sexta-feira, abril 29, 2011

A agarrar-me a memória que construo



Saber lidar com a dor e relativizá-la. Há piores coisas Miguel, podias não ter tempo para te despedir dela. Mas estou a olhá-la, deitada num router, e parece um espectro, a vontade que tenho que continue comigo é grande, a incapacidade de fazer com que fique torna a minha mortalidade ainda mais latente. Eu sou frágil, e tudo o que eu toco desaparece.

A razão exacerba o sentimentos. Enquanto está ali deitada, tanto a aproveitar o calor, como a dar-se banho, não sabe o que se está a passar. Não vai saber até ao último momento. E eu aqui de nuvens negras a banharem-me os olhos. A tentar agarrar-me às últimas boas imagens que tenho dela.

A perda por antecipação...

Quero-a confortável e não a quero a sofrer. O momento da decisão e o encarar da mesma. Não a quero distante a desvanecer, mas o impulso de virar as costas e ter alguém agir por mim torna tudo mais fácil. Mas eu sei que vou estar nisto até ao fim...

E no fundo é só uma gata, e não é assim tão importante. Há coisas bem mais importantes. Há coisas bem mais latentes. Há decisões bem mais graves. E eu sei disso, e no entanto para mim continua a ser central, e grave, e deprimente.

Á conta de um gato? A sério? Vais suspender a tua vida em memórias à conta de uma gata? Vais reconstruir este último ano, de todo o mau e o bom à conta de uma gata?

(...)

terça-feira, abril 26, 2011

Uma bola de ping-pong



Estava para fazer uma metáfora com uma bola de ténis, mas o ping-pong ajusta-se mais. Em todo o caso a minha vida é uma bola de ping-pong. Eu sou uma bola de ping-pong. Um desporto pelo qual não tenho interesse nenhum, mas quando passo os olhos por ali há algo de fascinante, principalmente na maneira como tudo pode mudar num milésimo de segundo.

Os efeitos da bola, a rapidez com que toma este e aquele caminho, as bolas que batem nas quinas e que escapam às raquetes por milímetros.

É de um voo em especial em que penso agora, uma pequena presença habitual, algo que está sempre presente e dá vida àquela sala...

É engraçado, não mudando absolutamente nada de tema, apesar de parecer. Os bichinhos que nós pomos em casa e a afeição com que nos apegamos a eles... E como a perspectiva de os perder para sempre é dolorosa, mas a perca imediata, mesmo que não para sempre também é um pedaço de harmonia deslocado de forma desconfortável.

E eu andava aqui tão bem... E agora estou prestes a perder uma parte da minha vida. Uma presença mais do que habitual, e a minha grande companhia dos últimos três anos. Vou andar...

segunda-feira, abril 25, 2011

Perder o tempo de sono

Hoje às duas da manhã estava preparado para ir para a cama. Mais do que isso, estava a pensar nela com algum interesse. Hoje às quatro e meia da manhã, deitado, lembro-me que ainda não tinha passeado os cães à noite.

Os meus cães vivem em casa dos meus pais, portanto, é levantar e ir passear os desgraçados que agora estão totalmente à minha conta, e eu de vez em quando porto-me mal à noite. Hoje não havia grande razão para isso, esqueci-me só.

Agora estou aqui a discorrer novamente, a ouvir Nyquil, daquela que é uma das minhas bandas essenciais, num dos discos que mais ouvi em toda a minha vida. Não. Certamente o disco que mais ouvi em toda a minha vida. QUe é o disco que me ajuda a dormir mais calmo desde que saiu em 97 ou 98.



E é tão bom...

Mais um a mais?

Este blogue tem sido cada vez menos política e futebol. Talvez porque ande a pregar aos peixes noutros sítios, quando chego aqui ao Pastelinho dá-me vontade de falar comigo próprio. Porque isto dos blogues é um exercício connosco próprios, ou então fui eu que entendi mal! Também pode ser.

Estou aqui a reler um texto, são duas e um quarto da manhã, e queria deixar isto feito para amanhã de manhã. Aqui comigo dois amigos agarrados a uma playstation tentam decidir quem joga melhor, se o Manchester se o Napoli. E eu lembrei-me do Bon Iver.



