sexta-feira, abril 30, 2010

Quando te roubar a carteira vai ser um enorme progresso para a minha vida

A palavra, estúpido - tu és muito estúpido, esse tipo é um estúpido - é das palavras que bem utilizadas podem caracterizar mais uma pessoa que não sabe o que está a falar. É que não é por ser burro, não é por ser demagogo, aldrabão, interesseiro ou mesmo ignorante. O mais próximo podia ser ignorante, mas o ignorante não sabe do que está a falar, o estúpido está em posição para saber, senta-se numa cadeira onde à volta dele esperam que ele saiba, e quando começa a falar percebe-se que afinal, a responsabilidade que advém de se sentar naquele lugar, de estar naquela posição, está completamente perdida nele. Porque é estúpido.

Sem querer insultar ninguém, e numa história que me faz lembrar remotamente o primeiro parágrafo, Mariano Gago, ministro da Ciência, advoga que a pirataria é "fonte de progresso". E discorre nesta gonorreia verbal defendendo que a internet ajudou muita gente, e que é uma óptima maneira dos artistas se fazerem conhecidos. Gonorreia porque é feio transmitir este tipo de doença às pessoas que o conseguem ouvir a falar de coisas completamente diferentes, pirataria e divulgação, como se fossem a mesma. Mais ainda, fala mais tarde de liberdades, e da abertura a mais liberdades no futuro, em vez de as restringir. Que é uma palavra assustadora para muita gente. Aí ele disse liberdade! Epá! É preciso defender a liberdade!

O problema é que a liberdade e os direitos vão juntos um com o outro, e nas sociedades modernas tudo é feito para que se esqueça a questão dos direitos, e se defenda a liberdade! Acima de qualquer outra coisa. Pois eu digo-vos aqui, que os direitos são tão importantes, e neste momento bem mais necessários de defender do que a liberdade, nas sociedades ocidentais, como é evidente. Em Portugal para ser específico.

O direito que eu tenho que a minha obra, o meu trabalho não seja roubado na internet é tão importante como a liberdade que eu tenho em divulga-la no meu espaço. A estupidez, ignóbil, de tentar jogar um com o outro, é um problema muito, mas muito grave mesmo.

terça-feira, abril 27, 2010

Matar primeiro, perguntar depois

"MC Snake não conduzia sob efeito de álcool ou drogas e pode também não ter passado na operação stop da PSP sem parar, ao contrário do que a polícia tem dito.

Segundo o jornal Público desta Terça feira, a Polícia Judiciária já concluiu a investigação à morte de Nuno Rodrigues (MC Snake), morto por um tiro disparado por um polícia durante uma perseguição.

A autópsia realizada realizada pelo Instituto Nacional de Medicina Legal concluiu que o rapper não ingeriu álcool nem consumiu drogas no dia em que foi baleado.

O jornal Correio da Manhã referiu também que Nuno Rodrigues não teria passado pela operação stop montada junto às Docas de Santo Amaro sem parar, como desde o início tinha sido referido pela PSP. Segundo outra versão divulgada pelo Público o rapper ter-se-ia desviado ao avistar a operação stop, no entanto veio posteriormente a passar numa zona próximo da polícia que começou a persegui-lo.

Paulo Flor, porta-voz da PSP, disse ao jornal Público que desconhecia se MC Snaker de facto não tinha passado a operação stop, mas voltou a insistir que o rapper desrespeitou o sinal de paragem feito pelos agentes."

via esquerda.net

Um relógio caduco

Nos ponteiros do relógio marcava uma hora apressada, tinha de estar na Ericeira mais cedo, e Lisboa continuava pouco interessada em resolver-se em trânsitos, acidentes, greves e outros tantos incidentes.

Depois de ontem ter estado o dia a trabalhar em casa, ofereci-me outro dia de reunião aquática pela manhã com o meu sócio. Depois algum trabalho, apesar de alguma moleza pela alimentação.


Tão saudáveis...

O surf começou mal, ficou bom pelo meio, e no final o braço deu de si novamente, dando mais umas mostrar que de os trinta e eu não nos vamos dar nada bem. Mesmo até porque sou um tipo teimoso.



Sim, foi por ali...

