terça-feira, novembro 30, 2010

isto não é assim tão díficil de perceber

"Quando é que esta gente descansa?"


"BCE, FMI e Comissão Europeia com a mesma cassete neoliberal: “reformar o mercado de trabalho”. O que é isto? Luta de classes à escala europeia; desculpem, mas não tenho melhor expressão: reduzir os custos do despedimento, fragilizar ainda mais a contratação colectiva e afunilar o subsídio de desemprego para que a economia do medo alastre, para que a insegurança laboral se intensifique. O objectivo principal é tornar estrutural a lógica conjuntural das políticas orçamentais de austeridade, ou seja, reduzir permanentemente os salários directos e indirectos, no público e no privado, que isto está tudo ligado. O aumento das desigualdades é outro dos efeitos/objectivos. Segue-se o apelo ao incumprimento do acordo sobre o salário mínimo? A crise e o desemprego continuam sem solução, claro. Isso pressupunha mudar a configuração institucional europeia para termos políticas de investimento, de estimulo económico. O aumento generalizado do desemprego é o resultado da crise do capitalismo financerizado e as economias que aguentaram melhor o embate, em termos de emprego, parecem ser precisamente as que têm regras laborais que distribuem os direitos e as obrigações de forma mais favorável a quem trabalha. Na realidade, a crise é usada como pretexto para todas as regressões, para a consolidação de todas as utopias liberais. Questão de poder. Esta gente só descansa quando tivermos todos regressado a 1906, a um anúncio que estava afixado numa fábrica da Renault: “Os operários podem despedir-se avisando o encarregado com uma hora de antecedência. A Casa, por sua vez, pode despedir os operários sem indemnização, avisando-os o encarregado com uma hora de antecedência.”


João Rodrigues, in Ladrões de Bicicletas

segunda-feira, novembro 29, 2010

Lá fora é que é

Lá fora, lá fora é que é. Lá fora, o Alexandre Pinto é que era. E o Eduardo Frazão e a Ana Moreira. E o Jorge Cramez – quem é o Jorge Cramez? Ah, se fosse lá fora, por cá citaríamos uma ou outra frase da primeira longa-metragem do Jorge Cramez, o Capacete Dourado.

O Capacete Dourado?


 

Há muito de fascinante no Capacete Dourado. Começa logo pelo espaço – a “província”. A “província” é sempre um postal ilustrado plácido mas cheio de dias desconfortáveis de gente que na quietude da noite esconde desassossegos, segredos, dramas, horrores e medos. E um silêncio sobre si que se esconde em aparências, como uma cruz que se carrega pesarosamente na missa, à procura de redenção dominical.

Na cidade, a morte espreita à esquina, faz parte de si, é quase um acaso estatístico. Na “província” é um clamor agudo que brota do silêncio da noite, de um machado familiar que se ergue para um massacre de sangue. Na cidade mata-se por uma carteira, na “província” por amor. Na cidade, a morte é indiferente, na “província” é poesia.

O mais fascinante do Capacete Dourado é a sua história. O argumento deste filme, que não é perfeito mas que é bom – o que já é muito bom - foi escrito baseado numa história verídica. O mais fascinante do Capacete Dourado é que é uma bela história de amor. Na “província”.




  
"A história do Capacete Dourado, a história de Jota e Margarida, foi inspirada numa notícia de jornal, a propósito de um casal de adolescentes da zona rural de Guimarães, no norte de Portugal, que se tentou enforcar numa ponte, desesperados pela proibição do namoro por parte da família da rapariga (o rapaz era de famílias humildes, tinha abandonado os estudos e trabalhava como mecânico; a rapariga pertencia a uma família de pequenos proprietários rurais). A rapariga morreu e o rapaz salvou-se, porque a corda partiu."

No Capacete Dourado, e mesmo mantendo os seus traços inexoráveis e mesmo com uma história trágica a servir de inspiração talvez a “província” apareça mais luminosa, menos católica e mais feliz que nunca. Talvez seja um espaço feito em pedaços, porque o amor e a juventude em plena celebração vencem o desassossego latente e miserabilista que se arrasta na “província”. Talvez...

Lá fora é que é? O caraças.

Valha-me Deus

O problema aqui é que eu nem consigo começar a compreender esta fotografia... Até porque nunca na minha vida me deparei com nenhuma particularidade daquelas, quanto mais com o global. Existem raparigas assim? O que é que um gajo precisa de fazer para as conhecer? É por ser um tipo feio? Mas podia surpreende-las! Alguém sabe como é que se surpreender mulheres assim? Só para vê-las! Nem é para tocar! Só para ver.

(No sítio habitual! O Manel já os chamou de herois nacionais. Eu encontro-me entre herois e um insulto qualquer que ainda não encontrei bem... talvez por ficar meio embasbacado...)

Mais uma manhã



A mim nunca me impressiona uma sala de espera, a não ser quando é para tirar sangue. Os ouros doentes, os gemidos, os casos, as más disposições, por vezes encontro a parte cómica da experiência, outras uma etapa da vida de uma pessoa. A espera num centro de saúde.

Ultimamente parece que não faço outra coisa com as minhas manhãs. Eu, que sou noctívago, encaro toda a experiência com... como dizer... um certo sono.

