segunda-feira, maio 31, 2010

Uma música quase todos os dias 13



Hoje recebi da Amazon três cds, mais umas pechinchas da loja de música on-line. Um deles o disco de Anouar Brahem, com Dave Holland e John Surman. É um daqueles álbuns agradáveis de ouvir, com pequenos e discretos momentos de excelência. Estive a ouvi-lo o dia todo, mais uns quantos cds alternativos de Radiohead. Não fosse o caso de ter estado entre ouvir o cd, e estar a resolver o meu problema da perna, e tinha sido um bom dia. Em vez disso foi um dia em que a música foi algo muito positivo, algumas boas visitas, e o resto foi dores e desconforto.

E sim, acordei de manhã, e estava com tantas dores que foi para o médico a pensar que ia perder a perna. Ando a ver House a mais...

Um estado terrorista sem fim à vista

"Pelo menos 19 pessoas morreram e 26 ficaram feridas durante o ataque dos comandos israelitas contra um conjunto de seis barcos que seguiam para Gaza, segundo a cadeia 10 da televisão israelita, entre a qual se encontrava um navio turco.

Os barcos transportavam cerca de 750 pessoas de 60 nacionalidades e perto de 10 000 toneladas de ajuda humanitária."

in Expresso

Sobre o ataque, um post do André Levy, como sempre inteligente e sensato, aqui.

Sei lá


A Marta não tem culpa.  Podia ter sido no PSD ou assim mas calhou no PS. A verdade é que deu nas vistas e surpreendeu com vários looks.
Não é difícil ser seduzido pelo PS. Não tendo o sex-appeal de um Bloco de Esquerda há ali qualquer coisa de cativante. Eu hesito particularmente entre a fantasia da “ala esquerda” e o carisma dos “históricos”.  Depois há aquela parte, que não interessa muito para o caso, onde é exactamente igual ao PSD: o buraco negro ideológico; os poderes locais; as influências regionais; a rede tentacular no aparelho de estado e respectiva órbita económica, enfim uma agência de emprego e interesses muito eficaz.
E depois, parece-me evidente, há o chamado efeito cheerleader de que me falaram outro dia (porque eu não tenho estes pensamentos doentes sozinho): quando vemos um grupo de mulheres juntas tendemos a gostar e a sobrevalorizar o todo. Mas, num olhar mais atento, percebemos que é esse efeito meio tribal – das cheerleaders – que nos ilude. É que elas até não nada jeitosas, pelo contrário. O mesmo acontece com o PS. Há momentos em que chega a parecer um partido interessante mas depois, num olhar mais atento, lá estão eles: Sócrates, Lello, Canas, Santos Silva, Silva Pereira, Perestrello, Vara, Rui Pedro Soares. Um primor inigualável.

Continuando, dizia eu que a Marta, a Marta Rebelo que deu nas vistas e surpreendeu com vários looks não tem culpa por ter ido parar ao PS, em vez de ter ido parar ao PSD ou assim. Não é um partido muito exigente, não é um partido cuja militância cause chatices e até pode ser um partido simpático para quem se quer dedicar à causa pública, quem quer fazer política ou até, porque não?, quem quer dar nas vistas e surpreender com vários looks.

Caramba, é um partido de massas, onde seguindo a boa tradição social-democrata - ou menchevique - entra quem quer desde que aceite o programa e milite sob uma direcção partidária. A questão central, para mais em tempo de crise e mesmo (ou especialmente) estando o partido prestes a entrar em contra-ciclo de poder, não deve ser “porquê o PS” mas “porque não o PS?”

No passado domingo, a ex-deputada Marta Rebelo , da Comissão Nacional do PS e que deu nas vistas e nos surpreendeu com vários looks, disse que o Partido Socialista não deveria apoiar Manuel Alegre porque na anterior legislatura este tinha feito “aproximações perigosíssimas à Esquerda”.

Alguém devia ter tido à Marta que o PS, apesar de nos últimos anos também andar a dar nas vistas e a surpreender com vários looks é, supostamente, um partido de esquerda. Mas isso digo eu.


Sei lá.

O desastre da ganância

Cometo o crime de interromper a análise do Manel sobre o Dennis Hopper, para reafirmar a enorme vergonha que sinto num mundo que deixa isto acontecer.

Nas catástrofes naturais há muitas vidas que podem ser salvas antevendo-se os problemas. Na Madeira, por exemplo, falava-se nos perigos das construções não planeadas há anos. Há países em que um terramoto de 7 é uma chatice, para outros um massacre.

Mas no mundo, os grandes desastres ambientais, com custos incalculáveis para a saúde e para o desenvolvimento humano, foram sempre causados pelos homens. E foram sempre, mas sempre, combatidos por pessoas apelidadas de loucas, extravagantes, exageradas, demagogas, profetas da desgraça. Depois de acontecer, têm meio minuto nos jornais - olha, eles tinham razão! - e passa lá para as imagens da desgraça, das pessoas a morrer, das pessoas a perder a sua subsistência, dos animais presos no crude, das mutações dos seus habitantes. Que poderíamos pensar que dariam que pensar, mas pensar (pela terceira vez), é algo difícil de obter num mundo que está preocupado com a ganância. Tenho usado esta palavra ultimamente, porque é o mal que o mundo tem. Estou a chegar aos trinta e sei-o mais do que nunca, o problema do mundo é sempre a ganância. E irei continuar a falar desta palavra, que é feia a todos os níveis.

É por isso que tremo quando o "grupo de pressão" do nuclear tenta entrar em força em Portugal, ou em qualquer outro sítio, que nós vivemos num mundo simbiótico, e o que se passa do outro lado do mundo também me afecta a mim, e o que se passa aqui afecta alguém do outro lado do mundo, ele e os que virão a seguir a ele. O "grupo de pressão" do nuclear é assustador, porque entra com toda a força económica por trás, contra a vontade voluntarista de uma minoria preocupada. E acreditem, não falta pouco tempo para que se recomece a falar da energia nuclear novamente. Que é perfeitamente limpa, e segura... ou então, de um momento para o outro, dá cabo de um país inteiro. Atentos às próximas intervenções de Francisco Van Zeller, um dos porta-vozes da ganância em Portugal. Sim pareço um pregador, e vou parece-lo cada vez mais.

domingo, maio 30, 2010

...continuação

Depois do último post, já sabia que me ia perder no Rio Congo. John Milius, argumentista de Apocalipse Now (1979) - baseado em "Heart of Darkness" de Joseph Conrad - e Big Wednesday (1978), para além de também ter escrito um episódio de Miami Vice (sob o pseudónimo de Walter Kurtz, nome do personagem de Brando em Apocalipse Now) e recentemente ter produzido a série Rome, escreveu também o argumento do lendário Dirty Harry (1971). Nos extras do dvd de Dirty Harry encontra-se Milius a falar sobre a Magnum .44 de Harry Callahan (essa mesmo: "do I feel lucky? well, do you, punk?")



Li num comentário a um vídeo de Milius e não podia acreditar: faz lembrar alguém não faz?



Walter, de Big Leboswki (1998), dos Coen, representado por John Goodman, é Milius.

Vejam melhor.



Ou não?



(continua)

Dennis Hopper (1936-2010)

Ainda há bocado estava a ver a Barreira de Fogo (1977) com o Clint Eastwood e a pensar que dificilmente se encontram nas novas gerações de actores tipos com o talento de um Eastwood, com aquele fondue de canastrice e carisma como também tem - porque o cinema é para sempre - de modo diferente mas no mesmo plano de gigantismo cinematográfico, Marlon Brando.

O Dennis Hopper, que morreu hoje, não sendo um gigante como estes dois, era um actor de quem eu gostava muito, da mesma geração que esses dois e que também faz parte dessa herança de talento que será difícil de substituir. Para além de Easy Rider (1969), fez filmes de que gostei muito: Fúria de Viver (1955), O Gigante (1956) e sobretudo Apocalipse Now (1979) e True Romance (1993), dois filmes que estão na minha exclusiva lista de filmes preferidos. Esta pequena grande lista torna-o numa referência para mim. Mas há mais (e o que aí vem é conversa repetida).