Quando voltei decidi que não ia pôr música, ia ouvir rádio, as notícias. E o orçamento está a ser uma trapalhada. A comissão parlamentar continua a tentar entender coisas que... quer dizer... se fosse por isso, estávamos nós muito bem. Os problemas do país não me parece que sejam se o senhor Sócrates disse ou não disse a verdade quando saiu o negócio da PT. De todas as mentiras que o homem saca daquela boca, é essa onde o pessoal vai insistir?

Passado um pouco voltei à música, entrou um daquele programas em que as rádios deixam o pessoal falar. De qualquer maneira e feitio, desde que não insultem a grande classe transformadora dos jornalistas.

Como ando com uma depressão de caixão à cova, preferi voltar às minhas músicas mais deprimentes, aquelas mesmo directamente de músicos a passar por experiências como o suicídio. Mas aquelas dos enterrados vivos com cinco centímetros de terra e sem encontrar forças para se levantarem e morrerem sufocados pela areia que lentamente engolem, com larvas e outro bichos que da carne se alimentam quando o corpo deixa de respirar - esse tipo de depressão é que eu preciso de ouvir, para criar o ambiente para relativizar as minhas dores, e sentir que alguém consegue estar a funcionar por aí, depois de sentir que o mundo não faz grande sentido.

Voltei para casa, encontrei um vídeo que me fez rir. Pensar que o nosso parlamento não é civilizado por causa dos corninhos e do muito bem "mole é a tua tia", não é nada comparado com um parlamento que anda à cachaporrada, ainda por cima desajeitada!



Aparentemente há uns tipos ucranianos que querem estar muito ligados, de forma muito suspeita com a Rússia novamente. O que vendo de fora, não sei se será assim tão má opção, mas eu não iria tornar-me nenhum estado independente Espanhol, e atirar uns quantos ovos seria umas das primeiras pequenas manifestações que teria de participar para ter a certeza que isso não iria acontecer, nem espanhol nem outra coisa qualquer.

segunda-feira, abril 26, 2010

domingo, abril 25, 2010

25 de Abril sempre



Jurei ter por companheira a tua vontade.

sábado, abril 24, 2010

Coisas boas da minha vida



Pôr a minha mãe a cantar o Avante Camarada. Ficamos todos de lágrima no olho e dores abdominais.

sexta-feira, abril 23, 2010

Mais uma reserbita



Sachabôr...

Há cada coisa



Mais bem feita...

Velho, deprimido, caduco e bem resolvido

Hoje é daqueles dias em que tudo parece correr bem, e tudo acaba miseravelmente mal...

Hoje acordei especialmente bem disposto. Meti na cabeça que ia surfar, ontem tinha sido um dia difícil mas frutuoso de trabalho, tinha acabado de trabalhar às três da manhã, e hoje de manhã decidi que quando acordasse ia surfar para a Ericeira.

Não consigo expressar o quanto eu acertei em ter ido surfar neste dia de manhã. Saí de Lisboa que tinha uma nuvem carregada de água, parece que estamos a viver em Londres ultimamente, cheguei perto da Serra de Sintra e começou a despejar água de outra nuvem, agora ultra carregada que subia a Serra e descia sobre forma de cascata por toda aquela zona. Quando cheguei à Ericeia - SOL! Sol quente, nada de vento, bom tempo. Os micro-climas são lixados.



O mar? Brilhante. Óptimo. Fantástico. Diria mesmo perfeito. Demorei uns 20 minutos a ajustar-me à realidade e arranquei para a minha melhor surfada de que me lembro nos últimos anos. Apanhei umas vinte e muitas ondas, e saí cansado, antes da hora que tinha planeado sair.

Ao voltar de Lisboa a minha roulotte favorita estava aberta, comprei pão para mim e para a família, e comi o meu almoço, pão com chouriço, sentado numa mesa, com uma sombrinha que me protegia, e com mafra como pano de fundo, como se vê na foto do telemóvel. Ok, não se vê o convento, mas ele está lá! Porra! J acredita!






Vim para Lisboa e ao entrar na IC19, tudo ficou escuro novamente, a chuva começou a cair, mas eu estava animado. Cheguei a casa para passear os cães, foi para casa para trabalhar, trabalhei com o espírito de quem esteve no surf, cansado mas produtivo.