Mas hoje estava especialmente irritado. Não só porque para as pessoas que atendem naquele centro de saúde tudo tem de fazer parte de um processo burocrático, mas também porque havia duas pessoas que não paravam de tossir para cima de toda a gente. E podiam estar num sítio parados que uma pessoa sabia de onde vinha. Mas não. Estes eram tossidores nómadas, um parecia claramente pneumónico e deve hoje ter matado uma quantidade considerável de velhotes, no centro de saúde à espera da sua dose diária de placebos.

É que os tipos tossidores eram insuportáveis! Um gajo pensava que estava à distancia, e de repente ouvia aquele som da escarreta presa ainda no peito e a tentar soltar-se, mesmo nas costas. Virava-me e à minha frente, outra! Bem arranhada, do fundo, com a mãozinha a tapar... como se fosse ajudar para alguma coisa. Rais parta a vida.

Enfim... A próxima é no hospital de Santa Maria. Hà mais lugares para escapar.

Leslie Nielsen




(1926-2010)

MI MI MICCOLI!

Um Deja vu!(link)

sábado, novembro 27, 2010

Basta!

Estou farto de discutir política. Estou farto de andar a tentar convencer gente a olhar para o lado, em vez de se olharem ao espelho.

Cheguei a casa depois de uma noite porreira no Bairro, mas com uma conversa desastrosa com um dos meus melhores amigos, que é, efectivamente um verdadeiro reaccionário disfarçado de esquerdista. Adoro-o como um irmão, mas passo-me com aquelas posições panfletárias de direita, de comparar Cuba com a Coreia do Norte, de achar que é indiferente estar um Cavaco ou um Alegre à frente da Presidência da República. Epá que um tipo que é de direita me diga que prefere o Cavaco como Presidente da República, é base de conversação, um tipo que se advoga de esquerda... porra... Como esta outras tantas.

Hoje para descontrair lá me pus a ler os blogues aqui nos links do Pastelinho até chegar ao Dias Assim, e não podia ter feito pior em ler os comentários deprimentes sobre a greve que a pobre coitada da Sofia teve de aturar. A lógica de que o país está mal, mas que não é com greves que se vai lá, ponto final! É que nem dizem que o que é preciso é votar noutros tipos, ou que o que é preciso é apostar na mesma receita, continuar a trabalhar, que um dia vai melhorar. Não. É a negação da greve pela mesma razão que se critica Cuba, ou o Alegre, porque a informação de hoje em dia, come toda a gente. Os líderes de opinião como o Marcelo Rebelo de Sousa, que está cá desde sempre, continuam as dizer as mesmas merdas incoerentes de uma forma perfeitamente bacoca e cíclica. E ninguém os pára!

Juro que para mim já é difícil ver um telejornal. Ler um jornal é para o rasgar no final. Ando nervoso. Ainda o que me põe bem disposto é ir acompanhar a greve, tentar ver o que é que acontece, porque é que acontece, como é que acontece, e só me dá vontade de me enfiar nos piquetes e andar ali a não deixar os camiões passarem. Ficar quieto é a alternativa confortável.



É que o mais irritante dos comentários no Dias Assim é o tipo que lhe dá na vinheta dizer - Epá a greve é para gente que tem emprego, os desempregados não podem fazer - que não só a maior paliçada com que me deparei nos últimos tempos, como é a mais estúpida delas, porque é de um tipo indignado! "Tiram os rebuçados e assim", foda-se! Uma pessoa tem emprego, pára um dia como meio de protesto que as coisas não estão bem que isto é preciso mudar, que há que alterar o estado das coisas, e há um gajo que se lembra de dizer, epá atenção que aquele tipo não trabalha não pode fazer greve! Mas que merda execrável! Alguém a lutar por um bem maior, e outro tipo a protestar com paliçadas. Agora reparei que um dos que diz isso é o caríssimo Pedro Soares Lourenço na provocação... esperemos. Há outro que o diz a sério no entanto, mais a seguir.

Enfim. Normalmente venho para aqui para o blogger para descansar, escrevinhar um bocadinho, relaxo sempre. E desta vez ainda estou mais nervoso do que estava antes... olha que porra... Nem releio.

Cordeirinhos de merda, tudo pronto para a matança...

sexta-feira, novembro 26, 2010

Mulheres bonitas para me fazerem sair da depressão!



Eu nem sou fã, mas uma mulher linda e divertida... aos saltinhos e a dançar.. epá... um homem não é de ferro!

Ainda assim, Werewolf... Esta é uma daquelas músicas em que chego a casa, ponho play e repeat.



E o ambiente da minha casa começa logo a ficar mais quente. Aquele ritmo lento a instalar-se nas paredes. Aquela voz a atravessar a sala. Eu a desmontar as farpelas, e a Chan Marshall a falar de alguém como eu. Faço tudo o que tenho a fazer com o ritmo da música. Arrasto-me pela pequena cave onde vivo, à procura do melhor pouso para me instalar. Se conseguir como qualquer coisa, enterrado no sofá, e a música já se instalou, completa o ambiente da casa. Uma casa negra, escura, mas minha, até me descobrirem aqui, eu e as vítimas que vou fazendo à luz da lua, que sempre foi boa para mim, e má para quem me vê à luz dela...

Talvez não saia da depressão. Mas é mais confortável...

