quarta-feira, dezembro 29, 2010

O último post do ano

Peço-me o último post do ano. E não tenho nada para escrever. E nem me apetece. De manhã, fui a correr para Lisboa, debaixo de chuva da maior trovoada do ano – portanto, devo ter acordado às quatro e depois de quatro em quatro minutos, a cada ribombada - para lá estar às 9:30. Saio à tabela, vou chegar atrasado. Cinco minutos. Tinham-me dito que lá estariam das 9:30 às 10:30. E confirmado com três mensagens. Depois de ter quebrado a minha regra de tolerância menos zero às infracções do Código da Estrada – os outros que fiquem com multas e sem carta, eu não posso – acelerando onde não podia e depois infringindo o Código Civil - insultando um polícia de trânsito como se vivesse em South Bronx e me chamasse Vinny – com as mãos, portanto, e com um substantivo reforço vocal (mas aqui não instituí qualquer auto-tolerância particular, pelo que se desculpa o excesso. Mais uma vez, mais uma vez.)

São 9 e 37, já cá estou. E começo a fazer tempo, primeiro dentro de casa e depois na rua, sempre a olhar para a porta. 10, 10 e meia. Primeiro telefonema para a companhia.
“Estão atrasados, não?”
“Não, espere mais um pouco”.
Esperei meia hora.
“Estão atrasados, não?”
“Não...”
"Espere, estão a tocar, são vocês, só podem ser vocês! Obrigado, sim sim Bom Ano”, despachei enquanto abria a porta sem perguntar quem era.
“Correio, Correio”, gritam do lado de lá da porta. Tarde demais.
Newman...

Às onze e meia voltei a ligar.
“Estão atrasados não?”
“N...”
E a chamada caiu. Fiquei sem bateria. E fiquei por minha conta. Sem telefone. Com dúvidas. Teriam vindo entre as 9 e as 9 e 37? Seria inédito mas possível. Mas teriam ligado, por certo (por certo, boa piada).

Depois de andar às voltas em casa e de ler, na entrada do prédio, as regras do condomínio – para me divertir - socializo um pouco mais pelo bairro, primeiro na rua, sempre a mirar a entrada do prédio, depois numa rua mais acima, depois noutra rua ainda mais acima (sim, o prédio fica num buraco, e ?) Tantos amigos e conhecidos. E volto ao meio dia e um quarto. E espero à porta. As pessoas têm medo – porque é que este gajo está à porta do prédio? O maluco no prédio ao lado em pijama é tolerável, agora este? Uma rapariga entre e sai do prédio quatro vezes e com vários penteados diferentes (bom, pelo menos dois). Um velhote está-me a topar. Pergunto-lhe se precisa que lhe abra a porta – eu também tenho uma chave, estás a ver? Uma idosa desarmaria qualquer ladrão em potência com um “Então, um Bom Ano”.

Vou dar mais uma volta à rua, só mais uma, e esperar pelo tipo - ou tipa. E ao fundo, lá o vejo, com o logótipo da companhia – é ele, só pode ser. Atravesso a rua para o passeio onde ele estava e em passo alargado ultrapassa-o para o receber em casa. Entrei, fechei a porta da rua, fechei a porta de casa e e fiquei ali a ouvir aquele sotaque do Nordeste uns bons cinco minutos cá fora ao telefone, enquanto eu, lá dentro, aguardava com um machado - aliás, reformulo, aguardava um bocado, um bocado, chateado, era isto que queria dizer.
E aquela voz irritante ficou ali a trautear do lado de fora da porta da rua – então mas é este o gajo ou não? E tocou. Ao meio-dia e meia. Três horas depois.

Tranquilão da vida, apresenta-se "L, ao serviço da companhia". O génio, artilhado com um auricular com uma luzinha na orelha e cinco mochilas, era daquele género de génios em que tenho o azar de bater com a cabeça várias vezes. O tipo de génio que acha que as coisas se resolvem assim (estalar de dedos). Eu – que não sou génio - sou o oposto (não o oposto de génio também, mas o oposto comportamental desta classe): acho que tudo se resolve dificilmente (sobretudo o que depende dos outros).  Assim, quando é fácil, sabe bem e quando é difícil, estou mais que pronto.
E claro que correu mal. Tudo o que havia para correr mal, correu mal: autenticações, lans, routers. Tudo normal, menos para o veni, vidi, vici do Ceará.

São duas da tarde e o homem intervala telefonemas para os serviços de assistência da companhia – que não percebiam nada, e que ele já tinha avisado faiz tempo - e a central técnica – onde se pareciam agrupar todos os seus mormões (aí meu irmão!). O tipo já me lixou o almoço. Façam o que fizeram mas, por favor, não me lixem as refeições. É agora que vou buscar o machado. Perdão: espero mais um bocado. E enfim, depois da celebração espontânea da união de facto de vários poderes da companhia - e cinco horas depois - o “serviço” está feito.

Não há tempo para queixas.  Saio a correr, rodo a chave da ignição e - sem transgressões e insultos – sigo o meu caminho. Um pouco mais à frente, o trânsito está lento por causa de um acidente que fecha o Túnel da João XXI. Um carro da polícia atravessa-se na sua entrada, impedindo a passagem. Do carro sai um policia...

E se eu tivesse almoçado, garanto que saberia muito bem onde raio é que já o tinha visto.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Obrigado


"Em frente a mim, um amigo com uma longa carreira almoça. Percebo que não o faz há dias. Demasiado novo para se reformar, demasiado velho para começar de novo, vive no limiar da sobrevivência. Mantém-se bem vestido para tratar das aparências. Tenta manter aquela dignidade que sempre me mereceu admiração.
No chat, converso com um amigo emigrado. Excelente no que faz, quando chegou a Lisboa parecia que a sua carreira não encontraria grandes entraves. Até que, cansado de viver de recibos verdes mal pagos em ateliers que tratam o talento como coisa irrelevante, decidiu partir. Sem nada que o esperasse no destino. Lá se está a safar. Mas, apesar disso, quer sabes como isto vai porque ainda não perdeu a esperança de voltar.
Olho em volta e vejo os meus amigos mais promissores a dar aulas em universidades estrangeiras, com condições que aqui seriam virtualmente impossíveis. Outros a trabalhar em call-centers ou a viver de biscates, com as suas vidas adiadas para sempre. Vejo os pais deles a carregarem até à velhice o fardo de garantirem a sua sobreviência. E a dos netos, quando os filhos tiveram coragem para tanto.
Diariamente cruzo-me com a angústia de vidas impossíveis, onde tudo é contado. De trabalhadores menos qualificados aos melhores quadros que o nosso sistema de ensino produziu. Tanto desperdício de talento que perco a esperança neste país.
Isto é o que vejo. Depois leio textos de colunistas e economistas. Vivemos acima das nossas possibilidades. Habituámo-nos ao bem bom. Perdemos a ética do trabalho. Já não sabemos o que é o sacrifício. Fico agoniado e assalta-me uma dúvida: sou eu que conheço demasiados azarados ou esta gente que escreve nos jornais e fala na televisão vive num País diferente do meu?"

Tempo

O tempo é um tipo estranho, sempre a contrariar as necessidades. É tão absolutamente perfeito na sua contrariedade, que é capaz de fazer o tempo esticar para uma coisa e aumentar para outra, no mesmo espaço temporal.

É incrível como odeio tanto os relógios. Apesar de odiar chegar atrasado a seja o que for, desprezo, a obrigatoriedade a que me obriga. Odeio ter de me deitar, mas acordar passadas quatro horas não é coisa fácil. Durante um ano foi, mas agora que preciso, não é fácil.

Odeio esperar. Nunca tenho calma. E enquanto espero sem ter calma, normalmente faço merda. Tomo a opção errada, olho para o lugar errado, e acima de tudo, resolvo seguir aquilo que não me faz esperar.

É engraçado como, numa fila de trânsito, que estou consciente que demoro 10 minutos a atravessá-la, talvez menos. Sou capaz de dar uma volta de vinte minutos para não ficar parado.