Um par de amigos meus apareceu em minha casa. Ficámos a fazer o que três rapazes ficam a fazer numa casa, a jogar a uma merda qualquer enquanto aproveitamos para beber cerveja, falar do Benfica, do Inter, de trabalho, seguros, no caso, e na galhofada.

Entretanto, por volta da hora em que os meus amigos cá chegaram começou a dar-me uma ligeira dor na anca. Que foi aumentando, até à hora de jantar, onde já não conseguia andar.

É verdade, eu não conseguia andar, só coxear de tal maneira que quando saí de casa, para ir em direcção a uma farmácia, gritava tão alto que preguei um susto a um taxista que às tantas já não sabia onde estava o táxi. Pedi-lhe desculpas, contive-me e lá arranquei eu para pedir a minha única salvação nestas cenas - Nimed!

Na farmácia, recusaram o Nimed a um tipo barbudo e vestido de uma maneira relaxada, que era eu - a correr para o hospital, mas a correr com o carro, que a pé só a arrastar-me.

Cortando a história do hospital, talvez qualquer dia a escreva. O médico receitou-me Nimed, como é evidente, e ainda insultou dois ou três farmaceutas que conhece pessoalmente, e deixou um geral à classe bem afincado.

Isto acrescentando ao facto de segunda-feira ter decidido abandonar de vez o Taekwondo. Quando em treino leve, desloquei o ombro a fazer uma projecção, ele voltou ao sítio perto do hospital, com um enorme "CLANK"! seguido de um enorme alívio.

Ou seja estou velho. Fico deprimido porque gosto de fazer exercício e não tenho estofo para isso. Caduco. Mas o que vale é que estou bem resolvido, só preciso de acordar amanhã de manhã, bater as palmas e gritar "É um novo dia! Talvez vá treinar taekwondo!" ... ou então acordo de manhã, mando um berro de dores e não saio da cama ... merda tenho de ir passear os cães... boa noite a todos.

quarta-feira, abril 21, 2010

O nosso mundo não é o meu



Sou um pouco quadrado – conforme os dias, triangular até - e apesar de ter exactamente atrás da cadeira onde me sento para escrever uma série de livros que ajudariam a explicar as minhas incertezas, continuo sem perceber como é que há coisas que passam por banais nos dias que correm, dependendo essa análise da latitude onde ocorrem e de quem as perpetra ou sofre. 

É sórdido como certos modelos de pensamento procuram legitimar aquilo que não passa da vanguarda terrorista de uma frente comercial e financeira com mais de um século – chama-se imperialismo, eu sei, uma palavra tão, sei lá, fora de uso e comunista.
Justifica-se isto com uma palavra cínica, filha da mãe daqueles programas de análise geoestratégica, dita com um sorriso sempre de quem pode andar na rua sem correr o risco de ser abatido por tiros de helicópteros Apache: é a real politik, meu.

E os peões jazem ensanguentados num tabuleiro de xadrez.

Tudo isto me faz pensar no valor da vida alheia para o mundo ocidental, esse exuberante paradigma de modernidade, moral e intelectualidade. E no mais absoluto desprezo com que, da nossa triste centralidade branca, testemunhamos verdadeiras chacinas e a sua legitimação mesmo ao lado desse mundinho superior.

Um mundo que não é, certamente, o meu.

terça-feira, abril 20, 2010

A ignorância

A ignorância é pior que a intolerância, nem que seja pelo simples facto de ser a sua geradora. A ignorância é uma cobardia da razão, é a preguiça da capacidade de pensar, mas acima de tudo é um perigo. (E pequenas histórias como esta são a prova disso.)

Por vezes



Por vezes o valor do trabalho não é só chegar ao final do dia e sentirmos que fizémos tudo o que podiamos a nível profissional, ou mesmo o dinheiro que chega ao final do dia, é descobrir coisas novas e ter novas experiências.

Gosto desta música toda, mas a partir do minuto 3.20 convencem-me bem convencidinho. Ainda não encontrei mais nada deles remotamente parecido, mas já estão na minha lista predefinida do Amazon.

segunda-feira, abril 19, 2010

a crise, segundo Luis Afonso

Sem mais palavras, o entusiasmo!