Sou mau

Em todos os sítios por onde passei, na minha vida, raras foras as situações em que passei indiferente. Ou sou um tipo porreiro, ou sou um tipo execrável. Em minha defesa, aqueles que não conheceram o meu mau feitio, e tenho um mau feitio do caraças, acham-me do piorio porque eu sou gajo para ser muito distraído. Sou tipo para cumprimentar uma pessoa com toda a naturalidade num dia, e para passar por ela sem lhe falar no outro. Isto faz com que haja gente que não ache muito simpático, o que é compreensível! "Este tipo fala-me num dia, não me fala no outro?!"

Hoje aconteceu isso mesmo. Só que nesta situação pode acontecer três coisas. Primeira - eu passo não cumprimento e essa pessoa desaparece e nunca mais a vejo, segunda - eu passo não cumprimento e no dia seguinte menos distraído cumprimento e tenho de ouvir "aí hoje já cumprimentas?!?" ou o clássico, "ontem passei por ti, tentei falar-te e nada!", a terceira é a pior, e foi a que me aconteceu hoje.

Passo a explicar:

Passo pela pessoa, vou a pensar nas milhares de coisas que se passam pela minha cabeça, então quando estou na depressão ainda pior é, e reparo que alguém passou ao meu lado, e tentou dizer qualquer coisa, só que a minha atenção está demasiado fixa no meu mundo, há uma pequena voz que grita no meu cérebro - acho que conheces! - primeiro muito mais baixo, depois um pouco mais alto, até que grita - FODA-SE CONHECES!! - Eu abro os olhos como se estivesse a ter um acidente, olho para trás, a pessoa já desistiu entretanto, e eu parvo não resisto a tentar reconhecer o meu erro, "oh!", "olha!", "desculpa!" interjeição a seguir a interjeição para tentar captar a atenção da pessoa.

Mais um interlúdio - desde pequeno que só sei os nomes dos meus amigos mais próximos, sou o pior para nomes, sejam quais forem, em que situação forem, o Manel quando está ao meu lado é o meu pronto socorro e lá me vai tentando ajudar, seja com amigos, nomes de ministros, nomes de lugares, nomes de professores, ou de pessoas que conhecemos por acidente. De resto, se estou sozinho, estou bem lixado. Para contrariar esta tendência invento nomes para as pessoas que acabo de conhecer, porque eu não tenho memória de coisa nenhuma, a não ser de histórias, a minha cabeça está formatada para decorar histórias, seja na vida real, ou fictícia. Para isso tem de haver uma associação ao nome da pessoa e uma personagem qualquer, real ou fictícia.

Hoje, a pessoa por quem eu passei, não era do tempo do inventar de nomes, e eu cometi o erro de não querer ignorar. As interjeições, à partida, não ajudam a causa de me acharem insuportável, e as interjeições abusivas ao ponto de perceberem que não sei o nome delas só pioram a causa. "Então MIGUEL! como é que andas?" O sublinhar do meu nome, percebeu que não sei o dele. Porque raio é que me virei para trás? Porquê? Cérebro de merda não sabias estar quieto não? Hà anos que não o vejo e para quê? Conversa de merda?!? Não. É para saberes dele. Lembras-te dele! Lá do... sítio... chama-se... pois... mmm... pppp.... ssss. S... Sandro? Não arrisques que é pior! "Tudo porreiro! Estava distraído, só reparei passados uns segundos!" Ri-te, ri-te Miguel! És mesmo parvo! "Eu reparei!" Olha o gajo a rir-se agora. E ainda por cima reparou que eu ia distraído! "Está tudo porreiro?" Pergunta de merda Miguel, já foste melhor nisto. "Tudo impecável!" Ok. "Então vá! Vamo-nos vendo. Por aí..." Bonito serviço. Não podias ter seguido em frente. Agora a despachares a conversa. "Ok... Já não nos vemos há muito tempo, não é?" Pronto. Está tudo lixado...

Uns minutos perdidos depois...

Eu no primeiro paragrafo desta estucha, tinha dito que havia quem pensasse que eu era porreiro, e outros que pensavam que eu era um estafermo. Mas não disse que os segundos é que têm razão. Desculpem se vos fiz perder este tempo sem vos explicar isto primeiro.

quinta-feira, novembro 25, 2010

PSL

Achei que devia guardar um espaço especial para o post que Pedro Santana Lopes escreveu ontem no seu blogue. Embora parecendo que não, o ex-primeiro ministro discorre, com uma subtileza finíssima, sobre os problemas do país, usando de um sentido metafórico sublime e um sentido de humor clínico que destoa de todas as outras análises que ontem foram sendo feitas sobre o país e a Greve Geral.
De saudar toda uma dimensão e conteúdo social desta breve mas pungente opinião, para além da evidente componente política que marca, como sempre, a intervenção pública do nosso ex-primeiro-ministro e antigo líder do PPD/PSD.


"Os carros mais modernos não têm pneu sobresselente. Pelo menos, os da marca do meu (BMW)e vários outros que tenho perguntado. Se acontece alguma coisa a um pneu, tem de se andar com ele, muito devagar, porque fica estragado mas - dizem eles- nunca esvazia de todo. Só que, depois, não há pneus. Tem de se encomendar. E, às vezes, demora dias. Em viagem deve ser bonito.
Ou seja, são caros «até dizer chega» e não há em stock. Tornámo-nos, mesmo, no Burundi! Antes mudar o pneu com os «macacos» de antigamente..."