Em True Romance, filme escrito por Tarantino e dirigido por Tony Scott, Hopper faz de pai do personagem principal, Clarence (Christian Slater). No filme, este é perseguido por mafiosos, o mais notável dos quais é Vicenzo Coccotti, interpretado por Christopher Walken - outro monstro. O encontro entre os dois, o pai de Clarence e Coccotti, entre Hopper e Walken, traduz-se num diálogo sublime de Tarantino, que lança entre os dois personagens uma cena com uma tensão poética assombrosa. É provavelmente a minha cena preferida de sempre. Em Inglourios Basterds, Tarantino replica essa mesma tensão logo na primeira cena do filme com o Coronel Hans Landa e o camponês francês que esconde a família judia.






(continua)

ps: Dennis Hopper participou em Speed (1994) que, curiosamente (ou muito curiosamente, vá lá), Quentin Tarantino inclui nas suas listas de melhores filmes desde 1992.

sexta-feira, maio 28, 2010

Não, não são todos iguais



Via Ladrões de Bicicletas

Isto está tudo ligado



Excerto de "Maradona", de Emir Kusturica. Um segmento do filme que documenta a grande manifestação anti-Bush aquando da 4ª Cimeira das Américas , que teve lugar em Mar de La Plata, na Argentina, em Novembro de 2005.

Este protesto contra Bush e as políticas neoliberais deste, ali corporizados pela persistência na cláusula da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas que há anos os EUA tentam impor na região) levou uma comitiva da Aliança Bolivariana para as Américas (ALBA), liderada pela Venezuela, de Buenos Aires ao Mar de La Plata, num verdadeiro comboio popular, o ALBA Express, onde também viajou Maradona.

Ali realizou-se também uma contra-cimeira, a Cimeira dos Povos, para manifestar
repúdio pela presença de Bush na América Latina e para se mostrar contra a abolição de fronteiras comerciais proposta pelos EUA com a ALCA (para todos os países americanos, menos Cuba, claro, que passaria a ser embargada por mais de trinta países). Uma ideia que voltou a ser liminarmente recusada pelos países do Mercosur e pela Venezuela, sob o pretexto de que iria arruinar as economias nacionais daqueles países.

As imagens de Kusturica captam muito bem o fervor revolucionário (que não se mede pela violência) que se viveu no Mar de la Plata e provam que esse mesmo fervor continua a fazer todo o sentido, hoje, aqui e em todo o lado. Ideologias falhadas, só mesmo as que continuam a esmagar, hoje, agora e enquanto escrevo estas linhas, quem menos pode e quem menos tem, atirando milhões para condições de vida miseráveis e para uma situação de grande dificuldade.

quinta-feira, maio 27, 2010

É bem...

Fui para o hospital a coxear de uma perna, vim de lá a coxear de duas... O que é que eu estou a fazer aqui a esta hora? À espera que a massa esteja pronta, que só agora é que me apetece jantar. Até amanhã a todos!

quarta-feira, maio 26, 2010

O machista aleijado

Ontem precisei de uma namorada. Quanto mais velho fico, mais fico com necessidade de ter uma namorada. Uma companheira. Nos dias que correm ter uma companheira é uma comodidade de luxo.

Ontem parti-me todo a jogar à bola, mais uma vez. Na semana passada tinha sido a perna esquerda, desta vez a perna direita, mas desta vez foi bem pior. Com trinta os anos ao dobrar da esquina, pareço não ser capaz de jogar à bola sem deixar a minha equipa com menos um jogador...

Voltei para casa, meio branco, a trinta à hora, sentei-me a tentar arranjar posição, e gritei - querida! fofa! traz-me gelo que o Miguel magoou-se! Estás a ouvir? - nada... tinha-me dado mesmo jeito que alguém me tivesse trazido gelo ontem. E me tivesse calçados os chinelos mais à noite, que eu não me conseguia baixar lá muito bem.

Uma música quase todos os dias 12



Só mais uma dupla. Há coisas que se descobrem, há coisas que já foram descobertas e precisamos de alguém para nos dizer - olha, lembras-te?

terça-feira, maio 25, 2010

Uma música quase todos os dias 11



Como alguns músicos de Jazz antes dele, o Wynton Marsalis nunca perdeu a oportunidade para poder participar na vida política, sempre na frente para alertar para certas situações que achava injustas, sempre pronto para a luta. Foi uma das vozes mais activas contra a administração Bush na altura do furacão Katrina, e ainda hoje em dia organiza eventos para ajudar músicos em Nova Orleãs que perderam tudo com o furacão.

Todas estas coisas fazem com que o músico Wybton Marsalis seja um pouco esquecido em toda a confusão mediática. Mas o músico Wynton Marsalis é do outro mundo. Um verdadeiro virtuoso. Passo aqui uma das músicas que mais gosto dele. Mas confesso que foi muito difícil escolher, porque são mesmo muitas. A sua versão da Bourbon Street Parade vai qualquer dia aparecer aqui, ou não. Mas é imperdível. Fiquem com When it's Sleepytime Down South. Mas não deixem de ouvir You don't Kwon What Love is.

segunda-feira, maio 24, 2010

1000

Graças à "desintoxicação amorosa" do Miguel chegámos aos mil visitantes neste novo Pastelinho. Obrigado a todos os que por cá têm passado.

Desastre sonoro

Estou aqui a trabalhar ao computador, e em vez de estar a ouvir música, estou a acompanhar de uma forma muito ligeira o jogo de Portugal contra o Cabo Verde. E duvido que vá ver a segunda parte. Porquê Miguel? Porque Portugal não joga nada? Porque o único tipo que joga bem é o jogador do Benfica, o Coentrão, e não há mais ninguém do Benfica para alegrar a malta? Porque ver um jogo amigável da selecção é uma tremenda seca? Não! Porque há uma moda de poluir o ar com um som de uma coisa chamada Vuvuzela.

E digo-vos uma coisa, próximo ano, estou no estádio da Luz e aparece um tipo ao meu lado a poluir com um brinquedo daqueles, e eu vou lá e parto aquela treta em quatro, sem hipótese de reparo! E não vou perdoar como fiz com o Poupas de 35 anos que se recusava a sentar-se para ver o jogo contra o Herta, aí não vou mesmo!!!

Uma música quase todos os dias 10


Ainda sobre o tema do post anterior...

Kit desintoxicação afectiva

Cá vou eu para mais uma. Segue a lista do que é necessário para uma desintoxicação afectiva (ou amorosa) para um tipo como eu.

1º Dois dias inacessível, com a noite anterior aos dois dias também inacessível.

2º Star Wars Episódios I, II, III, IV, V, VI

3º Apocalipse Now Redux, Platoon

4º Eternal Sunshine of the Spotless Mind

5º O Bom o Mau e o Vilão ou Aconteceu no Oeste

6º Ver todos estes filmes sem praticamente sair do sofá.

7º Intervalar com alguns episódios do Third Rock From the Sun.

8º Só comer gelados.

9º Não tomar banho.

10º Largar o romance e à noite antes de deitar ler Calvin and Hobbes.

11º Se com dificuldades em gerir o tempo, ter à disposição o jogo mais violento possível.

12º Ficar completamente letárgico pelo menos três vezes no decurso dos dois dias e meio.

13º Ouvir Miles Davis na noite de sexta para sábado, Elliot Smith na de Sábado para Domingo, Alpha na de Domingo para Segunda. Substituir Elliot Smith por Radiohead se os momentos de letargia já tiverem sido compridos.

14º Tentar não escrever.

15º Tentar não olhar pela janela.

16º Tentar não ouvir o que se passa lá fora.

17º Tentar não ver se está bom para surfar.

18º Tentar não ver se está sol.

19º Preocupar-me só comigo.

20º Se algum destes itens falharem, sempre tenho o outro fim-de-semana a seguir. Mas normalmente isto resulta bem.


Para a j.

O futuro certo para o lado errado

Acredito, como homem de esquerda, que a evolução do mundo tem de ir ao encontro da igualdade entre os homens, e que a verdadeira utopia, nada inalcançável com uma vontade colectiva, era a de que os homens só servissem para fazer arte e ciência. Que tudo o resto fosse entregue a máquinas que trabalhariam sem qualquer tipo de inteligência artificial, para afastar todos os medos das teorias do caos que divertem os que teoriza sobre um futuro pacífico.

Fora da arte e da ciência encontra-se apenas a religião. Que realmente não faço ideia para que serviria numa sociedade deste género, mas certamente não negaria à partida a sua participação.

É no entanto um futuro certo, que as máquinas vão substituindo as pessoas nos seus trabalhos. Principalmente aqueles que não necessitam de um espírito livre, crítico ou criativo.