O entusiasmo é difícil de conter.

Há amigos e depois há amigos... e eu sou um pouco "raciocionário"

Um amigo é sempre um amigo, não há grandes hipóteses, não tenho muitos amigos reaccionários, mas os poucos que tenho deixo-os entrar em minha casa como qualquer outro. É verdade que se fizessem um argumento de que eu seria um "raciocionário", ou seja, racista em relação aos reaccionários, ganhariam claramente.

Ora vejamos - não é mentira e não o nego, que sempre que me falam em monarquia em Portugal, eu imediatamente ameaço que vou pegar numa pistola e qual Buiça e Costa resolvo um problema à minha nação. É que a palavra regicídio é quase poética!

Também não é mentira que em pequeno, eu pensava que ser de direita era criminoso, mas mesmo a dar direito a pena de prisão, faz parte da educação que me deram. Pensava que era mesmo proibido, e quando me explicaram aos 11 anos, quando fui para uma escola a Delfim Santos saído do Fernão, que andava gente de direita por aí, e que até quem nos governava era de direita, muito se teve de ajustar na minha cabeça.

Não posso negar, porque não posso, que o laranja é uma cor de que gosto, mas que raramente faz parte de uma escolha minha, por razões evidentes, e que azul e amarelo, que me lembra o Egipto, começa a arder-me nos olhos passados uns minutos.

Digo-o porque estou a tentar melhorar, separar aquilo que sinto, daquilo que realmente é político, e do que são opiniões diferentes sobre a organização de estado. O meu problema é que por vezes acho tudo tão descabido, principalmente no que toca à direita, que tenho de me segurar para não ser irracional.

Ora, amigos reaças, tenho alguns, um deles herdado do meu melhor amigo, o meu colega neste blogue, que é um tipo com nome de peixe como eu, um tipo ultra porreiro, mas que tem uma paixão inexplicável pelo Portas... Há outro amigo do meu colega de blogue, que tem um destaque extraordinário na página do Expresso, sempre que a abro, penso - olha a cara deste tipo que é amigo do Manel e que só escreve disparates atrás de disparates.

Podia ficar-me por aqui, não costumo sequer abrir os seus artigos, para não ficar a pensar mal de um tipo que eu posso vir a conhecer, e que é benfiquista como eu e o manel, e que aparentemente é um tipo porreiro, senão o manel não se dava com ele. Mas acima de qualquer porreirismo, ele é o verdadeiro tipo de direita. Há pequenos sinais que o confirmam, e outros grandes que o lançam como reaça fundamental para que os reaças se sintam integrados em Portugal.

Pequeno sinal - não consegue escrever nenhum artigo que eu tenha lido, e terão sido aí uns 5, o que já é uma boa amostra, sem a palavra "ódio", escreve-a como um sinal dos tempos, como algo que se manifesta em quadrantes de gente diferentes. E sente a palavra como poucos colunistas o fazem.

Grande sinal - o Henrique Raposo é pelo estado fraquinho, pelo estado mínimo, pelo estado que está lá... para quase nada a não ser defender a iniciativa privada daqueles que a odeiam (lá está). Que no fundo é a diferença fundamental entre a esquerda e a direita, o estado forte da esquerda, e o estado mínimo da direita. O que eu nunca julguei foi que depois de vários estados pelo mundo fora, terem controlado a ruína financeira dos privados, (que tão bem se orientam sozinhos), que depois da ruína e do colapso financeiro de que os privados são singularmente responsáveis depois de anos a exigir essa responsabilidade, que a direita continue a escrever artigos ignorantes, como este do Henrique. E porquê? Eu quando leio isto acho sempre que o Henrique tem umas ajudas de custo valentes pagas pela GALP, mas isso é o tipo "raciocionário" que eu sou a pensar, quando no fundo não passa de ignorância e de uma necessidade enorme de querer mais comentários e visitas que o esquerdista Daniel Oliveira que compete no mesmo espaço do Expresso.