E todos os dias gosto mais de Chan Marshall.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Obrigado

Nuno Ramos de Almeida. É isto:

"É o maior mistério destas eleições. O actual detentor da cadeirinha de Belém hesita entre dois extremos: por um lado, o presidente é árbitro e não deve ter posição sobre nada. Por outro lado, garante-nos que, se ele Cavaco não existisse, Portugal estaria muito pior. Há mesmo quem lhe afiance (o Fernando Lima?) que já se teria afundado entretanto. As duas ideias parecem-me estranhas: não sei para quê que se elege um presidente, se ele não passa de uma fragil velhinha amarrada e muda sem nenhuma capacidade de intervenção na realidade, a quem o cargo obriga a responder que não tem posição sobre nada. E, para além da confissão que escreveu dezenas de cartinhas a outros mandatários nacionais, não entendo aquilo que fez para impedir que o país estivesse pior. Para falar verdade, acho que dificilmente Portugal poderia estar tão mal. Provavelmente, se nos últimos 30 anos, os governantes tivessem sido sorteados e não eleitos, não teríamos tido tal quantidade de azelhas. Cavaco já espalhou nos últimos 15 anos a sua competência por todo o lado: já foi primeiro-ministro e Presidente da República. E Portugal está, como está, cada vez mais distante da média europeia. Mais desigual e mais pobre.
Sobre as mezinhas de Cavaco que terão, no recato dos sofás, defendido o país, nada sabemos. Agora, o que sabemos é que sem os negócios dos cavaquistas estaríamos muito melhor. Os contribuintes já se comprometeram em mais de 5500 milhões de euros para salvar o BPN, quase metade de todo o dinheiro que os vários PEC pretendem “poupar”. Com a actividade do BPN/SLN Cavaco e a sua família directa conseguiram mais valias de cerca de 350 mil euros. Nós todos, pelo contrário, fomos à falência com uma política que apoia a especulação, não combate a fraude, só pensa no capital financeiro e deu cabo da produção. É simples: querem o mesmo, votem no Anibal. Sejam muito felizes."

E Bom Natal. 

Porque há coisas...



E outras coisas...

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A minha única

oportunidade para me deitar cedo esta semana, o que é que eu faço? Faço de propósito. A bem da minha saúde talvez tenha de mudar estes hábitos...

O tomate

Bom, na realidade, para não estragar a maneira de ler isto. E eu sei que há para aí umas cinco pessoas que lêem estes textos longos até ao fim, passem os olhos primeiro pelo post anterior. Obrigado.

Então depois da história dos velhotes que puderam ler no post anterior, tenho outra história de fruta relacionada. Ora aqui vamos nós.

Tenho um amigo que é autista. E todos os dias que passam gosto mais dele. O autismo dele é revelado de uma maneira curiosa, ele tem todos os sintomas do tipo atento a cada pormenor, tem uma memória prodigiosa, mas ao contrário dos autista recolhidos, este não tem barreiras sociais. Diz o que lhe vai na pinha, e di-lo com toda a convicção.

Ele não é louco, apesar de o poderem confundir com tal, nos seus momentos mais extravagantes. Não tem mesmo nada de louco. É só, especial. Brilhantemente especial. Uma pérola em bruto.

No outro dia estávamos em amena cavaqueira no facebook sobre cinema. O meu amigo não gosta do cinema convencional. Aconselhou-me, como faz frequentemente e de uma forma seca, e por vezes despropositada que não devia ver Woody Allen e Manoel de Oliveira, por fazerem filmes lentos e aborrecidos. Estávamos a falar de Voando sobre um Ninho de Cucos, quando o avisei que era preciso ter cuidado com a Nurse Rached, visto que há gente que tem vistas limitadas. Metade das coisas que eu lhe digo, ele ignora. Metade não três quartos, ou talvez todos os quartos menos um bocadinho. As nossas conversas são tão desconexas quanto eu gosto delas, muito.

De um momento para o outro ele oferece-me uma das prendas do ano - Miguel, não queres tu, este aquele e eu irmos ao cinema ver um filme pornográfico? Os filmes pornográficos em Lisboa situam-se aqui, nesta rua, paralela a esta rua, perpendicular àquela rua, perto de tal referência. Os pormenores são, sempre, inolvidáveis, pelo critério, e método com que são apresentados.

A minha reacção foi rir-me, e gozar com a situação caricata. Tentar explicar-lhe que não entendia o conceito de ver um filme pornográfico. Quanto muito entendia o conceito de ver uma cena ou outra, mas em privado.

A conversa mudou para o que era melhor, Fellini, Woody Allen, Hitchcock ou um filme pornográfico. Novamente, numa conversa com o meu amigo os argumentos voam mas não aterram. Ainda tentei impingir-lhe que o Hitchcock tinha nome de actor pornográfico - "o pénis comichoso", mas nada, não quer ir à cinemateca comigo ver um Hitchcock, é tudo muito lento.

Isto passou e no dia seguinte ele ligou-me. A voz dele é facilmente detectável. O tom é elevado, ele fala energeticamente, gagueja um bocadinho e acaba todas as palavras com especial atenção. Não diz Miguel. Diz Miguele. Fala rápido, e vai direito ao assunto.

- Miguele! Viste a minha proposta no facebooke? Sobre iremosze vere um fileme pornográfico?

Parti-me a rir logo, ele não gosta muito, mas eu pouco aguento. - Granda "amigo" adoro essssa tua frontalidade! Epá vi sssim ssssenhor! Maz também já vissste a minha resposta!

Os sssss não são nenhuma forma de gozo directo, como devide escrever como ele fala era apenas justo escrever como eu falo. Com os ssss todos.

- Sabes que este o tal ficou escandalizado. E o outro o tal nem sequer me respondeu!

- Oh "amigo" isso as pessoas não têm de lidar com estas coisas sempre como tu estás à espera! Há quem não goste de ter esse tipo de propostas no facebook.

- Mas tu importaste?

- Eu não! Eu gosto! Dá-me vontade de rir! Acho que chorei a rir ontem! Essa tua frontalidade é formidável. O que tu queres tu dizes!

- Não tenhas dúvidas. O que eu penso digo logo! Logo!

- Muito bem!

- Então mas não queres ir comigo?

- Já tentei explicar-te que não vejo lógica em ver um filme pornográfico. Quando muito umas cenas, mas sozinho em casa, ou acompanhado da minha namorada, porque não? Já aconteceu!

- Pois... - Diz ele já desiludido, e um pouco mais baixinho. Tenha perdido o companheiro de pornografia. Tentei animá-lo.

- Mas porque é que não vamos ver outros filmes? Vamos à cinemateca, ou vamos ver filmes de acção. É que sinceramente "amigo". Um filme pornográfico não tem enredo, não há história! Qual é o interesse de ficar 90 minutos a ver um filme sem te estarem a contar seja o que fôr?

A resposta é que eu não estava à espera. A voz dele ficou mais passada. O tom baixou consideravelmente. Não chega a ser um desabafo, muito menos um sussurro, mas uma descrição clara num ambiente cientifico.

- Mas num filme pornográfico ela chupa o tomate dele... (pausa para ponderar) E ele põe o tomate no cu dela...

Eu caí no chão a rir.

Estou a escrever isto. Desiludido por muito provavelmente ter falhado redondamente a descrição. Mas a rir-me que nem um perdido ainda pelo telefonema. O brilhante telefonema... O tomate no cu dela... a delicadeza do pormenor...

Chouriços valha-me deus!!! (Mensagem não revista agradece-se correcções, serão tidas em conta logo que possível.)

Fruta portuguesa

Hoje, novamente, numa senda de horas de almoço completamente fora, decidi fazer arroz. Vou fazer arroz, pôr os Explosions From the Sky a tocar bem alto e arrumar a cozinha. O arroz ficou perto da perfeição. Solto, amanteigado o suficiente, sem ficar enjoativo.

Com o arroz feito faltava-me ver o que é que tinha para comer com ele. E raios parta se não tinha nada em casa! Ao menos tinha-me lembrado de fazer massa! Massa come-se com massa. Mas não tinha de fazer arroz. O almoço ficou mais uma vez adiado.

Fui a correr para o continente comprar salsichas, atum e uns bifes, não muitos que eu tenho-os congelados na arca, mas aquilo ainda demora a descongelar. Acabei por trazer mais coisas, batatas fritas e fruta. E a secção da fruta é a que me traz aqui a escrever isto. Olho para as maçãs, vejo que são portuguesas e toca a escolhe-las.

Nisto vejo um casal de idosos, teriam já setenta e muito, perto dos oitenta.

- Fruta portuguesa! - Grita entre um sorriso o velhote.

- Nem eu digiro outra coisa. - Diz a senhora muito altiva, cheia de brio.

- A única coisa que admito são kiwis!

- Fazem muito bem, mas é preciso ter cuidado com o fígado.

- Bom. As laranjas já estão. Anda comigo meu amor.

Foi provavelmente a conversa mais terna que ouvi na minha vida. Ele pegou-lhe na mão, a outra mão no carrinho, ela de mão dada com ele, a outra mão no carrinho. Os dois um mimo. Ela muito bem arranjada, ele igualmente. Arranjados um para o outro, nem que seja para ir às comprar num Continente atolado.

Mais um post de gaja certamente, mas estou aqui a ver se uns vídeos convertem e lembrou-se-me esta história. A próxima é capaz de ser mais interessante, porque ainda vou nos 26% nesta história, e passei grande parte do tempo fora do computador. A ver se tenho arte e engenho para escrever a próxima.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Um post para variar

 

Tenho um método de trabalho muito inovador: fazê-lo. Por isso é que tenho o Mr.Wolf, aqui em acção na delicada The Bonnie Situation, no Pulp Fiction, como um exemplo inspirador. Ainda que a minha indústria não seja a do crime organizado em Los Angeles.

Até ver.

sábado, dezembro 18, 2010

Shiu!

Pois claro!! Há pobreza? SHIU! Falar disso é que é a vergonha, a vergonha não é certamente a pobreza. Certamente.