Hoje foi outro dia comprido. Já trabalhei, já fui almoçar com a minha família, só família no jantar, inclusive o meu sócio, que é o meu melhor amigo, e o meu irmão, e o meu companheiro de blogue também. Já voltei a casa, já fui surfar para a Costa da Caparica, numa espécie de uma reunião de trabalho aquática. Porque há poucos lugares melhores para se fazer uma reunião do que no mar.

Hoje o surf foi longo novamente, entrámos eram seis horas, saímos eram nove, já de noite. A reunião não foi muito produtiva no trabalho. Não por causa do surf, mas porque ele é meu amigo e precisava mais de espairecer do que de me falar de projectos. Era Domingo. Não devia estar a trabalhar.

Cheguei a casa e ainda fui trabalhar mais um bocado. Para chegar outros dois amigos meus a casa. Fomos jantar, falar das aventuras rurais de um deles que passou três dias em Trás-os-Montes, e voltámos aqui para casa, onde eu os deixo a jogar Playstation enquanto trabalho, ou por alguma razão conto o meu dia. Que de uma maneira engraçada correu bem, família e três amigos.

Voltando ao Bon Iver. (Resto do post apagado... vou falar do FMI amanhã se tiver paciência. Ou falo da manifestação para onde vou amanhã com a minha mãe. Continuar uma tradição.)

quinta-feira, abril 21, 2011

Do silêncio provocado

Hoje foi dia de Radiohead. O que é sempre um bom dia. Será o equivalente, numa conta matemática que ainda não sei fazer, se um filme equivale a um dia, se 24 horas equivalem a duas, ouvir Radiohead durante um dia, equivale a ver o "Ladrões de bicicletas" que tem uma última cena que me faz sempre ir às lágrimas, mas não deixa de ser uma, senão a grande cena alguma vez feita no cinema.

Bom, eu não chorei hoje. Eu sou um homem, chorar não cai bem. Mas finalmente lá arranquei o novo CD de Radiohead e já o ouvi umas trezentas vezes e, como ele tem uma sonoridade parecida com o Eraser, ouvi umas quantas vezes o Eraser também.

Claro que já há neste disco uma música que me marcou de ferro fundido em pele macia:



E porque este é o tipo de música que salva vidas.

quarta-feira, abril 20, 2011

Um, dois e três



Há músicas que fecham a minha vida em círculos, e que eu as resgato dos círculos constantemente. Lembro-me da melhor viagem que fiz na minha vida a ouvir este música. Uma das mais marcantes que ouvi, uma das mais importantes que ouvi também. Uma oportunidade de começar de novo. Porque nós podemos começar sempre de novo. E porque é bom começar de novo.

Hoje ouço esta música com redobrado gozo. Porque não sei o que é que aí vem. Mas por momentos posso pensar na forma como esta música faz sentido. Como aquele viagem à noite, porque à noite é a minha hora de eleição para viajar, em que relaxei a ouvir que os tempos passados entrelaçam-se, e que lutar contra eles só me cobre de fios enlameados e correntes gordurosas, que é a relaxar, fechar os olhos e relaxar, que consigo libertar-me daquele lodo, daquela aguadilha podre a desaparecer para dois ralos postos ao meu lado.

O vídeo fala do futuro a imagem recua para trás, tudo limpo onde antes estava sujo. Todo seco onde antes estava molhado. Todos os efeitos nefastos limpos como se nada tivesse marcado o meu corpo no passado.

Olhar para a frente e fazer tudo de novo, com alguém novo...

E do norte sopraram os ventos fortes e frios, limpos e sadios. E do norte chamam-me as origens, e os tempos bons de verão fresco, os prenúncios anafados de um protector, esticando o dedo ao meu destino.

terça-feira, abril 19, 2011

O Jorge Peixinho



Hoje ao ler a Pusinko lembrei-me da razão pela qual em minha casa está sempre a passar música. Eu não consigo estar em minha casa sem um instrumento a tocar.

Porquê?

Porque a minha infância é repleta de música. O meu pai tinha, também sempre, qualquer coisa a soar nas colunas lá de casa.