O "raciocionário" deixaria uma pergunta: será que o Henrique viu os lucros absolutamente estupendos que as gasolineiras tiveram em Portugal nos últimos anos? Principalmente desde que se liberalizou os combustíveis? Ao que o Henrique me vai responder, - ah seu raciocionário! Esse ódio pelo lucro ainda nos vai levar a todos à valeta!

domingo, abril 18, 2010

"É Benfica, caralho"

                                       Weldon devolve. Foto: Lusa/Paulo Novais

Gritou Rúben Amorim, num notável momento de identificação colectiva, depois do terceiro golo frente à Académica. O momento-chave da vitória num jogo que deixou o Benfica às portas do título e com a hipótese de festejar o seu 32º título no dia 25 de Abril (muy lindo, dirá Pablo).

E não é?

sexta-feira, abril 16, 2010

Aqui e agora

Lá. Quer dizer, aqui.

Da laicidade

Por Domingos Miguel, no Blog Contínuo.

quinta-feira, abril 15, 2010

Agora veja, a Igreja

Celebramos este ano os 100 anos da República Portuguesa. Um estado laico onde, de quando em vez, os católicos acham que as suas respeitáveis - tanto quanto as minhas - convicções devem ser constitucionalmente impostas a outros. Ou as destes restringida. Falo, neste caso, da resistência à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo, proposto pelo Governo e votado no Parlamento, por toda a esquerda, em Janeiro.
Se o contexto anterior restringia a liberdade das pessoas do mesmo sexo casarem, esta nova lei, nos seus limites, não impõe nem restringe o direito à liberdade individual que cada um tem em escolher com quem quer casar  - sendo cada um, neste caso, o conjunto de cidadãos e não apenas os que querem casar com pessoas do mesmo sexo.
Não me choca que se discorde disto mas sim que dessa discordância, com uma fundamentação essencialmente religiosa sobre o que é ou não família, se queira limitar, impor e restringir o direito à liberdade individual de cada um sabendo que a situação contrária - a lei actual - não o faz, nem perturba constitucionalmente as liberdades de quem a esta se opõe, o que não acontecia anteriormente.

Estamos aqui perante um evidente peso conservador. Como é que, como país supostamente moderno, reagimos a isso? Bom, sobre o reflexo do peso desmedido que a Igreja e o seus acólitos têm num país que, repito - e repetirei - comemora este ano os 100 anos da sua República, vejam-se as patetices que se continuam a fazer a esse despropósito. Por exemplo, é de pasmar que enquanto França (governada à direita) tenha reagido prontamente às declarações obsoletas do cardeal Bertone que relacionaram a pedofilia na Igreja com a homossexualidade, Portugal, quase ao mesmo tempo, através de um primeiro-ministro que falsamente se apresenta como socialista, tenha declarado tolerância de ponto aos funcionários públicos no dia 13 de Maio, em todo o país, por ocasião da visita do Papa a Portugal (nota: e tolerância de ponto na tarde de 11 de Maio em Lisboa e 14 de Maio, de manhã, no Porto).

O papel dos católicos, sobretudo dos progressistas, é importante neste país, como foi noutros tempos e será no futuro mas a pergunta que tem que se fazer é: estamos mesmo a celebrar os 100 anos da República?

E, se sim, como é que um governo socialista se lembra de uma beatice destas em pleno centenário da República?

2010, odisseia nos blogues

A propósito do regresso do Pastelinho à actividade queria escrever duas ou três linhas (parágrafos) sobre o papel que os blogues representam hoje, bem diferente de há seis anos atrás. Não só no plano tecnológico, com tudo o que de novo se pode fazer com um blogue mas, acima de tudo, com tudo o que de novo  se pode fazer tendo um blogue. É um papel que, a propósito do Congresso do PSD, é aprofundado por Alda Telles numa série de posts que vale a pena ler. 
A chamada dos blogues ao espaço da comunicação em Portugal, com blogues nos sites dos meios online, bloggers a tornarem-se comentadores na televisão, a serem credenciados em eventos políticos (e não só) e cronistas no papel representa uma grande diferença para aquilo que se passava há meia-dúzia de anos. 

