segunda-feira, janeiro 31, 2011

Post dedicado...



...aos anónimos que nos têm visitado. Porque vocês não estão sozinhos! A Maria Amélia está convosco!!!

domingo, janeiro 30, 2011

Aqui está

No outro dia tive um sonho. Acompanhei esse sonho, que era um desejo e disse-o. Alguém que gosta de mim fez-me o favor de a tornar mais palpável.


È que ficaria muiiiiito melhor! É BENFICA!!!!!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

É maricas?



Gostar de ver uma mulher dançar assim?

quinta-feira, janeiro 27, 2011

O abutres

Cá está a luta que se avisinha. Os magníficos negócios de submarinos, e nossa senhora de fátima para proteger a nossa costa de petroleiros desgovernados. (link)

Que a luta do Cavaco não é nada comparado com o que aí vem. Agora sim tenho de pensar se não engulo um sapo e não me inscrevo num partido, só para poder lutar de uma forma mais organizada. O meu desespero já está a esse nível. Mas qual?...

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Então e esta?



Marys, esta é a mais viciante delas todas...

Classe e requinte


Aqui está o meu jantar feito à pressa hoje. O mais triste de tudo é que tinha um post todo planeado na cabeça para falar sobre isto, e esqueci-me. Tirei a fotografia de propósito, ia criar uma metáfora estúpida que só eu é que ia entender, e nem isso consegui...

Que rais parta a falta de sono... E já agora estar constipado.

Receita: Pão de leite, salsicha esturricada, batatas palapala e um molho especial picante feito por mim. Tempo de confecção: 5 minutos, o tempo que levou as salsichas a queimarem no micro-ondas.

(E não fosse ter-me dado na consciência ir verificar no word se isto tinha erros e tinha ido confessão em vez de confecção... enfim...)

Ando há meses para fazer uma exposição fotográfica de fotos de telemóvel minhas, aqui no pastelinho, mas ainda não tive tempo. Prometo, para os mais sabidos, que as fotos em que estou a mictar em casas de banho de raparigas no bairro-alto, ficam de fora. É que têm espelhos! Fiquei mesmo impressionado...

segunda-feira, janeiro 24, 2011

You will meet a tall dark stranger



Como sempre não podia ter gostado mais do filme. Sou completamente viciado em Woody Allen e cada oportunidade que tenho para ver um filme dele é um dia de natal na casa dos meus avós. É um momento de felicidade.

Este filme não foge muito ao tema que ele tem explorado desde o Match Point. A culpa. Os efeitos da culpa, a negação e a acusação.

Os momentos fugazes em que sem olharmos para trás não vemos a culpa agarrada a nós como um papel higiénico gigante agarrado debaixo do nosso sapato, enquanto andamos numa sala cheia de gente que nos conhece, mas não sabe bem quem somos. A culpa pode ter esse efeito público.

Ou pode estar tão entranhada, tão profundamente entranhada que não nos deixa sequer sair da casa de banho, mesmo depois de verificarmos que não há papel, e que só fomos à casa de banho para vomitar a bilís que andamos a vomitar há meses, visto que comer não conseguimos, e viver tão pouco.

Acho que no exercício da culpa neste filme, a mais marcante será a perda do filho. Não é em nada presente de uma maneira significativa na história, há culpas bem mais presentes e arrependimentos também, a não ser nos três personagens envolvidos, a mãe, o pai e a filha. O pai culpa a mãe, a mãe culpa-se a si própria e a filha pouca noção tem do efeito que tem sobre si a perda de alguém que nem sequer nasceu. Mas a fraca relação com o pai e a extrema dependência da mãe deixam poucas dúvidas.

É um filme bem escandinavo, com a piada no sítio certo, mas grande parte do tempo recolhido e deprimente. Agora só daqui a um ano...

O quê?!?!

Mas agora as taxas de juro não vão aumentar nem nada!

A loucura do estado

Não, isto não é um post sobre o Cavaco Silva. Caguei para o Cavaco e para os seus acólitos. Era uma luta perdida desde início.

Esta é outra luta, uma essencial até para um futuro muito próximo. Nos tempos negros que se avizinham. O estado não se pode sobrepor ao valor da vida. Quando tem possibilidades para o fazer, a loucura instala-se e o sistema deturpa-se.