A notícia de que as 1200 pessoas que vão ser "afastadas" da Brisa, substituídas por máquinas, seria óptima, não fosse o início de um enorme pesadelo para a esmagadora maioria das 1200 pessoas que se vão ver sem trabalho. E numa altura em que tudo anda tão complicado e difícil, mais complicado e difícil se tornará.

A educação para a ciência e para a arte é cada vez mais importante, mas claramente não é suficiente para os destinos de um mundo que avança para o lado errado, em direcção à ganância, afastando-se da fraternidade entre homens.

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domingo, maio 23, 2010

Fizz de Limão no OutJazz



Hoje lá tocou o meu telemóvel para eu ir ao OutJazz. Decidi por bem dizer que sim, como costumo dizer a quase tudo, como estilo de vida o sim tem de ser mais exercitado do que o não. E lá passei eu por algumas aventuras e desventuras. O que ficou? Boa companhia e o meu primeiro Fizz de limão da época, no OutJazz.

Já me passou a inveja.

Uma música quase todos os dias 9

Hoje vou fugir ao Jazz, vou fugir a um grupo sequer que tenha na minha prateleira de discos. Vou colocar aqui umas raparigas muito bonitas por sinal, a miúda mais loira então... enfim... Conheci-as no Youtube, tenho os dois discos delas no Amazon em lista de espera, mas vão continuar lá para já, no entanto, gosto muito desta música.



Adoro quando no início da música, quando estão a contar compassos para entrar, a irmã mais alta faz o gesto da guitarra a malhar com força e com estilo, as duas se riem uma para a outra. É sempre bom ver gente fazer boa música e a divertir-se no processo.

Não te esqueças!


Está por aí o Out Jazz, mais uma iniciativa cultural na cidade de Lisboa para dar jazz ao pessoal. Mas a verdade é que só estou interessado num dia. Um só dia. Dia 20 de Junho! Não posso faltar! Vou escrever em tudo o que é sítio. Tenho a tendência para me esquecer destas coisas...

Uma vez arrastei uma amiga minha para o Avante, que ninguém vinha comigo, com o intuito principal de ver o André Fernandes. E por uma distracção acabei por perder o concerto. Todas as oportunidade que tenho para o ver, vou.

Mourinho


Eu gosto do Mourinho, gosto dele desde o dia em que o Benfica lhe ganhou uma taça de Portugal, no ano em que ele ganhou tudo com o Porto. Nesse ano ele saiu e eu passei a ser um dos seus fãs, quando antes não podia olhar sequer para ele.

E admito que não podia olhar para ele, porque era sempre em estado de nervos que no estádio da Luz o via a treinar o Porto. Nunca foi bonito. Não me lembro de uma única vitória a não ser na taça, com um golão de - Fyssas! e outro de Simão.

Neste momento o Mourinho continua a ser o treinador que eu via naquele banco do Porto. Um tipo que parece estar sempre em controlo da situação. Que parece saber mais do que todos os outros presentes em jogo. Que parece conseguir o melhor dos jogadores que tem. Que encontra jogadores perdidos no Génova e os torna nos pilares de uma equipa campeã da europa.

Até porque o Milito... desde o 3-6 em Alvalade, com João Pinto, que não via um jogador fazer um jogo tão perfeito como o Milito fez nesta final. Simplesmente perfeito.

sexta-feira, maio 21, 2010

Todo um mundo II



G-e-n-i-a-l. Via Arcadia.

quinta-feira, maio 20, 2010

Uma música quase todos os dias 8

Há noites em que estou cansado, triste, e só me apetece beber uma cerveja e comer uns salgadinhos enquanto trabalho um bocadinho. Nessas noites normalmente quero mesmo muito ouvir Charlie Haden e o Kenny Barron. O disco Night and the City é uma inspiração do Jazz da era moderna.

Deixo-vos aqui o Twilight Song, uma versão que não termina, e deixem-me dizer-vos que o final da música vale mesmo muito a pena. Mas para isso vão à vossa Fnac mais perto de casa e encomendem, ou façam como eu e peçam pelo Amazon, qualquer coisa. É um disco brilhante. E realmente perde muito neste mono do youtube.



Vou continuar a trabalhar. Um bem haja a todos.

Uma música quase todos os dias 7



Acho que começa a ser redundante eu dizer o quanto eu gosto dos tipos que ponho aqui. Esta é certamente uma música mais difícil de gostar do que é habitual. A versão que eu tenho, prefiro-a a esta. Mas o primitivo é daquelas músicas que são estruturadas para criar um ambiente único com vários momentos particulares, e o gozo está em aproveitá-las a todas de uma maneira bem diferentes. Cada músico cria um momento muito próprio, que o Cannonball era um formidável líder das suas bandas.

O Cannonball Adderley é o músico de jazz que eu sinto toca mais com o coração. A expressão "He's all heart!" assenta-lhe como uma luva. Toda a música dele é coração.

CHEGUEI!



Pronto não se preocupem, já cheguei a casa. Foi ver o tal filme romeno. Não é nada fácil de compreender como é que aquela língua é latina, e soa a russo.

E pronto... como é que vocês andam? Ainda aqui a esta hora da noite?




Hoje soube que para a semana vem aí Cold Souls, que é da realizadora de Hapiness. É daqueles que vou ver à estreia para não arriscar que me contem seja o que for! Mal posso esperar... Vou à meia noite na mesma!

quarta-feira, maio 19, 2010

Voltem lá para a vossa terra!

O título tem o sentido de acentuar o meu sentimento primário de não gostar de uma coisa sem razão nenhuma para isso. Ou seja, este é o meu post assumidamente ignorante, epá, mas voltem para a vossa terra! O quê? É a minha? Por momentos pensei que não...

Ps: Só para deixar em evidência, a entrada para a final é gratuita! Estou tentado...

It's a Miracle

Há certamente coisas piores do que isto a acontecer pelo mundo fora. E por este país, com certeza. Mas não deixa de ser caricato, não sei se cada vez mais, ou se sempre foi assim, a medicina deixa de ser uma relação de duas pessoas, mas uma relação de actos.

Não há médico/paciente - há médico/caso clínico. O que depois faz com que aconteçam estas coisas. Não há nada a fazer num mundo de números, estatísticas, onde se contam os pacientes dos médicos ao final do dia, para se contabilizarem os bónus.

Eu sempre que estou mal vou direito ao Santa Maria, nunca lá tive um único problema, e lembro-me de que uma vez, pelo menos, me salvaram por lá a vida. E no dia em que o tal novo líder do PSD destruir o sistema público de saúde, vou ter um problema muito grande a confiar nesta gente da saúde. Isto se tiver capacidade de ter um médico...

And a doctor in Manhattan / Saved a dying man for free / It's a Miracle

terça-feira, maio 18, 2010

A Professora Bruna

Uma história intemporal

Portugal, um país tão luminoso e bonito, quando se vira ao contrário está cheio de teias de aranha e coisas obscuras, tiquezinhos medievais. Despido – já lá vamos - o contexto institucional, os preceitos culturais e sociais estão aqui todos representados. Esta é a história da jovem voluptuosa professora olhada de lado pelas colegas professoras mais velhas e aparentemente mais feias que fazem queixa ao Presidente do Conselho Executivo da escola. Este desdobra-se – e dobra-se e dobra-se - em desculpas e vai fazer queixa à senhora vereadora da Educação e Cultura que em nome da decência – Precariedade, recibos verdes, menos de quinhentos euros por mês? Não, fotografias na Playboy! – suspende a docência da Professora Bruna e repõe a moralidade na terra do Senhor de Torre de Dona Chama.

Você disse Dona Chama?


Bruna Real tem um grupo de apoio no Facebook que conta com 60 mil portugueses e por isso não precisa do meu. (Nota: qualquer dia vota-se no Facebook, não é preciso sair da cadeira e ainda há-de haver um ou dois eventualmente conhecidos e especialistas a comentar o voto, enquanto que outra dezena faz um “like”. Digo já que o meu voto dá “flag” e das vermelhinhas) Talvez, com tantos holofotes, a Professora Bruna seja o ânimo de que este país precisa. Talvez seja o “I Got a Feeling” do Verão – ou talvez a Professora Bruna cante o “I Got a Feeling” no Verão – é isso que desejo fortemente e talvez até seja a desculpa perfeita para passar o Verão fora. A verdade é que, e digo isto um pouco contra a corrente, o único erro da Professora Bruna não foi ter-se despido para uma revista, foi ter-se despido para a Playboy. Então ela quer começar uma carreira de modelo – aviso já: não vai dar - e, numa situação de precariedade como é a sua como docente, escolhe a revista conhecida por não pagar os cachets às suas modelos, nem o dinheiro que deve a, aparentemente, toda a gente?