Apesar desta vaga de blogues e opiniões aparentar ser mais imponente que nunca é uma realidade que continua a ter a sua exclusiva colheita de qualidade. Pouca mas boa. Por exemplo, desde 2004 não apareceu muito mais gente a pensar e a escrever à esquerda com a inteligência do Daniel Oliveira e Pedro Adão e Silva, cada um no seu espaço próprio, apesar de haver muita e boa gente a fazê-lo com qualidade, uns com mais anos disto que outros (sendo que um destes podia ter ficado pelas caixas de comentários que o celebrizavam há uns anos). Se é verdade que nestes casos particulares um e outro fizeram uma transição firme para o espaço da imprensa escrita e da televisão - e estes são apenas dois exemplos - hoje em dia essa ponte entre meios e plataformas tanto pode trazer resultados minimamente interessantes como elevar discussões patetas ao espaço mediático, num registo área-escola que se dispensava. 

O fluxo entre meios tornou-se muito mais acessível e ao mesmo tempo efémero porque, com as audiências ao lume, importa e interessa aproveitar ao máximo de quem se fala. E é como tudo: fala-se no instante, de quem acorda na moda de dias que passam rápido demais e não no que é mas no que parecer ser. Fala-se, sobretudo, em quem pensa pouco o que diz, o que nos traz a uma realidade difusa onde não se percebe muito quem quer dizer exactamente o quê mas onde se percebe que muitos, não o dizendo, querem qualquer coisa.

Quanto a nós, cá estamos, a reafirmar que o que queremos é exactamente o mesmo que há seis anos atrás quando fundámos este blogue: pensar um mundo melhor. 

ps: só mais uma nota para esclarecer uma ideia: há meia-dúzia de anos este fluxo entre blogosfera e comunicação social também existia, apesar de com uma frequência muito menor. e era muito menos imediatista, a opinião parecia ter muito mais valor do que tem hoje em dia.

quarta-feira, abril 14, 2010

Na ausência




Tudo mudou nestes anos de ausência. O meu coloega de blogue tornou-se um tipo verdadeiramente conhecido. Vejam e não se esqueçam de ver o ver nos bastidores também. Que orgulho!

O bebé a chorar no final...



é demais...

Canavilhas

A senhora ministra Gabriela Canavilhas é uma mulher bem bonita, muito energética, sempre preparada para dar umas palavrinhas aqui e acolá, sempre com charme. Mas caiu na mesma conversa que os desgraçados dos últimos ministros da cultura - fazer com menos! Acho que desde o dinheiro muito mal empregue do senhor Carrilho, que não se vê um ministro da cultura a pedir mais dinheiro. O cinema em Portugal quase que desaparece, o teatro vai começar a entrar numa nova fase de grave crise, a música nunca teve grande apoio, a dança está nas ruas da amargura, pode ser que este novo programa da SIC seja benéfico*, a pintura vai-se safando lá fora, e o resto das artes que se manifestem.

A arte, num país, tem um efeito identitário muito mais importante do que é uma selecção nacional de futebol. Por mais incrível que possa parecer, nos dias que correm. O futebol move multidões, mas pode de um momento para o outro não mover uns lábios para um sorriso. O dia de Portugal, no entanto é eternamente ligado a um escritor. Isto para não falar de outras coisas, como o nome e a importância que um Saramago terá para sempre, e a importância de um Mourinho terá para sempre... ou mesmo um Critiano Ronaldo. A identidade nacional nunca será formada pelo tipo mais famoso, pela actividade que mais movimenta gente na altura.

Eu sei que Portugal tem uma união nacional estável, quase única no mundo, diga-se. Mas a importância do ministério da cultura é reforçar esse estado, é da sua responsabilidade que, mesmo que apareçam Margaridas Rebelos Pintos a escrever livros, que haja condições para que haja um Saramago em potência. Para cada António Pedro Vasconcelos que haja condições para haver um César Monteiro em potência! Sim um César, leram bem, o que é que queriam "telenovela?" Com Alice e tudo.

Canavilhas cai na onda bacoca de mingar a cultura, diminuí-la. Matá-la mais um pouco. Por mais que pareça uma ministra bem intencionada. Por outro lado criou uma repartição no ministério para, aparentemente, dar relevo às touradas em Portugal, como um aspecto cultural do país. E aí já temos a pintura toda borrada..