Quando alguém mata outra pessoa o estado também tem de tomar responsabilidade. POrque é para isso que serve. Porque é que essa pessoa morreu às mãos de outra? Onde é que o estado parou? Onde é que falhou para que esse pessoa, que tirou a vida a outra, não tivesse os recursos para fazer o que estava certo, onde é que falhou para dar uma oportunidade a uma pessoa de matar outra, onde é que falhou, em último caso para criar a segurança e o medo do castigo? Todas estas perguntas têm respostas diferentes para espectros da política diferentes. Se estas fosses as discussões políticas a ter... mas já ninguém discute política.

A verdade é que está aqui o exemplo clássico do sistema a entrar na sua loucura. De se sobrepôr ao valor da vida e, em último caso, de não conseguir aprender com as suas insuficiências. Confesso que "ele só quer construir um castelo", não me parece loucura dele, 44 anos às espera de morrer todos os dias e eu só quereria construir um castelo. Daqueles mediavais, com armadilhas, um dragão numa torre, e um enorme fosso, intransponível.(link)

A Cabeça da Velha



Pronto, acabou, Cavaco Silva venceu as eleições e tem toda a legitimidade para nos representar nos próximos 5 anos. E agora já podemos voltar a falar todos de coisas muito importantes como...bom, haverá algo mais importante que o voto soberano e livre? Pelos vistos, há.

 No entanto, vale a pena realçar quatro ou cinco coisas.

1.     Sócrates foi, e bem, escrutinado e discutido até à exaustão por graves nódoas no currículo. Chamou-lhe “campanha negra”. Quando os holofotes incidiram recentemente sobre Cavaco Silva, este falou em “campanha suja”. Quem discutiu tão apaixonadamente Sócrates e não quis discutir Cavaco não tem moral para voltar a falar de quem quer que seja. As figuras de Estado têm que estar acima de qualquer - nem que seja a mais ligeira - suspeita. E têm que se explicar. Chama-se a isto democracia. E a campanha serve para sermos esclarecidos. Também, e porque não estamos a votar em máquinas, sobre as pessoas.
2.     Em política, avaliam-se ideias mas também carácter . Sobre as ideias, Cavaco fez uma campanha onde as ideias fundamentais que lançou se arquitectaram em torno de temas que nestes últimos cinco anos desprezou completamente – a avaliar pela complacência com que promulgou leis cujo teor agora se atreveu a arrasar. Já se sabia que Cavaco, como figura profundamente apolítica, renegava o seu passado politico de duas décadas. Já esquecer-se do que fez nos últimos cinco anos e passar incólume é obra. Em relação ao seu carácter, como ele diria, leiam!, faz favor de consultar!, o seu discurso de vitória. Um Presidente que se diz de todos os portugueses a mostrar-se um divisionista sem o mínimo de categoria.
3.     Pelo contrário, Manuel Alegre fez um discurso de derrota muito digno, correspondente à pessoa que é, com um perfil e uma dimensão intelectual que, creio, não cabem no contexto politico e institucional actual. Todas as leituras sobre o apoio do PS e do BE à sua candidatura estão erradas. Porque 1. Subvertem o espírito particular destas eleições. 2. O PS não apoiou, de facto, Alegre.
4.     Fernando Nobre, um ex-apoiante do PRD, do PSD, do BE e da Causa Real, apoiado por Mário Soares, foi a cara “independente” e a "surpresa" destas eleições. Não ganhou a cidadania, ganhou o populismo barato. Neste caso, felizmente, sem conteúdo, sem ideologia, sem articulação e sem ponta por onde se lhe pegue. Quanto a mim, fica uma perigosa lição para o futuro, pois este pode ser o espaço, ao contrário do que se pensa, de futuros extremistas e não de candidaturas instrumentalizadas como a de Nobre.
5.     Sobre o voto branco, Cavaco Silva agradecerá por certo a prenda que muitos militantes do PS e do PSD lhe deram, somando os seus “votos” ao de massas muito mal esclarecidas sobre o conteúdo deste voto nestas eleições concretas. Sobre a abstenção, que dizer? Todos os partidos – todos – têm que fazer uma reflexão muito séria sobre o que se passou, mais uma vez.  