De todas as coisas que ouvia uma eu não gostava. Do Jorge Peixinho. Porque eu era miúdo e aquelas composições eram... bom imagino que para a altura sinistras seja a palavra indicada. Agora comprometo-me a ouvir a obra toda do Peixinho, para fazer pazes com um tipo que me marcou a infância.

"Miguel como a sopa ou eu digo ao teu pai para pôr Jorge Peixinho!" Depois não havia de ser gordo! Oh mãe!

segunda-feira, abril 18, 2011

O sentimento isolado



Não há dia que passe que eu não me sita uma pior pessoa. Pior. Se mau é uma pessoa evoluir para uma má pessoa, eu sinto-me a regressar a caminhos já trilhados.

Sou homem para muitos defeitos. Tantos que é impossível numerar só os mais relevantes, ou reveladores. Mas um fundamental é a incapacidade quase fanática de me fazer rir a mim próprio. Uma das minhas melhores amigas diz que é um indício do meu gigante egocentrismo. E sim, tenho uma amiga que me vê como um egocêntrico desmedido, mas continua a gostar de mim.

E eu podia arranjar mil e uma maneiras de justificar certos actos nos últimos meses, que não terão sido os mais... simpatizáveis... mas a verdade é que não há absolutamente justificação para nenhum deles.

Isto também para justificar a minha ausência aqui no Pastelinho. Por vezes a ausência é melhor do que vir para aqui dizer nada, ou merda.

terça-feira, abril 12, 2011

Em frente

No Passo Certo from Onírica on Vimeo.


Quando o Pastelinho se encontra a trabalhar.

Quem?!?!



Ontem à noite, numa discussão filosófica com um dos meus amigos que melhor me conhece. Que faz questão em me conhecer, e em saber de mim:

- Oh Miguel, aquele miúda é gira, mas não tem muito a ver contigo.

- Epá, mas quem é a miúda que tem a ver comigo? Nenhuma!

- Nenhuma...

O último "nenhuma" é um "nenhuma" resignado. Em jeito melancólico. Aceitando o facto que um dos seus melhores amigos não vai encontrar alguém tão cedo, nem provavelmente tão tarde.

- Vá meu amigo. Não é para toda a gente encontrar alguém. Eu já tive os meus momentos.

Foi o que me faltou dizer-lhe para o animar. Já eu não estou preocupado. Nem um bocadinho. Aliás, cada vez mais despreocupado.

Vamos surfar



Dentro de toda a loucura que se tem passado em Portugal nos últimos anos, em que a responsabilidade política e social é constantemente substituída por protagonismos, atira-te ao tacho, corrupção, entre outras actividades mais esconsas.

Estou constantemente à espera de estar a ver um noticiário, o pivot gritar da caixinha mágica, directamente para o país todo. "A culpa é tua Miguel, reuniram-se os sábios em Belém, mais outra reunião em São Bento, e é provável que tudo tenha começado na residência oficial do Primeiro Ministro e decidiram, lançando um comunicado do terno de reuniões (que não terão demorado mais de cinco minutos cada uma), que a culpa é tua. Que alguém vai aí buscar-te a casa para tratares de explicar como deixaste arrastar a situação do país até este lamaçal."

E levanto-me apressado. Olho para o relógio. São horas de ir surfar. Pego na prancha e deixo de parte a minha inclinação para tentar que este país faça um gigante "rebenta a bolha". Revelando a sua vontade sã, finalmente, de renegar um sistema que não funciona, ou que continua a funcionar para os mesmos, que estão longe de ser a maioria.

Então é melhor fugir para o mar. Remar para uma onda, ficar lá à espera que resgatem este sistema de merda, enquanto enfiam o país num buraco ainda maior. E vejo-os colina a baixo, colina a cima, de armas em punho, equipamentos comprados na Alemanha, é possível que me tentem apanhar com um submarino, que não sai do porto por falta de combustível, mas que liga o radar, "ele está ali! O Culpado! A surfar umas ondas ainda por cima. Isto é lá tempo para surfar ondas? É tempo para prestar contas!"

E eu só quero ir para o mar... Ignorar um país que parece olhar para um jogo de ténis, virando a cabeça ligeiramente para a esquerda, virando a cabeça ligeiramente mais para a direita. Porque o tipo na esquerda joga bem colado à rede, mas o tipo da direita já ameaça jogar das bancadas. E o jogo está fora daquele ringue patético, de bola ali, bola acolá.