*A razão pela qual eu acho que este programa de música pode ser algo benéfico tem duas ou três razões - a primeira, comparando com o programa alternativo chamado Ídolos, em que uns tipos foleiros vão à procura de um tipo foleiro, o rei pop, ou lá o que é, e no processo gozam com gente que anseia por protagonismo; neste, parece-me, há duas pessoas que sabem de música, (a terceira não sei o que possa estar lá a fazer), a avaliar gente que sabe dançar, e como é evidente gozam com gente que tem sede de protagonismo. Segundo porque o director daquilo, um antigo dançarino da Gulbenkian, sai-se com a seguinte frase, em horário nobre! - que pena que um dançarino como você, tenha de viver a vida a dançar para o La Féria! - ora ficamos com o assunto quase arrumado, houve já gente que mal informada entendeu alguma coisa sobre dança, só com esta frase. A terceira ainda não estou preparado para revelar...

Ou estou?

Estados de espírito


Por vezes é catártico escrever, serve para pôr as coisas em perspectiva, serve para eu aprender que perspectiva não se escreve 'prespectiva', mas que nunca se escreverá perspetiva. Pelo menos não para mim.

Finalmente cheguei à minha casa na internet, passados uns anos órfão. Muita coisa mudou, tornei-me um tipo trabalhador, a minha relação de anos desapareceu, soprada como pó numa rua, nunca encontrando o caminho de volta.

Passei por coisas que nunca pensei passar. Passei por outras que tinha como objectivo passar. Sou um homem diferente. No precipício de cair nos trinta, e ainda a achar que o tempo me pregou uma partida e que devia estar a chegar, agora, à idade em que eu tinha quando comecei a escrever para este blogue, o meu Pastelinho, o nosso Pastelinho.

Neste momento a nível de trabalho não podia estar mais realizado. Estou a trabalhar com o meu melhor amigo, o meu parceiro no blogue, o meu mais fiel companheiro, o projecto vai demorar a levantar-se, mas vai levantar-se, estamos em tempo de choradinhos, mas só à nossa volta, a Onírica não chora, revolta-se!

A nível pessoal, e os blogues são um espelho da nossa vida pessoal, as coisas vão mais indefinidas que nunca. Ainda não mudei de equipa. Quero pensar que não será algo exequível, até porque pela quantidade de abraços que dou ao Manel, principalmente no estádio da luz, isso poderia por em causa a minha empresa por falta de confiança do meu sócio na minha entrega às coisas...

De resto... o mar nunca foi tão azul, pintado de loiro ao fundo, tão longe, e tão perto. Parece uma vista maravilhosa, que se estende por quilómetros, com tantos pontos de interesse que se estivesse uma vida toda, a olhar para aquela vista, não só não me cansava, como não tinha tempo para ver tudo. Vejo esta vista de uma varanda ou de um terraço, vejo-a num suspiro, ao alcance da minha mão, sem lhe poder tocar, e de repente descubro que é uma pintura, assinada por outro... Por momentos penso que não, não pode ser uma pintura, que o que eu estou a ver é real, mas o quadro não me pertence, nem serei eu a pintá-lo. A maior traição não é o quadro não ser meu, é não poder ser eu a pintá-lo.

O último parágrafo será para uma pessoa só entender. Tudo o resto...

...

Golias

Foto via El_Balentone

Pablo, daqui Oscar, escuto

Ao contrário dos jogos entre o FC Porto e o Benfica onde conta, sobretudo, o momento de ascendente de cada equipa, entre Benfica e o Sporting a história é outra. Não dá para explicar: é um derby. Seja qual for a posição na tabela das equipas, tudo pode acontecer. Ontem era, por isso, um jogo fundamental, para ganhar, como o de Coimbra no próximo domingo. Porque são dois jogos igualmente e de modo diferente, muito difíceis. Fazer seis pontos nestes dois jogos seria, para mim, obrigatório para ter o campeonato resolvido quanto antes, sendo que o quanto antes é chegar ao Dragão com margem para ganhar sem ter que ganhar obrigatoriamente.