Quem não deve não teme ou quem teme não deve ou sei lá

As colegas mais velhas e aparentemente mais feias temiam a nova playmate. O Presidente do Conselho Executivo da escola temeu as colegas mais velhas e aparentemente mais feias da nova playmate. A vereadora temeu pela ordem moral na terra de gente honrada de Torre de Dona Chama. E a Playboy vai ficar a dever à Professora Bruna.

Uma música quase todos os dias 6



Não consigo deixar claro a importância que o Miles Davis teve e tem para mim. Não passa uma semana sem ouvir um disco dele. E há certos momentos em que gostávamos de ter uma máquina do tempo e recuar para assistir a certas coisas. Este concerto, a altura em que o Miles Davis gravou este disco, Kind of Blue, e revolucionou o Jazz, adorava ter lá estado. Muito do Jazz da actualidade abraça ou rejeita o que o Miles Davis criou com o "So What".

E o nome "So What" é perfeito, é a atitude relaxada da música, o passo lento e acelerado, o Cool Jazz na sua fonte mais pura. E depois?

Ps: Sim aquele é o Coltrane.

Fechar o dia


Escrevi, revolvi, cortei, troquei e nada. Não me saía uma frase. Fui lá fora e, após meses e meses de nuvens e nuvens e nuvens, reparei que a cortina do céu da noite se tinha aberto de par em par. Olhei para cima e comecei a apontar para cada ponto cintilante, desenhando uma trajectória espacial com o dedo – estrela, satélite artificial, queria era um telescópio, uma mapa do céu e uma janela no telhado, satélite natural, verde, vermelho, clarão, avião – até onde aquele instante em que a luz alaranjada da cidade derrama, lá longe e cá em baixo – embora nada e tudo ao mesmo tempo seja longe e cá em baixo quando se fala do céu – a sua intensidade.
Escrevi, revolvi, cortei, troquei e nada. Não me saía uma frase. Por isso voltei a entrar em casa, sentei-me e deixei esta música fechar o dia. 

segunda-feira, maio 17, 2010

Passeios nocturnos

Desde que vivo sozinho que gosto de fazer passeios nocturnos. Vir da cinemateca ao Lumiar a pé, do Corte Inglês, do King, normalmente depois de um cinema, se tiver o telemóvel carregado, posso ir a casa a pé a ouvir música. O que dá sempre passeios agradáveis a horas onde só gente realmente pitoresca é que usa a cidade. Eu serei um entre muitos.

A decisão tem de ser tomada previamente, mas ainda que vá sempre a sessões tardias de cinema, os transportes públicos levam-me ao local, e os meus fieis sapatos trazem-me de volta.


Os meus Sapatos

Aos meus sapatos posso lhes fazer uma ode, compro-os sempre da mesma marca, posso ter um único par de sapatos durante dois anos, acho que estes estão perto dos três. Impecáveis! Confortáveis. Bom andar. Resistentes. Mal cheirosos, apesar de não ter grandes reclamações no cartório.


Ontem levei-os a passear ao hospital de Santa Maria, só porque lá há uma farmácia aberta 24 horas por dia. E como vou fazer trinta anos achei que estava na altura de ir comprar os primeiros comprimidos para dormir, visto que eu durmo que nem um desmaiado, caio na cama e adormeço, excepto dos meus períodos de insónia, que demoram cerca de uma semana. Ora ontem foi o primeiro dia, significa que lá para segunda da próxima semana deverei conseguir dormir qualquer coisa.

Isto porque na farmácia deparei-me com a seguinte situação, comecei a explicar ao senhor que se entrasse no hospital que os médicos me punham a dormir durante dois dias, que aqueles tipos são uns exagerados, e que eu precisava de trabalhar de manhã, mas que convinha dormir qualquer coisa. Ele lá pegou nuns medicamentos que custavam 40 euros. Eu que estava naquele altura por tudo, lá soltei o primeiro cartão, que não tinha maneira de funcionar, soltei o segundo que não funcionava também, não era um problema de cartões, era a comunicação, o farmaceuta pediu-me para eu entrar no hospital, não para falar com os médicos! Não senhor! Que não era necessário. Só para ir à sala de espera... levantar dinheiro.

No pequeno caminho entre a farmácia e o hospital passei por uma senhora e o seu enfermo. O homem estava desfeito, num oito! Braço ao peito, ligadoras visíveis no peito, aquela ligadura da cabeça e um colar para o pescoço, e o pormenor mais sinistro, uma pala no olho, ensanguentada. Os dois mais que cabisbaixos, ela por simpatia, ele por estado de direito.

Três velhotes abandonados e um cigano com uma filha ao colo, uma senhora muito atarefada num balcão vazio faziam o ambiente de uma sala de hospital algures entre as 3 e as 5 não sei bem as horas. A televisão ecoava por toda a sala, normalmente abafada de pequenos gemidos, protestos, e resignações.

Atirei o primeiro cartão à máquina, nada, atirei o segundo, nada. A comunicação afectou a zona. Tinha de voltar à farmácia tentar arranjar uma solução. Quando me dirigia para a farmácia, o pobre aleijado encontrava-se ao balcão, prostrado junto da mulher, resignado na sua necessidade de uma ajuda. Senti que não precisava de nada. Informei o médico e deixei os meus sapatos levar-me a casa. Medicamentos para dormir? Nunca me tinha sentido mais mariquinhas, mas aquela ligadura ambulante ainda me fez sentir mais horrorizado com a opção de correr a uma farmácia para uns medicamentos para dormir. Lá vou eu aguentar a insónia. Esperem um aumento de posts no pastelinho nos próximos tempos.

"Para dançar o tango são precisos dois"

Foi Sócrates que o confirmou hoje, em Madrid, sobre o acordo com o "parceiro" da dança Pedro Passso Coelho que visa vender aos "mercados" - esse casino virtual que tanta admiração causa - uma imagem de congregação nacional em torno do "ataque à crise" que é este PEC com anabolizantes. Talvez seja por essa mesma razão que o PCP apresentou hoje uma moção de censura ao Governo. Porque a verdade é quem mais precisa não pode continuar a dançar sozinho.

Uma música quase todos os dias 5



Há dois músicos que ensinam qualquer pessoa a saber e a gostar de Jazz, o Count Basie e o Dizzy Gillespie. Mais uma das músicas que mais ouvi na minha vida. Esta versão é bem diferente, da que tenho em casa, mas dá para ter uma ideia da dinâmica com que o Dizzy faz as suas composições.

Filmes que eu quero para a minha colecção



Noites difíceis, costumo começar pelo The Original Kings of Comedy, tirar a cabeça dos meus problemas, rir-me um bocadinho. Ando há anos a procurar maneira de conseguir o DVD, mas só é possível se um tipo encomendar dos estates, e dos estates não serve num DVD português, o que é estúpido, mas nada a fazer.

O Spike Lee faz uma espécie de um documentário de um espetáculo de comédia, e é simplesmente genial. Se conseguirem arranjar vejam e digam como é que eu faço. E EU NÂO SACO NADA!!!!!!!

sexta-feira, maio 14, 2010

Uma música quase todos os dias 4



Charles Mingus com Goodbye Pork Pie Hat, é uma música que ouço frequentemente, o Mingus é uma das minhas grandes companhias.

quinta-feira, maio 13, 2010

Cheguei do cinema




Estou sentado ao computador, às duas e trinta da manhã a contar a minha história de hoje à noite do cinema. Porquê? Porque sou meio parvo? Também, mas acima de tudo, porque não tenho parado em casa e tenho de dar um pouco de atenção à minha gata.

Assim enquanto escrevo ela faz os seus ronrons e eu dou-lhe umas festas quando olha para mim.

Foi ver o Greenberg. E sabem o que eu odeio? E tenho até de escrever uma carta ao Corte Inglês. Quando dizem que o filme começa oito minutos depois da hora marcada, e que o filme realmente comece 15 minutos depois da hora marcada. Ainda por cima fartaram-se de colocar antecipações de filmes que eu quero mesmo ir ver.