A ver se os afogo a todos quando me vierem buscar ao mar.

Demonstração de coluna vertebral









Esta porque tem piada ver um tipo ser tão determinado como ele é, tão sério e tão forte nas suas convicções.



Esta porque, epá, sim, não foi uma criança, mas vi um tipo a correr atrás de um tachinho, pôr em causa aquele imagem inventada por ele, e atirar-se a um rapa fundo. Felizmente ficou tudo nas claras.

Isto ajuda caríssima Pusinko?

segunda-feira, abril 11, 2011

Mas para não azedar

Deixo uma música recorrente.

Porque eles não dormem na praia. Mas bem que podiam dormir.

Dormir na praia... à espera das ondas.

O poder, o tacho e a corrupção

Ligados como uma trindade inevitável só não tenho provas que o senhor Nobre se tenha apegado a uma. A corrupção não me parece estar na sua agenda. Mas não fiando!

Agora a atracção pelo poder, pela vaidade e pelo tacho. Aí... isso ninguém lhe tira. É um tipo algo sinistro. Aquele que um dia usa palavras como categoricamente, nunca, podem ter a certeza, e não se quer associar imediatamente à classe política.

Não vou assaltar mais do meu tempo com o senhor Nobre. Acho que é mais uma maneira de gente desconfiada não votar no PSD. Acho... A não ser que também levem tacho.

(link)

Mas o que eu gostei mais foi a notícia do link em cima. Quando uma escolha é feita em má consciência tenta-se imediatamente apontar para outro lado. ELES TAMBÉM QUERIAM! E eu não tenho dúvidas disso. O Nobre já tinha andado a fazer trabalho para o BE, para benefício próprio. Jà tinha andado a fazer trabalho para um PS escondido, para benefício do Mário. Mas ninguém lhe ofereceu uma poltrona, ele ali, num lugar máximo da República, vai-se sentir como um Rei. Que ele tanto gosta.

domingo, abril 10, 2011

Termendo um Tremendo



O Júlio Resende é tremendo. Uma pérola do Jazz mundial disponível para ouvir no nosso país. Se já tinha o André Fernandes como referência da nova cena do jazz em Portugal, agora tenho o Júlio Resende também. E dá gosto ouvir tão bom jazz no meu país.

Demasiado com os cps



Estou demasiado com os copos para ir para a caminha... ficar um pouco acordado só para aguentar a cena...

sábado, abril 09, 2011

E num ápice!

Tudo mudou!

O meu casaco voltou!!!




O Júlio Resende ecoa na minha sala enquanto trinco qualquer coisa com sabor dançante.



E daqui a um bocadinho páro totalmente de trabalhar e vou ter com a minha companheira de jazz e outras aventuras culturais. Que por acaso é uma cortes, mas não fui eu!!!

Que dia negro



Hoje só pensei em morte, na minha iminente morte criativa. Na minha iminente morte sentimental e na minha mais que inevitável morte física. Porque a morte é lenta sento-me a pensar qual delas está a chegar primeiro.

Hoje é o dia...

sexta-feira, abril 08, 2011

ATENÇÃO!

Perdi o meu casaco verde!! Perfeito conforto, temperatura, talhado para mim, anos de uso e sempre em sintonia comigo, para lá de um magnífico avaliador de tolerância feminina. Se alguém dos meus amigos o encontrar perdido por aí não o confunda com um pano estragado, é de malha, é meu e eu quero-o de volta.

Adenda: (link)

Enquanto não se instala



Frames de pequenas peças de teatro correm-me os olhos húmidos de uma noite de trabalho. Ontem armado em herói fiquei a trabalhar um bocadinho até às seis, e pensei que conseguia acordar cedo. Acordei eram 11h. Os meus cães apertadinhos, ou só fiteiros porque os passearam às quatro e meia da manhã. Hora a que obriguei grande parte do pessoal que veio ter comigo ontem ficar acordado. Maior parte tinha de acordar às 7... chato. Próxima semana é possível que a noite de quinta seja mais solitária. Enfim. Ao menos tivesse acordado ao mesmo tempo do que o outro pessoal em vez de ficar a dormir.