And she was a friend of mine

Estou em casa, sentado à minha secretária, a escrever todas aquelas coisas que escrevo e apago com um critério mais que científico, a minha casa envolta no contrabaixo de Charles Mingus a chorar as suas tristezas.

A cor lubregue e amarelada das luzes reflecte-se quente em tudo o que me rodeia, os meus cães prostrados às minhas pernas, a minha gata derrotada em cima delas. O frio vento de Inverno a bater nas janelas, anuncia uma noite debaixo das cobertas, que o conforto do seu peso vai pesar no consolo de cada suspiro.

Reconheço os passos lá fora, entrecortados com o ritmo incerto de Mingus. A porta anuncia o suave som da chave, ela chega por fim. Fecho tudo, deixo a gata, suave, cair destra no chão.

Ela pousa o seu enorme sobretudo no sofá. Vem para me beijar, para que eu a segure nos seus braços. E não tem rosto.

O Mingus deixou de tocar. A Chan Marchall chora e eu deito-me no chão frio da minha casa. Sozinho.

E estou bêbado de sono e a escrever no blogger porquê? Estou com medo de ir dormir, porquê?

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Falta um mês.


O Estado Social. 


Os mercados.

Todos os dias nos têm tentado vender a ideia de que esta é uma disputa com um vencedor antecipado, como se de uma mera formalidade se tratasse a escolha do Presidente da República. E repete-se a teoria até à exaustão, tomando-a como uma verdade absoluta. Dizem-nos que historicamente tem sido assim e que assistiremos a uma mera recondução, em forma de vénia, do actual Presidente. Foi esse fatalismo subserviente que nos trouxe aqui. É altura dos cidadãos voltarem a mostrar que têm a capacidade de tomar conta do seu destino. O povo é soberano. O voto é sagrado. E Portugal é digno. Força Manuel Alegre.

Mais do mesmo. E mesmo do mais para os mesmos.

"O que têm em comum Vítor Bento, Daniel Bessa e João Duque? São os principais economistas que defendem, nos amplos tempos de antena sem contraditório que lhes são concedidos pelos meios de comunicação social, que se aproveite o desemprego causado por uma crise do capital financeiro descontrolado para reduzir direitos laborais e salários e para escavacar em definitivo o Estado social, substituindo-o pelo Estado bombeiro para os bancos e pelo Estado penal para os pobres nada merecedores. São também membros da comissão política de Cavaco, o esteio ideológico do plano inclinado direitista que está para lá dos discursos de Natal. As festas dos donos de Portugal, os da comissão de honra de Cavaco, os das sobras para os pobres merecedores, seguem dentro de momentos?"

João Rodrigues, in Arrastão.

PS. Nem de propósito, estou a ler Os Donos de Portugal. Não leiam, não vale a pena. Deixem-nos continuar.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

E se ele tivesse alguma coisa para dizer, como seria?



Há uma deixa no "True Romance", brilhantemente escrito pelo Sr.Tarantino e possivelmente estragado por Tony Scott, que me faz lembrar certas aparições de Cavaco Silva. Não me vou repetir pela enésima vez, nem tão pouco misturar arte e bom gosto com Aníbal Cavaco Silva, publicando de novo a cena, onde se encontram os senhores Dennis Hopper e Christopher Walken. Hopper - Clifford no filme - o pai do foragido Clarence - Christian Slater na vida real - pretende convencer o mafioso Don Coccotti - Walken na vida real ou vice-versa- que não sabe do paradeiro do filho. Depois de oito longos minutos de conversa sobre sicilianos, cansado pela intensidade do momento, pergunta: "If that's a fact, am I lying?"

E se Cavaco, por uma vez que fosse, tivesse mesmo que falar?

terça-feira, dezembro 14, 2010

...

Um véu cai sobre a cidade
Chuva não há resta humidade
Toldam -me os olhos nublados
As parcas formas de nós deitados

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Hoje no processo de deitar mais cedo

Hoje no processo de deitar mais cedo, estava à procura de um CD de Mandalay, quando me deparo com um CD que comprei há uns anos, com o simples nome de "Mckay".



"Mckay" é o álbum que o Geoff Barrow produziu depois dos primeiros discos de Portishead, sobre a marca de SoulFuzz. O disco pouco tem a ver com Portishead. O som é de Bristol, isso é indiscutível, mas a partir da voz de Stephanie Mckay tudo é diferente. Não era nenhum CD de Portishead, mas porra se não me fartei de ouvir aquilo!



A Stephanie Mckay é daquelas mulheres que me fazem arregalar os olhos. Sabe tomar conta dela, sabe os momentos em que tem de ser mais cerebral, e os outros em que tem de cantar com um propósito que só ela é que sabe qual é, mas não nos deixa alternativa senão tentar descobrir qual é. E a mulher é tão linda...



E canta tanto! Credo, como eu gosto de mulheres que cantam!



E é com este ritmo que me vou deitar hoje. Pelo primeira vez antes da meia noite... já não me lembro desde quando!

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Uma história dos dias de ontem. E dos de hoje.





Nem por acaso, tropecei hoje, na SIC Radical, na visita de Anthony Bourdain aos Laos. Quem o conhece, quem costuma ver o No Reservations, sabe que o tom pungente não é propriamente a especialidade deste nova-iorquino. Mas a uma dada altura do programa, e ele próprio fala disso, percebe-se que foi claramente assaltado pelo impacto que a realidade que ali encontrou teve em si. E se é desconfiar de muita gente que de vez em quando atira assim umas balelas à miss mundo, o mesmo não se pode dizer de Bourdain - mas isso só vendo outros programas dele é que se percebe.

A verdade é que qualquer norte-americano com dois palmos de testa e um pouco de mundo só pode ficar chocado com as atrocidades que o seu país tem cometido ao longo dos últimos 92 anos de História. E nem quero imaginar como seria se os EUA fossem os maus nesta fita que insistem em projectar.

Por momentos



Do fundo a voz perdida, a música abafada pela sujidade da falta de clareza do som replicado, e de um momento para o outro os graves equilibrados, os agudos limpos, e a abertura para algo verdadeiramente bonito, não pelo sentimento, mas porque tudo se torna claro de repente "Did sell my self for this feeling, so long ago?"

Dei eu o meu coração para essa perca de tempo? Acho que o grupo com o pior nome de todos os tempos, para o bom que é, consegue capturar uma parte importante da nossa vida. Por vezes sabemos bem onde nos vamos meter, mas só descobrimos que sabíamos depois de passar por ele. É estranho mas não pode ser mentira.

Eu sabia, não eras a pessoa para mim. Mas talvez pior, não era a pessoa para ti.

Será este um post de gaja? Só pode...

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Guerrilha

Hackers Take Down Visa.com in the Name of Wikileaks

A group of hackers often referred to as Anonymous have set their sights on Visa.com in a recent war against those sites that have denied service to WikiLeaks in the wake of the site started releasing secret embassy cables.
Previous Wikileaks-related targets of what has been dubbed “Operation Payback” include Swiss bank PostFinance (still down for the count), which has closed the account of WikiLeaks founder Julian Assange, PayPal (Anon took down the blog, but it’s now operational) and Mastercard (now up and running — at least in some browsers).
Visa.com is now down for the count as well.
PandaLabs supplied us with the below summary of activity by Operation Payback:
  • After pulling the plug on payments to WikiLeaks, Mastercard’s website was taken down and remains out of service
  • Senator Joe Lieberman’s website was taken down for 12 minutes (the first .gov site to be attacked)
  • Sarah Palin’s website was taken offline by a small group of Anonymous attackers
  • The group sent spam faxes to Joe Lieberman’s office and to PostFinance
  • PostFinance was attacked the hardest, leaving customers without the ability to conduct online banking
  • They took down the website of the lawyer representing the 2 girls who were allegedly raped/assaulted by WikiLeaks founder Julian Assange
  • The group took down Assange’s Swedish prosecutor’s website
Notícia de Mashable.com. 

Adenda: E agora é a Bolívia que se envolve directamente na questão. Creio que é a primeira instância oficial de um Estado a fazê-lo.

Adenda II: E agora é o online.dns.pt (da Fundação para a Computação Científica Nacional) a ficar em baixo.É um ataque global.

Adenda III: No Twitter (que também sofreu uma ataque hacker), a operação #payback - agora #payitforward - está a dar que falar.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Django

Tenho dois músicos de jazz de eleição quase desde os primeiros tempos em que ouço jazz. E tenho duas pessoas na minha vida que me mostraram jazz. O meu pai, com ênfase no Miles Davis, no gosto, nos momentos e ambientes criados, na magnífica escolha de elenco, na exímia maneira como liderava a sua banda. E tenho o Woody Allen. De que sou um fã incondicional, e que me mostrou outra face do Jazz. Mais emotiva. Mais mágica. Mais Django Reinhardt.

