segunda-feira, janeiro 31, 2005

A verdadeira história da génese do EdM

Tem mais lógica que deixe aqui os três episódios, quem tem vindo a acompanhar este fabuloso conto passem logo para o terceiro capítulo “Mas já está a descer” os outros têm aqui a oportunidade de o ler na integra. Obrigado Chico pelos textos e momentos.

O LEVANTAR DO PANO

Um colega meu, a que chamarei F., deu origem a um mito urbano, largamente divulgado por uma pessoa, melhor, por um ogre anónimo.
Chegou então a hora de divulgar a sua origem, de trazer finalmente ao mundo toda a alegoria circundante a uma história que, como os caros leitores repararão (se a lerem até ao fim) tem tanto de bonita (pelos seus valores) como de desconcertante (por tudo o resto).
Cá vai.
Prontos?
Mesmo?
Vamos a isso:
F., descansado da vida, atravessa a rua numa passadeira perto da Av. Da República, sem saber que dentro de instantes a raiva de um homem desabaria qual massa adepta do Sporting quando soube que Luís Duque queria contratar o melhor treinador do mundo (e não sou eu que o digo).
O sinal está verde para F., peão da nossa história. Um camionista (classe altamente respeitada nas lides da estrada lusa), parado um pouco à frente da passadeira, resolve fazer marcha à ré, sem aviso prévio. O nosso jovem herói, quase entalado entre uma viatura ligeira e outra que nem tanto, não controla a sua língua, e, indo ao fundo do seu ser em busca da selvajaria inerente a todo o animal humano, clama um vitupério pleno de intenção: “mas você é palerma?”.
O camionista (aproveito para dizer que muito respeito esta classe), sai do cubículo para aplicar no petiz aquilo a que nas lides suburbanas da nossa cidade se chama um “calduço”. Estamos em Lisboa, não nos esqueçamos, e a senhora atrás do camião, os transeuntes que se juntaram para ver “molho”, e o condutor de uma ambulância parada ao lado do carro não repararam no que se passou.
Chegou um polícia que nada fez por não haver testemunhas (viram, mas não testemunharam – aliás, nem devem saber o que significa a palavra), mesmo depois de saber que o camionista (compinchas, os camionistas) lhe bateu mesmo: “ele pôs-se a insultar a minha família” - cito.
Chega ao fim a primeira parte.
A segunda, onde será finalmente abordado o cerne da questão, fica para depois.

(Manuel e Miguel, isto de contar histórias às prestações serve para prender milhares de leitores à minha novela de cordel, imprimindo novo élan ao vosso Pastelinho; façamos figas)


O PANO CONTINUA LEVANTADO

Dias mais tarde (poucos, mas alguns) F. queixa-se à maior autoridade em termos de justiça dentro da empresa onde trabalho: o motorista do Patrão.

Faça-se um parênteses para explicar que o Sr. R., em antes, era motorista de praça de noite, e polícia de dia (ou vice-versa, mas o espírito está todo lá). Hoje em dia, além de me tratar por Doutor (hábito que acabou por perder ao fim de dois meses, depois de muita insistência minha; felizmente não fui despromovido, e hoje trata-me por um menos importante para o estilo, mas mais aconchegante para a alma: “amigo Francisco”), e insistir em chamar Verónica a outra colega –“Como está, Dra. Verónica? É Verónica, não é?”, – “Não, é Mónica”, – “Pois, pois, é isso, Dra. Verónica” –, é diabético, surdo, e vê mal à noite. Ah, e aqueles reflexos...
Continue-se o parênteses para explicar que não são raras as vezes em que o Sr. R. sai em serviço com o Patrão e o neto deste, e o patrão vem a conduzir, o Patrão vem ao lado, e o motorista sentado atrás.


Acabe-se pois o itálico e regresse-se à nossa trama, que fascinará tanto o nosso leitor enquanto a devora sofregamente, como fascinou este vosso criado enquanto a escreveu, e, porque não dizê-lo, vivenciou.
Continuem atentos, pois o episódio III (o último) está para breve... ou não!

MAS JÁ ESTÁ A DESCER

Ora pois o “meu amigo R.” tem outra peculiaridade: é aquilo a que os amigos chamam “um homem de bem, como já não se fazem”, os amigos (como eu) chamam “um homem à moda antiga”, e um Batista Bastos chamaria “fascizóide de merda”.
É então um Sr. que clama a quem o ouvir que na época em que ele foi criado e educado isto nunca aconteceria, que foram os comunistas que trouxeram Portugal para a lama suja da agressão, do insulto, enfim, do calduço.
Aliás, toda a gente sabe que a liberdade é que deu cabo de tudo.
Mais, o Sr. R. ainda diz, reparem bem no que vos conto, que ainda há de “ver o dia em que todos aqueles que fizeram o 25 de Abril hão de estar pendurados pela Avenida da República”. A imagem traz-me lágrimas aos olhos, mas não sei se será do bonito (inegável) da situação.
O meu amigo teve então a sua coroa de glória, que levou um escritor esporádico como este vosso sinceramente a escrever a suas elucubrações.

Pois bem, o Sr. R. torna-se agora herói, retirando o primeiro lugar no pódio a F. num golpe de mágica digno de um Copperfield (desculpem, mas não sei como é que isto se escreve).
O novo Hércules, homem que ainda é forte (“sou capaz de levantar 100 Kilos”- seria “sem”?-, “o que é, canso-me mais depressa”), tem uma ideia de génio: “isto era criar um ESQUADRÃO DA MORTE, e ir atrás deles. Sim, porque eles não fazem isto assim à balda, eles têm alguém lá em cima que lhes diz para fazerem estas coisas.”; e, já se sabe, foram os “comunistas do 25 de Abril” (se bem que, lá em cima, só há uma autoridade; ou deveria dizer Autoridade, que até nem consta que fosse comunista?).
Se quiser eu vou lá consigo, e levamos mais alguém, mas temos que ter consciência que podemos destruir as nossas vidas. Mas se uma pessoa tiver querer, e quiser fazer justiça, é para matá-lo. Mas atenção: temos que ter consciência que é possível que um de nós leve um tiro ou uma facada, mas ele não faz outra.”
Nasce então assim o Esquadrão da Morte: uma liga justiceira que no seu génese seria constituída por F., arquitecto, um motorista forte (mas que se cansa depressa), e mais alguém.
Chego agora, com grande pesar, ao fim da trama, e resta-me apenas desejar que a vontade de criar esquadrões da morte tenha nascido nas almas inquietas de todos os que leram esta história plena de moral, amor ao próximo, e ódio ao inimigo comunista; e também que o prazer da leitura tenha sido tão grande como o da escrita (ou até maior).


Acresce agora dizer que o Sr. R. é divorciado, e já não deve ter aventuras há muito tempo.

O Fim.

Francisco Castor

Os Choques

Em toda a história da vida portuguesa, o país dos brandos costumes, nunca houve choque de coisa alguma. E esta designação já foi utilizada antes, e mesmo nos primeiros quatro anos da sua governação, que como digo sempre, foram completamente diferentes dos dois últimos, a única coisa em que realmente não foi capaz de mexer foi exactamente onde prometeu o choque, na educação e na qualificação. Durão Barroso (mas este nunca enganou ninguém, ou quase) não fez nunca nenhum choque fiscal.
Nestas eleições estão três choques em causa! Três! O primeiro foi o do PS, uma boa ideia, sem dúvida, o choque tecnológico, mas serão os socialistas capazes de reequipar o país com o estado da nossa tesouraria? O PSD ameaça um choque de gestão, a ideia já é um pouco mais difusa e estranha, então antes não havia cuidado com a gestão? Será só agora? É essencial para este país seja sempre bem gerido a palavra choque serve aqui para fazer figura. Mas o último choque é o mais revelador! O PP escolhe o choque de valores, o PP ao ver que Bush ganhou as eleições nos EUA por causa dos casamentos homossexuais, com uma elevação de votantes que nunca antes tinham ido antes às urnas, e decidiram então apostar nessa táctica. Não só revela o populismo e a demagogia do dirigismo do PP, como curiosamente vem dar razão às palavras desastrosas e, estou convencido, inocentes a este nível, sobre a insinuação da vida homossexual de Portas, claro que ser homossexual não tem mal nenhum, mas será que as pessoas para quem está a pregar moral, aceitam o seu estilo de vida? No fundo este choque nem sequer é um risco, é apenas um slogan, aliás, o PP é um slogan!

Miguel Bordalo

domingo, janeiro 30, 2005

Um Benfica diferente mas nem por isso



Ontem o Benfica fez um bom jogo, podia ter sido óptimo, seguro e calmo, mas...
Nuno Assis estreou-se ontem pelo Benfica, no meio campo tudo mudou! É engraçado como um jogador que poucos treinos fez no Benfica parecia estar lá a jogar à anos! Esteve presente nos dois golos com trabalho à número 10, inclusive no último finalizou o lance. No primeiro faz um triangulação com Simão que o isola no lado esquerdo para o passe mortal que deu o golo a Nuno Gomes. No segundo ganha uma bola a meio campo, entrega a isolar João Pereira e continua no lance para receber um passe clínico de Nuno Gomes para finalizar muito rápido. Muitos e bons indicativos para um jogador que o Benfica precisava mesmo! É preciso é dar tempo ao tempo. E não esperar que ele faça sempre jogos assim.
Já o Benfica depois do 2-0, mas principalmente depois do Moreirense ter ficado reduzido a 10 jogadores por lesão de um jogador, começou a relaxar, e quando sofreu o golo foi a nervoseira! Até o Simão falhou um lance que nunca falha! Para ser sincero, e sabendo que a vitória do Benfica é justa, quando vejo equipes como o Moreirense a lutar assim dá gosto, e se não fosse contra o Benfica até gostava de ter visto esta equipe a empatar, pela luta final com um jogador a menos. Se o Moreirense jogasse sempre assim não estaria no lugar em que está.
Claro que continuamos a ver, e continuaremos porque um Benfiquista tem de sofrer, a nossa equipe a tremer nos finais do jogo, quando não se consegue alargar o marcador. São medos que já vêm de à muito tempo!
Devo dizer também que Bruno Aguiar fez um jogo surpreendentemente bom! Ou talvez não. É um jogador que é preciso não queimar e dar-lhe tempo.

Miguel Bordalo

Iraque sobre fogo!

Parece uma daquelas guerras em que os exércitos ficavam sempre estáticos nem que soubessem que iam ser dizimados! O Iraque está a ser dizimado por ataques suicidas e bombistas. Já 29 pessoas morreram às 12:05. E como podemos imaginar, estes números estão sempre avaliados por baixo.
Não vou, nem quero, negar a coragem daqueles que vão votar hoje. Mas vou acusar aqueles que permitiram esta situação, apressaram esta votação a todo o custo, por questões de imagem. Hoje os mortes mais que os outros pesam sobre essas cabeças! Espero que lhes pesem bem!

Miguel Bordalo

Continuam a fazer anti-campanha

Santana Lopes: pelo seu “Governo reformista e estável”.
Título de uma notícia no Público.


Reparem! Não só Santana tenta dar a dica, como o jornalista do Público teve o pudor de por as palavras governo, reformista e estável todas juntas referindo-se a Santana entre aspas! Não podia deixar de ser!

Miguel Bordalo

sábado, janeiro 29, 2005

Pequeno repto

Queria convidar os ilustres participantes neste humilde blogue, senhor Miguel Teixeira e senhor Francisco Castor a comentarem a participação de Marcelo Rebelo de Sousa num comício de apoio à candidatura de Santana Lopes a primeiro ministro. Marcelo esse baluarte da rectidão e honestidade intelectual! Os dois contribuintes terão agora de explicar tudo! E dizer tudo já que muitas vezes o defenderam quando o ataquei. E quero que tenham coragem para dizerem que não! Terão de se haver com um perito em artes marciais no seu estado mais puro de indignação! Ei!... E rapidamente!

Miguel Bordalo

O PANO CONTINUA LEVANTADO

Dias mais tarde (poucos, mas alguns) F. queixa-se à maior autoridade em termos de justiça dentro da empresa onde trabalho: o motorista do Patrão.