Eu não gosto de dormir sozinho e tal! Que desperdício de tempo. Disse eu ontem de barriga cheia. E pimba! Toma lá a dormir até às 11h! O resto do pessoal já com quatro horas de trabalho em cima. Eu não sou a melhor pessoa do mundo. Nem perto de uma mais ou menos...

quinta-feira, abril 07, 2011

Hoje em mais um périplo hospitalar

Oh meu amigo você está curado! Dizia-me o bonacheirão do médico para me descansar. Quer dizer, temos ainda de descobrir aqui uma coisa... Mas não vai morrer disto!

Ao alívio juntou-se o pânico. O meu amigo RL está pronto para mais uns testes? Diz o médico a rir-se para mim. RL também conhecido como Ratinho de Laboratório que é o que eles me chamam lá pelo hospital tanta agulha já me esperaram no braço.

NÃO! Fugiu-me o grito demasiado intenso. Recompus-me. Ele recompôs-se também, com um sorriso malandro, "aí vais vais". Então pronto, não se faz já, faz-se só em Novembro. Diz-me ele decidido. Porra o alívio do tempo é uma coisa incrível. Até porque espetarem-me uma agulha na veia durante meia hora, para depois me tirarem sangue a seguir a ver no que dá... epá... pronto. Já chega.

É só em Novembro. É só em Novembro. É só em Novembro...

É que nem mais

É possível que este seja o post controverso com que mais concordo com o nosso amigo Pedro Adão e Silva. Chega de meninisses. Por vezes é preciso ter mau perder.

quarta-feira, abril 06, 2011

A tristeza está no meio



Eu não sou um centrão. Longe disso. O centro político dá-me comichões na barba. Mas a verdade é que em casos extremos é raro no meio não estar a virtude.

As pessoas moderadas, mas moderadas com ideais, não o moderado centrão que não sabe o que pensar, ou para onde ir, normalmente estão à procura de uma solução. Moderado no sentido de procurar consensos, porque em último caso é assim que nos organizamos em sociedade. Com ideias, mas racionais e ao encontro das nossas necessidades, tanto como as dos outros.

Eu estou muito ligado à questão palestiniana. Desde que me conheço que não entendo como é possível um povo que sofreu tanto, fazer passar aquilo que faz passar a Palestina.

Já mostrei no Pastelinho alguns casos de israelitas que não gostam como o seu país trata um povo inteiro, e como o poder desmedido de um braço armado do país mais poderoso do mundo não lhes imprime responsabilidade, pelo contrário, torna-os agressivos e vingativos.

Há o caso dos objectores de consciência em Israel que são presos, por se recusarem a fazer parte de um exército que todos os dias viola os mais básicos direitos humanos, e oprimi o direito a um povo ter o seu espaço. Não se vai fazer serviço público. Vai-se preso.

Do outro lado da barricada, as posições extremam-se. Na Palestina não moram anjinhos. Cada vez mais diabolizados por uma situação que cria mais extremismos e deixa as pessoas entregarem-se à ignorância religiosa. E a religião é o grande problema aqui. Os judeus ortodoxos, os muçulmanos extremistas. Ninguém vai ceder, a não ser com aquilo que se designou como "intifada cultural". A ideia é aproximar as crianças, com o tempo quebrar barreiras, não permitir que a religião cegue de ódio as pessoas, sem se terem visto antes.

Hoje morreu um dos mentores da "intifada cultural", baleado por cobardes com lugar no céu garantido. (link) Não há dia que passe que eu não odeie mais religiões. Quem foi? Ou uns ou outros. Porque no meio daquela luta cega entre judeus e muçulmanos, há quem no meio, moderado, pacifista, se encontre na débil posição de ser odiado pelos dois extremos. Só no ódio se encontram estes cabrões.

Uma ideia que hoje faz mais sentido que nunca



"Cavaco Silva criou a ilusão de que já estávamos no pelotão da frente e ter diluído os objectivos e a estratégia do país na União Europeia foi um desastre absoluto."