É ver o Miguel no meio do cinema a tapar os ouvidos e os olhos, a cantarolar um bocadinho, mesmo quando o filme é romeno! Tenho portanto de lhes escrever uma carta a queixar-me disso, que é indecente um tipo ter de fazer estas cenas no cinema.

Vou aproveitar e vou enviar uma carta à Câmara Municipal de Lisboa para me queixar da rua em que tenho de guiar para chegar a minha casa, e à casa dos meus pais. É a mesma rua e já está esburacada desde que a conheço.

Vou também aproveitar para me queixar da Fnac e da constante pioria no seu atendimento, que há uns anos era do melhor que havia. Eu chegava-me à frente e começava a cantarolar qualquer coisa, eles reuniam-se e lá me encontravam o bichinho, hoje em dia temos sorte se nos encontrarem o disco com o nome da banda e do próprio CD.

Não perderei a oportunidade para enviar uma carta à PT pela extrema incompetência dos seus serviços. Então não é que eu deixar às mãos competentes de uma rapariga que esteve em minha casa para eu assinar o contracto, a cessação do contracto com a Vodafone, com a qual tinha internet em casa, mas com um sinal mais fraco que o Cavaco a discursar de improviso, (foi o que me lembrei assim rápido.) E recebo passado uns dias uma carta da Zon a dizer-me que a carta que eu lhes tinha enviado não tinha informação suficiente, e não é que era o raio da carta de cessação de contracto com a Vodafone, enviada para a Zon. Isto entre muitas outras queixas.

O filme Greenberg é do autor de The Squid and the Whale, e argumentista de Life Aquatic With Steve Zizou

quarta-feira, maio 12, 2010

Todo um mundo



Foi assim em Luanda. Mas também se celebrou na Cidade da Praia  e São Vicente (Cabo Verde). E em todo o mundo.

Uma música quase todos os dias 3



Porque hoje vou para a cama cansado e eu nunca estou cansado.

Querer crescer um ano


Porque este post tem de ser com esta música...

Estou à beira de fazer trinta. Não fosse a minha vida estar em modo limbo e o marco não me fazia tanta impressão. Com várias convulsões na minha vida, uma em especial tem-me dado mais trabalho a resolver. Porque não se pode ter tudo o que se quer...

Na minha vida sempre tive por principio ser proactivo. Não me importo de dar os primeiros passos, apesar de gostar de os dar acompanhado. Gosto de lutar pelas coisas. Mas as coisas que não posso lutar sou tipo para decidir rapidamente afastar-me. Porque a decisão tem sempre de ser minha, porque eu não espero por dúvidas e indecisões e nunca o esperei... mas confesso que tenho andado a ser apanhado desprevenido e há coisas que mudam perante situações novas.

Claro que isto para uns é código. Para outros é bem evidente.

No outro dia, numa confusão de identidades, invadi o espaço de um blogue aqui linkado, o Dias Assim, e no meio de muito disparate meu descobri este blogue - Gente Sentada - prefiro este nome à alternativa anglo-saxónica. A miúda que o escreve tem 17 anos, e tem coisas maravilhosas. E na altura deparei-me com o que se tornou no meu post preferido de ler dos últimos tempos, aqui. Porque fez-me lembrar... e não, não me fez lembrar de quando eu tinha 17 anos, fez-me lembrar de hoje em dia, do que estou a passar, de uma maneira tão poética como já não sentia à tanto tempo, porque eu também queria dizer-lhe para não descer naquela paragem, mas ela sai sempre, e eu não consigo dizer-lhe, porque não posso, e porque acho que se lhe disser perco a oportunidade de a ver fazê-lo porque quer... enfim...

Aos 17 estava num sítio bem mais estável do que hoje... E ao ler o Blogue da Marta por vezes apetece-me escrever poesia novamente. Mas só por uns momentos breves...

Até porque continuo a ser um puto de 15 num mundo de gente com 30.

A festa foi rija! 11


Rua Augusta cheia depois da fuga da equipa. Das oito às duas da manhã a pé, caminhar até à Câmara Municipal, onde se roubavam cadeiras ao Papa. Caminhar novamente até ao Saldanha para apanhar o Taxi do Alexei, um Ucraniano que nunca tinha visto nada assim. Poucos viram. Aparentemente o Mica, aquele músico muito... não sei o quê... pensou por momentos que gritavam por ele no Marquês, ele estava no Ritz, percebeu depois que era uma equipa chamada Fica, e ele também nunca viu nada assim. Eu também nunca vi nada assim. Mas acredito que para o ano é maior. Quero ver.

A festa foi rija! 10


No meio, David Luís, o tipo que mais gostou de festejar o título, tenho quase a certeza...

A festa foi rija! 9


Não se deixem enganar, eram três os autocarros que vinham em parada.

A festa foi rija! 8


Ninguém quis perder um momento, os telemóveis foram muitas vezes protagonistas, o meu tira fotos de merda!

A festa foi rija! 7


Chegaram ao Marquês, os protagonistas, e foram aos milhares a gritar, noite para nunca esquecer.

A festa foi rija! 6


O Marquês lá levantou a reserva.

A festa foi rija! 5


Levantou-se a taça e o sol veio ver.

A festa foi rija! 4


São papoilas saltitantes a festejar um campeonato!

A festa foi rija! 3


Gritos e salvas!

A festa foi rija! 2


Momentos de ansiedade...

A festa foi rija! 1


Estádio cheio bonito! Epá!

terça-feira, maio 11, 2010

FOGE SINISTRO QUE TE FAZEM MINISTRO!




A reunião de há uns dias de antigos ministros das Finanças ficará para alguns, marcada como uma iniciativa importante para que uma série de especialistas falem sobre os problemas financeiros com o mais alto figura da nação portuguesa, o Presidente. Para outros uma reunião de uns quantos sem vergonha, começando pelo próprio Presidente, também ele ex-ministro das Finanças e Primeiro Ministro nos 10 anos que Portugal recebeu mais fundos comunitários, mais fundos do que em todos os outros anos seguidos.

Eu sou dos que acham que é a segunda. Que houve uns tipos reunidos para discutir o futuro de Portugal, alguns, senão os principais responsáveis pela falência do Estado Português. Claramente não foi escolhida uma elite de gente para aquele lugar ao longo dos anos.

Agora falando de um pedestal, alguns definem umas linhas para resolver absolutamente nada, outros não divulgam como resolveriam, e outros preferem mesmo dizer que não há solução, porque nunca há solução para nada.

Juro que há gente que mais valia ter nascido longe. Estou mesmo a vê-los - Epá... caramba, como é que chegámos a este ponto? - E todos incrédulos a olhar uns para os outros... - Realmente... - dizem em uníssimo com a cara mais incrédula que conseguirem inventar.

Johnny Cash

Embora não seja fã da maior parte das foto-vídeo-montagens que vejo no You Tube - sobre esta embirração pessoal escreverei noutra altura - de vez em quando aparecem umas coisas...impagáveis.

segunda-feira, maio 10, 2010

E o Benfica, campeão

                      O  Marquês é do povo. Foto: A Bola


Olhava com atenção para os cachecóis, que mais pareciam tirados do baú da memória. Qual deles levaria? O do começo dos anos '90 que ainda representava a memória viva de uma década pujante? Ou o do fim dos anos '90, dos anos negros em que o Benfica dançou com o desastre total? Ou aquele do séc.XXI, interpretando uma recuperação lenta mas firme do colosso? Escolhi um novo para a festa. Simples mas bonito, com duas faixas, o vermelho e o branco, o nome e uma data: 1904.

Cachecol para a festa mas qual festa? Então mas o Domingos não tinha dito que tinha um pressentimento qualquer para a última jornada? Pois mas eu também: que este seria o cachecol do título. Comprei-o após os jogos contra o Sporting e Académica, findos os quais percebi que íamos ser campeões. Um cachecol novo que, representando toda uma era nova, é antigo também. Porque esta nova era do Benfica, glorificada pela pujança que se viu na equipa de futebol, surge assente na identidade histórica do clube. De alma e coração. Uma equipa operária e artística. Destemida e compacta. Determinada e pura. Vermelha de sangue apaixonado em cima do tapete verde. De uma partitura táctica perfeita rasgada a espaços por notas soltas de improviso artístico. Uma equipa sublime, entusiasmante e vencedora que transportou para dentro de campo tudo aquilo que o Benfica é: chama, vitória, intensidade, magia e união. Uma equipa à Benfica.