Faça-se um parênteses para explicar que o Sr. R., em antes, era motorista de praça de noite, e polícia de dia (ou vice-versa, mas o espírito está todo lá). Hoje em dia, além de me tratar por Doutor (hábito que acabou por perder ao fim de dois meses, depois de muita insistência minha; felizmente não fui despromovido, e hoje trata-me por um menos importante para o estilo, mas mais aconchegante para a alma: “amigo Francisco”), e insistir em chamar Verónica a outra colega –“Como está, Dra. Verónica? É Verónica, não é?”, – “Não, é Mónica”, – “Pois, pois, é isso, Dra. Verónica” –, é diabético, surdo, e vê mal à noite. Ah, e aqueles reflexos...
Continue-se o parênteses para explicar que não são raras as vezes em que o Sr. R. sai em serviço com o Patrão e o neto deste, e o patrão vem a conduzir, o Patrão vem ao lado, e o motorista sentado atrás.


Acabe-se pois o itálico e regresse-se à nossa trama, que fascinará tanto o nosso leitor enquanto a devora sofregamente, como fascinou este vosso criado enquanto a escreveu, e, porque não dizê-lo, vivenciou.

Continuem atentos, pois o episódio III (o último) está para breve... ou não!

Franscisco Castor

Auschwitz

Um post surrealista
Proibido ler àqueles que vivem na ilusão de que não são loucos


A memória é traiçoeira, um momento estamos bem, na nossa cidade, na companhia da família e dos amigos, noutro momento não nos sentimos tão bem. Perdemos a cidade, o nosso ponto de referência, encontramo-nos num sítio desconhecido, em que não reconhecemos muito bem as paredes que nos rodeiam, que parecem mais apertadas, mas sem dúvida mais longas, compridas e cansativas... Todo parece desajustado, o corpo parece não obedecer e temos frios e calores que criam dores em sítios desconfortáveis, que não conseguimos bem encontrar posição para as aliviar, nem se calhar queremos...
Mas ainda temos a companhia dos amigos, aqueles tipos cínicos todos que não sabemos se realmente gostam de nós. Ou sabemos que gostam de nós mas não daquilo que gostaríamos que gostassem, porque sinceramente grande parte dos amigos gostam dos nossos defeitos, e nós dos deles! Gostamos de aturar os defeitos de cada um, ou talvez não... talvez as qualidades se transformem rapidamente em defeitos, porque aquele palerma é demasiado bonzinho, ou aquele idiota é excessivamente esperto, ou aquele estúpido é catastroficamente alegre, e o sisudo esse é definitivamente sério em demasia.
Acompanham-me como se tudo fosse como antes, como se não se tivesse passado nada... indiferentes à mudança, indiferentes ao futuro, se houver futuro... Atrás de mim ou à minha frente de repente perco-os a todos de vista, são só estranhos ao meu lado, mais cientes de que também eles foram retirados dos seus ambientes. É fácil tornarmo-nos dependentes de outros... todos os meus outros amigos servem agora apenas de referencia, arranjo uns iguais, o bonzinho, o esperto, o catastroficamente alegre (ou nem tanto que a ocasião não permite) e o sisudo que no final disto todo vai ser o que tem razão já que será o primeiro a pegar no lençol e enforcar-se numa das vigas que por aqui estão no tecto.
Mas a família eu sei onde está, os amigos é para as ocasiões e quando a situação parece começar a desesperar, é a família que conta. Deixei-os numa das pontas desta sala toda de madeira onde ainda balança o corpo descaído e desconfortável de um homem que não reconheço. Tinha-os deixado aqui! Ninguém me os arrancou dos braços em lágrimas, batendo-nos como animais sobre ameaças... aquele cheiro a morte _ eu reconheço-o... mataram-me o meu irmão mais novo. Um tiro na cabeça depois de um minuto de agonia de mãos na nuca a desejar que no fundo todos tivéssemos em casa, e que tudo não passasse de uma brincadeira. Sim, porque aquilo tudo doía demais para ser um pesadelo, se o fosse já estaria nos braços da mãe acordado, suado, aos soluços enquanto o confortavam ele e a irmã. Acho que a minha irmã... esqueci-me, se me lembrasse morria agora, pegava eu no lençol e atava-o à viga... estas paredes parecem ser do tamanho de um armário, o cheiro já nem se pode, onde é que eu os deixei? A todos... onde está a minha mãe para me confortar? Que é feito do meu pai para me dar força? Nenhum pai deve ver a morte de um filho, devem ter morrido naquele minuto de agonia, caíram com certeza ao chão, inanimados para nunca mais acordarem. Pois se o filho não os queria largar exactamente a eles! Se a confusão foi exactamente essa. E o amigo de longa data da família que agora fingia não nos conhecer não ouvia a voz da razão... aquela separação era impossível. Ele não via? Como era possível?
Estou sozinho, dói-me o corpo todo, e ainda vejo que há alguém com os olhos postos em mim à espera de um sinal de esperança... Dois olhos enormes castanhos, húmidos e limpos do choro com certeza. A única parte limpa de todo o seu corpo, a única parte limpa de todas aquelas paredes que de repente tinham assumido o lugar de prisão... claustrofóbica. Terão esses olhos lindos andado à procura de força, ou terão eles sido a última dávida que me deu força para me levantar? Ao som da chamada, meio cego, enjoado e cansado, um cansaço esgotado de cabeça prostrada.
A memória prega-nos partidas, acordo ao sentir o azulejo nas costas, e pisam-me os pés que se abrem em sangue de bolhas e dias de andares, correrias e trabalhos descalços. Os que me pisam não estão a ver o que fazem, não os levo a mal. Nem olho. A minha pele arde-me bruscamente, com se me estivessem a arranca-la ou a queimá-la com um maçarico, as minhas mãos parecem querer explodir, e as unhas sair dos dedos, vou arrancá-las eu, esperneando aflito, já com gente em cima, arrancava-tas à dentada se tivesse força para isso. Já fiquei cego à muito é a primeira vez que vejo tudo branco, e é um alívio, acenderam todas as luzes do mundo na minha cara_os meus olhos derreteram-se com toda a certeza_o meu estômago rebentou e todo o meu corpo está virado do avesso_ esvazio o último ar dos meus pulmões com um berro e é impossível enche-los de volta_tanto estalo dão de convulsões... e pensam que me mataram agora!?! Eu sei que não vão ver, mas morri com um sorriso a sangrar por todos os lados do meu corpo, a dor física não me impressionou, já estava morto quando me mataram o irmão!

No fundo o homem não foi feito para gostar de si mesmo. Somos inteligentes demais para sabermos do que o outro é capaz. Do que a humanidade é capaz. A nossa capacidade única é a razão para o caos que vivemos. E todos os dias limitamos as nossas capacidades ao odiarmos mais um humano. Pessimista eu? Não. Eu estou morto. Sou apenas o resultado de anos de “desenteligimento”. Os homens acabarão por se matar a todos, e no fim, bem no fim quando sobrarem só dois, vão dizer um para o outro ironicamente - que tal começarmos de novo?

Miguel Bordalo

O dia I

Estamos a horas do dia Iraque. Todo este processo Iraque foi um desastre desde o dia em que os EUA decidiram unilateralmente invadir um país soberano. Não é só o facto que todas as razões pela qual foi justificada a invasão terem sido baseadas em mentiras descaradas, que só um cego ou um burro não perceberam logo. Mas o mais grave para mim é o pressuposto, abriu-se um grave pressuposto a nível internacional, a guerra preventiva. Por si só este conceito é um crime de guerra. Mas como infelizmente a única potência mundial a nível militar são os EUA ninguém os pode impedir ou refrear, muito menos fazer estes dirigentes pagar pelos crimes que executaram. Desde a invasão do Iraque mais de um milhão de Iraquianos morreram. Ninguém me consegue convencer que estas eleições mereceram este preço.
Mas as eleições vão mudar algumas coisas no Iraque, disso tenho a certeza. Uma, a razão pela qual os EUA têm tanto interesse na sua realização é que vai ditar a retirada o mais rapidamente possível das tropas naquele território. Expecto, claro, nas zonas de extracção de petróleo, (e não pensem que vai haver alguma espécie de pudismo neste aspecto, os americanos já deixaram bem claro quem é que manda nessa área ali no Iraque.)
Outra coisa que vai mudar é o rumo da democracia, quando todas as pessoas dizem que estas eleições ainda não vão ser perfeitas, eu tenho a certeza que estas vão ser as eleições mais perfeitas no Iraque até à próxima invasão por parte de uma superpotência. É que quem se apanhar no poder no Iraque não vai sair de lá mais. Não digo o homem, mas os interesses á volta dele.
O terceiro ponto muito importante é o síndroma Timor Leste. Que sinceramente espero que não aconteça. É que no Iraque há muitas facções e no dia 30 só uma vai ganhar. Já se prevê qual seja, mas ainda assim o momento do desfecho vai ser brutal, com muita gente no Iraque a sentir-se defraudada, ou simplesmente frustrada. Poderá ser um banho de sangue de uma dimensão inimaginável. É esta a minha preocupação mais a curto prazo, acho que os Iraquianos já sofreram mais do que é humanamente possível, e aquela terra não está preparada para uma reacção em massa.

Miguel Bordalo

sexta-feira, janeiro 28, 2005

A leitura dos jornais hoje não está a ser fácil

O aborto clandestino leva três mulheres ao hospital por dia. É verdade que tenho a edição impressa d’A Capital mas dá para ter uma ideia. É um debate que temos frequentemente aqui no Pastelinho, e que as próximas eleições vão influenciar o modo como se vai resolver a situação.

Miguel Bordalo

Sondagem e explicação

É pena que no Público on-line não venha descriminada a forma como foi feita a sondagem. Mas os números são os mesmos que os últimos que dão uma maioria absoluta ao PS. Nunca houve maior razão para votar mais à esquerda, BE ou CDU. Na minha opinião.

E antes de mais nada queria também relembrar os alfacinhas (como eu) que é imperativo pensarem que um voto no PSD vale o que vale, mas que neste caso elege um dos piores personagem que emergiu no espectro político em Portugal Nuno da Câmara Pereira.
Há realmente cada vez mais em jogo nestas eleições.

Miguel Bordalo

É de uma pessoa ficar boquiaberta

Não quero dizer nada. Até porque não posso. Está aqui tudo dito por Mark Kirkby.
Ou não... porque desta personagem há sempre algo mais para dizer.


Miguel Bordalo

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Outra Sondagem

PS: 46
PSD:28
CDU: 8
BE: 8
CDS: 6

Sondagem da RTP, que dá uma maioria absoluta clara a PS, o que também não é animador. Não consegui infelizmente saber quais foram as características da sondagem. Para saber se tem um valor elevado ou apenas indicativo.

Miguel Bordalo

Isto há com cada uma!

Já começo a ficar chateado! Lá que seja discutível a minha opinião que o Benfica jogou melhor ou não, acho legitimo contestarem. Se acham que o Sporting jogou mais, quem sou eu para vos contrariar. Mas agora o Hugo Viana! Telefonei ao Manel a perguntar-lhe, ele foi bem expulso, a resposta foi reticente, não tinha a certeza. No Sporting ninguém acha que ele foi. Mas porquê? Estive a ver a expulsão em vários ângulos e não tenho dúvidas:
Então vejamos! O jogador A vai discutir uma bola dividida, faz uma cueca monumental ao jogador B, o B que no quente da jogada faz uma entrada puxadinha a pé juntos ao A. O arbitro dá a lei da vantagem, segue o jogo, e embrulhados A e B começam a levantar-se. O B chateado por qualquer coisa dá um soco na coxa do jogador A, e não é um soco de amizade como me tentaram dizer, foi um soco! E o jogador B evidentemente não deve ser expulso?
Quer dizer só se fosse na cara é que ele tinha de ser expulso? Ou nas partes baixas? Talvez nas partes baixas houvessem dúvidas! Talvez seja melhor dar um mapa aos jogadores para dizer quais são as zonas onde podem bater ou não. Na coxa podem! E na barriga? Tinha mais lógica para alguns que se pudessem dar socos nos braços, até porque eles não precisam deles para nada! Tudo a mandar paralíticas nos campos que não tem mal! Isto há com cada uma!