Tudo na mesma, portanto: enquanto os portugueses se queixam, continuam a confiar os seus destinos aos mesmos de sempre. Aos rostos e as ideias do bloco central dos interesses, cristalizados na Cabeça da Velha da politica nacional, Cavaco Silva, em Belém e despachadas em São Bento por um dos seus mais pródigos afilhados, José Sócrates. 
Creio que a agenda de Passos Coelho terá o condão de, pelo menos, voltar a distinguir claramente o PSD do PS o que, mesmo sendo perigoso – porque a brincadeira pode acabar no Governo – servirá para refinar o campo politico nacional e para se perceber o que é que o PS quer para si e para o país – e se vale a pena continuar a insistir na mentira de ser um partido “socialista” e de “esquerda”. 
Será nessa definição que se jogará também a própria força da esquerda para os próximos anos: será unitária, forte e plural? Ou desamparada, segmentada e monolítica? É que com a direita a preparar o saque ao que resta do Estado Social, antevêem-se tempos muito difíceis e, quanto a mim, dado o desfecho destas eleições e o que vamos encarar a breve prazo,  seria bom, finalmente, trocarmos umas ideias sobre o assunto.

domingo, janeiro 23, 2011

Que país de merda

O meu esforço por me manter ultra patriota esbarra-se a cada decisão comunitária no país em que vivo. Nenhum outro país me poderá desiludir mais, é neste momento uma relação amor/ódio, não vivia noutro sítio, mas foda-se para o sítio onde eu vivo que merda!

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Um dia importante


Tenho pouco tempo mas queria deixar uns pequenos apontamentos sobre a campanha para as eleições presidenciais que hoje acaba.

1. O que mais tem sido dito: que a campanha foi má, os candidatos são maus, yada yada yada. Já agora, queria só acrescentar: que nível de comentário miserável sobre a campanha. Que comentadores deploráveis. Que oportunistas de serviço, comprometidos não com a análise dos factos mas com a sua agenda pessoal e dos interesses que representam, resvalando para leituras meramente tácticas sobre o momento vivido. Tanta opinião sem opinião.E que cidadãos preguiçosos que se deixam embrulhar nesse sentimento de desinteresse que com isto se gera.

 
2. Ainda  a propósito do panorama do comentarismo nacional, é de lembrar a importância das novas formas de comunicação (redes sociais, blogues, etc ) que, em primeiro lugar – e deve notar-se primeiro o mais importante – continua a vincar a tendência de abrir o debate a pessoas com outras opiniões, enriquecendo-o. Mas também permitiu que outros alimentassem e fossem alimentado os seus delírios e ambições pessoais. Veja-se por exemplo gente como a equipa de “jornalistas” que conjurou o caso das escutas com o assessor da Presidência, Fernando Lima, e que, como se nada de grave se tivesse passado, não se coibiu de continuar a fazer a sua campanha por essas andanças virtuais nestas semanas. Exigia-se, no mínimo, descrição a esta gente. A opção seguida confirmou a agenda que na altura os ligou escandalosamente a um dos mais delicados casos conspirativos que este país já viu.

3. Sobre esse caso: nada, zero, ou, se preferirem, porra nenhuma. Por inabilidade do principal oponente de Cavaco Silva, Manuel Alegre, a orquestração do Caso das Escutas passou ao lado desta campanha. Afinal de contas, o Presidente da República só suspeitava que o Governo o andava a escutar. Nada de grave.

4. Para quem faz bandeira da seriedade,  da honestidade e do rigor, as suspeitas levantadas pelos casos BPN/SLN, Casa da Coelha e o Caso das Escutas seriam motivos suficientes para uma total descredibilização do candidato Cavaco Silva. “Para serem mais sérios do que eu têm que nascer duas vezes.” Pois é, Professor Cavaco, eu em relação a si já devo ter nascido umas quatro ou cinco vezes a mais. Eu e mais uns bons milhões de portugueses que andam adormecidos demais para se sentirem insultados por essas palavras arrogantes.

5. Depois do discurso profundamente salazarista, o candidato Cavaco vem agora dizer que prolongar a campanha eleitoral – para uma segunda volta - teria muitos "custos" para o país. Parece que a  democracia tem “custos” para Cavaco Silva. Não só não é tão sério, honesto e rigoroso como apregoou, como tem vincado o seu discurso bafiento – salpicado com referências às origens "humildes" e às “gentes" como o senhor de Santa Comba Dão mas enganando-se, como econonista desligado da realidade que é, quando quis pegar no tema da reforma da sua mulher, coitadinha, que só ganha 800 euros por mês, mal dá para os remédios, não é? - com  esta chantagem pura. Ainda por cima, vinda de quem tem na sua comissão de honra gente da trupe pronto-a-vestir das tendência dos mercados. Lamento dizê-lo mas este é o género de perfil de um líder num regime déspota: uma falsa referência moral, paternalista e com tiques anti-democráticos que já nem sequer esconde.