O Django nasceu algures na fronteira entre a Bélgica e a França. Ao contrário do Miles Davis, o Django não tem muitos vídeos dele a tocar. Quando encontrei um hoje, totalmente por acidente. Fiquei mesmo feliz. Até porque deu para testemunhar novamente os dois dedos mais magníficos que alguma vez tocaram numa guitarra.

As histórias do Django são lendárias. Uma das melhores coisas que se pode fazer enquanto se ouve um dos seus discos, é ler os livros que os vêm a acompanhar. As histórias que formam o imaginário do maior guitarrista de todos os tempos.



Com o vídeo como prova, uma das histórias foi que a sua caravana ardeu a meio da noite com Django lá dentro. Django era cigano e vivia como um cigano, mesmo depois de ter descoberto Louis Armostrong e se ter dedicado ao Jazz para o resto da sua vida, e ter abandonado aquela romaria da música itinerária cigana. Apanhado pelo foto ficou gravemente ferido, e uma das feridas foram queimaduras na mão esquerda, a do braço da guitarra. As queimaduras deixaram-lhe os dedos praticamente inúteis. Para muitos era a morte prematura do maior talento que a guitarra jazz alguma vez pudera contemplar. Mas o Django nem era de muitas palavras, gostava de comunicar com a sua guitarra. A recuperação não demorou muito, e a sua luta nem foi complicada. Tenho dois dedos só? Então porque não? Reparem na velocidade dos 2m50s aos 2m56s, a maneira como resolve todo o som que quer tirar da guitarra... poucas palavras podem ser ditas depois disso...

Para aumentar o meu amor pela música do Django, o Woody Allen faz "Sweet and Lowdown", o meu filme preferido de todos os tempos. Que recomendo desde já também a todos os que lêem este blogue. Chego a oferecer esse filme mais do que uma vez à mesma pessoa...

domingo, dezembro 05, 2010

A actualidade política



E a população em geral...

sábado, dezembro 04, 2010

A história não ensina ninguém - repete-se

É incrível o tipo de ataques que estão a começar a vir ao de cima com Julian Assange. Quais são as suas verdadeiras intenções? Quer ele ganhar dinheiro com isto? As coisas que ele não revela é que são importantes! O que é que ele vai fazer com elas se não o matarem?

É incrível como o mundo é testemunha de um herói e a primeira reacção é de descrédito. Se não vejamos só estes quatro pequenos ataques que tenho visto um pouco por todo o lado referidos no primeiro parágrafo.

Quais são as suas verdadeiras intenções? Quais intenções? Do que raio é que estão a falar? Ele não teve intenções nenhumas. Ele fez. É como dizer a um tipo que está a arranjar um automóvel que tem a roda toda partida, ele arranja a roda, e há um tipo que de fora põe-se a divagar - sim, mas quais são as intenções dele quando arranjou aquela roda? As intenções do Julian Assange e do seu colega, não são nenhumas senão as dos seus próprios actos. Não se pode ir mais longe que isto. Eles fizeram, e nós? Este ataque das intenções, desvia a atenção dos actos, e isso é tão ridículo como eficaz!

Quer ele ganhar dinheiro com isto? Muito ou pouco? Este é o ataque mais cómico, mas o que mais tem de substância. Dizia um tipo numa página do facebook onde vi muitos destes ataques, "ele quer pedir dinheiro, isso torna-o pior do que aquilo que aquelas pessoas fizeram!" Brilhante! Só cá faltava uma pessoa fazer um trabalho e querer receber dinheiro por ele. É que nem sei se é verdade ou não. Mas no caso de Julian Assange e o seu parceiro quererem dinheiro, isso é mau? Eu sou um fotografo, tiro uma fotografia sobre a guerra no Iraque com o Saddam ainda vivo a beber uns copos com o Bush, posso resolver um mistério gigante sobre a guerra, mas deus me livre se for vender a foto! Sou pior do que aqueles tipos que só querem ganhar dinheiro como o petróleo! Se não a der, não tem valor nenhum! Não é?

O ataque do dinheiro serve novamente para desviar a atenção ao acto em si. Àquilo que foi feito. Às coisas que o Wikileaks já mostrou. Mais ainda esta ligação purista com o dinheiro mostra os medos que as pessoas têm, não o que os poderosos têm, os poderosos ligam um cu a dinheiro, o dinheiro é um meio de corromper. O Kissinger, no auge do seu controle sobre o EUA e sobre grande parte do mundo dizia que o grande afrodite era o poder, o poder pelo poder. Nos círculos que o Wikipidea está a desvendar, o dinheiro é um meio, há gente que passa a vida nos altos corredores do poder sem um ordenado sequer, criam milionários, planeiam impérios, mas não para proveito próprio, pelo poder, e provavelmente por uma noção muito pervertida de patriotismo.

As coisas que ele não revela é que são importantes! Clássico!!! Então pois está claro. Quem é que quer saber das que foram reveladas? Nem olhem para isso. Exijam é que as verdadeiramente importantes sejam reveladas! Vamos lá pessoal! Puxar por eles! O Wikipédia nada fez.

O que vai fazer com as informações que detém para assegurar a sua vida? O que vai fazer com aquelas páginas encriptadas que distribuiu pelo mundo fora para que tudo seja revelado assim que o matarem? A lógica aqui é imprimir um cunho de cobardia ao pessoal do Wikileaks. Eles são uns covardes, se não fossem, mostravam logo tudo! A verdade é que não se sabe se há mais informação ou não. Os governos têm com certeza medo que sim. E é assim que têm de ficar. Porque olha a estupidez de um tipo fazer um trabalho destes importante e deixar o caminho aberto para que arrumem com ele depois de um bom trabalhinho a sujar a sua imagem.

Anos e anos a criarem heróis e vilões. Anos e anos a controlarem tudo o que se chama democracia. Quando aparece um tipo a bater o pé, dizer que não pode ser, abrir as mãos e dizer - olhem para isto! E o que é que acontece? A história repete-se. Heróis que não dão jeito passam a vilões. E ninguém aprende com isto. E tudo fica na mesma. Como Eles querem. Cordeiros prontos para a matança. Cordeirinhos...

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Olha não!

Parecia que estava a adivinhar. Juro que não fui eu que escrevi a notícia no Expresso!

Histórias e conspirações

A história mais cíclica que este país alguma vez conheceu lá ressurge novamente. (link) O seu ressurgimento serve várias causas, e raras são as que querem efectivamente saber o que se passou. E descobrir o que é que se passou? Posso estar enganado, mas ou já se sabe há muito, ou nunca se poderá saber. Ninguém vai descobrir nada de novo agora, passados 30 anos!

Assim sendo, só vejo uns tipos a poderem ajudar. (link) É que parecem ser os únicos interessados em resolver este tipo de problemas, e bem que podiam dar uma mãozinha a Camarate! Vá. É que faz trinta anos! É possível que as coisas estejam mais perto da torre do Tombo do que na internet, mas enfim... nunca se sabe...

Por favor resolvam lá isto, nas novas moradas ou nas velhas! Que por aqui isto já vai no limite. Obrigado. (link)


Acho, ainda assim. que o pessoal do Wikileaks ainda não ouviu falar da "nova Suíça". (link)


O mais engraçado, ou trágico, nesta história do Wikileaks é que o seu fundador Julian Assange tem a cabeça a prémio, e a única coisa que o pode salvar, são os braços da sua própria arma.

Claro que a verdadeira conspiração. A mais problemática e difícil de responder, está aqui! E disso não haja dúvida! Mas esta, temo, nem o Wikileaks chega lá... (link)

América Latina e, neste caso particular, Argentina:

Gosto de ti.

Jà se apagam posts neste blogue

É a auto-censura! Muito avisada a estas horas...

Cosie Cherie



E eu com um fraquinho gigante! Sim fraquinho gigante, por mulheres que cantam bem... o vídeo não lhe faz justiça.

Ouçam na página oficial Morning Light... (link)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Anyway!

No meu último post estava a escrever a pensar neste música. Fui interrompido por um vídeo experimental acabadinho de ser editado pelo Maneloni!



Esta música lembra-me uma namorada minha que tinha este ritmo, acentuado no minuto e vinte - anyway! Namorei pouco tempo com ela, poucas semanas, um erro de casting por razões que não são para aqui chamadas,dela e meu.

Mas eu sempre gostei daquele ritmo, aquela expectativa dela do mundo, de cavalgar com uma velocidade enorme para qualquer assunto sem medo, e num ápice fartar-se e dizer - anyway! - e mudar completamente de assunto. Era aos meus olhos a melhor qualidade dela. Diga-se que ela não dizia anyway! Não gosto muito de barbarismos como expressões, ou sequer de qualquer tipo de barbarismo. Gosto de português, e ela "interjeitava" na língua lusa, desculpem-me desortografismo entre aspas, e este último sem aspas sequer!

Anyway!

Aqui vão os outros vídeos que eu já devia ter postado aqui. A nossa empresa, minha e do Manel, na sua fase experimental! Vê lá se descobres alguma coisa senhora desculpas!!!

Vou ver agora ver um concerto de Cosie Cherie ao Braço de Prata! Até já!