A minha relação com o Benfica não são só 25 anos a viver na Luz, com a janela do quarto alinhada com o Terceiro Anel ou o mesmo número de anos vividos em jogos no Estádio, ou o atalho pelo antigo complexo desportivo para ir para a escola, as tardes passadas a ver treinos e os dias e noites de muitas e grandes vitórias. O Benfica, para mim, é muito mais do que a representação mais ou menos difusa dessa relação ancestral. O Benfica, para mim, é hoje e é agora. É o que acontece e que não sei explicar.
É o invisual que, durante a época toda, ainda nem sequer se tinha sentado e já estava a berrar pelo Benfica, duas filas atrás de mim; o velho sócio à nossa frente a maravilhar-se como nunca nos últimos 30 anos; a família que vai ao estádio toda junta e se senta quatro cadeiras ao meu lado; o grupo de amigos que se senta atrás de nós, o mais improvável e socialmente disfuncional possível; o senhor que se senta imediatamente atrás de mim e a quem roubei uns quantos golos esta temporada porque me levanto sempre antes do tempo; o imperturbável colosso ao nosso lado; o rapaz que foi ganhando sorriso ao longo da época dois lugares a meu lado; o Miguel ao meu lado e o Caracol que veio da Suíça três vezes para ver o seu clube ao vivo; e todos aqueles que de maneira tão distinta e sendo tão diferentes, foram ontem para a rua celebrar o mesmo. É que todos eles terão a sua representação mais ou menos difusa, da sua relação ancestral com o clube. É isso que faz o Benfica: tudo isso, tudo junto.

Ontem foi um dia em grande para o Benfica. Fomos campeões, grandes campeões, magníficos campeões e foi um dia e uma noite de grande festa. De contacto muito próximo com os jogadores mas sobretudo com tanta e tanta gente que pintou o país da sua cor original. A representação foi só uma: a da alegria. Vou lembrar para sempre o que vi no Marquês e em toda a descida da Avenida da Liberdade e também uma equipa que incendiou os estádios por onde passou com um futebol maravilhoso. É que se todas essas representações se fazem e farão de recordações, estes jogadores e Jorge Jesus vão certamente ficar na memória de muita gente e ajudar à exaltação colectiva daquilo que o Benfica é.

Hoje voltei a olhar para os cachecóis. Na verdade, não escolhi o cachecol certo ou errado para o jogo de ontem. Escolhi foi o clube certo para a minha vida. Que orgulho.

sábado, maio 08, 2010

Uma música quase todos os dias 2



O título alterou um bocadinho. De "Uma música todos os dias" para "Uma música quase todos os dias", visto que logo no dia a seguir falhei.

A minha dificuldade é descobrir as músicas que eu quero, que isto no youtube há muita coisa, mas não há tudo. E depois não me parece que seja boa ideia andar para aqui a disseminar as músicas que ainda não estão no youtube na internet. Para que haja ainda coisas sagradas... sei lá...

Ahmad Jamal é uma das grandes influências do Miles Davis, e um músico maravilhoso. É ouvir e começar a procurar discos dele para comprar! Talvez consigam apanhar o "We Kiss in the Shadow", que é extraordinário.

Às vezes fico a pensar...

...se o melhor que se fará a um imbecil - aqueles mesmo indiscutíveis, com certificado e tudo - é deixá-lo seguir o seu caminho, feliz e tonto, aprovado com as palmas de meia-dúzia de semelhantes. Mas o Sr.Gonçalves bate tudo. Inclusive todos os recordes de patacoadas por linha - e agora, decibel - quadrado. Este registo áudio - que preciosidade - parece uma versão Odivelas 2.0 do Conversas em Família mas mais reaccionário. Mais uma pérola da - ora bem, quem é que vai acertar? - Sábado.

sexta-feira, maio 07, 2010

Glorioso, SLB, Glorioso, SLB



Domingo, às 18 horas, na Luz.

Jornalismo preguiçoso

"Para produzir comunicação, para resolver problemas, para ter ideias é preciso Informação e Saber. E para isso é preciso estudar, ter mundo, ler. É preciso ter frequentado intelectualmente alguma área do conhecimento. Se quiser ser produtor de comunicação, estude Arte ou Direito ou Economia ou Sociologia ou qualquer das ciências sociais. Ou Línguas ou Literatura, ou Matemática ou Biologia. Ou mesmo Gestão. Aprenda e estude qualquer coisa para poder ter qualquer coisa a dizer. Publicidade e comunicação não se estudam. Praticam-se e fazem-se depois de se ter informação suficiente sobre o mundo e as coisas para poder ter pontos de vista sobre os assuntos que se quer resolver."

Hoje, na edição especial de aniversário do jornal i, voltei a tropeçar nesta ideia que Pedro Bidarra, da BBDO, já havia sublinhado, com outras palavras, numa entrevista a 1 de Outubro de 2009 ao mesmo jornal (que é hoje republicada). Nem de propósito. Na altura, Bidarra disse isto:

“A pessoa tem que vir de uma família, de uma área de conhecimento. Se não, não é nada, é uma miséria. E vejo muito isso no jornalismo também. As pessoas entrevistam-me...recebo emails a dizer “podia-me falar sobre isto?” Que é que como quem diz: faz o artigo por mim porque não tenho ponto de vista.”

Isto vem a propósito daquela lamentável cena com o deputado Ricardo Rodrigues – por quem tenho uma admiração de temperaturas glaciares - e os "jornalistas" da Sábado. Há algo sobre o qual não vale a pena discutir muito, porque é demasiado óbvio: a atitude do deputado. Embora deva dizer que uma atitude a quente me choca menos que a persistência fria do mau carácter. O que me incomoda é outra coisa. Qual é a ideia de jornalismo que aquela gente tem? Pior: como é que este género de jornalismo de esgoto ganhou peso na Assembleia da República?
E depois, as virgens ofendidas destes heróis de redacção.
Ver ontem, no Frente a Frente da SIC Notícias, Mário Crespo rir-se na cara de Maria de Belém quando esta dava a sua opinião sobre o assunto meteu-me nojo. Crespo, o grande e iluminado defensor da liberdade de imprensa e príncipe da bufaria anónima, voltou a vincar aquela atitude que prevalece em muitos – e não “poucos” como no mesmo debate disse Luís Filipe Menezes – jornalistas: a sobranceria face ao poder politico.
Eu, jornalista, posso ter uma opinião sobre ti e o que tu fazes, baseando todo o meu trabalho nisso mas tu, político, não te atrevas a dizer o que achas sobre o jornalismo e não ouses, no teu trabalho, interferir no meu independentemente, do espaço, contexto ou circunstância.

Aquela ideia de tu-sabes-que-eu-sei-que-tu-sabes-que-eu-sei-que-tu-sabes que os jornalistas trouxeram para a o espaço público nas conversas com os políticos em jeito de flash-interview, conversas de surdos e mudos que não interessam a quem tem que interessar o espaço público – às pessoas – mas onde se luta permanentemente por um poder sinistro, feito de informações pequeninas, perguntinhas incómodas, trocas e tricas que dificultam a comunicação dos políticos para as pessoas - já de si muitas vezes débil - ainda para mais porque é sobre tudo isto que é construída a opinião mediática.



Claro que não se pode discutir o comportamento dos jornalistas em lado nenhum, muito menos pelo poder politico – ai de quem o faça!
Mas a Assembleia da República devia estar num valor um pouco acima desta gincana política e o comportamento dos jornalistas naquele lugar devia ser fortemente escrutinado (E sim; os deputados também. Mas isso é outra história).
A realidade é esta: os jornalistas podem andar nos corredores, entrar nos gabinetes de trabalho dos grupos parlamentares, pespegar microfones na cara dos deputados à saída de uma sessão parlamentar, espreitar os computadores pessoais destes com teleobjectivas e coçar a sua preguiça em directo na emissão da ARtv. Na minha opinião, regular, antes de mais, o trabalho dos jornalistas na A.R é o mínimo que se pode fazer para que estes percebam que há um limite de respeito que se deve manter e que aquele espaço não é o Circo das Celebridades. Porque, evidentemente, não percebem.

