiosas.
Somos um blogue politicamente descomprometido, com orgulho. Este blogue não é um meio, é um fim. O nosso conteúdo esvai-se aqui mesmo, entrando em turbilhão com a discussão.
Somos utópicos, sim, porque crescemos à sombra - cada vez maior, cada vez mais negra - de um sonho que foi, e é, Abril e nele continuamos a reconhecer-nos. É esse o nosso maior orgulho.
E por isso, também, acreditamos na mudança através do sonho. E, acreditamos, que o sonho se constrói a partir do maior dos direitos e também do maior dos deveres:
A Liberdade.
Assim, unanimemente, o Pastelinho anuncia a sua intenção, através deste manifesto, de apoiar Manuel Alegre na sua candidatura a Presidente da República.

O Pastelinho

A solução para os comentários - o post sem efeito

Já tinha a task force reunida para que o problema dos comentários fosse resolvido

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Ainda bem que o Pedro resolveu o problema. Já estava a prever algum grau de destruição.
Manuel Castro

domingo, outubro 16, 2005

Comentários

Malditos sejam, experiência.

Enorme o nosso Benfica

Como eu estava nervoso antes do jogo começar, é certo que as duas últimas vezes que o Benfica foi às antas merecia ter ganho e não fossem “coisas estranhas” (de que não sei bem falar porque não sou do sporting) o Benfica tinha quebrado o jejum mais cedo. Assim sendo o meu medo não era bem com o comportamento do Benfica, que apesar de tudo não apareceu muito bem na primeira parte, principalmente nos primeiros 25 minutos em que o Porto dominou. A partir do momento em que o Simão falhou de cabeça uma bola à frente de Baía o jogo mudou de figura, a segunda parte então foi uma delicia!

Quim – não há nada a dizer, o Benfica tem o sector bem protegido, quando não tem Moreira tem Quim, quando não tem Quim tem Moreira.

Nélson – Para mim o melhor jogador em campo, enorme a defender, a criar, a dar velocidade, o centro para o primeiro golo é digno de nos rirmos das cenas do Miguel, aliás, quem? Grande Nélson! Enorme.

Andreson – É seguro e é o central do Benfica que lê melhor o jogo, está sempre no sitio certo, e na única jogada em que Nélson perdeu para Alan um golo que o Benfica está constantemente a sofrer contra o Porto, o ponta de lança desloca-se o para trás e os centrais junto ao guarda redes ficam normalmente batidos, desta vez não Anderson sabia perfeitamente o que se ia passar. Um jogo que tornou fácil, mesmo depois de levar um pontapé na cabeça! Sem amarelo para o adversário… sei lá podia ficar meio tonto.

Luisão – Se o outro central sabe mexer-se dentro de campo, Luisão concentrado não passa nada. Foi o melhor central e mais activo, não se lhe ganhou nada em jogo aéreo e nada em qualquer outro tipo de jogo, esteve em toda a zona defensiva e foi muito importante nos dez primeiros minutos em que Nelson se encontrou um pouco nervoso. Enorme Luizão.

Léo – Foi provavelmente o pior jogador do Benfica, e não fez um mau jogo, subiu pouco, não quis arriscar, ainda que o Porto não atacasse muito pelo seu lado, antes da entrado de Quaresma. Foi expulso, para mim, mal expulso, mas admito a situação, uma espécie de uma compensação e um amarelo no limite.

Petit e Manuel Fernandes – nem quando Petit jogava com Tiago achei que o entrosamento entre os dois era tão bom como com o Manel! Os dois podem dominar qualquer meio campo do mundo, é necessário é estarem em forma, como parecem começar a estar. Petit ainda assim, defensivamente é de assinalar, numa ajuda preciosa aos centrais.

Simão – o Simão não joga mal, por vezes não dá tanto nas vistas, mas faz sempre jogar, e é onde a defesa começa. Neste jogo falhou um passe, ainda por cima escandaloso! Mas conseguiu arrancar cartões amarelos, e fez tremer uma defesa termidinha.

Karagounis – ainda está a entrar nesta equipe, tenho muitas esperanças neste jogador.

Nuno Gomes – O que dizer, dois golos, está mais magro, mais rápido, mais concentrado, ainda não aguenta muito bem as cargas, mas estou desconfiado que vai trabalhar mais nisso. É outro jogador, mais seguro, mais esperto, uma nova alma.

Geovanni – por momentos pensei que ia ser mais um daqueles jogos em que ia ficar quieto a tirar velocidade ao Benfica, a falar passes e a perder bolas. A verdade é que partiu também dele a mudança da segunda parte, e com espaço criou muitas situações que podiam ter feito o 3-0.

Karyaka – Depois de resolvido o problema dos extra comunitários, teve oportunidade de entrar. Quem diria, no inicio do jogo, que seria ele a peça fundamental para fazer o Benfica ganhar nas Antas? Ninguém. Mas foi ele. Enorme Karyaka!

Depois disto só posso dizer, o Benfica parece ter realmente uma equipe campeã, segura, preparada, e forte psicologicamente. Será que é para continuar? Espero que sim, mas um bom momento é só um bom momento, e é necessário continuar a apoiar a equipa e dar força a estes jogadores…
Que grande jogo! Até vos digo soube quase tão bem como ganhar… uma taça! Aí o apito dourado veio a calhar tão bem.

Miguel Bordalo

sábado, outubro 15, 2005

O Pastelinho comunica

SOMOS OS MAIORES, CARAGO.

Benfica fica pronto no Dragão

É macumba, é macumba...

Miguel Bordalo

sexta-feira, outubro 14, 2005

Studio 84

O minímo dos minímos seria ir dar um abraço ao guro espiritual do Pastelinho (ele negará qualquer influência, especialmente nos posts do Micolli), o grande e Quase Famoso Pedro Adão e Silva, mas a verdade é que, há-que dizê-lo (ou como diria Fernando Seara, há-que dizêu ) foi uma festa do carago. Vai para o meu Top 5, com toda a certeza.
Para além de ver uma multidão a delirar com músicas que nem eu, nem o músico-encilopédico-dependente Miguel conhecíamos, mas que devem ser muito conhecidas, sim senhor, num espaço outrora proibida, ou melhor, "só para clientes habituais", como nos fecharam a porta na cara há uns anos, a verdade é que aqui o pessoal do Pastelinho se divertiu e muito. E nem o muito mercantilista preço das bebidas nos desanimou. Isto apesar do falso alarme dado à entrada quando nos confidenciaram que aquilo era uma festa do Acidental e de nos vermos rodeados pela elite liberal da blogosfera. Mas, afinal, não era, foi só um falso alarme. Na realidade, chegámos a ser cinco pessoas de esquerda no Frágil, seis se contarmos com o Rui Reininho.
Mas antes que digam que já estou a politizar a coisa, saúdo aqui os Quase Famosos pela festa - foi mesmo do caraças.
Uma palavra também de saudação (proletária) a Henrique Raposo que nos apareceu à frente bem longe do ar subversivo com que se apresentou no primeiro dia de faculdade, há 7 anos atrás, mas feliz por encontrar alguém que compreendesse a sua teoria que Pauleta devia levar uma multa por ter ultrapassado o número de golos de Eusébio na Selecção Nacional.