Tomadas de posição estranhas

Ultimamente sempre que ouço ou leio alguém do FMI até fico surpreendido. Duas uma: ou estão a enganar-me muito bem, e é o mais provável, ou quem se lixa é que anda a fazer reuniões para esses tipos entrarem em força em Portugal.

É que são notícias em catadupa. (link)


No outro dia havia um dos responsáveis pelos FMI que dizia que era necessário mais apoio social e menos mercado liberal. Assim, com estas palavras.

Depois chegam aqui e os tiques esquerdalhas vão todos ao ar. E é despedimentos, definhar o estado, e deixar tudo na incrível mão livre do mercado.

Aguardando mais notícias.

terça-feira, abril 05, 2011

Uma vergonha

"Como é possível que o Banco de Portugal promova uma reunião de banqueiros para obrigar o país a recorrer ao FMI? Como é possível que a mesma banca a que o Estado dá avales de loucura se arrogue tentar dominar, desta vez às claras, a política do país sem a devida resposta dos cidadãos? Como é possível que o banco público se negue a emprestar dinheiro ao Estado? Como é possível que o Estado não declare imediatamente que passará a atribuir os fundos de apoio às PME’s ou do QREN sem que as verbas passem (e fiquem) pela banca privada? Como é possível que não se responsabilize esta trupe de cangalheiros pelos buracos do BPN, BPP e BCP, no qual todos tiveram participações? Como é possível que o Estado não retire imediatamente as garantias públicas que oferece à banca privada?"

Tiago Mota Saraiva, 5 Dias 

PS: Este assunto foi bem explicado pelo António Perez Metelo na TVI24.  Entretanto, ficamos desconfiados que essa tal "maioria alargada" de que Passos Coelho tanto fala (já agora: ele esteve ontem no Clube dos Pensadores. Gostei muito de o ver fora da sua zona de conforto) fala é, às tantas, uma coligação dos grandes bancos. Se calhar o melhor é nem sequer irmos votar. Vamos deixar tudo isto nas mãos dos Donos de Portugal. Ou melhor: continuar a deixar.

Bom, desculpem lá falar de futebol mas.



Esquecendo alguns ingredientes anormais que se viram esta época (a começar pelo Carlos Bossio madrileno) e o modus operandi do costume (entre outros: o terror andrade que começou em Maio do ano passado e que acendeu o rastilho para acontecimentos gravíssimos), no campo, que é onde de facto interessa, o FCP foi a melhor equipa da Liga – mais consistente, regular e competitiva. Repito: da Liga. Isso foi duplamente - e infelizmente - provado.

E, até ver, Villas-Boas foi muito melhor do que Jesus no saber ser melhor, embora ainda não saibamos muito bem como é no saber ser pior - o que só abona em seu favor. Mas ainda não acabou: vem aí a Taça, (a Taça da Liga) e a Liga Europa. E atenção: estamos a lutar pela conquista desta edição da Liga Europa e não, desesperadamente, a tentar conseguir o acesso à pré-eliminatória da próxima. Pré-eliminatória só a da Champions, ok?

Para terminar, ouvir Pinto da Costa falar de "fair-play" é um insulto. Só o posso atribuir à sua garbosa “habitual ironia”. Uma característica que jamais lhe será atribuída nos corredores de um qualquer Estabelecimento Prisional deste país, como seria normal mas que, antes, abre telejornais - o que já é normal num país que não tem vergonha de si próprio. Mas enfim, isso já é uma questão “extra-campo”. E não interessa para nada. O que é interessa é ganhar, carago.

Uma coisa apenas (para amanhã)

Pedido para amanhã: acordar e conseguir levantar o braço.

É que nem vejo as previsões do mar. Desconfio que esteja bom. E se estiver vai ser absolutamente drástico se eu descobrir e me encontrar neste estado...

Que rais parta a vida nunca mais chegam os 33.

segunda-feira, abril 04, 2011

Atenção /disclaimer

A culpa é minha. Eu não consigo explicar bem. Ora aqui vamos tentar, novamente. O Pastelinho não sou bem eu. Ou melhor. É uma parte minha, mas não toda. Estou longe de contar aqui a minha vida. É mais um exercício de escrita. Por vezes escrevo no blogger sem qualquer cuidado em verificar se há "há" com h ou "à" sem h. O que pode acontecer com a velocidade da escrita e uma revisão pouco atenta, ou nenhuma. Isto para dizer, meus amigos que me telefonaram e deixaram mensagem que está tudo impecável. Tudo tranquilo e magnífico. E que não vos respondo porque estou muito atarefado.