Imagens recolhidas em Setembro de 2010, na Praia do Sul, na vila da Ericeira.


As primeiras imagens por nós captadas levaram à concepção deste vídeo de apresentação alternativo da Onírica. Tendo Lisboa e arredores como pano de fundo, esta pequena narrativa mistura linhas, direcções, caminhos, histórias, desvios e pontos, compondo um mapa de subtilezas que quisemos registar por dizerem qualquer coisa sobre nós. Eis-nos aqui chegados para de imediato partir. Obrigado a todos os que nos têm apoiado.

The first images that we capture were the starting engine for this Onirica Video. Set in Lisboa, this narrative blends lines, directions, paths, stories, deviations and dots, composing a map of subtleties that say something about us. Here we are, ready to take-off. Thank you all for the support.


O caminho a evitar, ou o caminho que vai dar a todas as ruas de Lisboa, circunda e faz parte da cidade que criou a Onírica, a sua base, os seus sócios, aqueles que nos rodeiam, para já... Porque dali se parte para o norte e dali se parte para o sul.

Este é o primeiro vídeo da Onírica, já presente no site - www.onirica.pt - dêem por lá uma volta.

Dos caminhos e viagens

Seguindo por estradas já usadas, caminhos já percorridos, mas sempre na tentativa de descobrir algo de novo, um caminho que nunca ninguém viu. Um trilho onde se pode fazer uma estrada, sem uma única árvore ser sacrificada, sem nenhum animal ficar com o seu território dividido. Uma estrada tão genialmente perfeita que só pode ser inventada, criada, e depois, mais tarde, partilhada.

Uma curta roupa velha visual de momentos captados em lugares por onde estivemos este ano. E uma pequena homenagem ao sonho.

Some moments captured in places we have been this here. A small tribute to dream.

terça-feira, novembro 30, 2010

isto não é assim tão díficil de perceber

"Quando é que esta gente descansa?"


"BCE, FMI e Comissão Europeia com a mesma cassete neoliberal: “reformar o mercado de trabalho”. O que é isto? Luta de classes à escala europeia; desculpem, mas não tenho melhor expressão: reduzir os custos do despedimento, fragilizar ainda mais a contratação colectiva e afunilar o subsídio de desemprego para que a economia do medo alastre, para que a insegurança laboral se intensifique. O objectivo principal é tornar estrutural a lógica conjuntural das políticas orçamentais de austeridade, ou seja, reduzir permanentemente os salários directos e indirectos, no público e no privado, que isto está tudo ligado. O aumento das desigualdades é outro dos efeitos/objectivos. Segue-se o apelo ao incumprimento do acordo sobre o salário mínimo? A crise e o desemprego continuam sem solução, claro. Isso pressupunha mudar a configuração institucional europeia para termos políticas de investimento, de estimulo económico. O aumento generalizado do desemprego é o resultado da crise do capitalismo financerizado e as economias que aguentaram melhor o embate, em termos de emprego, parecem ser precisamente as que têm regras laborais que distribuem os direitos e as obrigações de forma mais favorável a quem trabalha. Na realidade, a crise é usada como pretexto para todas as regressões, para a consolidação de todas as utopias liberais. Questão de poder. Esta gente só descansa quando tivermos todos regressado a 1906, a um anúncio que estava afixado numa fábrica da Renault: “Os operários podem despedir-se avisando o encarregado com uma hora de antecedência. A Casa, por sua vez, pode despedir os operários sem indemnização, avisando-os o encarregado com uma hora de antecedência.”


João Rodrigues, in Ladrões de Bicicletas

segunda-feira, novembro 29, 2010

Lá fora é que é

Lá fora, lá fora é que é. Lá fora, o Alexandre Pinto é que era. E o Eduardo Frazão e a Ana Moreira. E o Jorge Cramez – quem é o Jorge Cramez? Ah, se fosse lá fora, por cá citaríamos uma ou outra frase da primeira longa-metragem do Jorge Cramez, o Capacete Dourado.

O Capacete Dourado?


 

Há muito de fascinante no Capacete Dourado. Começa logo pelo espaço – a “província”. A “província” é sempre um postal ilustrado plácido mas cheio de dias desconfortáveis de gente que na quietude da noite esconde desassossegos, segredos, dramas, horrores e medos. E um silêncio sobre si que se esconde em aparências, como uma cruz que se carrega pesarosamente na missa, à procura de redenção dominical.

Na cidade, a morte espreita à esquina, faz parte de si, é quase um acaso estatístico. Na “província” é um clamor agudo que brota do silêncio da noite, de um machado familiar que se ergue para um massacre de sangue. Na cidade mata-se por uma carteira, na “província” por amor. Na cidade, a morte é indiferente, na “província” é poesia.

O mais fascinante do Capacete Dourado é a sua história. O argumento deste filme, que não é perfeito mas que é bom – o que já é muito bom - foi escrito baseado numa história verídica. O mais fascinante do Capacete Dourado é que é uma bela história de amor. Na “província”.




  
"A história do Capacete Dourado, a história de Jota e Margarida, foi inspirada numa notícia de jornal, a propósito de um casal de adolescentes da zona rural de Guimarães, no norte de Portugal, que se tentou enforcar numa ponte, desesperados pela proibição do namoro por parte da família da rapariga (o rapaz era de famílias humildes, tinha abandonado os estudos e trabalhava como mecânico; a rapariga pertencia a uma família de pequenos proprietários rurais). A rapariga morreu e o rapaz salvou-se, porque a corda partiu."

No Capacete Dourado, e mesmo mantendo os seus traços inexoráveis e mesmo com uma história trágica a servir de inspiração talvez a “província” apareça mais luminosa, menos católica e mais feliz que nunca. Talvez seja um espaço feito em pedaços, porque o amor e a juventude em plena celebração vencem o desassossego latente e miserabilista que se arrasta na “província”. Talvez...

Lá fora é que é? O caraças.

Valha-me Deus

O problema aqui é que eu nem consigo começar a compreender esta fotografia... Até porque nunca na minha vida me deparei com nenhuma particularidade daquelas, quanto mais com o global. Existem raparigas assim? O que é que um gajo precisa de fazer para as conhecer? É por ser um tipo feio? Mas podia surpreende-las! Alguém sabe como é que se surpreender mulheres assim? Só para vê-las! Nem é para tocar! Só para ver.

(No sítio habitual! O Manel já os chamou de herois nacionais. Eu encontro-me entre herois e um insulto qualquer que ainda não encontrei bem... talvez por ficar meio embasbacado...)

Mais uma manhã



A mim nunca me impressiona uma sala de espera, a não ser quando é para tirar sangue. Os ouros doentes, os gemidos, os casos, as más disposições, por vezes encontro a parte cómica da experiência, outras uma etapa da vida de uma pessoa. A espera num centro de saúde.

Ultimamente parece que não faço outra coisa com as minhas manhãs. Eu, que sou noctívago, encaro toda a experiência com... como dizer... um certo sono.

Mas hoje estava especialmente irritado. Não só porque para as pessoas que atendem naquele centro de saúde tudo tem de fazer parte de um processo burocrático, mas também porque havia duas pessoas que não paravam de tossir para cima de toda a gente. E podiam estar num sítio parados que uma pessoa sabia de onde vinha. Mas não. Estes eram tossidores nómadas, um parecia claramente pneumónico e deve hoje ter matado uma quantidade considerável de velhotes, no centro de saúde à espera da sua dose diária de placebos.

É que os tipos tossidores eram insuportáveis! Um gajo pensava que estava à distancia, e de repente ouvia aquele som da escarreta presa ainda no peito e a tentar soltar-se, mesmo nas costas. Virava-me e à minha frente, outra! Bem arranhada, do fundo, com a mãozinha a tapar... como se fosse ajudar para alguma coisa. Rais parta a vida.

Enfim... A próxima é no hospital de Santa Maria. Hà mais lugares para escapar.

Leslie Nielsen




(1926-2010)

MI MI MICCOLI!

Um Deja vu!(link)

sábado, novembro 27, 2010

Basta!

Estou farto de discutir política. Estou farto de andar a tentar convencer gente a olhar para o lado, em vez de se olharem ao espelho.

Cheguei a casa depois de uma noite porreira no Bairro, mas com uma conversa desastrosa com um dos meus melhores amigos, que é, efectivamente um verdadeiro reaccionário disfarçado de esquerdista. Adoro-o como um irmão, mas passo-me com aquelas posições panfletárias de direita, de comparar Cuba com a Coreia do Norte, de achar que é indiferente estar um Cavaco ou um Alegre à frente da Presidência da República. Epá que um tipo que é de direita me diga que prefere o Cavaco como Presidente da República, é base de conversação, um tipo que se advoga de esquerda... porra... Como esta outras tantas.