Manuel Castro

quarta-feira, outubro 12, 2005

Uma bomba ansiosa de rebentar

Hoje vai dar mais um jogo da selecção, já o disse aqui, mas volto a repetir, sofro muito mais com o Benfica do que com a selecção, mas também gosto de ver a equipe nacional a jogar, e discutir em conjunto com rivais de outros clubes golos, jogadas, tácticas e soluções. Apesar de muitas vezes aperceber-me que a clubite não se afasta muito do ideal da selecção. No último jogo, que não foi tão mau como se pinta, houve realmente falhas de dois ou três jogadores, Ricardo e Ronaldo, são os que me ficam mais na retina, mas que deram azo a algo que julgo, haver um determinado número de pessoas que esperam ávidos que aconteça, um falhanço da selecção. É só ver os comentários generalizados, para percebermos que Portugal, a cima de toda a gente tem de golear qualquer equipe por mais de seis a zero se estas estiverem qualificadas abaixo do top 100 da FIFA, fiquei a saber que com equipes abaixo do top 100 da FIFA não se joga com dois trincos, mas sim com dois avançados e um médio centro, e que Hugo Viana não é um médio centro, porque não há ninguém na selecção que substitua o Deco. Fiquei a saber um determinado número de coisas que o pessoal que é treinador de bancada não se cansa de dizer, e está convencido que realmente influenciou Scolari a fazer certas decisões e continuará a faze-lo.
É ver o trio de ataque na RTP 1 que até assusta uma cambada de !TODOS ELES! ignorantes da pior espécie que pareciam doidos cedentes de sangue a atacar o treinador brasileiro porque a equipe fez um mau jogo.
É que realmente, para pessoas como eu que não gostam que um fã de Pinochet, cheio de tiques de pedante brasileiro, (porque os brasileiros são um povo impecável, mas quando lhes dá para o torto podem ser da pior espécie), sempre a tentar dar lições de moral seja o seleccionador da equipe nacional, me veja obrigado a defender o homem, porque tem feito muitíssimo bem o seu trabalho. Até agora não falhou nem um dos objectivos a que se propôs apesar de ter aprendido já não tão recentemente apesar de ser constantemente relembrado que uma equipe que joga em casa num europeu tem obrigação de chegar à final e ganhar!

Miguel Bordalo

Suicídio na Síria

Se eu fosse um tipo da teoria da conspiração, esta notícia tinha muito por onde ser estudada…

Miguel Bordalo

terça-feira, outubro 11, 2005

Adiantando-me ao Líder e ao Ogre

Numa notícia muito interessante Bolton contratou Djetou. Para onde pergunto eu? O Vitória que se ponha a pau...

Miguel Bordalo

Ainda no rescaldo das autárquicas

Queria salientar a grande vitória do PCP, ou da CDU na área metropolitana de Lisboa, conseguindo mais concelhos do que todos os outros partidos, e uma vitória moral muito especial em Lisboa conseguindo por mérito próprio tudo o que tinham pedido ao PS para formar a coligação. Aqui se desfaz o mito, e se fazem mais quatro anos de má gestão em Lisboa.

Miguel Bordalo

segunda-feira, outubro 10, 2005

Miccoli o bom ratinho



Estava a ler a bola on-line quando me deparei com estas duas (1 e 2) mini reportagens sobre o novo avançado do Benfica. É um dos melhores estrangeiros que alguma vez passaram no Benfica, e apesar de neste momento o Benfica ter um jogador fora de série como é o Simão, o carisma de Miccoli faz crescer-lhe o protagonismo. Normalmente a maneira mais frequente de se descrever em forma de elogio um jogador, é que ele é humilde, nem que tenha o rei na barriga, mas a grande prova da sua humildade é que no primeiro golo ao serviço do Benfica, o próprio não destaca o movimento técnico perfeito para o cabeceiamento vitorioso, nada disso, goza com o momento, ri-se do golo tendo em conta a sua estatura. É um jogador com um toque de bola extraordinário, um sentido de posição impecável, remate forte e direccionado. Como se não bastasse é Italiano e ao ouvir falar da sua juventude lembra um Amarcord ao som dos blues das caraíbas, o reggae (música chata!) Aliás Miccoli é o jogador de futebol que Felini retractaria, num mundo de reaccionários, caciquistas, aldrabões e corruptos como é o do futebol, imiscui-se um pequeno e maravilhoso jogador… de esquerda! Que tem como ídolos Maradona e Roberto Baggio, dois dos melhores jogadores do mundo de sempre, um, também ele um ícone da esquerda do futebol e o outro um budista talentoso e inteligente.
Força Miccoli não sei como é que vieste parar ao Benfica, mas ainda bem!

Miguel Bordalo

Finalmente

Fica realmente na retina a vitória do PSD e da CDU, com fantásticos resultados, e a derrota do PS e do CDS que ficaram aquém das expectativas. O BE é ainda muito novo nestas andanças autárquicas, manteve e por ventura melhorou.
Tenho a sensação que ainda assim o PS ganhou o voto global, o que se assim for não será uma derrota tão pesado como agora está a ser transmitida.
Assim foi, umas eleições em que se o Porto e Sintra tivessem mudado de partido para a câmara a direita não estaria tão ávida.

Queria também terminar por dizer que quanto aos apelidados candidatos populistas, que sem dúvida o são, não podem escamotear os outros candidatos populistas que existem apoiados por partidos importantes do espectro político português.

Miguel Bordalo

domingo, outubro 09, 2005

Agora quem está irritado sou eu

Os dois discursos de Carmona e de Marques Mendes dão-me por momentos vontade de ter mudado de sentido de voto. Raios!

Miguel Bordalo

Ps: acabou o discurso... pronto Miguel, já passou...

Moita Flores em Santarém

Isto está lindo!

Miguel Bordalo

Afinal foi Sócrates

Carrilho acabou por dizer que foi Sócrates quem o convidou a ser derrotado em Lisboa. Agradece a toda a gente e também, como não podia deixar de ser «a Bárbara»… A culpa foi do dispersar do voto à esquerda, a derrota do PS…
Uma derrota pessoal que não lança um comprimento à campanha vencedora. Agora que o homem parece irritado, aí isso parece. Ainda bem.

Miguel Bordalo

Dentro de uma “normalidade” a que me custou mais

O título é grande mas é para chamar a atenção para a vitória que me impressionou mais dentro das situações normais. Que é a vitória em Sintra. Apenas por uma razão. Já foram a Sintra neste último ano? É uma desgraça! E sendo uma desgraça é alicerçada pela coligação mais incompreensível, porque má demais, PSD, CDS, MPT (partido da terra) e PPT (partido popular monárquico). Uma cambada de gente sinistra que sorri hoje em Sintra. Lembro só que João Soares foi o melhor presidente da câmara de Lisboa de sempre, altamente competente e experiente. Não diz muito bem de Sintra.

Miguel Bordalo

Uma vitória da direita

É uma chatice a esquerda depender de um PS que claramente não esteve à altura na decisão de alguns deputados, como alguém já aqui disse hoje Carrilho foi o pináculo desta situação. Apesar de se ter lançado era necessário o PS ter mostrado força e principalmente ter mostrado vontade de ter ganho. Era, como Jorge Coelho tinha afirmado, essencial e PS ter recuperado pelo menos uma das grandes cidade, ou Lisboa ou Porto, mas há outras derrotas a ter em conta, principalmente considerando que perdeu também uma ou duas câmaras importantes para o PCP, e parece agora que nem a vitória, que seria épica, em Leiria conseguiram.
A direita através do PSD conseguiu uma vitória estrondosa, mantendo praticamente o mesmo número de câmaras que foi ganho em 2001, que lembre-se foi uma vitória tão grande que afastou Guterres do Governo.

Miguel Bordalo

Neste momento

Neste momento na RTP 1 discursam ao mesmo tempo (combinados?) Fátima Felgueiras e Valentim Loureiro, a imagem assuta.

Miguel Bordalo

Ps: Velentim fez um compasso de espera para que podesse discursar com as mãos soltas (é mais popularucho!), não consegue e larga um "fodasse" ameaçador, em directo na RTP dirigido ao seu acessor!

Eleições, previsões

Para já vejo Lisboa, Porto e Sintra na mão do PSD, sinceramente só Sintra é que me faz confusão, o resto, até em relação ao Porto fico com pena de não ver a reacção do senhor todo poderoso da cidade invicta Pinto da Costa ao ver os resultados deve estar com uma azia!
E depois já dá a sensação que a vitória dos independentes é certa, e reafirmo, diz muito mal do estado da democracia em Portugal.