(Para ler com voz e tom de gozão) - Talvez daqui a dois meses...

A depressão



Sou o tipo mais depressivo que conheço. E sei quando elas estão a chegar. Tenho mais ou menos duas graves por ano. Duas em que só quero deitar-me e acordar passados dois meses.

Problema? Nem me consigo deitar nessas alturas. Nas alturas em que estou mais deprimido sou ouço três coisas, sendo uma delas Jazz, de resto é um músico português e Radiohead.

A música de Beirut porquê? Estou a esgotar os meus cartuchos para músicas "diferentes". Daqui a uns tempos não saio de casa e ouço Kind of Blue em repeat o dia todo. Quarta-feira, cheira-me, sou o tipo mais deprimido à face da terra.

Um manto negro, abafado e bafiento cai-me em cima. Vai-me cair em cima de tal forma que vou encontrar conforto naquela pano, bordado de grilhetas. E eu próprio cuidarei de espetar tudo o que são objectos cortantes e pontiagudos de dentro para fora, para que ninguém se atreva a tentar tirar-me de cima aquele pano, aquele aflitivo pedaço de conforto...

Aqui vamos nós outra vez. E eu não consigo mexer o braço...

domingo, abril 03, 2011

Um pouco de pica



A ouvir a Samantha novamente. Trabalhar um bocadinho à noite que amanhã vai ser um dia longo!

sábado, abril 02, 2011

Emergências no Santa Maria

Um amigo meu foi parar ao hospital - perna partida. Eu a esperar no corredor do SO, com a namorada dele, a minha irmã, e se houvesse um incêndio, terramoto ou qualquer desastre do género, esta era a planta de "emergência" com que tinha de lidar... (A4)

Fugir à receitas do costume



Mais uma vez, temos um prato com as mesmas propostas de sempre mas outro com visões e propostas alternativas. Algo que manifestamente tem feito falta no meio deste debate histérico - e estéril - sobre a situação portuguesa. Quando se diz que não há alternativas e que temos aceitar tudo o que nos vendem (e infelizmente, o termo é esse: vender, e bem, com juros altos) sem termos uma posição acrítica - agora chamam-lhe sentido de Estado - só há uma coisa a dizer: não é verdade. Irreal, neste momento, é não considerar sequer debater as alternativas. Está visto que, contrariamente ao que seria de supor, a economia é uma ciência muito pouco empírica. E o que há para discutir é bem mais sério do que os números e as continhas de mercearia que nos querem impingir e o que certa gente que faz negócio com esses números e continhas acha sobre isso mesmo - são teorias económicas e visões políticas antagónicas. Seria de esperar, por isso, que quem tem uma visão diferente dos que nos trouxeram até aqui - e que continuam a debitar as mesmas soluções para os males que esse caminho aprofundou - aparecesse mais do que em debates ao fim da noite na televisão. Acho que a quinze dias da bancarrota seria bom pensar um pouco sobre o assunto.

sexta-feira, abril 01, 2011

Relaxado num mais ou menos

É engraçado. Hoje estive em modo de trabalho intenso, a tentar acertar e não obcecar. Felizmente uma das minhas melhores amigas apareceu para me resgatar do meu estado vegetativo em frente ao computador.

Amanhã queria fugir e ir surfar. Talvez à tarde... Mas a verdade é que apesar de curta, a noite foi frutuosa, calma, porque eu também posso estar calmo, e tranquila, com duas amigas no meu local da quinta à noite.

A tranquilidade é algo complicado de atingir. Acho que relaxar mesmo não consegui hoje. Mas esta saída vai permitir que eu tenha abertura para relaxar amanhã. Depois de surfar. Comer uns caracóis numa esplanada na Ericeira, ver o sol a pôr-se depois de ter surfado três horas.

Não vai dar. Mas era mesmo bom que desse...

Bom. Hoje faço anos, e isto vai ser um bom dia!!!

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