Cómico

Muito cómico, este Magalhães (que ironia) que faz blog-sitting para o PS ou para o Governo ou para os dois. Imaginem lá que um destes dias o bom do Magalhães calha de ver imagens deste incidente que não são do PC? Ena pá. Isso é que vai ser sorte.

Socialismo tecnológico

José Sócrates, um tipo vincadamente de direita, têm disfarçado (muito mal, claro) os complexos por não ser de esquerda definindo frequentemente o "socialismo democrático" como o campo ideológico em que o seu Partido Socialista se move.

Sendo-me perfeitamente indiferente o modo como ele e os seus apoiantes designam o coração político deste PS, proponho outro conceito - até porque este está gasto e não sei se aguenta mais eleições - mais de acordo com aquilo que tem sido feito na vigência de Sócrates no laboratório político do Largo do Rato: Socialismo tecnológico.

Um socialismo em rede, deslumbrado e, acima de tudo, completamente virtual.

O que se vai dizendo (de relevante)


"Os funcionários públicos não fizeram greve. Para quem não trabalha, como é o caso, foi um dia como os outros. O país está falido por causa da função pública, o país está endividado por causa dos funcionários públicos, o país não tem emenda com estes serviços públicos. Os funcionários públicos passam o dia no facebook e, quando o largam, é para perderem tempo nos blogs. Os funcionários públicos são preguiçosos e pouco pontuais. Os funcionários públicos fazem greve para perpetuar os seus privilégios. Os outros, os que trabalham, vão todos os dias produzir para lhes garantir o nível de vida. Se não fosse a função pública, já vivíamos todos melhor que os belgas e holandeses. Os funcionários públicos, com as suas greves, não deixam trabalhar o país que produz. Os alemães e franceses labutam que se fartam para subsidiarem os nossos funcionários públicos. Os funcionários públicos têm mau gosto, cheiram mal da boca e ouvem música que não se recomenda.

Aqui ficou um resumo, qual serviço público para quem não tem muito tempo, para todos quantos pretendem saber o que é que a maioria dos blogues da direita mais liberal anda a dizer da greve geral."


"Acabo de acompanhar o Fórum da Antena Um e fiquei chocado com a quantidade de pessoas a criticarem a greve, o sector da Função Pública, os sindicatos, acusando-se de preguiçosos, de prejudicarem o país, até houve uma aluna a queixar-se de que assim não tem aulas e fica prejudicada para os exames;  a concluírem que da greve nada resultará. Felizmente houve uns intervenientes a chamarem a atenção que estas pessoas têm um noção subdesenvolvido de cidadania e se esqueceram como eram as coisas durante o Fascismo.

Não é possível fazer o contraponto de todas as opiniões (a que têm direito, embora erradas no meu ponto de vista) destes ouvintes críticos da Greve, mas sublinhava alguns pontos:

    * Muitos dos trabalhadores que estão em greve não estão em casa na cama, mas andam (alguns desde a madrugada) activamente participando em piquetes de greve. Além disso, perdem um dia de salário.
    * Gostaria de perguntar a estas pessoas que acham que a greve prejudica a produtividade do país, o que acham do Governo ter dado tolerância de ponto na passada 6a feira, devido à Cimeira da NATO, para a qual gastou (estima-se) 10 milhões de euros, incluindo a compra de carros armados, que na sua maioria não chegaram a tempo da cimeira.
    * Se a greve implica um dia de paragem de produtividade, é porque os trabalhadores estão convencidos que as políticas do governo não vão inverter a espiral de improdutividade em que país está metido. Não há de ser o dia da greve o maior contributo para essa espiral. Os grevistas estão a defender não só as suas condições laborais pessoais (ou corporativas, como às vezes se diz agora), mas o sistema económico do país.
    * Recordo que esta é primeira Greve Geral há muitos anos que tem o apoio da CGTP-IN e da UGT, isto é, reflecte uma opinião política sindical de largo espectro, incluindo membros do partido do governo
    * Naturalmente que há pessoas que se sentem prejudicadas por não poderem levar a sua vida normal devido à greve. Sugiro-lhe que em vez de fazerem birra, aproveitem o dia para ler porque os trabalhadores estão a fazer greve.
    * A greve geral está a sentir-se de forma mais pronunciada no sector público que privado. O motivo não é apenas o facto do sector público ser o mais atingido pelas medidas do governo, mas também devido ao clima de medo e intimidação real que os trabalhadores no sector privado sentem, sobretudo os que estão em condições de grande precariedade.
    * A Greve Geral é um passo num processo da luta de classes, um momento de demonstração da força dos trabalhadores; não implica o abandono da concertação social; pelo seu sucesso, implica que agora os sindicatos irão à mesa de discussão fortalecidos por esta forte demonstração da sua força.

Por fim, tudo indica que a adesão à Greve Geral está a ser muito positiva. Outros momentos de luta, sectorial e local, seguirão. Este pode ser um momento de inflexão, em que a classe trabalhadora passa da resistência às políticas de direita para uma fase de intervenção construtiva, na qual as suas propostas são tidas seriamente pelo governo, para uma fase ofensiva, na qual assume um papel activo na ruptura com a política de direita. Para tal, é importante que os trabalhadores sintam nesta Greve o seu poder enquanto classe social, sintam que unidos representam a maior força social no país, o sector efectivamente produtivo que é capaz de dar a volta a Portugal e garantir-lhe um futuro."