José Peseiro devia mesmo ter juizinho quando tem jogadores a atirarem-se para o chão por tudo e por nada! Apesar de ter gostado muito de ver Liedson a jogar este jogo, fez o jogo pelo jogo, esforçado, marcou um grande golo, e não andou com palhaçadas! Mas a verdade é que quem vê o Watts na Eurosport é prendado muitas vezes com festinhas que fazem a esse jogador, e digo mesmo festinhas! Que resultam num aparatoso mergulho para o relvado. José Peseiro que olhe para dentro!

Miguel Bordalo

Até breve

Vou estar uns dias fora dos blogues. Continuem todos a fazer com que nos orgulhemos deste magnífico pastel de ideias, sentimentos, emoções, desabafos e, sobretudo, amizade.
MCG

Sondagem

PS:40%
PSD:32%
CDS-PP:6%
BE:5%
CDU:4%

Sondagem Euroteste, Visão, via Margens de Erro, um excelente blogue do Pedro Magalhães, sobre sondagens.
Conclusões imediatas? O PSD não está assim tão longe do PS, o PP desce, a CDU desce brutalmente, o Bloco sobe ligeiramente. Percentualmente, o acordo pós-eleitoral de PP e PSD não resultaria em nada, mas, a questão é esta, será que distribuindo estas percentagens pelos círculos eleitorais e tendo em conta o peso relativo de cada um deles, seria exactamente assim? O Pedro Magalhães acha que não e explica porquê. Eu que não percebo nada de sondagens e muito menos de estatística fico à espera da próxima sondagem, que penso, sai hoje.
Veremos se estas sondagens, menos boas do meu ponto de vista, dão alento aos partidos de esquerda para marcarem definitivamente a diferença.

MCG

Obrigada

Num dia solarengo da minha infância escrevi nesta vasta mente que a maioria tem medo de perceber "um dia escreverei um livro" e o sonho continua! E continuará até ser concretizado.
Num dia da minha infância disse para mim mesma: "Inês, faz-te especial" e até aos 24 anos lutei por sê-lo! Até aqui esforcei-me por ser cada dia uma pessoa melhor! Até aqui dei tudo para pôr em cada pormenor do meu dia a dia o sorriso de quem corre por gosto... e não... nunca me vou cansar! E com este lema... hoje acordei e pensei para mim mesma: "a vida tem sido realmente muito generosa comigo... e tenho muito que agradecer!". Então sim... agradeco-vos porque são vocês que contribuem para tudo isto, para toda esta forma de bem estar constante. São vocês que comigo cresceram e me ensinaram tanto! E em tudo o que me ensinaram, disseram-me em todos os momentos "faz-te especial" e isso tornou-nos Os Magnificos... cá dentro! Para nós mesmos, por realização pessoal.... e agora nada há a mudar! Vamos triunfar!... Há coisas que vêm de raiz... e aliás quase tudo, ainda bem!
Um muito obrigada! São voces que me fazem ganhar o dia! E não, não vou colaborar neste blogue com política ou questões sociais... mas apenas dar uma pausasinha de boa onda pessoal!
Saudades..........

Inês Maurício

Honra ao vencidos glória aos vencedores

No final do jogo a primeira coisa que pensei foi – pena que não possam passar as duas. – Não vou negar a minha enorme satisfação em ter ganho ao Sporting. Mas tenho que admitir que qualquer vencedor seria um legitimo vencedor. (Apesar de pensar que o Benfica jogou melhor, mais rápido essencialmente). Mas o Sporting não ficou atrás portaram-se como leões e saíram de cabeça erguida, só podendo ser aplaudidos pelos adeptos.
No meu Benfica todos os jogadores jogaram bem, menos talvez o Nuno Gomes (que tem de esperar por melhores dias, e eles virão!) No Sporting penso que também todos cumpriram. E não foi um jogo feio, a meio campo, chato, foi disputado, parada e resposta. Ficou três igual podia ter ficado muito mais (igual)! Simplesmente fantástico.
E os golos!?!?! Os do Sporting será difícil escolher o melhor, Paito ou o de Hugo Viana. Já no Benfica não só pelo golão que foi, mas pelo dramatismo da situação um novo CABUM! (De apontar que houve alguns “benfiquistas” que abandonaram o estádio após o 3º golo do Sporting, bem feita perderam um grande espectáculo! Ainda bem, ficamos bem melhor sem eles!)

Agora os apontamentos, apesar da importante derrota que CPC nos infligiu, fez agora com que resultasse numa das grande vitórias e jogos do Benfica nos últimos tempos! Por isso aí está! Para bem e para mal! J
E finalmente os Gato Fedorento apareceram no estádio da Luz, meios deslocados, será que algum blogue do FCP ou do Sporting os vai repreender por esta aparição? Acompanhados por Pedro Ribeiro, que é um benfiquista de alma e coração mas que não sabe cantar o SLB, SLB, Glorioso SLB! Porque às tantas quantas, e com toda a vontade que lhe reconheço ao pôr o estádio entoar este canto, fintou o público e rematou um SLB a mais, foi o caos! A bancada Sagres gritava glorioso, a PT SLB, A Coca Cola fazia o compasso de espera, e a Sapo encolhia os ombros e dizia – AH! Assim não dá!

Miguel Bordalo

Ps: tentei telefonar Chico, mas era para de dar os parabéns pelo bom jogo do Sporting. E animar-te um bocadinho a falar-te bem dos golos. Fica para a próxima. ;)Ainda estou à espera dos teus textos.

Simão resolve

slb

Os mutantes

Adaptação física a uma necessidade psicológica ou a arte da permanente mutação em função de objectivos bem concretos?
De que falo eu, de um modo tão difuso e filosófico? Do Bloco de Esquerda? Quase bingo. Aliás, aceita-se a resposta.
Falo dos bloques de esquerda. Irreconhecíveis, pá! Deixei de ler o Barnabé, por desinteresse, por enfado, pelo pouco democrático sistema que por lá se instalou -ou desinstalou, o sistema de comentários- e quando regresso, eis senão quando me deparo com o milagre da multiplicação. Eles agora são muitos, senhores. Só lá volto quando eles lançarem um dvd ou quanto o Daniel Oliveira escrever uns diários de deputado.
Quanto a uma visita obrigatória e diária, o BdE , só tenho a estranhar o estalar de verniz num blogue onde o prato principal devia ser o caviar e lamentar a saída do Luís Rainha, que, apesar da discordância em muitas matérias, considero um excelente blogger de esquerda.
E já que falo de bloques, continua-me a espantar tanto alarido em redor das polémicas declarações de Louçã, no debate com Paulo Portas. Eu não acredito que só agora repararam na altivez da sua oratória e na superioridade da sua moral. Isso é que verdadeiramente me choca, um país de cegos, surdos e mudos, que flutua entre o cinismo e a hipocrisia barata. MCG

AO VOTO!

Pessoal fui agora ver e a blogotinha na votação e está a perder! Não tenho nada contra o webcedário, mas já fiz a minha escolha e não gosto nada de perder! Força lá no voto à blogotinha!

Miguel Bordalo

Ps: Gotinha tenta manter isto entre nós. É que eu sou um tipo envergonhado!

quarta-feira, janeiro 26, 2005

É um fartote!

Chegou-me a atenção uma discussão muito intensa entre o Gato Fedorento e o Acidental. Pensei eu: mas que raio!?! O que está o Gato Fedorento a fazer a responder a outros blogues, e mais, a um dos piores blogues da blogosfera! Mas entendi ser uma piada. Mais uma! Porque senão que razão haveria para ligar àquela gente!
É verdade que provavelmente gosto mais do bloco do que o pessoal do Acidental, mas não muito mais! Mas esta necessidade que os elementos do CDS tiveram de ficar indignados com as palavras !escandalosas! de Louçã num debate que ganhou com uma facilidade brutal é algo suspeita.
Ainda assim Ricardo Araújo Pereira provavelmente incomodado com os resultados que teve o seu jantar com o BE, não quis ficar calado. E acho bem! Não só porque aproveitou para fazer mais umas quantas piadas, como aproveitou, (quem sabe inusitadamente), para mostrar mais um bocado do paternalismo desta gente do acidental. Se tiverem muita paciência vão lá ler; coisas como “Até acho graça ao facto do Ricardo ser do Bloco!”

Miguel Bordalo

Ps: agora vou mas é preparar-me para ver o meu Benfica, e pelo que eu sei, do Ricardo também. E dizer-lhe: não lhes dês atenção que não merecem nem um bocadinho! Quanto mais um demoradinho!

Oh vida intensa?!

E no surgir das aventuras deixamo-nos levar no sonho de vivermos aquilo em que acreditamos! Cheguei ontem de Amsterdam e foi um fim de semana sem igual... e para o melhor descrever só mesmo voltar àquele lugar onde se misturam culturas, onde qualquer um pode ser ele próprio... cidade de vícios e de loucura... no seu âmago e na sua fama põe-nos a alucinação que nos faz não saber distinguir verdadeiramente situações surreais de factuais! Foi brutal!!!
Volto a escrever para vos dizer que ontem dia tenso por casa... porque as pessoas olham demasiado para o seu umbigo e vêem nos outros a inveja do que não conseguem obter. Pois, deixem-se de comodismos.... só concretizamos, só vencemos porque lutamos! Porque vamos até ao fim no que acreditamos e sim... acreditamos em algo! A partir daí tudo é possível! Sabemos que algo mudámos, deixámos marcas por onde passámos porque mesmo quando nos vemos derrotados... tiramos o lado vitorioso das coisas. E partimos, olhando o horizonte como mil mundos, mil fontes, mil portas onde podemos chegar e abrir o que tanta vontade temos de dar... queremo-nos oferecer e com aquele sorriso que outros nos esboçam, ser feliz também. Afinal basta isso para nos fazer vencer o dia e acordar no seguinte com o pensamento que levámos ao adormecer... "tens, temos... o mundo à tua espera". E sem pedir explicações a essa força, essa energia sabemos que a deixamos transparecer... sabemos que não actuam todos assim nesta vida. Que a grande maioria se vai preocupando com ser grande... sem perceber que é no ser pequeno que nos tornamos maiores... é no pormenor que fazemos a vida! Então tornamos ao ponto de partida em que nos vêem de uma forma estranha porque até no olhar transmitimos algo tão diferente que só um igual pode perceber de onde vem! E escrevemos, rimos, pensamos, criamos um espaço nosso que partilhamos quando e com quem queremos para nos proteger dessas enfermidades. Para podermos seguir o caminho em que acreditámos! Não sabemos ao certo para onde vamos, onde chegamos.... mas sabemos que quando lá estivermos quereremos seguir para outro lado... e assim sucessivamente conquistar aquele que tomámos como nosso percurso... e que nos instantes de cada vivência somos tão felizes! Tão plenos.................

beijão

Inês Maurício

Problemas no paraíso

Sabem não é por acaso que nós aqui no Pastelinho criticamos muito o BE. Há um problema na esquerda é que temos todos os nossos complexos e não os podemos ultrapassar... Hoje vi Jerónimo de Sousa a defender o maior contribuinte, por isso nem está tudo perdido para a esquerda! Fora de brincadeiras, a esquerda é muito mais honesta que a direita, sempre foi, é mais progressista, a direita e as suas estátuas para serem mantidas tem de recorrer à mentira, há negação da realidade, é por isso que temos complexos. Hoje Portas até parecia ter sido o maior responsável pela diminuição do desemprego em Portugal nesta última legislativa, e um grande defensor das pessoas sobre o sistema da solidariedade nacional, quando sabemos que foi exactamente o contrário. Mas voltando ao BE a verdade é que é um “melting pot” de ideologias, de ideias, de projectos. Apesar da fidelidade de alguns como do Daniel Oliveira, as palavras de Louçã no último debate com Portas, que na minha opinião, como já aqui expressei são frutos de uma demagogia à Louçã, mas que não teve as conotações que lhe tentam dar agora: criaram um enorme desconforto dentro do BE, é notório, e começa a provar a fragilidade do projecto.