Miguel Bordalo

Vou votar!

É um dia alegre aquele em que eu vou votar, apesar de não ser um democrata, para já é o que se arranja e mesmo tendo em conta que cada eleição que passa é um atestado à mediocridade do povo e da própria democracia, há esperança no dia da eleição, pode ser que novas coisas se apresentem, pode ser… talvez… a verdade é que está nas minhas mãos, também… Bom voto a todos!

Miguel Bordalo

sexta-feira, outubro 07, 2005

Uma curiosidade

Aqui o último post do Miguel, em que toca eu diria inevitavelmente na cidade do Porto e na campanha da Invicta, faz-me pensar num pormenor interessante. Ao longo dos últimos anos, Rui Rio consegiu pôr a cidade a ferro e fogo, com uma lata que até chega a admirar. Cada provocação que Rio atirava à cara de Pinto da Costa - e foram muitas- e lá se dizia "está tramado o homem, lixou-se de vez, com quem se foi meter ele", a cada canto da cidade em que mexia criava polémica, remoia, mexia em feridas profundas, no fundo parecia enterrar-se todos os dias, parecia isso tão certo quanto o Douro ser o Douro.
Mas a verdade é que o Douro continua imperialmente a ser o Douro e homem parece firme nas sondagens.
Conseguiu o PS arranjar o pior candidato possível para a oportunidade história de reconquistar a Invicta ser posta em causa. Não que não consiga, talvez Assis consiga, mas já deviam ser mais que favas contadas.
Ou então chegamos à conclusão que Rui Rio fez mesmo um bom trabalho. Nahh...

Manuel Castro

A campanha? E o Futuro?!?!

Nos últimos tempos tem-se falado muito da campanha, como tem corrido, que informação foi relevante, que polémicas é que afectaram. Mas o que realmente me chama a atenção, e acreditem sou um fã incondicional dos momentos catársicos das campanhas, é o futuro, que no que diz respeito principalmente ao poder local é muito negro. É no poder local que a ignorância se declara mais, aparece como um triunfo do povo que pode ser ignorante, porque cresce a ideia que ainda que o mesmo candidato esteja presente numa determinada autarquia há anos e anos, nunca ninguém poderá fazer mais que ele, e é um ponto final na questão. O carisma suplanta qualquer atributo ou capacidade, tendo o carisma como principal característica o populismo.

Depois se é verdade que todas aquelas candidaturas independentes que nascem nos tribunais, são um desespero pela necessidade da própria política, trata-se de desemprego, não de uma propensão para a vida publica, (truque de debate eleitoral já a seguir) isto porque aqui no pastelinho não gostamos de deixar suspeitas que um indivíduo com um cargo político é muito mais difícil de processar, ou mesmo de julgar. (Mas não queremos dizer isso.)

Nas duas campanhas mais importantes, e desculpem-me os muitos leitores deste blogue que não são nem de Lisboa nem do Porto, tenho ficado preocupado, e ao contrário do que costuma acontecer fico muito mais apreensivo quanto ao futuro de Lisboa do que com o futuro do Porto, que normalmente tem piores candidatos do que a capital, o que não acontece este ano. Comecei antes da campanha eleitoral por dizer, que pessoalmente apesar de toda a extrema incompetência como esta cidade foi administrada nestes últimos quatro anos, gostava mais de Carmona do que de Carrilho, porque Carrilho é mau demais para ser verdade, e claramente não está interessado em ficar em Lisboa, Carrilho é um homem ambicioso, e Lisboa precisa de alguém que se empenhe em Lisboa e não noutros projectos. Fiquei extremamente desiludido com o candidato do PS, ainda que saiba que foi o próprio a lançar-se. Mas Carmona lançou-se nesta campanha eleitoral como um verdadeiro politiqueiro, mentiroso, populista, pouco sério e muito caluniador. Devo dizer que quanto ao aperto de mão, uma insignificância que junto com a mulher de Carrilho lhe fizeram a campanha, é de uma hipocrisia imensa o que se andou a dizer sobre o candidato do PS, não há coisa que mais me irrite, pessoalmente, do que ver um debate horrível, com dois homens a insultarem-se e a agredirem-se, sem tratarem de uma única proposta e no final levantarem-se e cumprimentarem-se com fair-play… porquê fair-play se não houve jogo? Quanto às propostas, eu nem sei por onde começar, provavelmente já vou tarde, mas não houve uma única que achasse verdadeiramente positiva, excepto nos bairros sociais e na recuperação da parte velha da cidade, que todos prometem mais ou menos o mesmo, com mais túnel ou menos túnel. O candidato do PC parece-me o melhor, o do BE prometia muito e foi caindo lentamente naquela maneira muito ridícula do BE de fazer campanha, a do CDS, que veio esta campanha a tentar dar razão aos taxistas que aldrabam meio mundo no aeroporto, de resto promete às peixeiras limpesa, porque «só uma mulher é que sabe pegar numa esfregona e limpar», palavras da senhora não minhas, está tudo dito…

No Porto Assis é cada vez mais suspeito, Rio é cada vez mais desmascarado, o BE tenta a todo o custo assaltar o PCP, que com alguma irritação tenta demonstrar trabalho feito. É um futuro não muito risonho, mas com mais possibilidades do que o de Lisboa, principalmente na área da construção civil, uns a puxarem para um lado outros a puxarem para o outro.

Terminando, queria apenas falar dos quatro lideres e partidos que participaram na campanha, deixado de fora Ribeiro e Castro e o CDS que foram uma espécie de uma brincadeira de mau gosto, de assinalar pela positiva que os cofres do partido devem estar em muito melhor estado, já que aquela história das caravanas alugadas a agencias de modelos e transferidas de terra em terra acabaram, valha-lhes isso!
Sócrates esteve no papel de primeiro ministro, sinceramente acho mesmo que o PS foi o partido que esteve melhor nestas eleições, mais sereno e muitas vezes menos patético, excepto, talvez, na cidade de Lisboa. O PSD mostrou com o seu líder ter duas caras, a que afastou Velentim, Isaltino e etc… e a que foi populista, demagoga, que se fez acompanhar de Damascenos e chichis. O BE continua na sua procura incessante para ser mais ridículo, Louçã devia fazer campanha no “Levanta-te e Ri” acompanhado pela rapariga que de vez em quando aparece e que sem ter piada nenhuma diz sempre “pensem nisso!” Na resposta ao repto demagogo de Marques Mendes para que Sócrates fosse a Felgueiras, Louçã apoiou e reformulou para que Mendes fosse também ele a Gondomar… !PLAYING WITH THE BIG BOYS! Just playing with tha big boys! Um show! O PC sempre a vitimizar-se passa metade do tempo que tem para falar a queixar-se da falta dele, em resposta ao Stand up de Louçã, ainda introduziriam uns palhaços em Santarém para um momento cómico mais clássico, e por falar em Santarém espero mesmo que a líder do PC ganhe, poderá ser um perigo para muita gente se isso não acontecer.

E pronto, uma curta análise de coisas que fui acomulando e que devia ter escrito nestas últimas semanas mas não o fiz. Bom voto.

Miguel Bordalo

Estrada para o equilíbrio

ericeira

O mapa que não se quer perder

- Surfar de manhã ondas perfeitas
- Ir para o trabalho a ouvir a Oxigénio, o que só é possível já a meio do concelho de Sintra (indicador periférico)
- Ouvir a melhor música possível o dia inteiro, cortesia da redacção com melhor gosto musical do país

route66

- Ir para casa quando bem me apetece, a bem dizer, tarde, porque gosto do que faço, gosto de conduzir de noite, detesto trânsito e gosto de ouvir a Oxigénio de noite.