Hoje para descontrair lá me pus a ler os blogues aqui nos links do Pastelinho até chegar ao Dias Assim, e não podia ter feito pior em ler os comentários deprimentes sobre a greve que a pobre coitada da Sofia teve de aturar. A lógica de que o país está mal, mas que não é com greves que se vai lá, ponto final! É que nem dizem que o que é preciso é votar noutros tipos, ou que o que é preciso é apostar na mesma receita, continuar a trabalhar, que um dia vai melhorar. Não. É a negação da greve pela mesma razão que se critica Cuba, ou o Alegre, porque a informação de hoje em dia, come toda a gente. Os líderes de opinião como o Marcelo Rebelo de Sousa, que está cá desde sempre, continuam as dizer as mesmas merdas incoerentes de uma forma perfeitamente bacoca e cíclica. E ninguém os pára!

Juro que para mim já é difícil ver um telejornal. Ler um jornal é para o rasgar no final. Ando nervoso. Ainda o que me põe bem disposto é ir acompanhar a greve, tentar ver o que é que acontece, porque é que acontece, como é que acontece, e só me dá vontade de me enfiar nos piquetes e andar ali a não deixar os camiões passarem. Ficar quieto é a alternativa confortável.



É que o mais irritante dos comentários no Dias Assim é o tipo que lhe dá na vinheta dizer - Epá a greve é para gente que tem emprego, os desempregados não podem fazer - que não só a maior paliçada com que me deparei nos últimos tempos, como é a mais estúpida delas, porque é de um tipo indignado! "Tiram os rebuçados e assim", foda-se! Uma pessoa tem emprego, pára um dia como meio de protesto que as coisas não estão bem que isto é preciso mudar, que há que alterar o estado das coisas, e há um gajo que se lembra de dizer, epá atenção que aquele tipo não trabalha não pode fazer greve! Mas que merda execrável! Alguém a lutar por um bem maior, e outro tipo a protestar com paliçadas. Agora reparei que um dos que diz isso é o caríssimo Pedro Soares Lourenço na provocação... esperemos. Há outro que o diz a sério no entanto, mais a seguir.

Enfim. Normalmente venho para aqui para o blogger para descansar, escrevinhar um bocadinho, relaxo sempre. E desta vez ainda estou mais nervoso do que estava antes... olha que porra... Nem releio.

Cordeirinhos de merda, tudo pronto para a matança...

sexta-feira, novembro 26, 2010

Mulheres bonitas para me fazerem sair da depressão!



Eu nem sou fã, mas uma mulher linda e divertida... aos saltinhos e a dançar.. epá... um homem não é de ferro!

Ainda assim, Werewolf... Esta é uma daquelas músicas em que chego a casa, ponho play e repeat.



E o ambiente da minha casa começa logo a ficar mais quente. Aquele ritmo lento a instalar-se nas paredes. Aquela voz a atravessar a sala. Eu a desmontar as farpelas, e a Chan Marshall a falar de alguém como eu. Faço tudo o que tenho a fazer com o ritmo da música. Arrasto-me pela pequena cave onde vivo, à procura do melhor pouso para me instalar. Se conseguir como qualquer coisa, enterrado no sofá, e a música já se instalou, completa o ambiente da casa. Uma casa negra, escura, mas minha, até me descobrirem aqui, eu e as vítimas que vou fazendo à luz da lua, que sempre foi boa para mim, e má para quem me vê à luz dela...

Talvez não saia da depressão. Mas é mais confortável...

Sou mau

Em todos os sítios por onde passei, na minha vida, raras foras as situações em que passei indiferente. Ou sou um tipo porreiro, ou sou um tipo execrável. Em minha defesa, aqueles que não conheceram o meu mau feitio, e tenho um mau feitio do caraças, acham-me do piorio porque eu sou gajo para ser muito distraído. Sou tipo para cumprimentar uma pessoa com toda a naturalidade num dia, e para passar por ela sem lhe falar no outro. Isto faz com que haja gente que não ache muito simpático, o que é compreensível! "Este tipo fala-me num dia, não me fala no outro?!"

Hoje aconteceu isso mesmo. Só que nesta situação pode acontecer três coisas. Primeira - eu passo não cumprimento e essa pessoa desaparece e nunca mais a vejo, segunda - eu passo não cumprimento e no dia seguinte menos distraído cumprimento e tenho de ouvir "aí hoje já cumprimentas?!?" ou o clássico, "ontem passei por ti, tentei falar-te e nada!", a terceira é a pior, e foi a que me aconteceu hoje.

Passo a explicar:

Passo pela pessoa, vou a pensar nas milhares de coisas que se passam pela minha cabeça, então quando estou na depressão ainda pior é, e reparo que alguém passou ao meu lado, e tentou dizer qualquer coisa, só que a minha atenção está demasiado fixa no meu mundo, há uma pequena voz que grita no meu cérebro - acho que conheces! - primeiro muito mais baixo, depois um pouco mais alto, até que grita - FODA-SE CONHECES!! - Eu abro os olhos como se estivesse a ter um acidente, olho para trás, a pessoa já desistiu entretanto, e eu parvo não resisto a tentar reconhecer o meu erro, "oh!", "olha!", "desculpa!" interjeição a seguir a interjeição para tentar captar a atenção da pessoa.

Mais um interlúdio - desde pequeno que só sei os nomes dos meus amigos mais próximos, sou o pior para nomes, sejam quais forem, em que situação forem, o Manel quando está ao meu lado é o meu pronto socorro e lá me vai tentando ajudar, seja com amigos, nomes de ministros, nomes de lugares, nomes de professores, ou de pessoas que conhecemos por acidente. De resto, se estou sozinho, estou bem lixado. Para contrariar esta tendência invento nomes para as pessoas que acabo de conhecer, porque eu não tenho memória de coisa nenhuma, a não ser de histórias, a minha cabeça está formatada para decorar histórias, seja na vida real, ou fictícia. Para isso tem de haver uma associação ao nome da pessoa e uma personagem qualquer, real ou fictícia.

Hoje, a pessoa por quem eu passei, não era do tempo do inventar de nomes, e eu cometi o erro de não querer ignorar. As interjeições, à partida, não ajudam a causa de me acharem insuportável, e as interjeições abusivas ao ponto de perceberem que não sei o nome delas só pioram a causa. "Então MIGUEL! como é que andas?" O sublinhar do meu nome, percebeu que não sei o dele. Porque raio é que me virei para trás? Porquê? Cérebro de merda não sabias estar quieto não? Hà anos que não o vejo e para quê? Conversa de merda?!? Não. É para saberes dele. Lembras-te dele! Lá do... sítio... chama-se... pois... mmm... pppp.... ssss. S... Sandro? Não arrisques que é pior! "Tudo porreiro! Estava distraído, só reparei passados uns segundos!" Ri-te, ri-te Miguel! És mesmo parvo! "Eu reparei!" Olha o gajo a rir-se agora. E ainda por cima reparou que eu ia distraído! "Está tudo porreiro?" Pergunta de merda Miguel, já foste melhor nisto. "Tudo impecável!" Ok. "Então vá! Vamo-nos vendo. Por aí..." Bonito serviço. Não podias ter seguido em frente. Agora a despachares a conversa. "Ok... Já não nos vemos há muito tempo, não é?" Pronto. Está tudo lixado...

Uns minutos perdidos depois...

Eu no primeiro paragrafo desta estucha, tinha dito que havia quem pensasse que eu era porreiro, e outros que pensavam que eu era um estafermo. Mas não disse que os segundos é que têm razão. Desculpem se vos fiz perder este tempo sem vos explicar isto primeiro.

quinta-feira, novembro 25, 2010

PSL

Achei que devia guardar um espaço especial para o post que Pedro Santana Lopes escreveu ontem no seu blogue. Embora parecendo que não, o ex-primeiro ministro discorre, com uma subtileza finíssima, sobre os problemas do país, usando de um sentido metafórico sublime e um sentido de humor clínico que destoa de todas as outras análises que ontem foram sendo feitas sobre o país e a Greve Geral.
De saudar toda uma dimensão e conteúdo social desta breve mas pungente opinião, para além da evidente componente política que marca, como sempre, a intervenção pública do nosso ex-primeiro-ministro e antigo líder do PPD/PSD.


"Os carros mais modernos não têm pneu sobresselente. Pelo menos, os da marca do meu (BMW)e vários outros que tenho perguntado. Se acontece alguma coisa a um pneu, tem de se andar com ele, muito devagar, porque fica estragado mas - dizem eles- nunca esvazia de todo. Só que, depois, não há pneus. Tem de se encomendar. E, às vezes, demora dias. Em viagem deve ser bonito.
Ou seja, são caros «até dizer chega» e não há em stock. Tornámo-nos, mesmo, no Burundi! Antes mudar o pneu com os «macacos» de antigamente..."

Cómico

Muito cómico, este Magalhães (que ironia) que faz blog-sitting para o PS ou para o Governo ou para os dois. Imaginem lá que um destes dias o bom do Magalhães calha de ver imagens deste incidente que não são do PC? Ena pá. Isso é que vai ser sorte.

Socialismo tecnológico

José Sócrates, um tipo vincadamente de direita, têm disfarçado (muito mal, claro) os complexos por não ser de esquerda definindo frequentemente o "socialismo democrático" como o campo ideológico em que o seu Partido Socialista se move.