Mas se queremos uma análise mais micro, olhemos para o caso do BDE, que se encontra a braços com uma discussão quase caricata! É ler os últimos posts neste blogue, e encontram-se todos os elementos de uma confusão colossal criada pelos complexos de esquerda e pela desorganização que um partido como o BE pode gerar. Sabem já chamei aqui ao centralismo democrático (a razão pela qual eu nunca seria militante desse partido, mas nunca digas nunca, não é?) uma forma simpática de dizer engolir sapos. Mas a verdade é que dessa maneira eles lá vão conseguindo manter o barco. O tempo dirá do projecto do BE, que também tem grandes defeitos.

Miguel Bordalo

terça-feira, janeiro 25, 2005

Portugal na F1?



Tiago Monteiro está a um passo de assinar pela Jordan. Se isto acontecesse seria o piloto português com melhor carro na F1 de sempre. A melhor experiência até agora foi a de Pedro Lamy que ganhou um ponto no campeonato máximo do automobilismo, depois de uma corrida muito acidentada ao volante de um Minardi, (uma escuderia que é uma espécie de um bombo da festa na F1). Tirando qualquer possibilidade a Pedro Lamy de fazer uma boa figura.
Agora é Tiago Monteiro que anda (um pouco aflito, com certeza) à procura de patrocínios aqui em Portugal. Acho que há muitas empresas que podem muito bem aproveitar esta situação para vender lá fora. É necessário é não serem tacanhos!
Espero que o Tiago Monteiro consiga. Mas como eu faço sempre nos casos de automobilismo dirijo as próximas palavras ao blogue Água em Pó um especialista nestas matérias.

Miguel Bordalo

Um post que veio do frio

Há uns tempos atrás, vocês lançaram uma proposta para expormos motivos que nos levariam a sair de Portugal (ou contarmos as nossas experiências no estrangeiro...agora que estou a pensar, acho que era mais isso não era! ou qualquer coisa assim...confesso que não percebi bem). Se não escrevi nada antes não foi por preguiça: andei às voltas com um texto, que acabou por complicar-se e não dar em nada, em parte por ser demasiado técnico. Seguidamente, tive um acesso de poesia erásmico-viajante, apontei meia dúzia de linhas num caderno para lembrança futura e lá continua, à espera de um dia inspirado (prometo que envio quando isso acontecer ­ errm, se ainda estiverem interessados, claro está).

Até que hoje, finalmente, tive um ataque de fúria daqueles em que se fica com os olhos a rebolar e a pensar seriamente em recuperar o estatuto de emigrante. Fui informar-me de subsídios para jovens empresários. Basicamente, é assim: para se ter acesso aos subsídios, há que ser um jovem com dinheiro. Estou a falar de subsídios para, repito, jovens ­ logo, a possibilidade de já ter uma frutífera carreira empresarial e uma grande autonomia financeira está, à partida, posta de parte; e, num determinado caso específico, subsídios para jovens que estejam desempregados há pelo menos 6 meses. Pergunta: se um jovem está desempregado há 6 meses, como é que arranja dinheiro para avançar com o custo de, primeiro, uma sociedade, segundo, com a instalação da actividade? Por exemplo: para a atribuição do subsídio, tem de haver um comprovativo de já haver um espaço (alugado ou comprado) a ser ocupado pelos futuros empreendedores. Este documento tem de ser entregue no momento da candidatura ­ no caso de aluguer de espaço, tem de se proceder a um contrato de arrendamento nessa altura. Mas, atenção! O subsídio pode não ser atribuído, claro está.. E até o processo ser finalizado e se proceder à decisão, decorrem ­ nas palavras da Sra. Doutora que nos atendeu ­ na teoria, 3 meses; na prática, entre 3 e 6.
Resumindo: um jovem empresário que deseje recorrer a este subsídio tem, não só, de se poder sustentar durante os 6 meses de desemprego que antecedem a candidatura, como também necessita de ter a quantia necessária para pagar o aluguer do futuro espaço empresarial (ou prestações ao banco, em caso de compra) durante 3-6 meses; sem esquecer a continuação da sua subsistência pessoal durante esse tempo. O que soma quê, nada!, entre 9 e 12 meses no desemprego.
Alguém acha isto real e possível para quem não tem uma família com capacidade (e vontade) de apoiar, ou para quem não recebeu uma herança avultada de algum parente distante?

Revoltada, claro: mas também não foi isto que me pôs com vontade de emigrar.. Sim, porque ao pé do nosso tão badalado Sistema Nacional de Saúde, isto é insignificante.Pois é. No Centro de Saúde da minha área de residência, em Agosto de 2004, foi-me impossível marcar uma consulta com o meu Médico de Família para os 16 (!!!) meses seguintes: não há vagas. Até ao fim de 2005, leram bem! E seguramente que não há de ser caso único no país. Sobram três hipóteses: um, consulta num médico privado (o clássico é que os 50-80 euros de consulta não excluem a tormenta de uma infinidade de tempo de espera, claro). Dois, em determinados dias específicos, vai-se para o Centro de Saúde às 8,30h da manhã, na expectativa de lograr uma das 3 vagas do dia; em caso afirmativo, a espera é até ao fim do horário de consultas marcadas do médico, que-deveria-chegar-às-9h-mas-chega-sempre-ás-10h, o-que-atrasa-diariamente-e-desde-sempre-toooodas-as-consultas, remetendo os 3 infelizes das 3 vagas para depois do meio-dia e, invariavelmente, para o mau humor do médico que já não devia estar aqui e está atrasado para ir dar consultas no hospital/clínica grrnnhham grrrnhhaam). Três: não se fica doente - sem dúvida a opção mais económica para o consumidor.
Eu sei que não se pode comparar porque cada país é um caso e etc etc, mas para não serem apenas umas constatações no ar do género ah nos outros países é muito melhor (ou não), fica aqui o testemunho da minha experiência: Bélgica, 1999. Preço de consulta de médico privado em atendimento tipo urgência (consulta no dia da marcação): à cotação actual, entre 10 e 25 euros ­ sendo a última quantia considerada cara. Barcelona, 2000-2004: o Centro de Saúde do bairro dispunha de um sem-número de especialidades médicas e aceitava marcações telefónicas de consultas para o mesmo dia.Pois é. Haja saúde!

Eskimo

PS: E nós agradecemos e voltamos a agradecer. Será que já agradecemos? Não nos podemos esquecer de agradecer.

O último sorriso do magiar

miki

Foi há um ano. Era só um puto que queria ser como o Puskas. Nunca o esqueceremos. MCG

Quem é a blogosfera?

Nesta votação do Afixe é possível ver que o BE vai em segundo na votação para a Assembleia da República atrás do PS, este tipo de votação é curiosa, porque define bem os visitantes do Afixe, e como é obvio uma enorme parte é bloquista. Mas a blogosfera é um pouco bloquista, não é? Apesar do problemas no paraíso...

Miguel Bordalo

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Mais uma discussão no Pastelinho

Um dos temas que é mais falado aqui no Pastelinho é a questão ambiental, estamos num momento muito importante na história mundial, num ponto decisivo que ditará no nosso futuro, mas mais importante o futuro dos nosso filhos e netos. O ambiente deteriora-se a uma velocidade estonteante e os esforços, nomeadamente o tratado de Kioto é manifestamente insuficiente para resolver a situação, é sem dúvida um passo em frente. Mas como se sabe enquanto uns deram um passo em frente outros deram um para trás, mas o EUA estão agora preocupados com outras guerras... infelizmente.
A notícia de hoje é que já se calcula um “ponto de não retorno” para muito breve. E não me parece que esta questão, que é provavelmente a mais importante a resolver num futuro próximo vá ter, na política, adeptos para atacar o problema com sucesso.
No entanto devo dizer uma coisa que pode parecer estranha. Os ecologistas também são responsáveis por esta situação. Os seus alarmismos descredibilizaram a luta que é essencial ser séria e responsável. É que alguns investigadores ecologistas já previram uma inundação de todas as zonas litorais no inicio do século XXI, e de facto isso não está a suceder. Mas como estas ameaças há outras. E neste aspecto os ecologistas sofrem um pouco o síndroma daquele rapazinho que ia tomar conta do rebanho e às tantas gritava pela aldeia porque vinha o lobo, nas primeiras vezes ainda resultou, e todos vinham a correr, mas às tantas já ninguém acreditava nele, claro que um dia veio o lobo a sério!

Miguel Bordalo

Bagão é do BE?

Ontem Bagão Félix disse que os bloquistas eram os novos neofascistas. Será que ele quer que uma grande parte do seu partido mude de tendência de voto?

Miguel Bordalo

Da glória à vergonha

Ontem estive, como quase sempre no estádio da Luz. Devo dizer que por mera sorte foi a primeira derrota que eu vi com o Benfica no estádio com uma equipe sem ser com o FCP. O que me incomodou, como devem estar a imaginar, eu! que sou um supersticioso exagerado!...
A primeira palavra vai para os jogadores. Jogaram mal, sem garra, sem espírito e pior! sem uma réstia de imaginação. Mas jogos maus todas as equipes têm, apesar de algumas terem-nos com mais frequência. E eu e mais a minha namorada fomos dos poucos que aplaudimos a equipe do principio ao fim, apesar dos olhares reprovadores de alguns em redor. É pena é eles não saberem isso, e é pena que o treinador também não o saiba. O Simão Sabrosa até fez um bom jogo, mas os dois pontas de lança e o Geovanni estiveram numa noite não. Paciência!
A segunda palavra vai para a equipe do Beira-Mar, foram humildes, não jogaram bem, mas tiveram o espírito suficiente para arrancar uma vitória que se tornou merecida. E quanto ao árbitro não há nada a dizer.
Quanto aos adeptos... é outra história completamente diferente. Há duas pessoas com que eu gosto muito de ir aos jogos, a minha namorada e o Manel, porque nunca em nenhuma circunstância assobiam ou maltratam a equipe. É um espirito que eu adopto como essencial para um verdadeiro adepto de um clube. Mas não é assim para todos... Mas a verdade é que no outro dia fiz aqui um texto que contava que o Benfica no jogo contra o Boavista tinha tido uma das melhores partidas com adeptos que alguma vez vi. Foi um espectáculo extraordinário! Puxamos a equipe à vitória! Não tenho dúvidas. Quando estávamos a entrar no estádio ontem disse à minha namorada – Hoje não estão cá as mesmas pessoas que no jogo do Boavista... – E verificou-se. No jogo com o Boavista estavam as pessoas que vão ao estádio quando o Benfica está mal ou bem ou mais ou menos, não interessa, o que interessa é apoiar. Ontem estavam as pessoas que ficaram convencidas que depois do 4-0 com o Boavista o campeonato estava ganho. Foi o descalabro... o resto é ver as imagens, calculo. Porque como me disseram não havia nenhuma pessoa a abanar o lencinho branco à espanhola com uma cara indignada, estava tudo a fazer espectáculo numa euforia estúpida de dizer mal por dizer. Eu sei que é chato, muito chato e triste perder com o Beira-Mar 0-2 em casa. Mas esta equipe vai ficar cá até ao final da temporada e é necessário apoiar e dar força à equipe. quarta-feira lá estarei e depois...

Miguel Bordalo

sábado, janeiro 22, 2005

Boas notícias

Este é o novo blogue da alguns dos membros do ad-libitum. São duas boas notícias, já que a primeira é que escrevem bem e é um gosto lê-los, a outra é que quando me referir a um dos seus textos não tenho de andar a verificar umas cinco vezes se escrevi bem o nome do blogue, porque agora encontram-se no Arcadia. Link muito brevemente.

Ps: fico é à espera de um melhor comentador. Porque comentar no blogger é que não! É um bocado difícil e demorado. Por enquanto vou só lendo.