Tropeçar no jogo de ontem não seria catastrófico mas era tudo menos bom depois da eliminação em Liverpool. Desconhecia completamente como se apresentaria o Sporting na Luz mas depois de ouvir na rádio que os 23 pontos de atraso conferiam “tranquilidade” à equipa fiquei confiante. Confiante numa equipa que viria jogar futebol à Luz, coisa que não vira no jogo de Novembro, em Alvalade e que tenho calhado de não ver sempre que sintonizo a televisão com a equipa de Bento/Carvalhal. Aliás, este ano tenho tido azar com Carvalhal: contra o Marítimo na Luz o seu anti-jogo rendeu um ponto, em Alvalade o seu medo outro que tal.

Com mais uma Luz a transbordar de vontade de ganhar – espantoso! – o Benfica entrou ansioso, sabendo, como todos nós, que uma vitória lançaria a equipa para uma recta final de campeonato muito mais tranquila. Javi, fechado por Moutinho (já não se via um 10 de marcação desde Matthaus a Maradona), Ramires cansado, Di Maria forçosamente encostado a Grimi, Martins batalhador, Cardozo solitário e Éder Luiz pouco mais que esforçado. Foi assim na primeira parte, pelo menos até aos últimos minutos, com o Sporting a aproveitar-se bem da ansiedade do Benfica e a fazer aquele jogo tão característico e consistente do bola-para-a-frente-no-Liedson-e-às-vezes-no-Yannick ou a aproximar-se da área maioritariamente em resultado de perdas de bola comprometedoras do Benfica na saída para o ataque.

Para a segunda parte, Jesus fez entrar Aimar, retirando o joker Éder Luiz. E tudo Pablito levou. A equipa, o estádio, a vitória. Foi tudo à frente. Deu ordem ao caos, explanou geometria no campo e dentro desta pintou magia pura.
E depois Cardozo, ali mesmo à nossa frente,a coxear, em esforço, a ensaiar uma corrida para voltar a sentir uma dor aguda. E uma fé que aquele gajo ia marcar um golo. Seria de livre? Contra a barreira. Mas depois, Amorim e Coentrão – proscritos da equipa da Federação - a garra, a sede de ganhar, Cardozo, o golo, a equipa e o estádio – todos juntos, outra vez. E depois Aimar e todos juntos outra vez. Foi a vitória do sacrifício doloroso de Tacuara e do futebol sublime de Pablo Aimar. E de uma equipa que, com garra e perfume de bola, se uniu para ganhar.
Uma equipa que merece um estádio assim. E um estádio assim também merece ganhar.

Túneis? Sim, há luz ao fundo para o título.


PS: uma palavra para o Sporting. Aliás, nem mais uma palavra para alem do que escrevi em Agosto. E já agora, as palavras de Costinha e Moutinho no final do jogo dizem muito sobre aquilo em que se tornou o Sporting. Uma coisa que cujo nome podia terminar como o dos seus seus porta-vozes : em inha e inho.

terça-feira, abril 13, 2010

Mais uma

Toma lá mais uma! A igreja católica parece ávida em conseguir as suas declarações polémicas, sem elas, a própria igreja parece não fazer sentido. Há quem diga que eles são uns tipos teimosos, eu acho que o que eles gostam é de publicidade, e que toda a publicidade é boa publicidade. O Pastelinho oferece mais um pedaço de publicidade à igreja católica. Tomem lá, esta é de borla.

Ps: mas não pensem que por vos dar isto de borla, vou dar alguma esmola a instituições de qualquer espécie. Já bastam as negas que tenho de dar à Madeira no Continente e na Worten. Chega.

Por vezes

Por vezes concentrar-me a trabalhar consiste em obrigar-me a ficar sentado na cadeira. Por vezes trabalhar produtivamente significa levantar-me da cadeira várias vezes e andar à roda pela casa... As contradições de um tipo que trabalha em casa.


Ps: Aí é verdade, estamos mesmo de volta... nem que seja para nós próprios.

segunda-feira, abril 12, 2010

Onde estão os nossos amigos?



"Slides, retratos da cidade branca"; Viriato Ventura com Sam The Kid.

Nós voltámos.

domingo, abril 11, 2010

A aparecer


Test don't test - attica blues
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