Para ler ainda, as palavras do Daniel Oliveira no Arrastão e ver algumas imagens do que se passou nos CTT do Cabo Ruivo que o Ricardo Noronha compilou num post no Vias de Facto. Mesmo tendo sido nós testemunhas privilegiadas - e a palavra privilégio importa realçar depois de tudo aquilo que assistimos -  neste momento, não tenho muito a acrescentar a isto, escrito com profundidade, atenção e perspectiva. Além de que há um período de nojo a cumprir sobre o que já li em vários blogues de direita. Sobre estes, noto ainda um esforço assinalável em reproduzir dados da central de informação do socialismo tecnológico que tanto têm atacado nestes últimos anos. E não é surpreendente que eles estejam - ainda que aparentemente de modo circunstancial - com Sócrates. Ele tem sido o melhor garante da política que esta gente defende.

quarta-feira, novembro 24, 2010

Rápido

Passar por casa, pôr baterias a carregar, despejar cartões e voltar para a luta! Os sindicalistas são os heróis da era moderna.

Em plena Greve Geral...

...e pela noite dentro, na cidade de Lisboa, como testemunhas priveligadas deste grande movimento podemos dizer que, até agora, este está a ter uma grande adesão dos trabalhadores e este dia 24 será com certeza assinalado por uma jornada de luta memorável.

E confirmamos esta notícia - estavámos lá e assistimos a tudo. Incrível a grande coragem e capacidade de resistência, sempre pacífica, do piquete de greve nos CTT do Cabo Ruivo  - gritava-se, perante os avanços do Corpo de Intervenção da PSP, "não levanta a mão!"

Uma nota final, para dizer que há muita gente jovem a participar nesta Greve. Isto é só o começo.

terça-feira, novembro 23, 2010

Prós

Por norma, não vejo o Prós e Contras. Mas foi inevitável devido às participações de José Reis e Carvalho da Silva e, porque não dizê-lo, do cavaquista arrependido (?) e Presidente do Conselho Económico e Social, Silva Peneda  - "Você está a dizer isso mas, no entanto, já fez parte de um governo apoiado pelo Partido Social-Democrata...", disse a Dona Fátima, "Disse bem: Social-Democrata.", disse, digo eu, bem, Peneda.

E o que é que se ganha com esta Greve Geral? Muito e de muito profundo, queira-se discutir a sério e resolver os problemas para os quais esta Greve chama a atenção, e que sem a qual não os estaríamos a colocar, continuando a engolir acriticamente as patranhas dos economistas de plantão e as soluções deste governo costuradas à medida dos mesmos de sempre.

Há várias pistas que ontem foram lançadas neste debate, umas com que concordo mais do que outras. Antes desse debate - que tem que ser heterodoxo mas assumir desde logo a falência das teorias neoliberais que nos trouxeram a este ponto - quanto a mim, para já, e face a este Orçamento do Estado - e consequentes políticas de austeridade - que procura responder apenas à lotaria sensorial dos mercados internacionais (portanto, aos interesses do bloco franco-alemão), este será um sinal claro, firme e fundamental dos trabalhadores portugueses. Um sinal de que Portugal é digno.E essa assumpção terá sempre que ser o primeiro passo para o que aí vem.

ps: os links, comigo, não funcionam. procurem o debate no site da RTP. vale a pena.

segunda-feira, novembro 22, 2010

Sem medo

Ireland


You'll never walk alone



Como é que hei-de escrever isto sem dizer asneiras? Isto é uma valente, monumental e gigantesca merda. Ainda para mais...bom, deixem estar.

Vem aí, o FMI





E nós ficamo-nos.

Amanhã

Estou com uma dor de cabeça, que parece estar a ficar progressivamente mais colocada numa parte dolorosa do meu crânio há cinco dias seguidos. Já tive dores de cabeça, mas não me lembro nunca de uma como esta...

Para piorar tudo não sei o que ouvir. Que é uma enfermidade que não me costuma acontecer. Então não estou confortável de todo. Tenho sono nas alturas erradas do dia. E não consigo clarificar a minha cabeça para terminar um trabalho que estou a tentar acabar faz amanhã três semanas.

Amanhã. Não amanhã. Amanhã é melhor. Amanhã penso melhor nisto. Vou apagar tudo, amanhã logo vejo. Amanhã.

Preciso de surfar e pôr a minha cabeça em ordem. Amanhã.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Chouriços valha me Deus!

Na contemplação do abismo, e da inevitável queda, quero, nessa hora, conseguir gritar, "Chouriços valha me Deus!" E ser eu a decidir atirar-me.

Estou um pouco órfão de livros hoje. Não me apetece começar a ler nada, e sei que hoje à noite não vou conseguir dormir bem se não ler qualquer coisa.

Queria descobrir um escritor "novo", para mim, como o Hakuri Murakami, uns meses atrás, mas já devorei uns quantos romances dele, e preciso de ler outras coisas ou começo a confundir uns e outros.