Miguel Bordalo

Amarelo?!?!?

A Catarina (CPC) do Quebra Vozes pôs-me a fazer um daqueles testes que proliferam pela internet! Mais um! E a ela tinha-lhe calhado amarelo. E eu pensei cá para mim- Miguel que raio de cor és essa? Amarelo é muito feio! – E não é que eu fui a fazer aquela porcaria e calhou-me vermelho! Estou a brincar calhou-me mesmo amarelo! E eu detesto amarelo! Ainda por cima o Benfica joga hoje contra amarelos! Se isto se tornar num prenúncio vou ficar chateado CPC! ;)

Miguel Bordalo

Á beira de um penhasco

Não, não é um daqueles posts em que meio embriagado na minha loucura escrevo sobre pensamentos absurdos que por vezes chocam com a realidade. Este post é um sério aviso ao PS e à sua já habitual confiança em momentos que pensam ser fáceis. Em Lisboa Soares perdeu a câmara para Santana por uma única razão, pensou que já estava ganho! Sócrates (que é o mau menor) começa a ser um cliché das recorrências PS. A sua recusa a debater vem de uma confiança a mais, vem de uma sensação de que tem a vitória na mão sem ter de lutar. Por vezes parece-me que esta vitória está garantida. Com as trapalhadas e as confusões deste governo, com a incapacidade de Santana de organizar, de liderar, de controlar os ministros e os ministérios. Mas na realidade o povo tem memória curta, e é necessário fazer lembrar estas situações constantemente. É necessário confrontar o maior responsável Santana Lopes, em debates. Sócrates teve medo, ele tem medo que o populismo fácil e a facilidade na palavra de Santana o comprometa.
Na realidade o que eu queria dizer é que mais uns dias como o de ontem e Santana ganha as eleições, e com facilidade! Apresentou o programa de governo, que apesar de uma monumental gafe no final, não correu mal. E fez duas! duas entrevistas para a SIC, uma no telejornal e outra na Sic Notícias mais tarde. Nas duas os entrevistadores não tiveram coragem de incomodar o personagem, recusaram-se, não lhe fizeram preguntas difíceis e deixaram-no dizer coisas absolutamente incríveis! Que se eu não tivesse dois dedos de testa até ficava convencido que Santana afinal é mesmo uma vitima, e não teve culpa nenhuma nas situações que se atropelaram uma à outra catapultando este governo à situação actual.
Será que ninguém foi capaz de o confrontar com o facto que a recolocação dos ministérios é inócua? Será que ninguém o confrontou com o facto de ele ter o maior stafe que um ministro em Portugal alguma vez teve? Será que ninguém foi capaz de o confrontar com o facto de ele empregar e despedir mais pessoas no seu staff que o Donald Trump! Ninguém foi capaz de lhe perguntar – Senhor Santana Lopes, você prometeu o mais pequeno governo nos últimos trinta anos, porque acabou com o maior? É desta maneira que pretende cumprir as suas promessas? \ Porque é que só à última da hora é que consegue colocar certas pessoas nos seus lugares como secretários de estado? Da defesa para a cultura? Francamente! – E ninguém foi capaz de o encostar à parede com as decisões que fizeram em relação às finanças que foram impedidas de prosseguir pela União! E aquele orçamento de estado que é uma desgraça! Mas como esta à milhares de outras interrogações!
Mas outras situações são descritas com alguma piada neste blogue, que não sei ainda o que pensar dele. Terei de o ler com mais atenção, o blogue do António José Seguro.

Ps: Descobri agora através do Tugir que Sócrates já tem um blogue. Isto não vai parar tão cedo.

Miguel Bordalo

Para amainar este ambiente dos últimos dias...

Há pela blogosfera portuguesa blogues muito bons, outros mais ou menos, outros são até engraçados, muitos são apenas um acto falhado. É por vezes uma questão de procura, de entrar num blogue que não tenha uma lista de links mais longa que a minha... bem... e entro neste registo porquê? Porque há um blogue que de vez em quando leio, e que me divirto um bastante! É uma espécie de uma análise libertária e descomplexada sobre a sexualidade e as suas envolventes alienígenas e intrínsecas. Na realidade não é nada disto... é só um grande gozo! ;)
Vão lá visitar, mas lembrem-se, se estiverem num sítio comprometedor esperem até ficarem mais sossegadinhos(as). (Sim porque está dirigido tanto aos homens como a mulheres.) E nunca, mas nunca abram este blogue enquanto estão a trabalhar! A não ser que queiram fazer boa impressão a alguém!... Tudo no blogue a funda São.
Não se esqueçam de olhar para a secção dos jogos, tem umas coisas bem divertidas. E não são poucas as vezes que me apanho a jogar ao XXX-Man. Não propriamente pela rapariga que se vai desnudando. Mas pelo clássico que é o jogo!
Parece que anda a haver uma votação no Primula Bramble (que não vou linkar, porque parece haver muita publicidade por lá...) e o blogue bloguitinha (que está relacionado com o fundação) quer ganhar. Vão lá dar uma ajuda!
Pergunto-me como é que eu fui parar a este blogue? São os mistérios da blogosfera... Na realidade acho que teve a ver com o blogue do Alex... mas posso estar enganado!

Miguel Bordalo

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Redireccionar o debate

Depois de ontem Louça ter tido, na minha opinião, um momento infeliz. Um momento que depois de um debate que ganhou, o desvirtuou, aquele necessidade da demagogia fácil, que vai ser aproveitada até ao limite para disfarçar o facto de Portas ter sido derrotado. E que agora está também a ser aproveitado de uma forma nojenta e vil pela comunidade homossexual ou não... dizendo que Louça mandou uma boca à vida pessoal de Portas... uma vergonha, mas é a política que nós temos.

O aborto é um tema muito difícil de tratar. Não é tão fácil ou tão linear, num lado e no outro. E o problema é que não há meio termo. Num mundo perfeito eu seria contra o aborto. Num mundo onde se tratasse das crianças que estão abandonadas, das crianças que são mal tratadas, das crianças que andam na rua a pedir, e etc... se houve uma coisa que este processo da Casa Pia veio mostrar é que as coisas não vão bem com as crianças que são entregues ao estado. Quando me disserem, e eu acreditar, que todas estas crianças estão bem, é um passo gigantesco para eu defender uma proibição do aborto.
Mas não é só. Uma mulher que vá ter um filho, mais do que um homem, (infelizmente), é alguém que vai passar por um processo muito complicado, com muitas equações em questão, durante a gravidez e depois dela. Há gente que não vive bem e um filho na altura errada pode levá-las para baixo de uma forma definitiva. Um casal que inicia a sua vida conjugal pode vê-la destruída porque não há apoios suficientes para ajudar as famílias necessitadas. Mas como este surgem vários outros problemas, porque um filho para lá de precisar de ser amado, precisa de uma economia familiar capaz. Como é que faz uma família que já tem dificuldades em tratar os filhos que tem, e se vê na situação de estar para vir um outro? O que faz? Manda os outros trabalhar? E que vidas mais são precisas sacrificar?
Depois também temos outro problema, que na realidade esta lei não anda a impedir que ninguém faça um aborto. O que anda é a graduar as condições com que a nossa população o faz. Se se tem dinheiro, então uma viagem a um país vizinho resolve a situação. Se não se tem, então uma parteira é a solução muitas vezes mais perigosa. Com condições de higiene muito a baixo das necessárias, submetem-se as nossas mulheres a condições terríveis, que muitas vezes resulta em graves danos ou até em mortes.
Nestas condições em que vivemos hoje em dia, e tendo em conta que 99,999% das mulheres que tomam a decisão final estão num estado de desespero total, numa fase de impossível retorno, o aborto torna-se num direito, e um direito não pode ser referendado. Um direito tem de ser algo resolvido pelos deputados da assembleia da república. Situações de direito não se referendam. Quando resolverem estes problemas e mais alguns sou o primeiro a levantar o dedo e a dizer eu sou contra o aborto. Mas hoje não sou.

Miguel Bordalo

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Vidas marcadas

A vida faz-nos cruzar com todo o tipo de pessoas. Umas ficam para sempre, outras marcam os momentos e outras ainda passam sem importância. E dentro destas três (ou duas, porque a última não é de certeza!), não sei como classificar a Joana… A história dela ficou para sempre, marcou-me o único fim-de-semana em que a vi… não somos amigas, nem tão pouco sei se a reconheço uma segunda vez!
Trabalhámos juntas apenas dois dias e lembro-me de a ter ido buscar a casa. Não recordo grandes simpatias ou sorrisos durante todo o fim-de-semana, apesar de amigos em comum! Na altura não dei importância, pois também não sou, de forma alguma, uma miss simpatia quando estou com as pessoas pela primeira vez.
O tempo passou e, tenho hoje consciência de fiquei sempre com a mesma imagem da Joana. Uma pessoa sisuda. Talvez até a tenha julgado antipática. Mas a vida prega-nos partidas, ou dá-nos lições, verdadeiras lições! Não devemos julgar as pessoas pelas aparências, nem por apenas dois dias vividos em conjunto. É que algum tempo mais tarde, talvez um ano ou dois, a triste realidade de alguém que julguei por aparências, veio ao de cima. A Joana era vítima de violência doméstica.

"Eu sei que todos achavam que eu era carrancuda e sempre mal disposta, mas como é que eu podia entrar no café com grandes sorrisos, se 10 ou 15 minutos antes tinha levado um pontapé na barriga, um murro nas costas ou tinha sido empurrada contra a parede?"

Joana tem duas filhas e a sua história não difere de tantas outras. Acreditou sempre num amanhã diferente, de que o marido a amava e que um dia tudo ia acabar, como acaba um sonho mau. Teve sempre a esperança de dias melhores e por momentos achou que a sua segunda a gravidez tinha trazido a calma de outros tempos. Mas nem grávida, Joana escapou à cobardia do marido.

"Já tudo era desculpa para eu apanhar. A última vez foi uma simples mensagem em que me disse que ia jantar fora com uns amigos. Respondi-lhe, também por mensagem: Diverte-te."

E às quatro da manhã, hora do seu regresso, e com Joana já a dormir, ele não a poupou. A sua simples palavra que desejava, sem qualquer outra intenção, uma boa noite ao marido, tinha sido convertida em mais um pretexto. As filhas acordaram quando a mãe foi atirada das escadas abaixo. Joana pôs o ponto final.
Talvez a sua condição social e a sua entrega (ou fuga) ao seu próprio negócio, permitiram-lhe por este fim a anos de martírio e silêncio.

Nem todas as vítimas têm essa possibilidade, têm essa força ou esse apoio. Em muitos casos que estudei, uma realidade bem mais dura do que a da Joana é normalmente o fim. Joana teve forças quando as suas filhas assistiram a uma agressão. Muitos outros filhos acabam por se tornarem vítimas também. Joana pertence a uma classe social que lhe permite uma luta quase por igual, muitas outra vítimas são dependentes do agressor, ou têm uma débil condição financeira, remetendo-se assim ao silêncio, à sujeição. E consequentemente ao sofrimento prolongado. A vergonha, a apatia, a desorientação e negação são também causas que levam ao silêncio das vítimas. Uma realidade que muitos de nós não entende por termos uma outra noção de lar (felizmente), mas que não deixa de causar um profunda revolta por esta vergonhosa violação dos direitos humanos!

Catarina Pinto-Coelho, do blogue Quebra Vozes

PS: Mais um excelente exemplo de participação no Pastelinho. Será que isto vai motivar mais pessoas? Esperamos que sim.