O romântismo da coisa faz esquecer completamente a precariadade do momento. Todos os sacríficios valeram a pena. Estar no limbo, mas a depender de nós próprios, sabe bem.

stmonica

Será isto realização?

Manuel Castro

A um dia de reflexão

Antes de mais justificar a minha ausência, simplesmente não o fazendo. Estive ocupado. Prometo no entanto, neste último dia de campanha, um post todos os dias, uma promessa não, mas sim um compromisso! Reactivarei este blogue, nem que não seja porque a minha escrita está a ficar enferrujada, por mim, mas também por vocês! A minha companhia, a minha gente! Portanto aqui fica o repto, acompanhem a noite eleitoral aqui no pastelinho! A comentarem a protestarem, a ficarem surpreendidos todos juntos.
Espero por vocês!

Miguel Bordalo

quarta-feira, setembro 28, 2005

Info-excluído

Alguém me diga qual é o blogue do grande Medeiros Ferreira (eu até sei quem é que vai ajudar), para eu colocar aqui nos links. Já o descobri há algum tempo, mas entretanto perdi-me na (ou da) blogosfera.
Aliás, neste momento,estou para a blogosfera como o Barbosa estava para os sócios do Sporting: com muitos croissants em cima.

Manuel Castro

sábado, setembro 24, 2005

Alegre notícia

Manuel Alegre avança para Belém.

Manuel Castro

ps: nem para todos, como é óbvio. Para uns será a azia total. Melhor ainda.

quinta-feira, setembro 22, 2005

Os miseráveis

Fátima Felgueiras voltou ao país. A filha da terra -de Felgueiras - voltou para gáudio dos analfabetos felgueirenses (se não for assim que se escreve digam) verdadeiros pacmans ao serviço do caciquismo. Para além da notável lata da senhora, da completa pobreza espiritual do "grande povo de Felgueiras" e da óbvia condenação ao PS que alimentou este ego-monstro durante anos e anos, há algo que me preocupa, em Felgueiras, como em Amarante, como em Gondomar.
Para além do absoluto desprezo pela democracia e pelas suas regras mais elementares há um grande orgulho nesse desprezo, que é esfregado na televisão todos os dias. Preocupa-me este comportamento, mais típico de doenças do foro psiquíatrico, do "eu vou ser presidente". Quero, posso e mando em directo na televisão.
Eu sinceramente, não estou preocupado com os "grandes povos" de Gondomar, Felgueiras e Amarante, acho que vão ter exactamente aquilo que merecem, caso se confirmem as piores expectativas. Preocupa-me sim o espectáculo pornográfico em que se transformou -porque é mais visível- o poder autárquico.
Isto é um absoluto gozo à democracia, é amoral, é indecente e ainda têm a distinta lata de colocar essa gente em debates televisivos.

Campanha no limite do impossível

Há cerca de um mês, num debate televisivo, na Sic Notícias, num desses frente a frentes entre candidatos autárquicos, assisti a um dos mais estranhos debates dos últimos tempos.
João Soares vs Fernando Seara.
Um Soares absolutamente irritante não parava de cilindrar Seara com números completamente rídiculos, factos sim, verdades com certeza, mas coisas que não interessam para nada ( e agora saíria Soares do nevoeiro e diria: interessam sim sotôr * , aos sintrenses) se não para confundir o eleitorado e dar uma sensação de enriquecimento de discurso (nota: o que ajuda quando as ideias são zero).
E, de vez em quando, lá Soares soltava a piada (sim era "a" piada", porque era sempre a mesma. Ah e já agora, hoje em dia um político sem uma boa piada num debate é como uma noite de um engatatão sem a piada do "doeu quando caíste do céu": inevitável).
E dizia Soares
"Você dava um bom presidente do Benfica, lá isso dava". Eu jurei que vi a careca de Seara ficar vermelha mais que uma vez, o homem estava a ficar irritado e quando Seara fica irritado, há-que dizê-lo, as palavras saem-lhe da boca aleatoriamente, em catadupta. Ou seja, misturado o já habitual tom histérico-indignado-moralista com um speed monumental, Seara parece um personagem de um jogo de computador antes de perdermos a paciência e fazermos control alt del.
Mas voltando ao que interessa, Seara a responder a uma dessas provocações sobre o Benfica advertia Soares que a si e ali, o que interessava, era Sintra e que o Benfica não era para ali chamado (nova nota: eu tinha perguntado a Soares qual era o seu onze base para a época 2004/05, tinha as eleições ganhas).
Portanto ao Presidente da Câmara de Sintra e candidato Fernando Seara não interessa, entenda-se politicamente, o Benfica.
Tudo isto, só para perguntar...quem terá sido o copião ** que escreveu a letras bem grandes ao lado da fotografia gigante -eu sei chama-se outdoors - do sotôr Seara a expressão, por todo o concelho de Sintra "Nínguem pára Sintra"?
É que, com tantos outdoors aquilo deve ter dado muito trabalho a fazer. E o que será que o Presidente e candidato Seara acha de tudo isto?

Manuel Castro

* O termo "sotôr" é roubado do artigo de hoje de Ricardo Araújo Pereira

** o termo copião é roubado dos livros do menino Nicolau e é usado diversas vezes por uma amiga da casa

terça-feira, setembro 20, 2005

Surf no limite do impossível



Kelly Slater acaba da ganhar o seu quarto evento este ano. O seu surf está incrível, apesar de neste campeonato sair um pouco a ideia de que Slater foi em alguns momentos beneficiado, quem sabe, eu vi uma onda na meia final que na minha opinião não merecia um 8.5, mas na realidade Slater não viria a precisar desta nota para passar. Na final, o 9 foi um 9, se poderem ver a onda no site da ASP, não é propriamente pelo tamanho da onda, nem pelos sanps exagerados, mas pela extrema dificuldade da onda, demasiado rápida para qualquer surfista excepto Slater, que num aéreo e num floater entra na onda para a destruir completamente. Falta a Slater ganhar mais um, ou esperar por um mau resultado de Andy ou Fanning para ganhar o mais que merecido campeonato mundial.



Há num entanto uma falha muito grande nestes últimos eventos, e é a falta deste tipo de cut backs:



O homem faz falta, acho que a fotografia diz tudo, o estilo é perfeito. Espero que em França já esteja pronto.

Miguel Bordalo

domingo, setembro 18, 2005

As grandes alegrias

Eu sou tipo com poucos amigos, amigos de peito, que vejo todas as semanas, ou com quem falo todas as semanas contam-se com os dedos de uma mão. Ontem um deles entrou para a universidade, não no curso que queria, mas naquele que estava à espera, que se tudo correr bem lhe dará acesso aquilo que ele quer. Foi um bom momento, é sempre uma altura de nervos, mas que no final correu muito bem. Parabéns, a partir de agora tudo será mais difícil! ;)

Mas foi com este meu amigo e o seu irmão, igualmente meu aliado e parceiro de crime, que vivi uma das cenas mais cómicas este verão. História esta que tem uma moral, por isso conto-a a toda a gente que nunca se ri tanto como eu, e como aquelas pessoas a quem eu conto e que conhecem as pessoas envolvidas.
No dia em que eu e os meus dois companheiros nos dirigimos para Ribeira d’Ilhas para ver o campeonato de surf, e ver especialmente o Tom Curren, a praia estava cheia. Tivemos armados de um para sol de percorrer toda a praia, que não é assim tão grande, para nos sentarmos por fim, no limite da praia, onde por azar e por qualquer razão não se ouviam os comentários. Esparramassamo-nos na areia a observar os prós a destruírem aquelas ondas pequenas mas perfeitinhas de Ribeira. Ás tantas já para o final da tarde começamos, de repente, a ouvir o comentador, e o diálogo passou-se assim

EU – Olha! Já ouvimos os comentários!