Acho que devo voltar ao Saramago. Está na hora. Mas qual? Hora de recomendar um livro ao Miguel, tendo em conta que eu sou muito estranho com as minhas leituras, e que posso não acatar com nenhuma das propostas.

Facto engraçado? Os três últimos romances que li não queria que tivessem terminado. Aí é que eu sei que gostei de um livro. Para mal dos meus pecados o primeiro dos três tinha 700 páginas, o segundo 300, e o segundo era mais um conto com 150 páginas, com letras grandes, e um livro pequeno. Em todos os livros pensei que podiam ter pelo menos o dobro. Ainda estaria a ler hoje o primeiro, ainda estaria a ler hoje o segundo, e podia ler o terceiro mais três ou quatro meses.

Queria ler um livro que não quisesse que terminasse, e para isso será com certeza um Saramago. .. Ou então vou à Fnac, ando lá a ler livros avulso e quando chegar a uma conclusão telefono à minha mãe e digo-lhe "oh mãe não queres ler tal?" A minha mãe sempre me alimentou o vício da leitura. Já tenho idade para me deixar disso, mas os tempos assim o obrigam.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Ando mesmo pobre



Como tal, o Youtube é a minha forma de evitar correr para a Fnac para comprar cds que me interessem mais ou menos. Jà não vejo uma secção de Jazz há muito tempo. Só mesmo quando descubro qualquer coisa de fundamental, e aí lá vou eu chatear um funcionário da Fnac do Colombo.

"Olhe por favor, podia ajudar-me, queria o novo cd do Scott Hamilton." Eles muito profissionais, que no Colombo, a secção de música é só gente porreira, lá avançam directos à prateleira onde se encontra "Scandinavian Five", que durante muito tempo pensei ser "Scandanavian Jive". Pegam no Cd e olham para o lado, eu encontro-me quase junto às bandas desenhadas, como um ex-agarrado que passa por acaso na porta do seu antigo fornecedor, sem vontade nenhuma de largar as drogas.

Assim o Youtube, com aquele som horrível, mono, esterilizado, tem servido de metadona para os meus vícios...

Enfim, melhores tempos certamente virão.

Sobre Deus, beleza e bebedeiras I

No outro dia tentava explicar a um amigo meu porque é que eu sou um ateu extremista, porque na realidade o tema da existência de Deus pouco me interessa.

Passo a explicar da maneira mais atabalhoada possível: tenho uma amiga que é muito religiosa, mas que felizmente não me tenta salvar. No entanto sempre que me vê - desde a morte do Saramago, e dois ou três dias depois foi a primeira vez, o que não me pareceu muito católico, mas ainda bem para ela - diz-me sempre a mesma coisa "Miguel sabes o que é que o Saramago disse quando chegou ao céu?", e depois discorremos sobre várias opções, a primeira dela é invariavelmente "ups", a minha será "qu'esta merda?"

No dia em que eu, que vivo sobre um sistema de rígidas orientações morais, as minhas convicções... já foram mais rígidas... vou chegar ao céu, na eventualidade de haver - porque mesmo ateu eu sou capaz de dizer "e se?" ponham-me lá um católico a dizer "e se" - mas na eventualidade de haver um Deus, ele sentado na sua cadeira diz "vem meu filho, perdoo-te por nunca teres acreditado em mim." Eu estico-lhe o dedo do meio da mão e digo, "oh meu grandessíssimo filho da mãe, meu grande atrasado mental! Não achas que és o tipo mais incompetente de todos os tempos?"

Um post da Maria para me relembrar do sucedido.

Saltos dos dias, mergulhos das noites

Gosto muito mais do inverno do que do verão, no verão a única coisa que existe melhor do que no inverno é que há luz natural mais tempo do que no inverno. De reparar que não digo sol. Sol a mim pouco ou nada me interessa. Nem a luz, porque eu sou realmente noctívago, e só não o sou mais porque tenho dois cães para passear de manhã.

Tirando o surf, pouco me sirvo de um dia com luz solar, mas no inverno dá para andar à noite. No inverno dá para caminhar quilómetros e a única maneira de saber melhor andar no inverno, é andar ainda mais, perder-me na cidade de Lisboa, literalmente não saber onde estou, até encontrar um sítio onde já consigo voltar para casa. Por vezes perco-me nos mesmos sítios, e não sei na mesma como volto àquele sítio que identifiquei para voltar para casa.

No verão o calor faz-me parar. Não gosto de calor, gosto do frio de Lisboa. Um frio sem muita chuva, um frio confortável, um frio com pouco vento, e pouca humidade, também não é um frio muito seco, é só... frio.



Lisboa tem as grandes histórias da minha vida. E as pequenas também. Os segredos, que não serão muitos, e as vergonhas públicas, que as encaro como percalços engraçados.

Nem gosto muito deste grupo. Mas a verdade é que fizeram um disco chamado Lisbon, e a música Lisbon é a única que verdadeiramente gosto. É daquelas músicas que podem estar muito altas em minha casa, e eu sinto que a minha casa é bem maior do que é. Dá-lhe espaço. Respira bem. A qualquer hora.