6. Para finalmente encerrar o assunto Cavaco, falo de mais uma das suas bandeiras: o grande conhecimento que tem sobre as "relações internacionais". Caramba,  imaginem como teria sido o discurso do Presidente checo, Vaklav Klaus, em Abril, a humilhar Portugal sem a acção "discreta, intensa e ponderada" (a tal, que também teve para evitar a situação “explosiva” que afinal não evitou) de Cavaco Silva plantado ao seu lado?

7. Quanto aos outros candidatos. Fernando Nobre não me merece qualquer comentário, Defensor de Moura parece ser um republicano dedicado. Os dois passarão ao lado da história destas eleições face aos objectivos que se propuseram. Coelho pode e deve recolher votos de descontentamento, Francisco Lopes fez muito bem o seu trabalho. A Manuel Alegre faltou fugir definitivamente à desacreditação inicial que foi lançada sobre a sua campanha, até por sectores ligados ao principal partido que o apoia. Faltou-lhe romper decisivamente com essa espuma mediática e comentarista do “ontem já não conta” que vai introduzindo temas e assuntos baseados em meias-verdade, meias-notícias e meias-opiniões e a partir das quais se começa a construir uma nova discussão (e isto a um ritmo diário). É a nova agenda política, da era da internet, da era das agências de comunicação. Podia e devia ter sido mais incisivo a responder a essa realidade virtual. Por exemplo, quando se lhe aponta a critica de que devia ter introduzido o tema da justiça – um tema central - devia dizer: “eu fui o primeiro a falar de justiça nesta campanha com a ideia dos Estados-Gerais.”  Mas espero e acredito que haja uma segunda volta e que Alegre seja eleito Presidente. Se não for, espero que os seus combates políticos não terminem por aqui.  
Quanto a vocês, não fiquem em casa. Votem e não votem em branco. E se possível, não votem em Cavaco Silva. E se não fizeram nada disto, epá, não se queixem depois.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

As coisas porque mais espero

Uma delas é certamente, um novo filme do Woody Allen. Desde que tenho idade para isso nunca perdi uma estreia no cinema.


Sou o maior viciado em Woody Allen que alguma vez plantou os pés neste planeta. O absoluto maior viciado.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Serei escandinavo?

É engraçado há músicas que encaixam perfeitamente numa pessoa. Esta música da Ane Brun, de que gosto mais todos os dias! Encaixa em mim como uma luva.

A necessidade de analisar tudo ao pormenor da aflição, criar metas, avançar com a mudança das estações, dar um passo depois de certos marcos. Ou um pouco antes deles.



Acho que não durmo bem há pelo menos cinco anos. Uma noite em que durmo 9 horas e acordo bem disposto sem me ter apercebido que dormi sequer. Se calhar nunca mais vai acontecer. Houve alturas da minha vida em que acordei, deixei quem estivesse ao meu lado a dormir, e ou fui trabalhar um pouco, ou fiquei a distrair-me com qualquer coisa, desligado daquele respirar que deixei nas minhas almofadas, desligado dos perfumes que daí a um pouco me iam abraçar, e fazer com que o meu dia realmente começasse.

Acho que cada vez mais sou um tipo imprevisível. A atracção lado negro da força tomou em mim proporções assustadoras. O lado negro da força, a referência mais facilmente confundida por maldade que alguma vez entrou em discussões de "nerds", como eu, que gostam de Star Wars.

O lado negro da força não é necessariamente mau. É o lado que está preparado para fazer qualquer coisa para que haja equilíbrio na força. Que é para os "nerds" o equivalente à espiritualidade. Para o lado negro o equilíbrio está no individuo para o lado da luz, o equilíbrio está em todos e todas as coisas.

A atracção pelo lado negro está presente todos os dias. A vingança, a paixão, o fascínio, o poder para benefício próprio, tudo o que não seja equilibrado e racional, a luta pelo bem torna-se difícil, e a cada ano que passa se mostra mais complicada.



Esta versão é mais porreira porque ela diz, Ane Brun lá à maneira dela, e já não me apetece escrever mais sobre isto.

Ps: Gosto da Ane Brun, com olhos azuis, cabelo loiro e olhar angelical. Será tendencial?

Sò isto



Obrigado.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Cavaco mais cinco, a sério?