Sendo-me perfeitamente indiferente o modo como ele e os seus apoiantes designam o coração político deste PS, proponho outro conceito - até porque este está gasto e não sei se aguenta mais eleições - mais de acordo com aquilo que tem sido feito na vigência de Sócrates no laboratório político do Largo do Rato: Socialismo tecnológico.

Um socialismo em rede, deslumbrado e, acima de tudo, completamente virtual.

O que se vai dizendo (de relevante)


"Os funcionários públicos não fizeram greve. Para quem não trabalha, como é o caso, foi um dia como os outros. O país está falido por causa da função pública, o país está endividado por causa dos funcionários públicos, o país não tem emenda com estes serviços públicos. Os funcionários públicos passam o dia no facebook e, quando o largam, é para perderem tempo nos blogs. Os funcionários públicos são preguiçosos e pouco pontuais. Os funcionários públicos fazem greve para perpetuar os seus privilégios. Os outros, os que trabalham, vão todos os dias produzir para lhes garantir o nível de vida. Se não fosse a função pública, já vivíamos todos melhor que os belgas e holandeses. Os funcionários públicos, com as suas greves, não deixam trabalhar o país que produz. Os alemães e franceses labutam que se fartam para subsidiarem os nossos funcionários públicos. Os funcionários públicos têm mau gosto, cheiram mal da boca e ouvem música que não se recomenda.

Aqui ficou um resumo, qual serviço público para quem não tem muito tempo, para todos quantos pretendem saber o que é que a maioria dos blogues da direita mais liberal anda a dizer da greve geral."


"Acabo de acompanhar o Fórum da Antena Um e fiquei chocado com a quantidade de pessoas a criticarem a greve, o sector da Função Pública, os sindicatos, acusando-se de preguiçosos, de prejudicarem o país, até houve uma aluna a queixar-se de que assim não tem aulas e fica prejudicada para os exames;  a concluírem que da greve nada resultará. Felizmente houve uns intervenientes a chamarem a atenção que estas pessoas têm um noção subdesenvolvido de cidadania e se esqueceram como eram as coisas durante o Fascismo.

Não é possível fazer o contraponto de todas as opiniões (a que têm direito, embora erradas no meu ponto de vista) destes ouvintes críticos da Greve, mas sublinhava alguns pontos:

    * Muitos dos trabalhadores que estão em greve não estão em casa na cama, mas andam (alguns desde a madrugada) activamente participando em piquetes de greve. Além disso, perdem um dia de salário.
    * Gostaria de perguntar a estas pessoas que acham que a greve prejudica a produtividade do país, o que acham do Governo ter dado tolerância de ponto na passada 6a feira, devido à Cimeira da NATO, para a qual gastou (estima-se) 10 milhões de euros, incluindo a compra de carros armados, que na sua maioria não chegaram a tempo da cimeira.
    * Se a greve implica um dia de paragem de produtividade, é porque os trabalhadores estão convencidos que as políticas do governo não vão inverter a espiral de improdutividade em que país está metido. Não há de ser o dia da greve o maior contributo para essa espiral. Os grevistas estão a defender não só as suas condições laborais pessoais (ou corporativas, como às vezes se diz agora), mas o sistema económico do país.
    * Recordo que esta é primeira Greve Geral há muitos anos que tem o apoio da CGTP-IN e da UGT, isto é, reflecte uma opinião política sindical de largo espectro, incluindo membros do partido do governo
    * Naturalmente que há pessoas que se sentem prejudicadas por não poderem levar a sua vida normal devido à greve. Sugiro-lhe que em vez de fazerem birra, aproveitem o dia para ler porque os trabalhadores estão a fazer greve.
    * A greve geral está a sentir-se de forma mais pronunciada no sector público que privado. O motivo não é apenas o facto do sector público ser o mais atingido pelas medidas do governo, mas também devido ao clima de medo e intimidação real que os trabalhadores no sector privado sentem, sobretudo os que estão em condições de grande precariedade.
    * A Greve Geral é um passo num processo da luta de classes, um momento de demonstração da força dos trabalhadores; não implica o abandono da concertação social; pelo seu sucesso, implica que agora os sindicatos irão à mesa de discussão fortalecidos por esta forte demonstração da sua força.

Por fim, tudo indica que a adesão à Greve Geral está a ser muito positiva. Outros momentos de luta, sectorial e local, seguirão. Este pode ser um momento de inflexão, em que a classe trabalhadora passa da resistência às políticas de direita para uma fase de intervenção construtiva, na qual as suas propostas são tidas seriamente pelo governo, para uma fase ofensiva, na qual assume um papel activo na ruptura com a política de direita. Para tal, é importante que os trabalhadores sintam nesta Greve o seu poder enquanto classe social, sintam que unidos representam a maior força social no país, o sector efectivamente produtivo que é capaz de dar a volta a Portugal e garantir-lhe um futuro."


Para ler ainda, as palavras do Daniel Oliveira no Arrastão e ver algumas imagens do que se passou nos CTT do Cabo Ruivo que o Ricardo Noronha compilou num post no Vias de Facto. Mesmo tendo sido nós testemunhas privilegiadas - e a palavra privilégio importa realçar depois de tudo aquilo que assistimos -  neste momento, não tenho muito a acrescentar a isto, escrito com profundidade, atenção e perspectiva. Além de que há um período de nojo a cumprir sobre o que já li em vários blogues de direita. Sobre estes, noto ainda um esforço assinalável em reproduzir dados da central de informação do socialismo tecnológico que tanto têm atacado nestes últimos anos. E não é surpreendente que eles estejam - ainda que aparentemente de modo circunstancial - com Sócrates. Ele tem sido o melhor garante da política que esta gente defende.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Rápido

Passar por casa, pôr baterias a carregar, despejar cartões e voltar para a luta! Os sindicalistas são os heróis da era moderna.

Em plena Greve Geral...

...e pela noite dentro, na cidade de Lisboa, como testemunhas priveligadas deste grande movimento podemos dizer que, até agora, este está a ter uma grande adesão dos trabalhadores e este dia 24 será com certeza assinalado por uma jornada de luta memorável.

E confirmamos esta notícia - estavámos lá e assistimos a tudo. Incrível a grande coragem e capacidade de resistência, sempre pacífica, do piquete de greve nos CTT do Cabo Ruivo  - gritava-se, perante os avanços do Corpo de Intervenção da PSP, "não levanta a mão!"

Uma nota final, para dizer que há muita gente jovem a participar nesta Greve. Isto é só o começo.

terça-feira, novembro 23, 2010

Prós

Por norma, não vejo o Prós e Contras. Mas foi inevitável devido às participações de José Reis e Carvalho da Silva e, porque não dizê-lo, do cavaquista arrependido (?) e Presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda  - "Você está a dizer isso mas, no entanto, já fez parte de um governo apoiado pelo Partido Social-Democrata...", disse a Dona Fátima, "Disse bem: Social-Democrata.", disse, digo eu, bem, Peneda.

E o que é que se ganha com esta Greve Geral? Muito e de muito profundo, queira-se discutir a sério e resolver os problemas para os quais esta Greve chama a atenção, e que sem a qual não os estaríamos a colocar, continuando a engolir acriticamente as patranhas dos economistas de plantão e as soluções deste governo costuradas à medida dos mesmos de sempre.

Há várias pistas que ontem foram lançadas neste debate, umas com que concordo mais do que outras. Antes desse debate - que tem que ser heterodoxo mas assumir desde logo a falência das teorias neoliberais que nos trouxeram a este ponto - quanto a mim, para já, e face a este Orçamento do Estado - e consequentes políticas de austeridade - que procura responder apenas à lotaria sensorial dos mercados internacionais (portanto, aos interesses do bloco franco-alemão), este será um sinal claro, firme e fundamental dos trabalhadores portugueses. Um sinal de que Portugal é digno.E essa assumpção terá sempre que ser o primeiro passo para o que aí vem.

ps: os links, comigo, não funcionam. procurem o debate no site da RTP. vale a pena.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Sem medo

Ireland


You'll never walk alone



Como é que hei-de escrever isto sem dizer asneiras? Isto é uma valente, monumental e gigantesca merda. Ainda para mais...bom, deixem estar.

Vem aí, o FMI





E nós ficamo-nos.

Amanhã

Estou com uma dor de cabeça, que parece estar a ficar progressivamente mais colocada numa parte dolorosa do meu crânio há cinco dias seguidos. Já tive dores de cabeça, mas não me lembro nunca de uma como esta...

Para piorar tudo não sei o que ouvir. Que é uma enfermidade que não me costuma acontecer. Então não estou confortável de todo. Tenho sono nas alturas erradas do dia. E não consigo clarificar a minha cabeça para terminar um trabalho que estou a tentar acabar faz amanhã três semanas.

Amanhã. Não amanhã. Amanhã é melhor. Amanhã penso melhor nisto. Vou apagar tudo, amanhã logo vejo. Amanhã.