Quanto ao seu trabalho fora dali, pouco haverá a dizer. Quem produz peças destas - e da Sábado não será a primeira nem a última - está mal preparado, não tem carácter, dignidade profissional e sensibilidade para exercer a função de jornalista. Já vi muito más entrevistas simuladas no Cenjor com mais qualidade que muitas das que vejo por aí publicadas como grande furos jornalísticos.
Claro que há óptimos jornalistas em Portugal, julgo que ainda são a maioria mas o que está a dar é outra coisa. O que está a dar é um jornalismo do hit. Rock & roll. É mais um clique no site, mais uma venda de jornal, tudo e mais alguma coisa para que o director do jornal continue a ter argumentos para pedir encarecidamente aos seus administradores para não acabarem com a publicação na edição seguinte. Estamos a falar de um negócio que deixou de ser negócio e onde o desespero é quem mais ordena. Para muitos, as notícias já não são coisas que se fazem, são apenas coisas que se vendem - e muito mal, como tantas outras. Aliás, em nome da redução de custos - redução sempre para o mesmo lado, claro - os jornalistas vão ser transformados também em vendedores de publicidade, mais uma cabeçada no Código Deontológico que não salvará os piores de se afundarem.

Os melhores, digo eu, salvar-se-ão. Da desgraça, da crise global, da cadência do papel como meio privilegiado. Porque só estes terão como fiéis compradores quem quer e procura qualidade e quem sabe distinguir o que é bom do péssimo. E porque também só os melhores criarão outros modelos de negocio que permitam sustentar edições em papel de grande qualidade, com bons jornalistas, bons fotógrafos e gente decente e profissional.

Voltando ao Pedro Bidarrra e ao i – jornal que hoje em dia é o único que compro, intervalando com o Diário Económico, embora também leia, não comprando, o Expresso e a Time Out – é curioso ver como um jornal que está em vias de fechar, porque a administração, um ano e pouco depois de ter criado o jornal deixou de achar que a comunicação é um bom negócio, é o mote para este texto, precisamente quando lança mais uma edição de grande qualidade.

Se calhar, estou a ver tudo ao contrário. E será a poluição intelectual a ganhar outra vez. Ou não.

quinta-feira, maio 06, 2010

E entretanto

Na meia hora que estive aqui sentado a escrever estes dois últimos posts, o meu vizinho de cima, possuído, aprende a tocar na guitarra eléctrica o Enter the Sandman dos Metálica com a voz do Axel Rose... um espectáculo. Que os meus vizinhos não se queixem de eu ter a música demasiado alta!!!!!!!!

Uma música todos os dias 1

Aqui vai, ainda vou ter de resolver o facto de não haver todas as músicas que quero no Youtube, mas vai ter de chegar para já.



Esta música faz com que eu me acalme muitas vezes, quando estou mais agitado, é sempre um bom momento de reflexão, tentar entender como é que um cigano, nascido algures entre a fronteira da Bélgica e da França, se apaixone pelo Jazz, com um disco do Louis Armstrong e mude todo o seu paradigma musical, para se tornar num dos melhores guitarristas de Jazz de todos os tempos. Jà tocando como Deus, e reconhecido por isso, dormindo na sua roulotte, é vítima num incêndio que lhe inutiliza dois dedos da mão dos acordes, e depois de uma curta recuperação, volta a tocar, ainda melhor, com apenas dois dedos. Tudo o que ouvimos neste música é um homem a tocar como Deus, com apenas dois dedos. E tudo é lindo, e tudo é perfeito, e Django Reihardt em I'll See You in My Dreams. Para uma pessoa se deitar e dizer à mulher que ama, mesmo antes de adormecer.

Máscaras e capas

Gosto de máscaras, odeio capas. A máscara é a maneira como uma pessoa tem de lidar com a realidade, eu uso várias por dia, acredito que haja quem, na minha vida, nunca me tenho visto sem um sorriso na cara. Aqui no Pastelinho, sempre foi assim, mostro a minha face mais deprimente, havia um blogue que eu tinha, que nunca teve uma única visita, que durante anos escrevi o pior que sentia. A capa é uma artimanha que serve para não se ver nada, para apresentar algo que não tem interesse, não tem expressão, é bonita, mas não tem nada de conteúdo.

Nunca desprezei tanto na minha vida universitária e não só, colegas meus que se preocupavam mais com a capa do que com o trabalho lá dentro. Resultava preocuparem-se só com a capa? Uma grande parte das vezes, sim, podem ter a certeza que sim. Há quem olhe para o supérfluo e não para o conteúdo.

Para lá de outras coisas isto tem a ver com o comentário do nosso amigo Andrade, e de outros pela blogosfera e comentários de jornais. Porque há pelo mundo da internet gente que vive para corrigir erros gramaticais, não têm na cabeça um único pensamento imaginativo, uma unha de criatividade, um átomo de opinião própria, vivem para reparar nas capas, no exterior, no meio, e não no fim.

É engraçado porque, eu sempre achei piada a comentários onde um tipo contraria a opinião de outro com uma pinta enorme e no final, depois de todos os argumentos, justificações, ideias, lança um pequeno - e já a agora, a palavra tal escreve-se com um ç e não com um s! O que fica engraçado, remata bem o momento. Mas para algumas pessoas na internet foi o que ficou, o apontamento, vivem de apontar o dedo às capas, não se apercebendo que eles próprios não passam de uma capa, sem opinião, sem qualquer valor intelectual, e logo vistas por mim com um sorriso e algum desprezo.

Ocorreu-me este pensamento, quando via uns vídeos dos Tha National, dos quais estou longe de ser um fã, mas que tinham um dos comentários mais cómicos de todos os tempos. Um comentário simples, mas muito eficaz a nível de piada, que diz - Eles evidentemente fazem óptima música, mas acredito que o seu caminho para a fama se deve principalmente à sua capacidade de se ressuscitarem, e depois recrutar como baterista, o já falecido John Lennon. - Como é evidente parti-me a rir! E é o nível de comentários que eu qualquer dia quero ver no Pastelinho, descomprometido, com piada, e bem a propósito. Isso ou comentários inteligentes. Estou a ser injusto se não disser que normalmente os temos aqui, temos sim senhor!

Agora vejam o vídeo!



Depois de colocar aqui The Nationals vou sentir-me obrigado a colocar no pastelinho uma música todos os dias, quando puder, como é evidente, que será praticamente todos os dias! Que eu já vejo tudo em forma de quadrado. Sim o meu ecrã é quadrado, não é retangular.

Para rir um pouco

E o que eu me ri!

"Golfe, insqueirada e misérias"

Cada dia que passa mais acho que o João Gobern é o cronista que melhor escreve sobre o Benfica, num leque de gente onde incluo mais um ou dois escribas de qualidade e várias mãos-cheias de cabeças de vento.

Sabe sobre o que escreve e tempera as suas ideias certeiras com as doses exactas de pragmatismo e paixão. Com a devida vénia, eis a sua última crónica Tempo Útil, publicada na edição online do Record de dia 5 de Maio.

"As circunstâncias que rodearam o clássico do Dragão são motivo de orgulho para todos os desportistas nacionais. Ficámos a saber da existência de mais duas secções no FC Porto: uma de golfe, com a particularidade de estar na moda uma variante que dispensa os tacos, o equipamento tradicional e até os "greens"; outra, muito mais certeira, que se dedica à isqueirada, modalidade com todos os condimentos para se tornar um fenómeno de popularidade. Claro que o isqueiro pode ser aperfeiçoado, uma vez que não serve para acender ou alumiar, mas apenas como arma de arremesso.

Percebemos que os respetivos praticantes não gostam de dar a cara, preferindo fazer lançamentos furtivos e assobiando para o lado quando pressentem a proximidade de uma câmara de televisão. Por exemplo: nas imagens da Sport TV viu-se bem o homem que fez de Jorge Jesus o seu alvo particular. Aposto que já passou a gravação para DVD, com o objetivo de a mostrar à família e aos amigos. Pena que as "implacáveis" forças de segurança não tenham tido oportunidade de ver o que o país viu. Percebeu-se, enfim, que não é uma modalidade ao alcance de todos, depois de presenciarmos o "falhanço" de Luisão, depois de alvejado à entrada do túnel. Não dá para aquilo...

Houve outras inoperâncias, dentro e fora de campo. Fora, avulta o momento da declaração categórica de um responsável policial, garantindo não ter havido pedradas ou similares ao autocarro do Benfica, desde o hotel ao estádio. Teve azar: o repórter televisivo de serviço desmentiu-o de imediato, com o argumento irrefutável: "Eu vi...". Olegário Benquerença, apesar do olho de lince que lhe permitiu oferecer por três vezes o cartão amarelo a jogadores do Benfica nos primeiros quinze minutos (dois deles absurdos, os de Di María e Fábio Coentrão, um terceiro duvidoso, o de David Luiz), não conseguiu ver dois ataques (falhados, é certo, mas bem percetíveis) de Raul Meireles a pernas adversárias nem dois penáltis (carga sobre Maxi Pereira, mão na bola em livre marcado por Di María) que seriam claríssimos, noutro estádio e noutro ambiente.