Louçã vs Portas

Toda a gente que me conhece, ou que lê o Pastelinho sabe que eu não sou mais um do imensos fãs do Bloco de Esquerda. Mas a verdade é que Francisco Louçã, a que reconheço alguns tiques irritantes, mas também muita qualidade intelectual, hoje esmagou Portas no debate na SIC Notícias.
Portas quis manter uma pose sempre distante, de quem estaria a discutir com alguém menor, um ar de frete sempre com o mesmo sorriso compreensivo. Claro que se reconhece em Portas uma grande capacidade de comunicação, sobretudo para as massas menos inteligentes mas, mesmo nisso, não esteve tão bem quanto é costume.
A verdade é que, intelectualmente, Louçã esmagou Portas. E, na prática, passou a mensagem, enquanto Portas não.
Lembro-me dum momento em que se falava de desemprego e Louçã apresentou um programa de erradicação do desemprego do BE. No fim dessa intervenção, Portas disse qualquer coisa como "pois, você só sabe dizer mal, mas não apresenta soluções", justamente quando Louçã o tinha acabado de fazer. Dístraido entre clichés, Portas perdeu nos pequenos pormenores, quando as discussõe se arrastavam para interessantes despiques e jogos de palavras. Soube bem ver, quando, no meio duma dessas disputas -que ambos fazem tão bem- Louçã deixou Portas sem palavras, mais um touché intelectual, acusando-o de fugir ao debate. Portas caiu ao tapete e ficou sem palavras.
Notei em Louçã uma tentantiva algo exagerada de dramatizar certas matérias, não que ele não seja perito nisso, é, mas não precisa de exagerar tanto, porque o original serve bem o própósito, enquanto que o exagerado, o excessivamente dramático, sinceramente, é enjoativo (é o sound-byte, são os votos, eu sei). O BE está empenhadíssimo em meter mais um ou dois deputados (é agora ou nunca pensarão), isso parece-me óbvio demais e isso reflecte-se no seu discurso, que está pronunciado que nunca.
Portas foi uma sombra de si próprio, do Portas comunicador, mas mesmo assim, a nível concreto, de ideias, foi o mesmo de sempre. Um zero à direita. Espera-se o próximo debate, entre Louçã e Santana Lopes. E que grande carga de Louçã que levamos, são três debates seguidos, o que é mais que suspeito até para quem tem dúvidas sobre o favorecimento mediático concedido aos bloquistas. Enfim...espero que Louçã mantenha a forma.

MCG

ESCANDALOSO

Eu tenho duas mil, quatrocentas e quarenta e seis perguntas para fazer a Pedro Santana Lopes e Paulo Portas. MCG

Anjos da Guarda

Um destes dias, bem antes do Natal, vinha eu da Ericeira, em direcção a Sintra, a pensar que o nosso país era mesmo muito bonito, vendo o imperfeito recorte da serra de Sintra proporcionado por um pôr do sol fantástico, mais um típico daquela zona. Adoro conduzir, de fazer distância absurdas e de passear ao volante. Escolho sempre o caminho mais longo, excepto aqueles que faço todos os dias e mesmo assim, nesses vou variando.
Considero-me um condutor prudente que arrisca zero. A única vez que assim não o fui plenamente –e estava num sítio isolado, tinha noção da asneira que estava a fazer – paguei por isso à grande, e só não paguei mais porque o meu karma de condutor habitualmente prudente deve ter vindo ao de cima. Mea culpa.
Não tenho muitos anos de carta, tenho dois, mas mais de 40 mil quilómetros no curriculum, viagens incólumes pelo IC19, quase todos os dias, Algarve, Alentejo, pior, já andei pelo IP3 e IP4, esses itinerários da morte, em pleno Verão, com aqueles emigrantes todos com os seus carrões a fazerem manobras do arco da velha em estradas com traçados absolutamente estranhos, descidas e curvas dignas de uma montanha russa. E o traçado tem mesmo que ser muito mau para eu estar a falar dele aqui, porque habitualmente, para mim, a culpa só tem uma companheira:
A absoluta e total falta de civismo.

Dizia eu que pensava que o nosso país era muito bonito.

Continuando a história, lá ia eu no meu inevitável e mais que habitual passeio, que é como eu, muito longe de ser um domingueiro, gosto de classificar as minhas viagens, com prazer, quanto mais não seja porque são muitas e não me quero fartar delas, quando, assim de repente e isto à hora do trânsito, vejo pelo retrovisor um carro a ultrapassar o carro que vinha atrás de mim. Daquelas ultrapassagens à estúpido, sabem, daqueles gajos que dizem que "têm unhas", uma ultrapassagem nervosa, em que eles se chegam demasiado perto e depois soltam o volante rapidamente, carregam no acelerador e seguem, mesmo vindo um carro em sentido contrário, tendo tempo tão só para se encostar a rasar à frente do carro que ultrapassaram a tempo de evitar a colisão.
Aliás, regra geral, como sempre, os cabrões escapam sempre.
Ora com uma besta destas atrás de mim, convém redobrar a atenção. Tridobrar.
O tráfego aumentava de volume em sentido contrário e a besta quadrada colada à minha traseira, depois de uma ultrapassem inacreditável.
Nunca pensei que ele fosse capaz de duas. Foi. Às tantas, a besta seguiu. Ultrapassou-me. Tinha que ser num daqueles carros semi-artilhados, daqueles frustrados que se reúnem quinzenalmente para ver qual tem o maior, perdão, o melhor carro.
Por momentos pensei que o tipo, a besta, a coisa, se queria suicidar. Pensei mesmo. Hesitei por segundos. Claro que a besta ultrapassou com um carro a vir na sua direcção. Perto demais. Claro que se eu não tivesse quase parado aquele anormal teria matado alguém.
Eu fui o anjo da guarda daquele animal.
E se não tivesse sido? E se por acaso as boas pessoas que por aí andam, por vezes a colocar-se em situações complicadas para evitar acidentes não o fossem, permanentemente? Ou simplesmente, se não lhes apetecesse? Ou se estivessem distraídas?
Sim, porque somos nós que tomamos conta destas bestas.
Eu defendo a prisão, sem perdão, para este tipo de gente. Defendo a responsabilidade criminal e civil para quem usa e abusa deste tipo de comportamentos. Um carro é uma arma, uma bomba prestes a explodir. Tem que haver coragem para legislar a sério nesta matéria. E legislar a sério é ser impopular, com os lobbies instalados, sejam eles os dos vinicultores, das grandes cervejeiras, do ramo automóvel e com o pior de todos:
O lobbie da ignorância, da má-educação e da falta de civismo que tem que ser erradicado de vez.
MCG

PS: Peço desculpa pelo tamanho do texto, mas queria aqui deixar o meu contributo para uma discussão importante que este blogue tem vindo a fazer.

Sinais de nervosismo?

Eu não sou grande apreciador de Rui Rio. Mas se querem saber, desconfio muito mais do PS Porto representado por Nuno Cardoso e por Fernando Gomes do que de Rui Rio. Todas as situações que envolveram os dois vereadores do Porto são muito estranhas. O envolvimento com o FCP é uma delas, mas talvez o que me tenha impressionado mais tenha sido o Porto capital da cultura. Os orçamentos que passaram muito além do previsto e a falta de concretização do projecto. Rui Rio parece ter muitos defeitos, um deles é a teimosia e a casmurrice, mas até me provarem o contrário parece-me honesto, (para um líder local como termo de comparação, que não é lá grande termo de comparação!)

Ontem Nuno Cardoso veio a público com umas declarações muito estranhas. Com certeza não foi a melhor forma de reagir a toda a situação da polícia judiciária e da investigação que o envolve. Mas o disparar para todos os lados revela nervosismo a mais, falar em sondagens, envolver a PJ com Rui Rio e com o ministro da justiça (provavelmente, e com azar para Cardoso, o mais sério ministro deste governo). Pelo menos! Nuno Cardoso devia ter aprendido com Paulo Pedroso, nestas situações nunca vir falar sozinho e muito menos ser o próprio a efectuar declarações, deixar os outros fazerem por ele. Nuno Cardoso enfraqueceu as suas possibilidades para se vir a candidatar a presidente da câmara do Porto, não pela investigação, mas pelas declarações, isto na minha opinião. Mas pode ser que o PS encontre agora uma solução melhor, que passe por Assis, quem sabe? Ou por outra personalidade qualquer mais séria.
Ler notícia na Capital.

Miguel Bordalo

E nós continuamos a realçar estas notícias

Começa a ser urgente, infelizmente, já que podia ser desnecessário e contribuiria com certeza para poupar dinheiro ao estado, formar um organismo para regular este tipo de situações. É um escândalo e ninguém pode fazer nada a cerca disto é que continua-se a fazer as nomeações para cargos públicos, mesmo com um governo de gestão. Isto não pode continuar, é uma das razões para o déficit estar como está. É que cada governo brinca com as nomeações para o seguinte as vir contrariar. Santana em seis meses tem sido um ÀS nisto.

Miguel Bordalo

quarta-feira, janeiro 19, 2005

O Dia Sócrates

Agora que entramos em fase de campanha eleitoral, cujas hostilidades já esperadas foram abertas por algumas intervenções populistas e ordinárias de Santana Lopes, secundandas por Paulo Portas, que já começou a debitar de cor as regras de como meter mais meio-deputado que a "extrema-esquerda" e os "comunistas" (sintam o sopro maléfico cada vez que ele diz extrema-esquerda e comunistas), convém lançar a interrogação, preocupação fundamental deste blogue desde que Ferro Rodrigues saiu do PS, que é, precisamente, onde anda o PS? Mas isto é o PS? Um Sócrates com um sorriso de quem está permanentemente aflito para ir à casa de banho, permanentemente enrascado e pouco corajoso?
Deixem-se de tangas. Tanta conversa para ir buscar votos ao centro? Mais valia estar ali um corajoso e utópico Alegre, talvez muito mais perto daquilo que faz falta à esquerda portuguesa, um Moretti envolvido, um mito, uma alma, do que Sócrates. Alegre iria buscar votos à esquerda e não ao centro. Isso não seria garantido, mas muito provável. Esta lógica que político de plástico ganha de certeza, não tem assim tanta lógica. Pode ganhar, mas com condições. Pode ganhar, mas cede a quem não deve. Ao centro, o que parecendo inevitável, não o é.
Daria um bom primeiro ministro, Manuel Alegre? Talvez não, paciência, ponha-se lá outro. Mas temos que fazer tudo segundo as normas do politicamente correcto, só porque fica um filme mais bonito?
Pois eu acho que não e mais não.Sócrates não é fraco, é muito fraco. Tem dois pesos pesados inteligentíssimos como Jaime Game e António Vitorino por trás e um apoio tão só inevitável das bases, que fazem exactamente aquilo que Jorge Coelho diz e ponto final.
Não há nenhuma esquerda, que se possa dizer de esquerda, que se reconheça um pouco que seja em Sócrates. Alegre, Ferro, alguém que representasse o Partido Socialista a sério, iria buscar votos à esquerda e não a esse tão pantanoso e tão politicamente pouco vivo e activo centro. Esse centrão cinzento é que nos vai dizer para onde vai Portugal nos próximos quatro anos. Sabendo, que, se calhar, nos outros quatro, já quererá outra coisa. É um centro a crédito. E os juros podem ser altos. E eu já estou farto de crenças. MCG

Mas quem é Sócrates?

Era já de esperar esta situação. Mas se querem que vos diga, desde que sejam os dos primeiro quatro anos, ainda há esperança.

Miguel Bordalo

Quem é o embuste?

Estas notícias... e a linguagem? Eleições na secretaria? É com isto que nos deparamos...

Miguel Bordalo

Viva o Woody Allen!