Amigo A – Sim! Que interessante! Sabes o que foi, foram as pessoas que sairam da praia, e assim o som passa mais facilmente para aqui!

Eu – Não. Sabes o que é, a maré está a descer, a água recuou, e o som não se dá bem com a água, agora aquelas rochas ali conseguem projectar o som para aqui…

(Entretanto o amigo D, continuava esparramassado na areia com os olhos serrados, como se não estivesse a prestar especial atenção.)

Amigo A – Creio que não, continuo a achar que a praia está mais vazia!

Eu – Pode ser do vento, mudou de direcção! O som é transportado mais facilmente!

Bruscamente interrompidos, pelo amigo D, que na mesma pose de paxá remata:

Amigo D - Olhem lá! Podem ter aumentado o volume não?!?

Rimo-nos que nem uns perdidos, eu e o amigo A (que entrou na universidade), e aprendemos uma lição.

Miguel Bordalo

sexta-feira, setembro 16, 2005

As notícias que se fazem

Depois do pior ínicio de época de todos os tempos da história universal e todas as outras histórias possíveis e imaginárias a nova notícia sobre o Benfica é a compra do Miccoli. Sim, ele já está no Benfica, eu sei.
Mas dada a sua boa exibição contra o Lille e o seu bom golo, o avançado emprestado pela Juve já vale mais que "5 milhões" e o Benfica tem que se pôr a pau porque a "Europa do futebol" vai andar atrás do rato atómico, daqui a exactamente um ano. Um ano. Por isso, o Benfica tem que comprar Miccoli, e tem que ser rápido, são 5 milhões, venha daí a novela. É a célebre "opção de compra". Mas é estranho, pelo menos nesta altura tão precoce (custumamos perceber que não os podemos manter no clube lá para Maio) isso acontecer com um jogador que já veste a nossa camisola...
O que seria a habitual novela "Benfica quer Clodonilson -Clodonilson quer o Benfica, Clodonilson é do Benfica desde piquininino- Clodonilson posa com a camisola do Benfica no Cristo Redentor-fundo de investimento compra 72 % do passe de Clodonilson para ceder um quarto desse passe ao Benfica-Clodonilson fica, afinal, no Corithians Alagoano porque não quer perder a feijoada que a mãe faz), transforma-se numa original história, em que o jogador, antes de ser do Benfica, já o era. Sim, eu sei. Falta a "opção de compra". "5 milhões". Bla bla.
O que estes acelarados -não será do snif, é do Benfica - fazem para vender jornais.
Somos mesmo os maiores.

Manuel Castro

Ópera do Cais Sodré - Conclusão final: lá vou eu votar no Ruben

No debate na Sic Notícias, ontem à noite, João Adelino Faria modera o debate. Carrilho e Carmona, degladiam-se. Este é um excerto da recriação do ambiente oitocentista levada ontem a cabo pelo dois candidatos à Câmara Municipal de Lisboa.

"Quanto pagou pela casa de banho?" Carmona Rodrigues

"Isso é uma calúnia e não lhe admito", Manuel Maria Carrilho

"Blasfémia, isso não aceito", Carmona Rodrigues

Carmona Rodrigues (já de pé e pronto para abandonar o estúdio da SIC) aproximou-se de Manuel Maria Carrilho, estendendo-lhe a mão para o cumprimentar, mas este recusou o aperto de mão.
"Ordinário", desabafou Carmona Rodrigues, dirigindo-se ao ex-ministro da Cultura de António Guterres que, entretanto, lhe tinha voltado as costas.

O FIM

Manuel Castro

terça-feira, setembro 13, 2005

Do mar ao céu, do céu à terra, da terra ao nada

Entrei no mar, com bom aspecto, ondas compridas com força, eu em forma e com fome de surf. As braçadas sem cansaço repetiam-se em movimentos suaves e contínuos como risos numa noite agradável com amigos, sem esforço, confortáveis, sem objectivo concreto, mas bem estabelecidas, eu sabia onde estava, bem acompanhado, de cima para baixo na onda e no mar. A beleza das ondas num mar verde e limpo, a alforreca e o ocasional peixe a cumprimentarem-me num dia cada vez mais perfeito. Uma onda grande levanta-se no horizonte e chama-me, sem hesitação fui ter com ela, sabia que ia ser uma das ondas da minha vida, formou-se, como nos filmes, sem “fade out”, sem truques para parecer maior, mais azul, mais perfeita. Tudo ao natural, estava lá, preparado, não foi preciso muita força para entrar, ela queria-me lá, em sintonia como todas as ondas nesse dia, muita luz a temperatura perfeita, os músculos preparados, alertados para qualquer situação. Levanto-me respiro fundo, olhos no topo da onda, enquanto deslizava, sorveteando o fresco que a velocidade oferecia, os pés assentes na água que me acolhia divertida, subo a onda, respiro fundo novamente, e deslizo para baixo outra vez num jogo de gravidade que mexe com o corpo que se diverte connosco. Em baixo novamente a ser envolvido pela água que queria que eu fizesse novas coisas, sentia-me preparado, puxava por mim a onda que na sua envergadura cobriu ligeiramente o sol, dando-me um pouco de sombra… esvaziei os pulmões, sentidos alerta, subi a onda e virei a prancha rápido para baixo, a minha mão que tocava na parede da onda, soltou-se veloz como um chicote para que o movimento fosse perfeito e a batida consumada, zás! Agora a onda já não estava para brincadeiras, queria algo mais a sério, estava rápida, má e difícil, ameaçava fechar-se a qualquer momento, não sei com o que é que ficou chateada, cresceu de tamanho, e enquanto recompunha o ar nos pulmões, senti uma nuvem grande e negra a cobrir a enorme onda, já não havia sol nem sombra agradável. O momento era sério, teria de fazer o que me andava a preparar para fazer às uns tempos, um floater, correr com a prancha em cima da crista da onda, subi, apontei para o lip, e enquanto o faço, com todos os sentidos em alerta, a onda dá um salto apanha-me a prancha e projecta-a contra mim.
Caí, como caio centenas de vezes, o meu ombro bateu no chão como o faz dezenas de vezes, sou um pouco mais embrulhado como acontece centenas de vezes, como se me estivessem a revirar de um lado para o outro, um cão pequeno nas mãos excitadas de um dono. Venho à superfície, rio-me, pego na prancha, e reparo que nesse mesmo momento, tudo ficou frio e desagradável, estava mal disposto, meio a tremer, o corpo a ressentir-se da temperatura da água, sem luz, muito vento, desordenado, um mar castanho misturado com a areia, um saco de plástico e um pau com um resto de uma rede a flutuarem ao meu lado… tinha partido a prancha…

Miguel Bordalo

sexta-feira, setembro 09, 2005

Noruega no gelado conforto

A vossa atenção para este texto no blogue afixe, são daquelas coisas que nos fazem pensar.

Miguel Bordalo

Democracia partidária

Costumo dizer que me encontro numa fase, provavelmente para toda a minha vida em que sou ideologicamente órfão, não acredito no sistema democrático actual, na sua eficácia, representatividade, honestidade e principalmente no seu futuro.
O mundo partidário faz-me especial confusão, é a maneira que o sistema arranjou para facilitar a formação de grupos com interesses parecidos, não propriamente com ideias parecidas. O que acontece é que com a necessidade que o sistema democrático tem de limitar o poder governativo a dois dos grupos praticamente, senão exactamente com os mesmos objectivos, e talvez com ideias diferentes. A única diferença entre os dois são as pessoas que o formam, a verdadeira essência de um partido político torna-se as pessoas, e não nenhum ideal ontológico como querem deixar parecer. Se por um lado o ideal fundamental pode trazer o perigo de estagnação, falta de adaptação perante o presente, as pessoas criam o caos e a falta de preparação. A política é sempre perseguida pela atracção do poder, no inicio com um enorme lugar bom, a possibilidade de lançar projectos, fazer coisas novas e mudar, à medida em que o processo partidário se torna sufocante todo o espirito positivo desaparece, desvanecendo numa inversão por lutas de posição, estatuto e carreira.