Razão teve Jesualdo Ferreira: a expulsão de Fucile é ridícula. Sobretudo por ser tardia - com igualdade de critérios, teria deixado o terreno de jogo logo aos 17 minutos. Feitas as contas, pouco importa: o FC Porto julga ter salvo a honra, o Benfica conseguiu salvar jogadores suficientes para entrar em campo no próximo domingo. E até os distantes adeptos do Sporting, apesar da oitava derrota e de somarem 42 pontos perdidos para os 45 conquistados, puderam festejar os golos do FC Porto. E talvez o do Braga, mesmo marcado em fora-de-jogo. É bom que todos descubram motivos para celebrar - sempre se evitam as depressões."

João Gobern, in Record.

quarta-feira, maio 05, 2010

NBA

No momento em que eu acho que já não é possível eu gostar mais de NBA, eles vão e fazem isto, e eu fico cada vez mais convencido que, tirando o Benfica (entidade), a NBA é o melhor jogo do mundo.

De salientar que os Suns são uma equipa do estado de Texas, a sul, o estado do Bush. O Obama aparece em jogos da NBA, o Bush não põe lá os pés.

terça-feira, maio 04, 2010

O desastre

Os atentados que o ambiente sofre todos os segundos, pelo mundo fora, vão ser pagos de uma forma muito cara num futuro bem mais próximo do que se pensa. A ganância é certamente o maior atentado deles todos, a ganância distorce todas as prioridades, para que o dinheiro esteja sempre em primeiro lugar. O ministro do ambiente que mais atenção teve nos últimos 10 anos em Portugal, tinha o discurso marcado da prioridade que tinha de se dar ao dinheiro, da sustentabilidade que tem de se dar ao próprio ambiente, o que parece um discurso muito bonito, mas o que Sócrates pretendia quando era ministro do Guterres, era tudo menos águas limpas, e um ar respirável, acho que hoje é bem claro isso.

Enquanto os segundos passam, um desastre ambiental só comparável com Chernóbil, acontece do outro lado do mundo. O que vale, aos ministros mundiais da ganância, é que no mar tudo é esquecido rapidamente. POrque o mar absorve tudo, não é? O mar aguenta com tudo isto... é um desastre as mãos que controlam este mundo, são um desastre.

Ontem o cinema foi surreal

Juro que nunca tinha tido uma noite de cinema assim, fui novamente sozinho para o cinema, saí de casa à meia-noite e arranquei para o King. King às segundas, à meia noite, vou criar um grupo no facebook, ou não. Quando cheguei, cheguei cedo, perguntei se a sala estava vazia, ao que me responderam que sim, tentei perceber se era chato eu ir para lá, ao que me responderam que nem pensar! Que precisava de vir todas as segundas! Muito simpático aquele pessoal todo do King, que tenho medo que feche, não sei se já o disse aqui?

Nâo levei um livro, então saí um pouco para andar, ao que vi uma criança muito divertida a brincar com a mãe na rua. Era meia-noite e vinte... um pouco tarde. Mas o miúdo fazia umas corridas para trás e para a frente, a mãe sorria cansada, mas deixava-o largar toda aquela energia num pequeno parque mesmo ao lado do King.

Passado um pouco percebi que tinha sido rápido a julgar, por pensar que era tarde. O puto não parava mesmo. Parecia que era um pedaço de energia com duas pernas em forma de raio, aquela intensidade num puto é raro de ver, a não ser quando se tem hiperactividade. A vida não vai ser fácil para aquela mãe nos próximos anos, mas aquilo passa, e ela não me parecia transtornada, parecia estar a assentar na ideia de que tinha de o deixar gastar aquela energia, em vez de o deixar deitado na cama a sonhar que estava a correr, eléctrico na cabeça, e a explodir com saltos na cama às três da manhã por não aguentar mais.

Isto fez-me lembrar um dos filmes de que falei aqui ontem, The Away We Go. Que tem uma perspectiva muito engraçada sobre o efeito que os pais têm nos filhos, e quanto os putos podem ser independentes contrariando as directrizes, por vezes muito pesadas que os pais abatem sobre os filhos. A cena do carrinho, o momento de felicidade do puto que tem os pais mais controladores do mundo, e que se julgam ser os menos. Mas principalmente um pormenor delicioso e arrepiante ao mesmo tempo, quando uma mãe que gosta de exibir o filho, o faz à frente do casal que faz a viagem, obrigando o puto a decorar o nome das plantas, e mostrando o quanto ele é sensível e conhecedor da realidade, e o puto vira-se com uma frase, mais ou menos assim, tenho de a tirar da memória: "gosto de bebés, mas eles são matreiros, tentei matar um no outro dia com uma almofada, mas ele fingiu que parou de respirar, o manhoso! Mas vou tentar outra vez." Para estupefacção dos três adultos a frase termina até ao fim, a mãe agarra nele e desaparece, o casal olha um para o outro sorrindo de espanto pelo momento horroroso que acabaram de presenciar...

Depois fui para o cinema, onde me sentei novamente na quinta ou na sexta fila, no meio. Mas para mudar um pouco o ambiente do King mais recentemente, uma miúda sentou-se na fila à minha frente. O que só por si não é avisado. Se estão duas pessoas, convém que se afastem. Mas a rapariga cumpriu muito bem o lugar que lhe estava destinado, e ficou o filme todo a fazer-me olhares de ódio, quando eu me mexia, ou quando abria, lentamente, um vitamina c de laranja, muito lentamente, e qualquer barulho do papel ela olhava horrorizada porque eu lhe estava a estragar o filme. A meio adormeceu, ressonou um bocadinho, aproveitei para abrir mais um vita c, a ver se ela despertava em fúria, ainda me passou pela cabeça tirar-lhe uma fotografia, só para me rir, mas achei que era feio, e eu não sou nenhum puto de 5 anos, tenho de ter cuidado com as coisas feias.

segunda-feira, maio 03, 2010

Enjoo

Continuo a ter de exorcizar a minha depressão a escrever no pastelinho. É um bom exercício, não sei porquê, publicar faz com que seja mais catártico, ainda que noventa por cento das coisas que escrevo nunca vejam a luz do dia, ainda nos dias que correm.

Estou num enjoo que não passa, uma sensação de constante mal estar, que desejo que passe... adormeço a pensar que amanhã passa, acordo a pensar no mesmo. E sentado numa cadeira, não me consigo levantar, mesmo sabendo que aquela vista me está a deixar ainda mais enjoado.

...

Hoje vou ao King novamente, à noite, sessão da meia-noite e meia. Acho que o King está quase a fechar. Outra vez. A última vez que lá fui, vi o filme sozinho, nos lugares da frente, quinta fila para aí, no meio, completamente - sozinho. Um pouco revelador... a projeccionista devia estar a odiar-me! E eu hoje, não me vou esquecer de disponibilizar-me para voltar noutro dia, se for complicado ter uma sala ligada só para mim. Imagino o prejuízo, por quatro euros!!!!

Na outra segunda fui ver o Soul Kitchen, que recomendo muito a toda a gente que esta semana tenho um bocadinho de tempo para ver um filme no cinema. Sabem? Aquele hábito engraçado de não se sentarem num sofá com um computador em cima para ver um filme. Que se alguma vez fizesse isso ficava triplamente mais deprimido! Ir a uma sala grande, com bom som, e um ecrã maior que a vossa casa... ok talvez maior que a minha...

O Soul Kitchen é um filme muito cómico, mas que reflecte sobre o estado de vida de uma pessoa que sabe o que quer, mas que enfrenta algumas dificuldades em obtê-la - et voilá! O cinema Turco-Alemão no seu esplendor mais divertido.



Lembra-me outro filme que me marcou este ano, não sei porquê a relação... a certeza de umas coisas e a incerteza de como lá chegar? Acho que é um pouco por onde passam os dois.

http://www.youtube.com/watch?v=dEp3NKG2U5U

Hoje vou ver as Ervas Daninhas, que não recomendo a ninguém porque ainda não vi. Os outros dois - indispensáveis.
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