São três da manhã, e amanhã perco mais uma manhã entre médicos, análises, fisioterapeutas, curandeiros, cientistas do oculto, e talvez uma bruxa, um dia destes estou sete palmos debaixo da terra, ou sou um religioso.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Isso depende

A propósito da suspensão do Espaço Schengen devido à Cimeira da Nato, vários automobilistas e camionistas parados nas fronteiras dizem - quando questionados por jornalistas - que eventuais malfeitores, se fosse caso disso, já teriam entrado em Portugal e não iam entrar assim no país à última hora.

Bom, isso depende. São portugueses?

Entretanto, no Palácio das Necessidades

terça-feira, novembro 16, 2010

Com que então

Isto é que é a Europa?

Para o trio



Tenho muito amigo engenheiro, e se não são agora, vão ser no futuro. Tomem lá esta X, Balta e Messi.

Olha



TOMA!

O Don Ross... deus desce à terra e começa a tocar - é o Don Ross.

domingo, novembro 14, 2010

Do desconhecido ao imaginado

Tenho andado um pouco ocupado, e o Pastelinho anda a sofrer com isso. Na realidade escrever um post como este não demora tempo nenhum. Uma pessoa abre o blogger, escreve o que lhe dá na cabeça, porque está a sentir-se de determinada maneira, e pimba, post feito. Mas ultimamente tenho andado ocupado com outras coisas, que me têm ocupado um pouco demais a cabeça. Acho que hoje foi o dia para as resolver.

Andava com um plano para gozar com o PAS, que envolvia entre muitas outras coisas colocar vídeos macholas dos The Smiths, que o tipo a cantar ao vivo é um autentico macho latino! Mas como demorei muito tempo a piada já foi ao ar. Volto aos meus posts femininos de seguida.

No outro dia passei por uma miúda que não a reconheci. Porque eu sou o pior, e nunca reconheço ninguém. E só hoje é que associei a cara dela à pessoa, ao local, e à situação. Engraçado como momentos insignificantes, passageiros de uma forma rápida e quase desapercebida podem marcar-nos para sempre, e como esses mesmos momentos podem passar-nos ao lado, e a nossa cabeça voa a pensar no que seria, nas possibilidades infinitas que esses momentos nos podiam oferecer, se ao menos tivéssemos lidado com eles de uma maneira diferente.



Eventualmente esses momentos vão apanhar-nos, e nós já não somos bem aquilo que queríamos ser.

Mas uma coisa é certa. Na inevitabilidade da incerteza que é este momento. Há momentos que me fazem rir que nem um perdido, e a isso, entre um punhado de gente, não mais, tenho também de agradecer ao Woody Allen. Porque se há alguém que pegue sempre numa situação na perspectiva correcta, esse alguém é o Woody Allen. Claro... na realidade estamos a falar do Woody Allen dos filmes... E o Woody Allen dos filmes normalmente beija a actriz principal, o que é sempre reconfortante, porque por vezes a actriz é uma mulher bastante desequilibrada fora de cena...



Ouve. Nem eu entendi. Queria só escrever um bocadinho. Evitar apagar tudo o que fiz até agora. Estou num daqueles dias - funny mood.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Adeus


Senhor do Adeus.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Um década



 Estamos todos ligeiramente velhos mas o país continua praticamente igual - "e assim sucessivamente". Grande João César Monteiro.

terça-feira, novembro 09, 2010

segunda-feira, novembro 08, 2010

O Benfica é o maior



Mas por vezes é preciso é rir!

O que faz falta

  

É avisar a malta. 


sábado, novembro 06, 2010

Análise ao último post

Muita cerveja - Macho!

Muita comida - Macho!

Pano debaixo do prato - Macho! (Obrigado Maria.)

Gata a servir de escala - Um pouco maricas...

Raios...

2º para PS


O meu frigorífico, sempre bem equipado.


O jantar de um homem! Com a gata para fazer escala! Um homem come arroz, feijão, muito!

O mundo mudou em 20 anos (mas nem em todo o lado)


FCPorto-0 Benfica-2 de 1991


(vídeo via Memória Gloriosa)

Contra pedras, um balneário a cheirar a enxofre e o guarda Abel (e já agora, o sorriso confiante de Júlio Magalhães e a narração entristecida de José Nicolau de Melo) bastaram onze gajos de vermelho com um símbolo muito especial ao peito. E um gajo da Covilhã.


É ganhar.

Agora, isto é um post maricas

Acordado às 4 da manhã a fazer tempo para tomar um Nimed porque não aguento de dor de costas, mas já tomei um à oito da noite... Era suposto ir surfar hoje de manhã. Vai tu!

sexta-feira, novembro 05, 2010

Análise

Analizando o post debaixo:

Um música de CD/DC. Macho!

Um vídeo de uma rebarbadora. Macho!

Palavrões, conversa de ferramentas. Macho!

1º Para PS com vigor

Ora eu estive a trabalhar umas duas semanas no Quiksilver Pro na Ericeira, e já trabalhei muitas vezes em campeonatos, mas nunca na minha vida tinha feito, produção, não no termo mais puro da palavra produção. Um obral, um tipo que recebe ordens e cumpre.

A dada altura o Paulo ROsa, o meu patrão nesses 15 dias, virou-se e disse-me - "Miguel, vai estacar aquela tenta, é em pedra, tens de fazer umas estacas". Tinha-se comprado uns ferros maciços e era preciso cortar ferro. Avancei para o trabalho... temeroso, para não dizer que estava todo borrado, porque não seria muito macholas. A verdade é que teria de usar uma rebarbadora.