Este curta e desajeitada introdução a uma parte do nosso sistema “democrático”, permitam-me as aspas, para falar primeiro no PSD. É possível verificar um esforço, estranho, da direcção actual do PSD para se afastar de um certo número de pessoas que formam o seu partido. O desentendimento Alberto João Jardim (Madeira independente, já!), com Isaltino Morais, que tomou ele próprio a iniciativa de se afastar do partido e a acesa disputa com o Major Loureiro (o homem com os tempos cómicos mais acertados, quando está a falar a sério), são significativos de uma imagem que a liderança do PSD se quer ver livre rapidamente. Até aqui tudo bem. O problema é que o braço direito de Marques Mendes justificava a tentativa de expulsar o Major, dizia mais ou menos isto «o líder do partido fez um discurso contra o governo e as suas iniciativas, e o senhor major defendeu o actual governo, por aí podem ver porque é que esta situação tem de andar para a frente». Ou seja, já nem era porque o senhor major queria desafiar o PSD local, também não era pelas negociatas estranhas com o mundo do futebol, era sim porque um tipo do PSD não pode defender um governo socialista.

Olho para estas declaração e não posso parar de pensar no PCP, e como em processos mais complicados, porque ideológicos, (já que se existe um partido ideológico neste país ele é o PCP), expulsaram e afastaram membros do partido. As criticas de falta de democracia no partido com telhados de vidro fez-se sentir imediata e violentamente. Agora tudo é mais normal e democrático, ou como os burocráticos dos partidos gostam de dizer, é “estatutário”.

É que realmente nesta história da democracia nos partidos o grande exemplo vem do PSD, CDS que fizeram passar certas leis no parlamento, usando de uma maioria doentia e prepotente, mas acompanhados também por um PS demasiado excitado e ansioso que entre outras coisas proibia os partidos de efectuar eventos onde estivesse envolvidas determinadas verbas (isto para impedir que o PCP fizesse a festa do Avante), proibia os partidos de votar de braço no ar, para que tivessem de fazer voto secreto, (o que teve mais piada nesta lei é que o CDS votou contra os seus próprios “estatutos”) E votou mesmo de voto de mão no ar no último congresso que tiveram), esta última lei que é uma verdadeira fraude, que impede um partido de se juntar livremente e de se associar como desejam, é demonstrativo da condição do nosso sistema, que já não responde a si próprio.

Voltando à questão das expulsões, e visto terem deixado de ser uma exclusividade do PC, devo dizer em favor de Marques Mendes, que ao menos este anda mesmo a expulsar as ovelhas !mais! ranhosas, porque o PC esse já consegue expulsar gente com mais valor. Ainda assim se o PSD continuar assim, talvez daqui a uns tempos tenhamos a sorte de que se torne num partido mais pequeno que o bloco!

Miguel Bordalo

quinta-feira, setembro 08, 2005

Boca privada em entrevista fabulosa!

“Se ele estivesse aqui no Rio, fazendo uma revista, e pudesse, na hora do almoço, dar uma caída, ou se pudesse antes do trabalho dar uma passada na praia, escutar as merdas que os caras falam ali no calçadão, no Arpoador, a revista seria mais autêntica. O que falta é autenticidade para as revistas. Essa distância deles é um problema sério. Os caras de lá são muito arrogantes em relação à informação. Falta o pé sujo de areia na redação, sabe? Uma redação de revista de surfe tem que ter areia no chão, não dá pra ser limpinha. Tem que ter a sandália, não dá para o cara chegar de calça comprida, camisa pra dentro da calça pra trabalhar numa redação de surfe. É contra tudo o que eles deveriam pregar. Mas, no entanto, eles têm um certo orgulho de fazer isso, não sei por que. Talvez pra mostrar que tudo que eles fazem lá é bem sucedido, que o carioca é um merda, que o máximo que se consegue fazer aqui é ir à praia.”
Excerto da entrevista de Júlio Adler Indicada no Ondas, feita no Surf pensado. Uma entrevista a ler, apesar de grande parte do tempo referenciar o surf brasileiro, se lermos nas entrelinhas dá para retirar o espírito.

Miguel Bordalo

terça-feira, setembro 06, 2005

Mas que inconveniente!

O jantar da seita está quase para aparecer, já confirmei a minha presença, mas devo dizer que só porque sei que há gente que vem de longe, porque é um inconveniente enorme o jantar ser em cima do grande derby! Uma chatisse que em último caso vai fazer com que perante uma televisão por perto vá andar um pouco distraído…
Não se esqueçam de no meio do jantar, discretamente, me pedirem para eu fazer a imitação da líder da JCP. Este ano o comício no Avante teve muito nível!

Miguel Bordalo

segunda-feira, setembro 05, 2005

Trágico ou cómico?

A notícia mais incrível que li nos últimos tempos, potencialmente seria tão fácil, leiam e digam-me qualquer coisa! Diz um pouco do estado do jornalismo que por vezes para em paira em Portugal.

Miguel Bordalo

Estou convencido

O Slater não é humano!

Miguel Bordalo

Do Avante para o surf

Quem não conseguiu, depois de voltar tarde do Avante, ver às quatro da manhã o campeonato do WCT no Japão, podem querer ver a inacreditável manobra que lhe deu um 8 e a consequente vitória no heat no espaço dos videos na página da prova, não se vão arrepender. Já não sei bem a que horas me vou deitar… as ondas estão estranhas, de uma maneira que faz com que os surfistas não possam jogar pelo seguro. Vejo a semi-final? E se o Kelly ganha? Fico acordado até às 8? Raios!

Miguel Bordalo

sexta-feira, setembro 02, 2005

Só podia

Também fiz por isso! :)

This is me

Take the F1 drivers quiz on supersonicsquirrel.net


Miguel Bordalo

O ensaio sobre a cegueira

A situação em Nova Orleães só pode ser comparada ao meu livro favorito de Saramago, como dizia e muito bem a minha namorada, quase aflita a ver as imagens que atravessam o mundo. É realmente incrível como o país mais rico do mundo deixa os menos favorecidos para trás, à morte, à fome, à miséria, à violência, pilhagem e maldade humana. Se houver maior culpado do que aqueles que andam aos tiros no meio de um estádio com 60 mil pessoas, sem condições sanitárias, água ou comida, é o presidente Bush, criminoso internacional e caseiro, o verdadeiro representante do mal. Que hoje dizia que o governo federal iria fazer a sua parte mas que os privados também tinham que ajudar. Alguém dizia sobre um qualquer “ditador eleito” da américa do sul, - era pôr um sniper e matá-lo! - O que dizer do presidente Bush?

Miguel Bordalo

quinta-feira, setembro 01, 2005

De volta!