Preciso de surfar e pôr a minha cabeça em ordem. Amanhã.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Chouriços valha me Deus!

Na contemplação do abismo, e da inevitável queda, quero, nessa hora, conseguir gritar, "Chouriços valha me Deus!" E ser eu a decidir atirar-me.

Estou um pouco órfão de livros hoje. Não me apetece começar a ler nada, e sei que hoje à noite não vou conseguir dormir bem se não ler qualquer coisa.

Queria descobrir um escritor "novo", para mim, como o Hakuri Murakami, uns meses atrás, mas já devorei uns quantos romances dele, e preciso de ler outras coisas ou começo a confundir uns e outros.

Acho que devo voltar ao Saramago. Está na hora. Mas qual? Hora de recomendar um livro ao Miguel, tendo em conta que eu sou muito estranho com as minhas leituras, e que posso não acatar com nenhuma das propostas.

Facto engraçado? Os três últimos romances que li não queria que tivessem terminado. Aí é que eu sei que gostei de um livro. Para mal dos meus pecados o primeiro dos três tinha 700 páginas, o segundo 300, e o segundo era mais um conto com 150 páginas, com letras grandes, e um livro pequeno. Em todos os livros pensei que podiam ter pelo menos o dobro. Ainda estaria a ler hoje o primeiro, ainda estaria a ler hoje o segundo, e podia ler o terceiro mais três ou quatro meses.

Queria ler um livro que não quisesse que terminasse, e para isso será com certeza um Saramago. .. Ou então vou à Fnac, ando lá a ler livros avulso e quando chegar a uma conclusão telefono à minha mãe e digo-lhe "oh mãe não queres ler tal?" A minha mãe sempre me alimentou o vício da leitura. Já tenho idade para me deixar disso, mas os tempos assim o obrigam.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Ando mesmo pobre



Como tal, o Youtube é a minha forma de evitar correr para a Fnac para comprar cds que me interessem mais ou menos. Jà não vejo uma secção de Jazz há muito tempo. Só mesmo quando descubro qualquer coisa de fundamental, e aí lá vou eu chatear um funcionário da Fnac do Colombo.

"Olhe por favor, podia ajudar-me, queria o novo cd do Scott Hamilton." Eles muito profissionais, que no Colombo, a secção de música é só gente porreira, lá avançam directos à prateleira onde se encontra "Scandinavian Five", que durante muito tempo pensei ser "Scandanavian Jive". Pegam no Cd e olham para o lado, eu encontro-me quase junto às bandas desenhadas, como um ex-agarrado que passa por acaso na porta do seu antigo fornecedor, sem vontade nenhuma de largar as drogas.

Assim o Youtube, com aquele som horrível, mono, esterilizado, tem servido de metadona para os meus vícios...

Enfim, melhores tempos certamente virão.

Sobre Deus, beleza e bebedeiras I

No outro dia tentava explicar a um amigo meu porque é que eu sou um ateu extremista, porque na realidade o tema da existência de Deus pouco me interessa.

Passo a explicar da maneira mais atabalhoada possível: tenho uma amiga que é muito religiosa, mas que felizmente não me tenta salvar. No entanto sempre que me vê - desde a morte do Saramago, e dois ou três dias depois foi a primeira vez, o que não me pareceu muito católico, mas ainda bem para ela - diz-me sempre a mesma coisa "Miguel sabes o que é que o Saramago disse quando chegou ao céu?", e depois discorremos sobre várias opções, a primeira dela é invariavelmente "ups", a minha será "qu'esta merda?"

No dia em que eu, que vivo sobre um sistema de rígidas orientações morais, as minhas convicções... já foram mais rígidas... vou chegar ao céu, na eventualidade de haver - porque mesmo ateu eu sou capaz de dizer "e se?" ponham-me lá um católico a dizer "e se" - mas na eventualidade de haver um Deus, ele sentado na sua cadeira diz "vem meu filho, perdoo-te por nunca teres acreditado em mim." Eu estico-lhe o dedo do meio da mão e digo, "oh meu grandessíssimo filho da mãe, meu grande atrasado mental! Não achas que és o tipo mais incompetente de todos os tempos?"

Um post da Maria para me relembrar do sucedido.

Saltos dos dias, mergulhos das noites

Gosto muito mais do inverno do que do verão, no verão a única coisa que existe melhor do que no inverno é que há luz natural mais tempo do que no inverno. De reparar que não digo sol. Sol a mim pouco ou nada me interessa. Nem a luz, porque eu sou realmente noctívago, e só não o sou mais porque tenho dois cães para passear de manhã.

Tirando o surf, pouco me sirvo de um dia com luz solar, mas no inverno dá para andar à noite. No inverno dá para caminhar quilómetros e a única maneira de saber melhor andar no inverno, é andar ainda mais, perder-me na cidade de Lisboa, literalmente não saber onde estou, até encontrar um sítio onde já consigo voltar para casa. Por vezes perco-me nos mesmos sítios, e não sei na mesma como volto àquele sítio que identifiquei para voltar para casa.

No verão o calor faz-me parar. Não gosto de calor, gosto do frio de Lisboa. Um frio sem muita chuva, um frio confortável, um frio com pouco vento, e pouca humidade, também não é um frio muito seco, é só... frio.



Lisboa tem as grandes histórias da minha vida. E as pequenas também. Os segredos, que não serão muitos, e as vergonhas públicas, que as encaro como percalços engraçados.

Nem gosto muito deste grupo. Mas a verdade é que fizeram um disco chamado Lisbon, e a música Lisbon é a única que verdadeiramente gosto. É daquelas músicas que podem estar muito altas em minha casa, e eu sinto que a minha casa é bem maior do que é. Dá-lhe espaço. Respira bem. A qualquer hora.

São três da manhã, e amanhã perco mais uma manhã entre médicos, análises, fisioterapeutas, curandeiros, cientistas do oculto, e talvez uma bruxa, um dia destes estou sete palmos debaixo da terra, ou sou um religioso.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Isso depende

A propósito da suspensão do Espaço Schengen devido à Cimeira da Nato, vários automobilistas e camionistas parados nas fronteiras dizem - quando questionados por jornalistas - que eventuais malfeitores, se fosse caso disso, já teriam entrado em Portugal e não iam entrar assim no país à última hora.

Bom, isso depende. São portugueses?

Entretanto, no Palácio das Necessidades

terça-feira, novembro 16, 2010

Com que então

Isto é que é a Europa?

Para o trio



Tenho muito amigo engenheiro, e se não são agora, vão ser no futuro. Tomem lá esta X, Balta e Messi.

Olha



TOMA!

O Don Ross... deus desce à terra e começa a tocar - é o Don Ross.

domingo, novembro 14, 2010

Do desconhecido ao imaginado

Tenho andado um pouco ocupado, e o Pastelinho anda a sofrer com isso. Na realidade escrever um post como este não demora tempo nenhum. Uma pessoa abre o blogger, escreve o que lhe dá na cabeça, porque está a sentir-se de determinada maneira, e pimba, post feito. Mas ultimamente tenho andado ocupado com outras coisas, que me têm ocupado um pouco demais a cabeça. Acho que hoje foi o dia para as resolver.

Andava com um plano para gozar com o PAS, que envolvia entre muitas outras coisas colocar vídeos macholas dos The Smiths, que o tipo a cantar ao vivo é um autentico macho latino! Mas como demorei muito tempo a piada já foi ao ar. Volto aos meus posts femininos de seguida.

No outro dia passei por uma miúda que não a reconheci. Porque eu sou o pior, e nunca reconheço ninguém. E só hoje é que associei a cara dela à pessoa, ao local, e à situação. Engraçado como momentos insignificantes, passageiros de uma forma rápida e quase desapercebida podem marcar-nos para sempre, e como esses mesmos momentos podem passar-nos ao lado, e a nossa cabeça voa a pensar no que seria, nas possibilidades infinitas que esses momentos nos podiam oferecer, se ao menos tivéssemos lidado com eles de uma maneira diferente.



Eventualmente esses momentos vão apanhar-nos, e nós já não somos bem aquilo que queríamos ser.

Mas uma coisa é certa. Na inevitabilidade da incerteza que é este momento. Há momentos que me fazem rir que nem um perdido, e a isso, entre um punhado de gente, não mais, tenho também de agradecer ao Woody Allen. Porque se há alguém que pegue sempre numa situação na perspectiva correcta, esse alguém é o Woody Allen. Claro... na realidade estamos a falar do Woody Allen dos filmes... E o Woody Allen dos filmes normalmente beija a actriz principal, o que é sempre reconfortante, porque por vezes a actriz é uma mulher bastante desequilibrada fora de cena...



Ouve. Nem eu entendi. Queria só escrever um bocadinho. Evitar apagar tudo o que fiz até agora. Estou num daqueles dias - funny mood.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Adeus


Senhor do Adeus.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Um década



 Estamos todos ligeiramente velhos mas o país continua praticamente igual - "e assim sucessivamente". Grande João César Monteiro.
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