Na minha vida de idas ao cinema, que começou não sei bem quando, vi todos os filmes do Woody Allen em estreia. Desta vez correu mal. Estava mal informado, não soube do filme que tinha estreado, e depois fui adiando para poder ver num sitio com muito pouca gente. Fui ontem ver à sessão da meia noite, eu e a minha companhia preferida... eterna e tão bela e terna. Fui preparado para ver “Melinda e Melinda”. Sabem antes de ver um filme do Woody Allen fico sempre com medo, medo de não gostar, exceptuando uma breve “bergmandisse” nunca me deixou mal, muito pelo contrário. Mas fico sempre com medo, é o meu realizador preferido, é a minha referencia cinematográfica é o maior! Entrei no cinema a saber pouco do filme. Também não queria desvendar muito porque gostaria que os leitores deste blogue ficassem convencidos a ver este filme, sem saber grande coisa, porque acreditem quando vos digo é estritamente necessário ver. É um ensaio fabuloso sobre a comédia e o drama e o conflito que geram, quais são os seus caminhos, quais são os seus pontos de vista, por onde se pega um personagem. Vão com certeza ouvir muito “crrrrrríticos” dizer que é um filme sobre uma mulher !PAREM! não leiam mais a crítica e vão ver o que é uma semi-comédia brutal. Um tratado sobre perspectivas de narrativas.
Depois o filme não se fica por aí. É mais uma obra em grande de Woody Allen sobre temas que já estamos habituados a lidar com o realizador. Com um Will Ferrel surpreendente fora do seu registo habitual, um humor mais físico e patético, desta vês o patético foi mais mordaz, mas muito, muito cómico! Radha Mitchell está fantástica, é um papel muito bom no filme e conseguiu adaptar-se magistralmente à situação a que é proposta. O resto é ver meus amigos! Mais tarde farei mais um texto sobre o filme. Mas darei tempo aos mais assíduos deste espaço para irem ver, para podermos discutir melhor o filme.

Miguel Bordalo

terça-feira, janeiro 18, 2005

Assim também eu o defendo!

Bagão Félix naquela maneira trapalhona populista que tem veio hoje afirmar, com uma grande seriedade e gravidade dizer que o pacto de estabilidade e crescimento era um óptimo instrumento para impedir os políticos demagogos de fazerem as suas promessas... aaaah... eu nem sei o que dizer, eu fico parvo com estas coisas. Então não foi o próprio Bagão impedido de fazer um determinado número de coisas porque ou eram despesistas, ou eram totalmente inócuas!?! Não foi ele? Ou então ele está a dizer aos eleitores neste país que é necessário afastá-lo, porque ele é exactamente o alvo do pacto de estabilidade e crescimento e por consequência o político enganador e demagogo!

Em histórias relacionadas Santana e Bagão querem agora manter a taxa de IRC (que cobra impostos às empresas). Miguel Frasquilho tinha vindo à uns dias em posição oficial do PSD prometer que este imposto iria baixar no caso de vitória do seu partido nas próximas eleições. Ora Bagão e Santana pelos vistos acharam que afinal era melhor não, e já deixaram a seco o Frasquilho! É mais trapalhada dos maiores trapalhões de sempre. É impressionante!

Miguel Bordalo

Aí Lisboa, Lisboa

Lisboa já me desiludiu uma vez, com a vitória de Santana nas autárquicas, que catapultou este personagem para se tornar no primeiro ministro do meu país... a minha cidade... o meu país... se não fosse o mau gosto também valeria a pena fazer um sitio na internet a pedir desculpas a portugal, como se faz nos EUA depois da vitória de Bush.
Mas Lisboa se as razões para votar no PSD nesta minha cidade já eram nulas agora há mais uma! É que Nuno da Câmara Pereira será eleito como deputado numa coligação estranha pelo PPM, um partido que não é bem um partido, mas um anti partido. Isso não me faria confusão, os monárquicos fazem-me um pouco de confusão, mas respeito a ideia por principio. Agora quem eu não respeito é este fadista, para lá de ser perigosamente ignorante é um daqueles populistas baratos que se for eleito como deputado vai apenas servir para descredibilizar a instituição parlamentar. Instituição essa que para bem da democracia devia ter o máximo de cuidado com a gente que a habita. Claro que nas listas de Santana não se podia esperar outra coisa. Agora... Lisboa: por favor!

Miguel Bordalo

O fim da macadada

O governo demitido, demissionário e de gestão de Pedro Santana Lopes anunciou duas novas travessias sobre o Tejo. Depois dos porcos a andarem de bicicleta, a zoologia volta. Isto é o fim da macacada. Tirem-me deste filme. MCG

E afinal o W é de quê?

Andamos aqui a tentar passar mensagens de alguma esperança, em tempos complicados, a tentar agitar um pouco as consciências e quando se sabe que, de novo, Bush quer ir brincar às guerras, desta vez no Irão e agora mais que nunca com uma fortíssima reacção e oposição da opinião pública norte-americana, tudo parece desmoronar. Este fulano e os seus amigos neo-conservadores querem destruir o mundo à conta de sonhos messiânicos e delírios petrolíferos para proteger a sua dinastia. Isto já não me mete nojo. O que mete nojo é quem defende estes assassinos, aqui, e quem lhes deu carta branca para continuar a exercer o verdadeiro domínio e exercício do terror, lá.
MCG

O político no mau sentido

É minha convicção que Santana é provavelmente o pior político que existe em Portugal, conseguiu ultrapassar tudo o que o precedia e não é coisa fácil, acho até que conseguirá fazer muito mau político bom, por comparação. É uma desgraça... todos os dias temo-nos deparado com situações inacreditáveis, uma atrás de outra, parece não poder haver pior, mas logo nos prova o contrário. Esta última situação não será a pior, mas é certamente mais uma para juntar à já longa lista de situações inacreditáveis. Andam a inaugurar obras que já foram concluídas! E isto vai continuar e vão andar a inaugurar obras que já foram terminadas em 2003! Isto é estranho por si só, mas a verdade é que não há ninguém, não há nenhuma instituição que regule este tipo de situações, não há nada que possa parar este tipo de situações, isso e as nomeações para cargos públicos relevantes! Não só porque a nível contratual isso pode ser grave para o estado, como é imoral! Simplesmente imoral...

Miguel Bordalo

segunda-feira, janeiro 17, 2005

No estádio

Se há coisas que eu gosto de fazer é ir ao meu estádio ver um jogo do meu Benfica. Tenho montes de rituais que não dispenso, gosto de entrar na mesma porta, gosto de assistir na mesma bancada toda a época! Nas alegrias e nas tristezas estou sempre presente. Raramente falho um jogo, nem que para isso precise de lá estar sozinho. Como o fiz ontem. Sou sócio mas mesmo assim no final do mês é uma conta! Na Luz os bilhetes não são nada baratos, isto porque os meus dirigentes não percebem nada do assunto! Mas isso são conversas para outras alturas.



Ontem preparado para ir bater palmas sozinho junto de uma multidão a protestar, fiquei surpreendido! Os benfiquistas foram ao estádio para apoiar! Foi um espanto! Do princípio ao fim! Acho que nunca tinha visto uma coisa assim num jogo normal para o campeonato. Já tinha visto um jogo acompanhado pelo meu amigo Teixeira que escreve aqui no blogue, que acabamos roucos no final do jogo, que o Benfica não ganhou não se sabe bem como contra o FCP. Mas ontem não havia grande razão para uma festa tão grande, ninguém quis ficar calado, e não fosse o caso de eu estar sozinho e também teria acabado o jogo completamente rouco! Foi um verdadeiro espectáculo! O jogo todo! E ainda por cima a equipe correspondeu com um bela exibição.



Para a história no entanto ficou o regresso de Mantorras aos golos. Eu fiquei feliz. Mas devo dizer que apesar desta história humana também me tocar a mim, os benfiquistas neste caso são um pouco ingratos. Não é que não tenham de acarinhar o Mantorras, mas é que a seguir ao Mantorras os mais aplaudidos são respectivamente, (que eu sou um bom analista de intensidades), Nuno Gomes, Miguel e só depois Simão. E eu discordo! Para mim não há dúvidas de quem é o melhor jogador do Benfica, mas mais do que isso, quem foi o jogador que mais deu ao Benfica nos últimos anos, em alegria, em jogo, em golos e em assistências! E esse jogador é Simão Sabrosa. É certo, não tem grande carisma. Mas gosto mesmo muito que ele jogue no meu clube. Viva o Simão Sabrosa! Nota: Simão que ontem levou muita porrada, muita dela na segunda parte por um jogador chamado Hélder, que quando não estava a enfiar grandes porradas no Simão o agredia com pequenos pontapés e o insultava (imagino que da pior forma), que o Simão já se estava a preparar para o agredir, nem sei se foi ele, mas parece-me que foi, que quando Simão estava no chão, e o jogo já estava parado, esse desgraçado pegou na bola e acertou em Simão em cheio na cabeça! Nuno Gomes apercebeu-se da situação empurrou Simão e começou a insultar esse tal de Hélder, que andava de tal maneira com a cabeça perdida que alterou o alvo e começou a insultar o Nuno Gomes que só se ria. Muito bem feito e pontos para o Nuno que mostrou porque é o jogador que é, pode não ser genial, mas está sempre atento!



Finalmente queria realçar a saída de Argel. Na realidade já andava um pouco farto dele. Apesar de ter sido provavelmente o último benfiquista a defende-lo. Na sua partida, fizemos todos um esforço para nos esquecermos das fífias, que ainda foram algumas, e lembrarmo-nos das coisas boas. Da atitude, da garra, da paixão, do dar tudo! Foi um jogador que nas equipes do Jesualdo Ferreira chegou a jogar na equipe B para voltar e ser titular durante o resto da época e a jogar bem! Sem nunca protestar. Foi uma surpresa para mim, sendo ele um brasileiro, e sendo os brasileiros futebolistas uns tipos que costumam criar problemas nos balneários. Argel foi sempre trabalhador e batalhador ainda bem que passou pelo Benfica.

Ps: obrigado garoupini pelo apoio!

Miguel Bordalo

Nivelações...

Este campeonato tem sido muito interessante, e na minha opinião é mesmo nivelada por cima. É a nova discussão no meio futebolístico. Nivelada por cima ou por baixo? No fundo acho que a única equipe que piorou foi o FCP, não propriamente por causa de Mourinho, (será certamente um factor), mas não é o único, Deco é um jogador que vicia qualquer equipe, Ricardo Carvalho também. Mas o Porto é sempre uma ameaça e poderá voltar a qualquer altura a jogar a um nível superior, estão claramente a resolver problemas de protagonismo no balneário. O Sporting e o Benfica estão na mesma, não vejo grandes diferenças, equipes capazes do melhor e do pior num espaço de tempo de duas semanas! São equipes frágeis porque não têm alternativas para alguns lugares. O Benfica na defesa é o que é, talvez melhore agora com os novos reforços, mas na meio campo também, temos apenas Petit e Manuel Fernandes, quando um deles falha é um problema. Com o Sporting é a mesma coisa, Dualá e Rochemback (não sei escrever os nomes, nem quero!) são claras as diferenças desta equipe com a falta de apenas dois jogadores! (Isto pelo exemplo de ontem.) Não são eles certamente a equipe, mas são elementos muito importantes, principalmente o brasileiro. Enquanto as coisas continuarem assim, e enquanto os brasileiros no FCP continuarem a fazer estragos, o campeonato vai continuar assim. E ainda bem!
Na minha opinião o campeonato está nivelado por cima, não é por FCP estar pior que faz com que todo o campeonato esteja pior. As equipes pequenas têm tido mais capacidade, e têm até apostado mais nos jogadores mais novos portugueses, acho que finalmente há uma aposta e os dirigentes e treinadores têm-se apercebido que há muito jogador a jogar neste país e com qualidade. Boavista, Rio Ave, Braga são bons exemplos disso e os três grandes são cada vez um excelente exemplo disso! O Benfica ontem mostrou a equipe júnior que ganhou o campeonato o ano passado, onde se encontram grandes esperanças, uma delas já está a dar frutos Manuel Fernandes!
Por isso acho que apesar da instabilidade dos três grandes que tem sido um bom campeonato, muito por culpa dos mais pequenos, que têm feito grandes exibições e têm batido o pé, Vitória de Setúbal tem sido protagonista disto mesmo, e o Sporting de Braga tem marcado esta época dos golos mais bonitos na europa!

Miguel Bordalo

Uma mistura de Zandinga e Gabriel Alves?