Umas férias sem aviso prévio, não foi de propósito, foi a pressa. Tive por terras transmontanas, passei pelo Porto para visitar os meus avós, e acabei numa temporada de surf um pouco intensa a surfar todos os dias no Alentejo. Cheguei há dois dias, ontem depois de tanto surf no Alentejo fui pôr em prática para a meca do surf, fiquei definitivamente convencido que não há melhor que a Ericeira, numa surfada de aproximadamente quatro ondas, fiz mais e melhores ondas do que em todos os quinze dias no Alentejo, (por minha culpa), mas atesta à qualidade das ondas na terra dos ouriços do mar.
Ontem fui com alguma pressa para a Ericeira porque uma das lendas do surf ia competir, fiz surf de manhã e fiquei à espera de Tom Curren toda a tarde, a ver surf de uma qualidade extraordinária. O tempo aproximava-se, a água na boca começava a criar-se. A tarde aproximava-se do seu final e eu refastelado na areia preparava-me para uma experiência extraordinária, falávamos nisso eu e os meus amigos quase nervosos, aproximava-se uma experiencia quase transcendental! Tudo o que já vi de Tom Curran, tudo o que já ouvi de Tom Curren conjugado com um heat ao vivo! De repente vemo-lo, uma licra cor-de-rosa, a descer a praia, o primeiro a dirigir-se ao mar, atravessa toda a praia para ir ao pico pelo direita, todos os olhos postos nele, enquanto o comentador da praia o elogiava, falava de vitórias passadas mais longínquas e mais próximas. – Vamos ver o Tom Curren – Vamos vê-LO – O Curren é agora! – estávamos preparados com os olhos vidrados nele, não iríamos tirar os olhos de cima do homem nem por um segundo na próxima meia hora! O comentador da praia diz qualquer coisa que eu não entendo, e os meus dois amigos lançam um grito lento e morno de desilusão. Não entendi a princípio, mas depois vi o Tom Curren a voltar para trás… tinham-lhe dito que seria o último heat do dia o que já estava na água e que para ele teria de ser bem cedinho amanhã de manhã. Eu é que já com o telefone na mão preparado para telefenar para amigos meus tipo concerto ao vivo fiquei boquiaberto sem saber se assobiava, protestava, ou os mandava à fava! Foi hoje o heat às 8 da manhã, ainda bem que não saí de Lisboa a horas absurdas só para o ver porque foi uma porcaria para o Curren, as ondas não estavam boas, mas ele também não devia ter desistido tão cedo, assim não entra do WCT de certeza!

Miguel Bordalo

quarta-feira, agosto 31, 2005

Neste blog 80% benfiquista, não podíamos deixar passar a contratação de dois jogadores para o ataque do Glorioso. Apesar de tudo, depois de tanta espera, ainda custo a acreditar. Mas quando vejo que contrataram um avançado-centro em vez de um ponta-de-lança (há diferença, não me apetece é agora explicá-la...), caio na real ao lembrar-me dos incompetento-interesseiros que actualmente gerem o grande Sport Lisboa e Benfica. Ainda assim são dois moços competentes, sendo que o grego Karagounis (cuja fuça é extremamente igual à dos gregos retratados nos livros do Asterix) até marcou até marcou a Portugal no Euro2004! Ora, o Benfica já tinha contratado um jogador que tinha realizado a mesma façanha (o checho Poborsky) e até deu resultado. Bom augúrio, portanto.
Se o Miccoli significar o afastamento do Nuno Gomes, então já sou um homem feliz, é tudo o que tenho a dizer.
P.S. - Vá lá não venderam o Simão. Também era só que faltava vender o gajo sem fazer lucro! E como não gosto do Benitez, junta-se o útil ao agradável.
Pedro Branco

quinta-feira, agosto 18, 2005

Em nome de quê? I

Não nos cansamos de saber que somos um país de burros. Talvez pior. Porque os burros andam atrás de uma cenoura provavelmente verdadeira e o nosso país anda atrás de uma cenoura de plástico.
Toda a gente faz asneiras. Mas Portugal, para além de não ser "gente", mas sim um país com uma história, uma identidade e um potencial únicos, continua a fazer as mesmas asneiras há anos e anos a bater com a cabeça numa porta que já está estragada de tantas cabeçadas.
Depois da total e completa violação do Algarve nos anos 80 e 90, com um crescimento urbanístico completamente desmesurado que arruinou por completo e de um modo irreversível zonas como, só um "pequeno" exemplo, Albufeira, chega agora -para quem não sabia- a notícia de que mais 100 mil casas vão ser construídas no Algarve nos próximos anos.
O concurso "vamos arruinar de vez o Algarve" já começou. O Presidente da Câmara de Lagos, Júlio Barroso, lança o mote:
"Claro que gostava de ver a Meia Praia numa zona verde (...) Mas não sou dono daquilo. Também não podemos cair em fundamentalismos ambientais que impeçam um desenvolvimento adequado"

O bom do Júlio não é "dono daquilo". Vamos ajudar o Júlio. Vamos tirá-lo, talvez, da Câmara. Vamos lançá-lo como empresário de construção civil para que ele, um dia, possa dizer que é "dono daquilo". E quantos aos fundamentalismos ambientais, tenho a plena convicção que Beirute competiria com Albufeira, Armação de Pera e Quarteira a nível do tal "desenvolvimento adequado".
Ordenamento do território sustentado?
Enquanto o bom do autarca vai ao diccionário ou pede a um acessor para explicar o que é isso, a Costa Vicentina está à espera para ser massacrada.
Que diacho, Gilberto Viegas, autarca de Vila do Bispo, parece que tem a resposta na ponta da língua:
"Não queremos o turismo do parque de campismo, mas o do hotel de cinco estrelas".
Respiro fundo para ver consigo concluír este texto sem insultar estes tipos, que depois de terem ajudado a enterrar definitivamente a qualidade de algumas zonas algarvias, vão voltar a cometer o mesmo CRIME.
Em nome de quê?

Manuel Castro

segunda-feira, agosto 08, 2005

Teremos sempre Akwá

Segundo o site d´A Bola, o Feyenoord não vai vender Kalou, o costa-marfinense maravilha que interessa a quase todos os colossos do futebol europeu mas que, aparentemente, estaria a caminho do Benfica. Segundo o mesmo jornal, a AS Roma já pode inscrever jogadores, o que também é uma má notícia para o Benfica, pois Nonda, ponta de lança congolês que também interessava ao Benfica - que estava na expectativa e provavelmente à espera que a situação não se resolvesse deste modo - pode assim ser inscrito e jogar pelos romanos.
E agora?

Manuel Castro

domingo, julho 31, 2005

Coisas que nunca mudam II

EUA anunciam o décimo planeta do sistema solar

Manuel Castro

Coisas que nunca mudam I

E Nuno Gomes fica de braços levantados à espera que lhe passem a bola.

Manuel Castro

quinta-feira, julho 28, 2005

Planeamento urbano em Lisboa: Que futuro?

1

A capital portuguesa está neste momento a desenvolver uma série de projectos urbanísticos, com distintas escalas e que se encontram em diferentes etapas de desenvolvimento.
Estes projectos têm seguramente em comum a intenção de reconversão, recuperação ou revitalização urbana das zonas sobre as quais incidem; serão talvez unidos por uma vontade de mudança, tendo eventualmente origem na sensação actual de urgência, de que são necessárias intervenções urbanas específicas para a solução dos problemas da cidade contemporânea.
Mas olhando para todos estes projectos percebe-se que falta algo: um fio condutor vigoroso, uma estratégia urbana consolidada e coesa, uma visão de cidade que tenha força para conglomerar todos os diferentes projectos, independentemente da sua escala ou área de actuação, incluindo e organizando os aspectos físicos, sociais e económicos em toda a dimensão do seu território. As ferramentas básicas de trabalho para esse "projecto comum" existem, mas não têm sido suficientes para o conseguir formalizar com a amplitude, unidade e vigor indispensáveis, de forma a transcender posições politico-partidárias e que consiga articular e envolver a sociedade civil, os responsáveis municipais e os agentes privados.

Diversas possibilidades têm sido apontadas como possíveis para a alteração deste cenário, de entre as quais se destacam: a nível administrativo, permitir uma maior desburocratização e flexibilidade, alterar e inovar as formas de gestão urbana; a nível cívico, impõe-se a necessidade de uma maior participação e interesse por parte dos cidadãos, permitindo-lhes a aproximação aos mecanismos de desenvolvimento e de decisões; e, incidindo sobre todos os agentes, impõe-se a urgência de uma evolução de mentalidades, que proporcione novos níveis e novas formas de interacção, articulação e pensamento crítico, que desafiem os moldes de planeamento tradicionais.