Para quem não sabe, não tem o nível de masculinidade avançado, uma rebarbadora é uma ferramenta com um disco que corta ferro. Só que, alguns dos mais terríveis acidentes na construção civil, que não envolvem choques eléctricos, envolvem - rebarbadoras. Aquilo consegue cortar uma perna de um lado ao outro em três segundos, numa mão inexperiente como a minha! Dedos então, é mel! A rebarbadora nem peças de protecção tinha! Diga-se de passagem.

Peguei na rebarbadora, sem nunca ter pegado numa antes, prendi o ferro debaixo do meu pé, e liguei a rebarbadora. Um som descontroladamente assustador envolveu toda a zona circundante. A adrenalina saltava-me pelos olhos, os músculos estavam rígidos, tão rígidos que não me conseguia mexer. Ao longe um membro mais experiente da produção, o António, viu-me naquele preparos, a chorar adrenalina, que se aproximou de mim e disse, num tom grave, mas sendo ele de Viseu, sempre um pouco cómico - "Calmamente desliga isso, que eu ensino." E lá explicou, que era preciso mão firme! Mão firme! Depois de o ver a fazer um pouco, pode fazer as restantes estacas, a cortar ferro! A sentir-me cada vez mais macho a cada barra de ferro cortada a meio e depois afiada na ponta, como uma lança. Senti-me mais primitivo e, no entanto, mais evoluído também! O poder de fazer uma lança! De construir uma estaca! De estacar uma tenda à pedra, com uma marreta!



No final de um dia de produção, é a única altura que eu consigo ouvir AC/DC sem praguejar aos céus a minha sorte! E com alguma sorte, se não aparecesse o tipo do surf camp a chorar, (e esse nunca usou uma rebarbadora), lá púnhamos nós um AC/DCzinho só para vibrar um pouco com a nossa masculinidade!

No dia seguinte a ter feito uma seis estacas com a rebarbadora, lá me pediram para fazer mais. Cheio de confiança lá fui eu. Peguei na ferramenta e o disco da rebarbadora rebentou-me na cara. Aquilo fez-me umas cócegas se tanto, mas deu tema de conversa, ao que um outro tipo da produção, me disse "Epá, mas estavas a fazer essa merda sem uma protecção para os olhos?" Do fundo da minha masculinidade respondi "Foda-se! Claro!" O tipo olhou para mim com olhos meio esbugalhados e responde a medo "Ouvi dizer que se uma daquelas fagulhas entra para o teu olho, tens de ir para o hospital, e que eles te tiram aquilo com um íman!" Virei-me para outro tipo da produção que estava para ali a passar e pedi-lhe gentilmente os óculos. Para quê, perguntou ele. Já tinha com os óculos na minha mão. Para mexer na rebarbadora! Respondi. Deu um pulo! E assustado, tirou-me os óculos da mão como se estivesse a tirar-me um bébé de três meses da posse de um louco descontrolado. "Então uns óculos da &%$/&%$?!?! Para isso? É que nem pensar!"



Andei o resto do campeonato a fechar muito os olhos, e a olhar muito pouco para as estacas que cortava... ou então a passar a tarefa para outro colega de profissão. Macholas, macholas tudo bem. Mas cego é que não quero ficar! Já óculos de marca não tenho, nem sei marcas dessas merdas, já me esqueci, o que aumenta os níveis da minha masculinidade, não? (às duas pessoas que conseguiram ler isto até ao fim.)

Ok, aqui vamos nós

Numa análise mais profunda de como é que eu posso masculinizar os meus posts, vou fazer 10 posts altamente másculos dedicados ao PS (Pedro e Sandra). Os próximos 10 posts vão ser escritos cheios de testosterona, vigor e alguma pornografia, como é evidente. Façam o favor de ter o devido cuidado.

PS: Sim, este Pedro!

quinta-feira, novembro 04, 2010

Menina, eu?

Vim de uma surfada com o meu amigo Pedro Adão e Silva, ao que ele me diz - epá o teu blogue... até a Sandra no outro dia me disse "isto parece um blogue de gaja" - Ora muito bem então. Que comece a masculinização do Pastelinho! Até já, vou preparar-me para o momento, um preparação que evidentemente terá de envolver eu bater uma na casa de banho.

Em modo repetir

A fazer-me rir um bocadinho

Depois de um dia que não podia ter sido mais deprimente, decidi ver o House. É a melhor série dramática que alguma vez vi, provavelmente, apesar de ser famoso por dizer este tipo de epítotos...

O House pode ser ultra deprimente, ou ultra cómico, no sentido em que na vida, tudo pode dar uma volta para o cómico. Hoje vi um episódio que ainda assim me conseguiu pôr bem disposto. E é por isso que eu vejo filmes, ouço música, leio livros, me ponho a jogar computador, ou vejo uma boa série, tudo para tirar a cabeça dãs minhas neuras sem, com o benefício de que se for boa arte, a minha cabeça está a trabalhar.

Este post nunca seria colocado aqui, não fosse eu querer tirar à força aquele título da abertura do blogue.

POr isso fica aqui isto, que serve como justificação.



A beleza é uma coisa fundamental...
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