Se não votarem no Alegre, como eu, por favor, não deixem este tipo passar incólume. Não há nada pior do que legislar contra, ou agir politicamente contra uma coisa que só vai afectar as pessoas que querem ter uma opção de escolha para elas próprias. Esta merda não é sequer a questão do aborto. Que filho da mãe. Esta merda é alguém que quer fazer algo para ela própria, ninguém tem nada a ver com isso. É daquelas merdas que nem sequer devia haver debate. Foda-se se eu me quero tornar numa mulher, ninguém tem sequer de me deixar. Isso é comigo, e com os médicos que me acompanham. Cavaco mais cinco anos vai ser um dos piores indicadores do que é ser português no século XXI.

Não há coisa que eu mais odeio na política do que andar a brincar com os direitos das pessoas. É por isso que não há um dia que passe que eu não odeie religiões. São elas as primeiras responsáveis por estas percepções tacanhas de tempos passados. Porra vivemos no século XXI! O Stanley Kubick pensava que nós em 2001 íamos ter inteligência artificial e estávamos a explorar outros mundos. Mas não. Andamos a privar as pessoas de se sentirem bem com elas próprias.

Enfim... 5 anos de Cavaco. É não deixar. Simples.


Só não prometo calar-me dia 21 porque tenho a convicção que, relativamente às eleições para a Presidência da República, ainda vamos ter mais para falar depois dessa data. E não vai ser para chorar sobre leite derramado.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

O papel da palavra

Ao longo da sua longa carreira política, o candidato Cavaco Silva foi sempre um gestor de silêncios extraordinário. Temo, no entanto, que seja mais por defeito intelectual do que por excesso institucional. A sua habilidade para as palavras é residual - e isto é um facto (e guardemos para outro dia umas palavras para todos os seus outros méritos, como grande estadista, principalmente para a sua acção, "intensa e ponderada, muitas vezes discreta"). Antes de mais, vejam lá se isto que se segue não é um clássico Cavaco (até a voltinha à algarvia):




É claro que os seus assessores já lhe devem ter tido: Sr.Professor, não comente, não diga nada, esteja calado. E, sobretudo, não se zangue, Sr. Professor. E enquanto o fez, Cavaco, um estudioso por excelência, aproveitou para ler a Constituição.




Estarei eu a defender que o Presidente é um papagaio e que deve comentar toda a actualidade política? Não. Mas deve, dentro das suas funções 1. perceber que a sua função de representação implica um discurso articulado e activo 2. que esse discurso tem que ser claro e dirigido a todos os cidadãos 3. que esse discurso não pode ser remetido para "notas" no site da Presidência 4. que esse discurso é importante e não pode ser desvalorizado com declarações delirantes em horário nobre sobre não-casos 5. que assistir ao discurso ofensivo de um chefe de Estado (o checo, no caso) para com Portugal e de seguida ir discursar como se nada fosse prova que o "conhecimento da política internacional" de que se arroga este candidato pouco serve na mais elementar das funções do Presidente da República - a da representação - se não houver a mínima articulação intelectual e capacidade de expressão face ao inusitado. 



Concluindo, sobre a palavra e a Presidência, um país não se mobiliza com papéis decorados e com quem acha que o Presidente é papel de decoração face que se passa em Portugal e no mundo. Um país não se mobiliza com Cavaco Silva.

Post útil


Quando não consegues fazer uma coisa de um lado, fazes do outro e compensas do inícial... Não?

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Lá está

Um ex-Ministro da Economia gabava-se hoje, na Edição da Manhã da SIC Notícias, de ter conseguido reduzir a despesa do seu ministério aquando da sua passagem pelo governo. E queixava-se que a avaliação do trabalho dos ministros devia ser em função não do que eles gastam a mais mas do que conseguem gastar a menos. Em teoria de mercearia e em demagogia dos trezentos, vá lá, até podemos concordar.

Depois da curta lição sobre poupança governativa veio a conversa sobre a poupança familiar. Este ex-Ministro, um daquele grupo de economistas da desgraça que já conhecemos - tirem daqui um ao calhas - e cuja visão económica nos conduziu a este estado de coisas e cujas soluções se continuam a ter como as únicas, antevia uma década difícil mas dizia que as pessoas - calma, as "pessoas" - são capazes de poupar. Temos vivido tão acima das nossas possibilidades, não é? Para rematar este seu rasgo de génio para o país, dizia o Ex-Ministro:

- "Ainda agora, quando vinha para cá, o taxista que me trouxe dizia que já tinha começado a poupar."

E esta não é mais que a ilustração concreta da visão económico-social que esta gente tem para o país.
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