Este "plano geral" não pode servir para "coser" as diferentes intervenções urbanas que se espalham pela cidade; deve antes ser o que as origina, garantindo que estas sejam coerentes entre si e se complementem, que tenham uma razão muito clara que explique a sua aplicação e desenvolvimento, articulando projecções a médio e a longo prazo, permitindo a flexibilidade do modelo – na medida em que se adequa às circunstâncias e especificidades, bem como às necessidades que vão surgindo, as quais nem sempre se podem antecipar. Por outro lado, esta flexibilidade deve ser compensada com alguma rigidez, na medida em que não se pode abdicar de determinados princípios morais; a forma como a cidade é pensada, os aspectos aos quais atribuimos prioridade, espelham os princípios morais pelos quais nos regimos e vivemos. E numa sociedade democrática, é desejável e imprescindível que o planeamento da cidade integre estes elementos.

No modelo de intervenções urbanas específicas em determinadas áreas do território como o que actualmente é praticado na metrópole Lisboeta, é mais fácil a criação de consensos, enquanto que a sua visibilidade política e mediática também estão facilitadas. Pelo contrário, um grande projecto estratégico, tanto pela sua complexidade formal, como pelo tempo que exige no seu estudo, discussão e implementação, é incomparávelmente mais demorado e passível de ser questionado e modificado. Mas esta complexidade de um projecto a longo prazo dota-o de uma riqueza e de um valor que o distingue e o torna incomparável a um modelo de "pequenas cirurgias", que resolve alguns problemas pela metade, e que não pode ambicionar a soluções de maior amplitude.

2

Num mundo globalizado como o que actualmente vivemos, esta procura de um propósito, de uma desígnio comum aos interesses dos diferentes actores urbanos, tem conduzido a que muitas cidades procurem construir afincadamente a sua base identitária em princípios oriundos dos modelos empresariais, privilegiando a economia e o lucro financeiro em detrimento do bem-estar de todos os seus cidadãos. A exploração do capital simbólico da cidade, bem como a preocupação do marketing urbano na construção de uma imagem de cidade incide sobre o desenvolvimento das características gerais mais identificatórias da cidade – elementos históricos, geográficos, da cultura popular -, onde também se acrecentam conceitos contemporâneos como, por exemplo, Cidade Tecnológica, ou Cidade das Artes e da Ciência (sendo neste último caso o slogan criado para a cidade de Valencia, em Espanha). Através deste carácter promocional, as cidades procuram estabelecer a diferença e a distinção em relação às outras cidades com as quais competem, de forma a lhes permitir uma colocação no ranking correspondente às suas ambições de poder político e económico. Não deixa de ser curioso que diferentes cidades de diferentes países, frutos de diferentes culturas, acabem por obedecer a um determinado padrão, que tanto passa pela existência prolífera de multinacionais de fast-food como por obras com a assinatura de algum arquitecto do star system global – assinatura essa que, ironicamente, recai exactamente sobre algum desses projectos de cariz simbólico-cultural, que garantiriam à partida a diferenciação da Cidade® em relação às outras cidades. Acrescente-se ainda uma determinada forma de renovação dos waterfronts, a qual regra geral obedece a um padrão específico de utilização, encontrando-se assim destinada a cumprir um determinado modelo preconcebido de utilização do espaço – espaços esses que cumprem com rigor e coerência a sua função espacial, em termos de estética, funcionalidade, beleza, integração na malha urbana, sendo fomentadores do sucesso económico, mas incapazes de trazer consigo qualquer benefício social relevante, não contribuíndo de nenhuma forma marcante para a construção de uma melhor cidadania. Portugal é também disso exemplo: em termos de recuperação urbana na frente marítima, temos o caso da Expo’98, para a realização da qual houve uma significativa concentração de esforços para levar a cabo um projecto conciso e aplicado a uma área específica da cidade que indiscutivelmente teve um ganho físico e simbólico. Outros países tiveram processos semelhantes nas suas linhas de água, como em Inglaterra (Canary Wharf, em Londres) e Espanha (o projecto de frente marítima de Barcelona, consolidado durante os Jogos Olímpicos de 1992). Em termos de modelo puramente cultural e funcionando a outra escala, temos a recém inaugurada Casa da Música, no Porto. Originalmente inserida no projecto Capital Europeia da Cultura, o qual se aproveitou para levar a cabo a renovação urbana de zonas específicas da cidade, a Casa da Música surge como um edifício-ícone, tanto em termos da sua representatividade arquitectónica como na sua utilização de âmbito artístico-cultural (como, aliás, também o é o Museu de Arte Contemporânea de Serralves). No entanto – e aqui reside uma questão perniciosa - a manipulação do conceito de bens culturais legitima socialmente determinadas actuações urbanísticas, tornando difícil a contestação das mesmas; criou-se a falácia do que é cultural é bom, a par de uma certa banalização da utilização do conceito, a qual, paradoxalmente, não contribuiu na mesma medida para a tornar mais acessível à generalidade da população. E assim a Cultura, que seria uma ferramenta para atingir determinados objectivos de carácter social, acaba por se transformar num fim em si mesma. Ou seja, aquilo que inicialmente seriam projectos para servir as necessidades dos cidadãos no seu geral, acaba por funcionar essencialmente para satisfazer as necessidades das elites instaladas do costume.

É claro que as cidades não podem ser compostas por diferentes fragmentos, encaixados à força e colados para se manterem juntos. Na hipótese de uma imagem fragmentada, que seja antes a de um puzzle – no qual cada peça ganha sentido na medida em que complementa as peças da sua envolvente, formando no total um conjunto coeso e dotado de sentido que permite o seu funcionamento correcto. Da mesma forma, para o desenvolvimento positivo de uma estratégia urbana de características abrangentes, é necessário não só o diálogo e proximidade entre a administração local e a sociedade civil, como também é imprenscindível que dentro da equipa de trabalho municipal se promova a interdisciplinaridade, re-equacionando as necessidades da rede viária, das zonas verdes, dos recursos hídricos e energéticos, da construção no seu conjunto, colmatando na melhoria de oferta de qualidade de vida a todos os cidadãos. A cidade tem também de ser pensada e planeada num âmbito que ultrapassa o município e abrange a região metropolitana. O tecido urbano da Área Metropolitana de Lisboa é complexo e rico em discrepâncias aos mais variados níveis, e também por isso é indispensável ter uma visão do conjunto, de forma a adequar e equilibrar zonas totalmente urbanizadas com zonas detentoras de características rurais, zonas passíveis de construção e zonas de protecção natural. É necessário o empenho na alteração das ferramentas de planeamento, de modo a escolher os meios e os percursos mais indicados para lograr um projecto coerente e eficaz. A cidade não pode funcionar como uma manta de retalhos, com intervenções pontuais e restringuidas a determinadas áreas. É essencial a elaboração de um plano de raíz, que analize as diversas problemáticas das vertentes social, ambiental, e física; que defina estratégias, prioridades, que aponte caminhos, estabeleça metas e objectivos. É importante que o modelo a seguir defenda uma ocupação compacta da estrutura urbana e usos mistos do solo, não apenas entre habitação e producção industrial de novas tecnologias limpas, mas também fomentando a mistura entre grupos socio-económicos, promovendo o aumento da complexidade urbana, de mistura e de aproximação entre os diferentes elementos que compõem a Pólis. E, por fim, é indispensável uma inclusão mais completa da sustentabilidade, que valorize com equidade aspectos ambientais e sociais, promovendo os valores fundamentais pelos quais este conceito se rege e em cujo epicentro se situam os aspectos básicos da democracia.

Ligia Paz

artigo publicado na revista de Arquitectura Arq./a, nr 31, Maio-Junho 2005
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