Sampaio. Eleições. Santana. Dreadlock. Benfica. Mantorras. Daniel Oliveira. Altos voos. Para quê astrológos quando existe o Pastelinho?
MCG

Santanolola tá-se bem

Agora Santana Lopes vem dizer que é preciso acreditar nas "energias positivas" que vão ajudar a construir Portugal. Como diria um amigo nosso, este homem é uma fábula. MCG

domingo, janeiro 16, 2005

Parabéns

Stéphane Peterhansel provou novamente, que se há alguém com capacidade para ganhar um Dakar, é ele. A prova de automobilismo mais difícil do mundo foi ganha novamente por ele e por isso está de parabéns. Esperemos agora pela análise do nosso colega de blogues, especialista nestas modalidades no água em pó.

Miguel Bordalo

Não haveria outra hipótese

Tal como se Santana perder é ele que deve pedir a demissão. E já agora Portas também, mas isso são contas de outro vigário, até porque Portas é tão agarrado que vão inevitavelmente ter de o tirar de lá. A direita é demasiado agarrada ao poder, é histórico e é muito recente também.
Sampaio deve-se demitir. Pois claro que deve, mas Sampaio deu uma oportunidade ao PSD que este partido claramente não quis agarrar. Como o PS fez no passado, mudou de liderança, e acabou por ganhar vantagem com isso e ficar, nas eleições posicionado muito perto do PSD, dois pontos percentuais se não me engano. O PSD preferiu o confronto... tenho a certeza que se os eleitores tomarem a decisão errada e escolherem Santana, que Sampaio vai ver nisso um pedido para se afastar. Mas como as coisas andam não me parece que Sampaio vá ter de começar a preparar discursos de demissão, pelo menos para já.

Miguel Bordalo

Que se dê inicio às hostilidades!

Uma ajudinha aqui do Pastelinho à esquerda:

Então Portas!?! Vais-te ficar? Picadelas? Revitalizar o caso moderna? Não pode ser!

Miguel Bordalo

sábado, janeiro 15, 2005

Está a chegar



O meu vício...



Nem o mar me vai ver durante uns tempos...

Miguel Bordalo

O populista

Estas notícias caem em catadupa! O populismo barato, a identificação com o povo a desmarcarão do governo. A indignação com o mergulho, a incompreensão das políticas financeiras (ou a preocupação com a saúde do ministro). Este homem é o melhor neste tipo de coisas e continua a ser perigoso. Apesar de, se continuara assim, não vai longe, não assim com os populismos, mas assim com as trapalhadas governamentais, é que a comunicação social está convencida de que Sócrates é que vai ganhar...

Hoje nas sondagens Jerónimo de Sousa vinha como o líder mais negativo. O que pode explicar um pouco a situação PC. A seguir vinha Paulo Portas e Santana Lopes no negativo, mas, e segurem-se bem... vêm em recuperação!!!! Os outros líderes estão no positivo.

Miguel Bordalo

sexta-feira, janeiro 14, 2005

Uma boa surpresa

Um bom dado sobre o mundo em que vivemos, sobre o estado de coisas, de degradação total e imensa, a todos os níveis, a que o nosso planeta chegou, ou melhor, a que o deixámos chegar, é a supresa que nos atinge quando o Telejornal abre com uma uma boa notícia. Como seria aliás surpreendente imaginarmos em que estado a nossa condição humana global e planetária estaria neste momento, assim o quisessemos.

titan

MCG

Rádio Cassete?

O PC está-se a tornar num partido marcado pelo culto do líder e da sua personalidade. Jerónimo, Jerónimo, Jerónimo. Com uma rádio e tudo. É um jogo de risco e uma mudança de estratégia que rompe defintivamente com o passado recente. Uma questão para debate. Um sinal de vida? Ou um grito de agonia?
MCG

Grande 2005

Quando se inicia um ano criamos sempre novos projectos, novas metas, ideias, concretizações, temos muitos mais desejos, muitos mais sonhos! Eu sinto-me já há algum tempo plena, porque a vida me tem ensinado a encontrar o equilíbrio e a vontade de estar bem comigo mesma. Então vai-me propondo desafios a todo o segundo para que deles tire a melhor parte! E sim, aprendi a viver o bem e o mal com a força que nem eu mesma sei de onde vem!
Muitos, talvez como a mãe do Miguel poderia descrever, da minha mãe. Outros conciliam-na com os antecedentes, as vivências e a minha própria vontade de lutar... de viver!
Para este novo ano continuo com a mesma energia que me faz acordar diariamente e querer, querer mais! Depois o dilema, talvez conflito de, no tanto querer, no tao imenso desejo... não ter certeza por onde optar! A seu tempo virão as conclusõees, as realizações... e por enquanto abro portas, sem fechar nenhuma daquelas que abri ate então. E neste alargar de possibilidades, de procura do desafio encontro a serenidade de num dia alcançar o sonho, mesmo que o mude a todos os minutos em que a minha cabeça se põe a funcionar....e aqui encontro o Miguel! Afinal também ele sofre de hiperactividade em que todo o corpo parece pensar, imaginar, sonhar, sorrir...e é a agitação que não sabemos bem controlar...porque na normalidade pensa o cérebro. Tudo o resto o segue e eu não tento estabilizar essa sensação! Aprendi também a viver com ela.... a tirar todo o possível rendimento do meu estado de pensamento continuado. E com isso sinto-me bem, mesmo que mal saiba explicar onde realmente me encontro, para onde realmente caminho. Ao momento vou encontrando o significado do rumo que tomei e isso conforta-me, porque na totalidade do percurso saberei que foi minha a escolha, e assumo-a como tal! Certa, porque a ponderei... momentaneamente!
E o ano apenas tem 14 dias. E estao a ser intensos, recheados e eu... sem fazer balanços e pensar muito nos motivos, estou a viver a uma velocidade alucinante, a captar de tudo, tudo o que posso e não posso captar! E a informação vai-se acumulando como única, genuína, original! E vem aquela óptima sensação de que sou eu! Capaz de chegar a todos os portos com a simplicidade de um olhar....

Inês Maurício

Regresso?

Pois é, eis-me de volta à casa que me lançou para a ribalta. :)
Ando numa crise no blOgre, sem temas, sem vontade... pior, a vontade passa quando me sento em frente ao computador. E agora pergunto: quando o alter-ego literário de um gajo anda em baixo, como é que o ortónimo há de andar em cima?
Vou tentar explicar-me: é uma situação “incómoda”. Não perceberam? Tento doutra maneira: não acho que seja “interessante”; é bem melhor comer “bombons”.
“Ai Portugal, PortugalDo que é que tu está espera?”

Francisco Castor

Olha aqui está

Uma boa notícia!

Miguel Bordalo

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Um homem feliz

(Foto de Presidente Sampaio a dançar o vira com uma jovem chinesa procura-se)

O descargo de consciência é das melhores sensações do mundo. E afinal de contas, ele é dos nossos. Dos bons. E está feliz. Vê-se.
MCG

A interminável história do país da liberdade

HRW: Abu Ghraib e Gantánamo minam credibilidade dos EUA na defesa dos direitos humanos, in Público.
MCG

Claro como a água

Eles grunhem. Eles perdem. MCG

Itália, só mais uma vez

Até parece mal depois destes dois momentos, mas vamos agora viajar para outra zona de Itália, para um ilha, bem, bem a sul, numa viagem cultural proposta pela Capital -recomenda-se a versão impressa. Vamos conhecer José Veiga.
MCG

Estás acordada?

E acordamos com aquela sensação de "o mundo está à tua espera"...e mesmo que já tenhamos visto tantas vezes que é inútil e não o vamos mudar, temos sempre o conforto do sonho que nos faz pensar que nos pormenores podemos conquistar a grandiosidade das coisas!Então pomos aquele sorriso que nos inspira a loucura de alguém que sozinho na rua se ri dos momentos aparentemente sem motivo e continua o caminho sempre querendo fazê-lo melhor! Acreditamos que a energia move a magia de um gesto, de um olhar e que as pessoas são envolvidas nessa tão grande energia para se unirem, se afastarem, para viver a vida a cada instante.
Então tiramos de cada pequeno e curto espaço de tempo a essência das coisas simples... na generalidade só nós o vemos... e temos crises, irritamo-nos, porque afinal não é dificil ser feliz e acreditar que podemos ser tão mais se levarmos a vida sorrindo...porque não o fazemos todos?!
Depois vem a tranquilidade de saber que pelo menos existem pessoas assim e que essas se tornam únicas, genuínas e tão importantes para nós. Com tudo o resto aprendemos a observar, a olhar para as coisas de outra forma, aprendemos a qualidade que fomos ganhando de poder ver mais além... e além horizonte, sonhamos com os sonhos que na realidade vamos concretizando.

Inês Maurício

De Pisa, Itália...

Quando aqui cheguei, comecei a escrever...a descrever toda esta experiência e momentos, sensações, sentimentos, desabafos! Ontem fez-se luz na minha cabeca! E porque não escrever para alguém poder ler....e melhor ainda se quem o puder ler forem aqueles que comigo cresceram, iniciaram uma vida, uma existência! Então, volto...hoje para anunciar que comecarei a fazer deste blogue o meu diário! E no fim quem sabe fica registado tudo aquilo que precisarei para escrever um livro!
A minha vida por cá está a ser uma experiência muito intensa, muito mais que o Erasmus! A nivel pessoal por vezes bastante dura, a nivel profissional, cada dia tenho uma surpresa e até agora sempre agradaveis! Estou a aprender muito, mas sei que a tarefa fica cumprida em Julho, a menos que as propostas sejam demasiado aliciantes!
Quanto ao 2005, que vos posso dizer? Que inicio com grande forca, com uma energia enorme e vejo naqueles pormenores a magia que procurei sempre! Sinto-me grande, com tantos projectos, ideias, metas, objectivos e uma enorme vontade de estar.... e depois a concretização de que estou!Porque me sinto realmente bem!MUITO!
E ontem, assim nos meus raios de loucura e de espontaneadade comprei uma viagem para Amsterdam com a Maria. A Maria é uma espanhola de Santiago que vive comigo (somos 7 no total) e tem sido um enorme apoio. Encaramos a vida de formas distintas, mas somos muito parecidas e encontramo-nos sempre no gesto, no sorriso! É excelente! E dia 21 parto! Depois conto-vos como é!
Vou escrevendo, desabafando, dando-vos um pouco de mim....FREQUENTEMENTE!

Inês Maurício

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Para quem não sabia

Aqui no pastelinho temos andado esquecidos da questão. Mas a verdade é que já se desistiu de procurá-las. Bem para quem sabe e sempre soube, porque era evidente e os que andaram lá seriamente há procuram nunca encontraram, não se entende muito bem esta nova medida... é uma comédia à americana!

Miguel Bordalo

E derrepente

Assim como nada o fizesse prever acordei às 5 da manhã e o meu corpo tomou consciência. Demorou para que eu e a minha razão tomassem consciência do que se estava a passar e porque é que todo o meu corpo irradiava energia e pulsava informação. Um renascer um sair do útero quente da mãe, a desconfortável sensação dos sentidos. O meu corpo não é mais um só, deixou de ser um indivíduo passou a ser cada membro, cada poro... As minhas pernas são as mais sentidas com tudo isto...

Este estado de consciência ou é o final da loucura que se tem instalado em mim ou é um estado de consciência puro dos mais inatingíveis. Algo marcial, algo originário, a tomada de consciência numa experiência só. Aquilo que de mais puro a nossa razão pode atingir, anda que com alguma relutância e muita luta. Como estarei eu? Louco ou transparente?

Sabem é que o corpo não passa de uma extensão, uma extensão que diga-se é muito útil. Mas é a nossa cabeça que decide. Nós somos a nossa cabeça, os nossos olhos e por vezes o nosso cérebro. Sentimo-lo, a funcionar, a pensar por nós. Mas neste momento o meu corpo todo pensa, preciso de um enorme momento de concentração para pôr todos os meus membros a funcionar, e impedi-los de se expandir. De se alargarem, ponho as mão na cabeça e tento atrair todo o pensamento e sensações para a minha cabeça, de preferencia ao pé dos meus olhos...
Pronto é assim que me sinto. E como o faço ultimamente venho dize-lo aqui no pastelinho, pronto! Ajuda...

Miguel Bordalo
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